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2009-09-06

 

Temas e Debates (4)



Jerónimo de Sousa veio da Festa do Avante ao encontro de José Sócrates. Não está a pensar convencer muitos ex-votantes no PS a votarem, desta vez, no PCP. Alguns haverá, mas não serão por aí além.

Pelo seu lado, José Sócrates também já percebeu que não levará muitos ex-votantes no PC a votarem, desta vez, no PS. Invoca, habilmente as virtualidades do voto útil, mas já sabe muito bem o que a casa gasta.

Ambos se comportaram cordialmente, expondo, sem novidades, os seus principais pontos de vista. José Sócrates, se conseguir nova maioria para o PS sabe perfeitamente em que medida pode contar com o apoio do PCP, e conhece, com um pormenor que já chateia, as razões da oposição dos comunistas. Talvez por isso não tenha respondido às três principais acusações de Jerónimo de Sousa (agravamento do código de trabalho, distribuição desigual dos sacrifícios, e medidas insuficientes para combater o desemprego e a pobreza).

Diferentemente do que transparece nas trocas de galhardetes avulsas, nem o PS foi confundido "inteiramente" com a direita, nem o PCP foi apelidado simplificadamente de "botabaixista".

José Sócrates enunciou as principais linhas de separação com os comunistas (proporções diferentes do sector público e privado na composição económico-social; integração europeia e concepção global do papel do Estado na sociedade). É curioso que as relações internacionais tenham sido evacuadas destes debates. Provavelmente por ambos os contendores conhecerem os telhados de vidro de ambas as agremiações...

A fórmula dos comunistas "contra as políticas de direita" e os seus executantes, enferma de algumas ambiguidades. Destinada a retirar margem de manobra a um PS embalado pela onda neoliberal - vituperada mas não inteiramente invertida com a eclosão da crise global - atinge o máximo da sua eficácia quando o PS é atirado para a oposição. Estaríamos, assim, condenados a ser vítimas das políticas da direita, alternadamente do PS, ou do PSD, mas sem fim à vista.

Ora a questão política que se coloca é precisamente a de que fazer para interromper essa espécie de neorrotativismo.

Para isso, há que conseguir um entendimento mais alargado das esquerdas e de comunistas, socialistas e sociais-democratas, do PCP, BE, PS e do PSD.

O crescimento do BE sem o enfraquecimento crítico do PCP, poderá vir provar que um tal entendimento, pode não apenas tornar-se necessário, mas também a única via para deixar de patear numa linha de oposição firme mas estéril.

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