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2009-11-08

 

Notas a propósito do debate sobre o Programa do Governo (2)

O comportamento da Direcção do PCP ao longo dos últimos 35 anos de democracia é absolutamente confrangedor pela forma como tem ingloriamente delapidado e desperdiçado o valioso património histórico e revolucionário desse partido.

Um dos sinais inequívocos desta evolução é o enormíssimo número de quadros e militantes, muitos deles com largos anos de clandestinidade, que se afastaram do partido, invocando quase sempre razões de falta de democracia interna, de dogmatismo e de sectarismo. Outro sinal inequívoco é a contínua perda de influência na sociedade traduzida, por exemplo, pela continuada redução dos seus resultados eleitorais, tanto em eleições legislativas como autárquicas. Outro sinal ainda é a indisponibilidade que o PCP sempre tem manifestado para fazer qualquer coligação, aliança, acordo pré ou pós eleitoral com o PS, a nível nacional ou municipal, para derrotar a direita, com excepção do município de Lisboa, no período 1989-2001, com resultados muito positivos.

Para o PCP, o PS é o "inimigo" principal!

Nas últimas eleições legislativas e autárquicas, esta situação manteve-se, com grande vantagem para a direita,mas também com grande prejuízo para o PCP. Basta ver o que se passou com os resultados eleitorais para a Câmara Municipal de Lisboa em que o PCP, contrariamente ao que se verificou no passado, deixou de ser necessário para a esquerda derrotar a direita com maioria absoluta.
Comments:
Cá está mais um exemplo de apreciação em que a propaganda fala mais alto do que a análise.
O PS e o PCP entenderam-se in illo tempore para uma solução política ganhadora para o Município de Lisboa. Foi a excepção. Pois foi. Foi difícil? Recordo-me que sim.
Mas como é que foi possível? Foi possível porque houve interesse e propostas aceitáveis da parte do PS.
O PCP desse tempo era muito diferente do PCP de hoje?
Nessa altura o PCP não mimava já o PS com piropos do género "PS sòzinho de facto aliado à direita".
O PS não se tinha já aliado com o CDS, com o PSD, etc?
Claro que sim.
Nesta história de desentendimento à esquerda, Mário Lino quer isentar o PS da sua parte de "culpa" na postura social democrata de direita que tem dominantemente ostentado.
É verdade que o PCP tem perdido influência, mas o fechamento relativo do PCP não explica tudo.
Sejamos razoáveis, saibamos ler o sentido do núcleo fundamental das políticas públicas do PS.
Culpar apenas o PCP pela deriva de direita do PS, pode soar bem a alguns ouvidos prosélitos, mas é uma explicação fraca.
O PS deve ser capaz também de perceber que, com raras excepções, não assumiu nenhum compromisso programático que o torne um aliado fiável para o PCP ou para o BE.
As cenas parlamentares dos próximos capítulos, mostrarão como Paulo Portas explora essa vizinhança pragmática.
O PS é o "inimigo principal" do PCP? De facto, os dirigentes do PCP esforçam-se bastante para dar essa impressão, apesar de repetirem, à exaustão, que o que combatem são as "políticas de direita".

Qual será o inimigo principal do PS?
 
Não posso deixar de lhe recordar amigo Manuel Correia que nessa altura (entendimento na Camara de Lisboa) a palavra de ordem da direcção do PCP era de "convergência".Vivia-se então em pleno desmoronamento do império comunista.A desorientação ideológica e a atitude defensiva dos comunistas era bem evidente.Aliás a generalidade dos principais protagonistas da candidatura em Lisboa viriam a entrar em rotura com o partido como João Amaral e Godinho que agora apareceu a apoiar António Costa tal como Saramago então eleito para presidir à Assembleia Municipal.
È bem verdade que a atitude do partido comunista é hoje bem diferente daquela que tinha na altura por razões circunstânciais e também porque muitos daqueles que encarnavam essa politica de convergência se afastaram ou foram expulsos.
Por isso lhe digo que não foi apenas o ter havido "interesse e propostas aceitáveis por parte do PS" certamente também as houve agora da parte de António Costa sem qualquer resposta positiva da parte do PC ou do BE.
 
Acha o mínimo de ética. O João Amaral já cá não está para se defender e morreu comunista por vontade própria. e o Saramago nunca apoiou a candidatura do PS.

Quanto ao Costa, torno a lembrar que nem sequer propôs um encontro com o PCP.
 
E eu não posso deixar de recordar-lhe, amigo João, que a viabilização do acordo PS/PCP se ficou nitidamente a dever (também) às divisões internas do PS em que os soaristas e seus aliados quiseram fritar Sampaio.
Bem poderíamos, agora, especular acerca dos factores que mais contribuiram para o entendimento de esquerda. Todavia, basta consultar a imprensa da época para rever que havia mais adversários de Jorge Sampaio (então secretário geral) dentro do PS, do que fora dele.
Quando se evoca a história política, é bom ter em atenção que o PS é muito mais agitado quando não está no poder.
Quanto ao PCP, revisitando também os slogans da época, podemos concluir, sem esforço, que passou a acentuar, até, o seu desacordo em relação ao desempenho governativo do PS. Até se compreende.
 
E é bom lembrar que foi o PS que deixou de aparecer nas reuniões da coligação depois da vitória do Santana, assim esvaziando de facto a coligação. É bom lembrar ainda que depois foi o PS que aprovou na Câmara e na Assembleia Municipal (aqui também o BE) negócios iníquos que para pôr termo a CDU teve que apresentar queixa ao tribunal administrativo.

Enquanto parceiro da coligação a CDU provou ser parceiro confiável e de confiança, respeitou o programa acordado e nunca pactuou com negociatas mais ou menos encobertas. Defendeu sempre responsavelmente o património municipal e os interesses dos lisboetas.

Costa fingiu que queria coligação mas nunca sequer tomou a iniciativa de propor um encontro. E arquitectou a campanha de assustamento que lhe deu a vitória. Mas está refém da CDU na Assembleia Municipal.
 
Luis,vejo-me na obrigação de reconhecer o erro de incluir no meu comentário anterior João Amaral como tendo "entrado em rotura com o PC".Lembro-me na altura de ter lido declarações dele muito criticas sôbre a orientação da direcção mas daí à rotura vai um passo decisivo sem dúvida.As minhas desculpas.
 
O joão, aqui imediatamente acima (escuso reproduzir), pediu desculpa ao Luís como quem pede desculpa ao pc. E fez muito bem porque ou me engano muito ou este anónimo Luís é o funcionário do pc de serviço aos blogs. Já teve o nicname de Margarida e outros por aí pela blogosfera. Conhece muito bem os estatutos do partido que nenhum vulgar militante conhece, conhece as últimas e oficiais posições do pc sobre tudo, zanga-se se alguém contraria a linha oficial do seu partido. Não o estou a censurar e até é louvável o que faz ficamos logo a saber que o que critica não está de acordo com o programa e os estautos do pc, é um serviço que por modéstia e humildade prefere fazer anonimamente.
Tia anica
 
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