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2011-12-15

 

Sobre os resultados do último Conselho europeu

Os três artigos colocados antes são retirados de Lettre d'information du 15 décembre 2011, revista Alternatives Économiques.

Em minha opinião merecem leitura. São uma outra visão da crise, apontam saídas e identificam bem as barreiras que os dirigentes europeus não têm tido arte para ultrapassar por razões meramente ideológicas e/ou de oportunismo político.

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2011-12-07

 

InfoMoney :: Europa e PIB brasileiro preocupam e juros futuros fecham em queda

InfoMoney :: Europa e PIB brasileiro preocupam e juros futuros fecham em queda

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2011-11-07

 

Mesmo com FMI na Itália, a UE pode ser "sacudida"

A crise da dívida soberana na Europa, que muita tinta tem feito correr, começa agora a assumir uma dimensão com potenciais consequências de muita gravidade, incluindo o eventual fim da moeda única .

Em todo o lado, se escreve que a situação económica da Europa no seu todo não configura esta crise, até se apresenta melhor nos seus rácios económicos que os EUA e Japão.

"L'Europe va mal. Non que son économie - prise comme un tout - soit particulièrement déséquilibrée: les Européens ne consomment pas plus qu'ils ne produisent, contrairement aux Américains, et les comptes extérieurs de la zone euro sont quasiment équilibrés; l'épargne des ménages est abondante et leur endettement deux fois plus faible qu'aux Etats-Unis; même du côté des dettes publiques, qui paraissent aujourd'hui la principale faiblesse de l'Europe, leur poids dans le produit intérieur brut (PIB) est inférieur de dix points à ce qu'il est dans le PIB américain et leur progression est beaucoup moins rapide" lê-se em Alternatives Economiques nº 90, Outubro de 2011.

Mas toda a gente (menos os políticos europeus) começa a concordar que os problemas da Europa se situam a dois níveis: desequilíbrios internos profundos e principalmente uma falha e falta de comando, instituições mal formatadas como o BCE que costumo dizer só tem funções de "meio banco central", um FEEF recente e descapitalizado, que procurou financiar-se junto dos países emergentes (o que levou a Presidente DILMA a dizer mas se vocês europeus não financiam porque vamos nós entrar nesse combóio), um orçamento sobretudo para financiar a burocracia comunitária e declarações (levianas) em série dos altos responsáveis europeus sobre os problemas da Europa associadas a umas cimeiras cujas decisões caem por terra nas horas seguintes.

Estas cimeiras são por isso inconsequentes, com respostas frágeis e a reboque dos acontecimentos e sem nunca agarrarem os problemas em toda a sua dimensão.

E os mercados (capital financeiro mundial) não perdoam. É a instabilidade continuada.

Agora com um país grande, a Itália sob a alçada desses mercados, oferecendo pouca confiança com um governo sui generis e ainda periclitante, a situação é gravíssima para a Europa.

A "entrada" imposta do FMI pode aliviar o negrume da situação mas nada de bom é expectável.

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2011-08-03

 

Europa, vítima da sua incompetência

"Os mercados" estão agora a virar-se para desacreditar países da União de maior dimensão e peso económico e político. Até agora Grécia, Irlanda e Portugal eram apenas cerca de 7,4% do PIB da Zona Euro. Com a Espanha e a Itália na mira, a história é outra. Começa o edifício a tremer.

A reacção de Espanha, de Itália e de Durão Barroso vai pelo mesmo caminho. O ataque dos "mercados" não faz sentido. Não há razões para este ataque. ... blá, blá blá.

O problema é que faz. Esses ditos "mercados"- capital financeiro, sobretudo americano - conhecem bem que a Europa não tem, de facto, instituídos mecanismos agilizados de defesa. E se atacar dá lucro e do forte porque não o fazer. É a sua função.

Hoje, a Europa está a ser a principal vítima de uma crise desencadeada nos EUA em 2008, a tal ponto que até o euro está a periclitar.

E não há razões económicas para isso, até porque a Europa no seu conjunto não apresenta grandes desequilíbrios. Mas de nada serve esta constatação.

Na realidade, a Europa não tem nem um sobreendividamento das famílias nem desequilíbrios externos que se comparem à situação real da economia dos EUA. Nem em termos de dívida pública.

A Europa até podia estar a superar esta crise de forma folgada, sem grandes problemas.

E não é o que está a acontecer. A Europa derrapa por todos os lados.

Porquê?

Porque deixou ir na água do banho uma das razões fortes da sua criação: a solidariedade entre países.

Há países de facto com problemas mas a Europa foi deixando andar e ainda não se entendeu no ataque à crise. Não criou mecanismos financeiros de defesa.

Para sair da crise é preciso que os países membros aceitem de uma vez por todas a necessidade evidente de pôr em comum mais dinheiro e mais poderes de decisão. Neste contexto, apesar dos tratados terem armadilhado a constituição rápida de novos mecanismos, há que superar essas restrições: perante uma crise há que ser ágil, há que romper.

Começa a ser demasiado claro que nenhum país por si só vai conseguir resolver a sua crise. Grécia, Portugal, Irlanda não vão poder pagar a dívida. E Espanha, Itália e outros se estiverem muito tempo debaixo dos holofotes dos ditos "mercados" acontecer-lhes-à a mesmíssima coisa.

O risco de não agir de forma solidária, pode ser a destruição.


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2011-05-21

 

Europa sem estratégia para a crise

FMI: Resposta mais forte por parte da Europa é urgente . Interessante

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2011-01-05

 

O Fundo de Estabilidade Europeu, segundo Stiglitz

Para Stiglitz, prémio nobel da economia, o fundo de estabilidade da UE não é mais que um "paliativo".
O panorama de há seis meses atrás, isto é, a incerteza na UE mantém-se.
Para Stigliz, "a via da austeridade escolhida pela Europa sob pressão dos mercados vai retardar a saída da crise, enfraquecer os elos mais vulneráveis da Zona Euro e da União Europeia". Nesta mesma linha de pensamento diz stiglitz "a ideologia do mercado livre que permitiu as bolhas financeiras ata as mãos aos políticos".
E continua "muitos dos líderes europeus não compreenderam que se deve atacar a regulação do sistema e refrear a energia do mundo da finança que nada conhece da economia".
Estas ideias foram expressas no Le Monde de hoje resumo de uma entrevista ao Libération não acessível senão aos assinantes on line.

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2010-11-10

 

o FMI e os 7%

"Não vale a pena bater mais no ceguinho".

Uma infelicidade toda a gente tem. Além do mais, não é batendo no "ceguinho" que este assunto se entende.

E então para ver se se agarra uma ponta do problema, comece-se por desmistificar que afinal a aprovação deste orçamento de pouco serviu, apesar de, desde o Presidente da República, aos grandes banqueiros nacionais, ao Presidente da Comissão Europeia, ao PS e ao PSD, toda esta santa gente dizer que ou o orçamento ou o caos e Teixeira dos Santos já tinha cometido a sua infelicidade dos 7%.

O caos ainda não chegou, mas o precipício pode não tardar.

E sabem por quê: vem aí essa coisa mítica que são os mercados. Os mercados não perdoam e esta é uma boa verdade. A especulação aproveita.

Mas onde estarão esses mercados à espreita?

Algures esses mercados corporizam-se nuns senhores bem encasacados ou também em outros até vestidos desportivamente, muito poucos são, mas pensam como "ganhar" muito dignamente.

Àqueles infelizes lá no canto da Europa vamos pregar-lhes uma partida.

São pequenos mas podem aumentar o nosso pecúlio. Que tal obrigá-los a pagar para se refinanciarem a uma taxa de 7% ou mais?

Meu dito meu feito.

E esses senhores da Banca Mundial, de parceria com uma Europa que anda a titubear e pouco sabe do que deve fazer, ou então com uma Senhora Merkel que muito gostaria de ver uns quantos países pelas costas, e a quem só levam 3% para refinanciar a economia alemã, lá estão a ajudar a economia portuguesa a refinanciar-se a taxas de quase 7%.

Já viram a diferença? Os chineses já começaram a ver e se fizerem uns pontinhos mais baratos que venham e depressa.

Em contrapartida querem apenas entrar no capital das boas empresas eufemisticamente portuguesas. Que levem.




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2009-12-13

 

EUROPA A MURRO

Berlusconi foi atingido na cara com um murro que lhe partiu os dentes. Tudo aconteceu depois de um comício na praça do Duomo (Milão). Durante uma sessão de autógrafos, o agressor quebrou o cordão de segurança e aproximou-se demasiado do primeiro ministro de Itália acabando um serviço há muito anunciado, basta ler a blogosfera e acompanhar o movimento "No Berlusconi Day" que desde Outubro pede a demissão do PM.
"Anomalia italiana" é a justificação para a vitória de Berlusconi nas eleições de Abril de 2008. Mais uma, diga-se.
Temo que o que se passa em Itália, um país com a comunicação social controlada e uma Justiça de rastos, atinga proporções maiores. Pode ser que a Europa acorde e não precise de abrir os olhos a murro. O desemprego, o aumento da pobreza, as clivagens sociais cada vez mais vincadas, o sentimento de que tudo está errado, a crise do capitalismo, a ausência de ideologias para se agarrar, deixa-nos à deriva.
E há um pormenor que nos atinge. Há quatro países com economias preocupantes e que viveram ditaduras -Grécia, Espanha, Portugal e Itália.
Arrepia-me quando ouço, e cada vez mais, que é preciso "meter este país (Portugal) nos eixos".
Num cenário de ingovernabilidade, é bom que ninguém se esqueça que o povo de barriga vazia não pensa e, normalmente, abre portas a um pai tirano.
Às vezes, julgo que é isso que muita gente anda a querer para Portugal. Mas tomem juízo. Há histórias que não se repetem.

