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2009-09-01

 

BANZAI (4)





A imprensa portuguesa parece não se ter interessado muito pelo terramoto político japonês. Não se percebe bem porquê. As sondagens apontavam, nos últimos meses, para a hecatombe do partido há mais de meio século no poder; Yukio Hatoyama oferecia, em clima de crise desesperada, a esperança da mudança, combatendo a visão estreita dos fundamentalistas do mercado, e preconizava uma alteração radical das relações externas com a criação de uma nova área político-económica (Japão, China, Coreia e Taiwan) com moeda comum.


Tim Kelly, na FORBES, ridiculariza o ideário do futuro 1º Ministro do Japão, insinuando que ele não consegue perceber o que se passa à sua volta. Tim contraria, caso a caso, a exequibilidade das grandes linhas estratégicas que Hatoyama propõe. Chama-lhe, no seu artigo desdenhoso, a "Ilha da Fantasia de Hatoyama" (ver aqui: Hatoyama's Fantasy Island).


Kelly parte do princípio de que a China não está interessada na criação de um espaço como o teorizado por Hatoyama; que as empresas japonesas não sobreviverão fora do globalismo (deturpando a categorização de Hatoyama); e que não é realista alterar os termos em que se baseiam as relações do Japão com os Estados Unidos da América.


Sempre que a mais leve crítica do sistema capitalista emerge, as reacções oscilam entre o silêncio e a ridicularização. Será porque Hatoyama foi longe demais na caracterização da desumanidade do fundamentalismo capitalista? Ou porque foi menos cuidadoso do que muitos dos actuais líderes de partidos socialistas e sociais democratas da Europa?


Provavelmente por ambas as razões...


Comments:
Se não percebe porquê é porque anda nas nuvens (sem ofensa!).
Se a notícia pusesse em causa o Sócrates pode crer que teria honras de primeira pagina!

Estou à vontade para dizer isto porque não morro de amores por JS e a actual política do PS.

Duarte
 
Caro Duarte,

desço das nuvens (nada ofendido) para lhe dizer que estranhei o seu comentário. De facto parece-me que as ideias que Hatoyama diz defender são mais desassombradas que as timidamente titubeadas pelos actuais líderes sociais-democratas da Europa, incluindo Sócrates.
Por estes lados, quando alguém critica o capitalismo, fica tudo transido.
Cumprimentos
 
Concordo com a sua opinião, criticas ao CAPITALISMO não, ao neo-liberalismo se forem tímidas e só depois da CRISE!
repito: os jornalistas (?) portugueses estão mais preocupados em "deitar abaixo" o Sócrates.

A propósito, a MFL e comandita ASSUSTAM-ME!

Cps,

Duarte
 
Capitalismo não; neoliberalismo sim. Esta dicotomia faz-me lembrar a discussão sobre o socialismo e seus modelos. Havia quem defendesse que a falha era "humana" e não do modelo. Ora parece-me evidente que a crise em que vivemos não tem apenas a ver com os fundamentalistas neoliberais. O sistema capitalista, no seu conjunto, está desadaptado, tornou-se inadequado. A crítica do capitalismo não é só a condenação dos exageros desregulatórios. É também a assunção de que se trata de um sistema velho (e um conjunto de conceitos ultrapassados), caduco que necessita de uma grande transformação para deixar de vitimar, em cada ciclo, os mais desvalidos, discriminados e marginalizados.
O Capitalismo, meu caro Duarte, nem é perfeito nem intocável. Neste aspecto parece que não estamos de acordo.
Cumprimentos
 
Meu caro:

É que me expressei mal!
Neo não e o antigo também não.
Tem de ser algo novo, não sei bem como e o quê!
Há mais acordo do que desacordo.
Cumprimentos,

Duarte
 
"Será porque Hatoyama foi longe demais na caracterização da desumanidade do fundamentalismo capitalista? Ou porque foi menos cuidadoso do que muitos dos actuais líderes de partidos socialistas e sociais democratas da Europa?"

Ó Manuel Correia eu dei-me ao trabalho de seguir as eleições e as declarações do Hatoyama e nem ele foi assim tão incisivo nas críticas ao capitalismo em geral e ao capitalismo japonês em particular como nem sequer se aproxima da área da social-democracia. Ela faz parte da elite dominante, quer manter o regime, quer maior aproximação aos países asiáticos, quer renegociar o acordo com os norte-americanos mas nem sequer põe esse acordo em causa.
 
Caro Luis,

se se deu ao trabalho de ler o "ensaio" de Hatoyama [publicado em pelo menos dois jornais norte americanos, cujo link inseri no poste "Banzai (3)"] verá que não exagerei nada. Desde a imoralidade de o "fundamentalismo de mercado" tomar o ser humano como um meio, e não como um fim, até à necessidade da criação de uma zona asiática com moeda própria. Aliás, se acompanhou a cadeia de reacções a este seu ensaio, terá certamente constatado o desagrado e o mau humor com que o seu manifesto foi recebido.
Algum dos dirigentes sociais democratas europeus foi tão longe na caracterização daquilo a que Hatoyama chama "globalismo" (desregulação neo-liberal impulsionada sobretudo a partir dos EUA)?
Cumprimentos
 
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