2011-09-17
Nato devia ser incriminada
Não domino as leis internacionais, mas o assassinato colectivo que aconteceu na Líbia decorrente da actuação da Nato, não é de certeza admissível à face de direito nenhum. Nem sequer era crível que Kadhafi estivesse no local do assassinato.
340 pessoas mortas por bombardeamento é, no mínimo, crime. Por engano de alvo? Vão dizer isso a outra gente.
A Nato, como instituição, deve ser julgada em tribunal penal.
Ou então expliquem-me a mim e a toda a gente como é possível com os meios sofisticados existentes, este disparate.
O Ocidente assim não vai longe. Europa e EUA não convencem ninguém quando matar indiscriminadamente se torna um alvo sem fundamento.
340 pessoas mortas por bombardeamento é, no mínimo, crime. Por engano de alvo? Vão dizer isso a outra gente.
A Nato, como instituição, deve ser julgada em tribunal penal.
Ou então expliquem-me a mim e a toda a gente como é possível com os meios sofisticados existentes, este disparate.
O Ocidente assim não vai longe. Europa e EUA não convencem ninguém quando matar indiscriminadamente se torna um alvo sem fundamento.
Etiquetas: Líbia, Mortandade, NATO
2011-08-24
E agora Líbia?
Com o apoio de todos os poderosos do mundo, Nato à cabeça, a Líbia de Kadhafi está prestes a cair. Ainda não caiu, o que revela que os poderosos não são assim todo poderosos, mas vai cair, horas, dias...
O que me assusta é depois.
Tenho acompanhado os escritos de Luís Naves no DN, aliás muito arguto na análise da situação. Tenho lido o Le Monde e a sensação que me fica é que após a tomada do poder, a Líbia se vai esboroar. Nada me garante que não se sai de uma guerra contra Kadhafi para entrar numa guerra civil de tipo tribal.
Como toda a gente sabe a Líbia é o país mais tribal sobre a terra, com alguma pacificação com Kadhafi. Mas já se antevêem mudanças nesta situação. Tripoli está a ser tomada por guerrilheiros de tribos que pouco têm a ver com o quartel general dos "rebeldes".
E o que farão os senhores poderosos do Mundo? Que lado, lados vão agora apoiar? Certamente o lado do petróleo. Mas?...
O que me assusta é depois.
Tenho acompanhado os escritos de Luís Naves no DN, aliás muito arguto na análise da situação. Tenho lido o Le Monde e a sensação que me fica é que após a tomada do poder, a Líbia se vai esboroar. Nada me garante que não se sai de uma guerra contra Kadhafi para entrar numa guerra civil de tipo tribal.
Como toda a gente sabe a Líbia é o país mais tribal sobre a terra, com alguma pacificação com Kadhafi. