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2009-03-08

 

Guiné Bissau. Uma nova esperança

Nino Vieira depois de morto ou ainda vivo foi esquartejado à catanada. Tortura, horrores que o próprio Nino semeou.
Depois vi na TV um feiticeiro explicar que o esquartejamento não era apenas a expressão do ódio e da vingança. Era principalmente uma medida preventiva para que o espírito (ou o corpo mesmo?) do violento Nino não andasse por aí e fizesse das suas. Era, digamos, um bispo tribal, irmão antigo mas contemporâneo de D. José Cardoso Sobrinho, de que se fala no post anterior. O feiticeiro balanta, etnia de Tagmé Na Waié, o Chefe de Estado Maior General das Forças Armadas mandado matar, segundo se suspeita, por Nino umas horas antes, informou que iria fazer uns sacrifícios, uns bois, talvez uns carneiros (homens ou mulheres estavam excluídos) para garantir que depois de morto o falecido Presidente da República, da etnia Papel, não faria mal aos Balantas.
O feiticeiro (não fixei o nome) pareceu-me pessoa mais conscienciosa que o bispo do Recife. Pareceu-me que não acreditava em nada do que dizia, apenas uma profissão e para mais respeitada, nas funções da qual... remexendo e lendo nas vísceras de uns quantos animais (como os gregos de há 2.500 anos, faziam antes de temíveis e incertas batalhas) canalizará para o lado da paz, com inteligência, a superstição do seu rebanho, afeiçoando os instintos sanguinários de vingança da tribo.
Julgo saber que à frente do Governo da Guiné Bissau está uma figura respeitada, de alto gabarito cultural e político, Carlos Gomes Júnior e que no cargo de presidente interino está outra figura muito digna e competente, Raimundo Pereira. E sei de intelectuais, de homens da política, humanistas, técnicos e simples cidadãos guineenses que estão no século XXI tal como os melhores dos países desenvolvidos do Norte. E vejo que distância (quantos séculos ?) os separa do atraso cultural e material de tantos guineenses. E sei que em grande medida esse atraso civilizacional é obra da miséria, da falta de recursos disponibilizados. Assim o levantar da economia rapidamente trará para o mundo presente quem por força das circunstâncias se mantém séculos ou milénios lá atrás.
A Guíné Bissau necessita do apoio internacional que a salve da situação de entreposto (das garras) do narcotráfico, das práticas de venda de crianças para a prostituição no estranjeiro quando não para fornecedoras de órgãos humanos e tantas outras práticas filhas da pobreza aliás comun a muitos outros países por esse mundo fora.
Tenho esperança que apesar de tanta precariedade e dos condicionalismos da crise global a Guiné no coração de tantos portugueses - encontre o caminho certo que a liberte da pobreza mãe de todas as guerras.

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Comments:
Muito obrigado pelo texto que aqui publica. Além de verdadeiro (percebi imediatamete, por razões que se prendem com o meu estudo e investigação antropológica o significado do esquartejamento e, não tendo visto o "feiticeiro" que refere, é grato saber que passaram essa leitura local dos factos) é um texto belo (apesar do horror) e importante. Sobre o episódio do bispo do Recife, escrevi em A Nossa Candeia, um texto que intitulei "A Inquisição não voltará". Esperemos que os guineenses levantem da miséria o seu povo e o seu país... por todas as suas etnias e por todas as pessoas!
 
Quem com ferros mata, com ferros morre!

Aconteceu com Nino Vieira.
 
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