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2009-03-02

 

"O modelo social europeu" (4)

Para terminar estas curtas e básicas notas sobre esta temática que, aliás, se prende com uma outra: a dos diferentes "capitalismos" na Europa que lhe está ligada, uma breve referência ao "modelo francês", embora sobre este aspecto, o Pedro Ferreira seja maior conhecedor e melhor preparado para falar.

Para muitos autores, não há um "modelo francês", na medida em que ele é um compromisso entre o "nórdico" e o "alemão/renano". Com o nórdico partilha sobretudo o nível elevado de prestações sociais, com o alemão o tipo de financiamento dessas prestações. No entanto, diverge de ambos quanto aos mecanismos de procura de consensualidade, onde "a marca" é a do confronto. A greve desempenha quase sempre um papel prévio, a fim de se assegurar uma posição de força no processo de negociação.

Quanto ao modelo da Europa do Sul, ou "modelo mediterrâneo" cada país é um caso, mesmo em termos de mecanismos de consensualidades.

Estas notas sobre "o modelo social europeu" vieram a propósito do PS ter indicado para debate no Congresso um tema importantíssimo, a Reforma Fiscal, que muito tem a ver com vários dos aspectos de financiamento e de redistribuição do rendimento.

Mas sobre este matéria, aliás muito estruturante em termos de equidade/justiça social, o congresso do PS foi fraco. Ficou-se por generalidades vagas.

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2009-03-01

 

"O modelo social europeu" (3)

Mais umas notas sobre este modelo que, em nosso entender, não é úniico. Aqui se registam umas quantas características sobre o modelo alemão, muitas vezes também designado de "modelo renano" com aplicação na Austria e na Eslovénia embora com alguns ajustamentos.

Modelo Alemão

Neste modelo, procura-se um amplo consenso, através do recurso a mecanismos de cogestão, que é, de certa forma favorecida pelo elevado grau de sindicalização que existe na sociedade alemã.

Assim, os serviços públicos funcionam em grande parte sob a tutela das autoridades públicas, com os Landers a desempenharem um papel chave. O nível de protecção social é bastante elevado, embora com o governo de Gerhard Schroder se tenham registado perdas significativas de regalias, dando origem a uma cisão no seio do SPD, originando um outro partido mais à esquerda que veio posteriormente a fundir-se com o que subsistiu do partido comunista da ex-RDA.

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2009-02-27

 

"O modelo social europeu" (1)

Pegando no tema do "modelo social europeu", como tinha prometido, a observação prévia a fazer é que esta designação é pouco ajustada por duas razões básicas, embora se a utilize bastante.

O conceito de "modelo" implica um conjunto algo coerente de princípios e normas aplicáveis a um espaço o que, na realidade, não existe. Basta comparar o "modelo social sueco" com "o português" para perceber do que se está a falar. Registam-se, contudo, umas quantas práticas de índole social que distingue a Europa, para melhor, de outros espaços. Segundo, se se quiser falar de "modelo social europeu", a qual nos devemos reportar? Ao modelo social "nórdico", ao "alemão", ao "francês", ao "anglo-saxónico", ao "da Europa do Sul"? Complicado, não é?

A propósito do Congresso do PS, que começa hoje, registarei aqui umas breves linhas sobre o modelo social nórdico. Porquê? Exactamente porque no congresso do PS vai ser abordada/debatida a reforma fiscal e será interessante ver se haverá alguma aproximação de conteúdo. O modelo social nórdico dá grande ênfase a esta matéria, existindo um amplo consenso sobre ela entre a população daqueles países.

O modelo "nórdico"

Este modelo, embora com nuances diferenciadoras consoante os países, predomina nos países escandinavos.

É característico deste modelo as relações colectivas fortes e orientadas para o pleno emprego, aliadas a um elevado nível de protecção social e elevados subsídios públicos.

Um nível elevado de impostos é bem aceite pela população em troca destas prestações sociais elevadas.

Contudo, não se trata de um modelo estático e as populações têm sido conquistadas para a introdução de ajustamentos recentes, relacionados com o envelhecimento da população e as condições de trabalho, alguns subtanciais como o aumento da idade da reforma que passou na Suécia para os 65 anos e com incentivos a quem quiser permanecer até aos 67. Na Dinamarca, assiste-se à introdução de mecanismos da flexi-segurança, mediante uma combinação da protecção dos trabalhadores com as mudanças de emprego.

Em todos os países, os desempregados são acompanhados com vista a um encontro rápido de novo emprego.

A protecção social, financiada pelo imposto, é universal e cobre o conjunto dos cidadãos e residentes. O largo consenso tem sido obtido na base de negociações com os parceiros sociais.

Cada vez mais tem-se assistido à concessão a empresas privadas até estrangeiras de serviços/empresas públicas, como os correios ou os caminhos de ferro, mas o Estado ou as comunas são responsabilizados pela sua evolução e qualidade dos serviços prestados à população.

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