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2009-09-06

 

Balão furado

Cartoon de André Carrilho (DN, 09-09-06)
Afinal a TVI – bem haja - atirou ao país, expectante e atónito, no Jornal de sexta-feira, o balde de lixo mediático que Manuela Moura Guedes (MMG) tinha durante as férias laboriosamente entretecido. É a prova provada – uf - de que Sócrates não conseguiu sufocar a Democracia graças aos denodados esforços pela Liberdade de Manuela Ferreira Leite, José Aguiar Branco, anónimos assessores da Presidência da República e outros zelotas, saudosos do cavaquismo do século passado.
Segundo os media, o dono da TVI, o jornalista e empresário espanhol Juan Luis Cebrián (fundador de El País) proibiu no seu canal de televisão o noticiário da intriga política do casal Manuela/Moniz . Foi ele, mas o pessoal de Ferreira Leite, de Marques Guedes a Pacheco Pereira preferem garantir que foi Sócrates. "O cancelamento do Jornal Nacional e o afastamento de Manuela Moura Guedes significa cumprir a ordem dada pelo primeiro-ministro", afirmou Pacheco, citado na Lusa”.

Cebrián quis que prevalecesse a sua concepção de liberdade de informação relativamente à liberdade de informação do casal Moniz/Manuela. Seria não apenas compreensível (legal em Espanha, ao que se diz) seria uma medida de bom senso, de seriedade jornalística, de respeito pelos telespectadores e provavelmente uma aposta no futuro empresarial da estação afastando-a do formato tablóide e da intriga política, não fora um pequeno senão: infringe a lei portuguesa que veda (e bem) à administração a intromissão nas funções da direcção de um órgão de informação.
Cebrián, jornalista e empresário, trata do jornalismo e dos interesses económicos da sua estação. Infelizmente, mas é compreensível, não tratou dos interesses da campanha do 1º ministro de Portugal.
Proibir Manuela /Moniz de lançar às sextas no espaço mediático o seu lixo doméstico é muitíssimo pior que permitir a consequente poluição porque assim ao menos ficámos a saber que as novas investigações sobre o Freeport assentam numa aparentemente mal forjada carta anónima que pôs a PJ no encalço da tramóia.
Na campanha para as eleições de 2005 a direita lançou o Freeport e Santana Lopes, em estilo gigolô, apimentou o “debate” com o assertivo argumento “político” dos “outros colos”. Agora relançou-se o Freeport condimentado com a “asfixia democrática”.
Manuela Ferreira Leite anda por aí num alvoroço a garantir que “há um clima de falta de liberdade total no país”.
Há quem ache que para derrotar Sócrates e o PS vale tudo vale mesmo correr o risco de termos Manuela Ferreira Leite e com ela o cavaquistão dos anos 80, trinta anos depois, a governar o país.
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Post Scriptum: Para que não haja dúvidas. Fique claro que discordando totalmente do “jornalismo” da MMG, discordo mais ainda de quaisquer atropelos à regulamentação democrática para o impedir. Esse caminho já sabemos aonde leva.

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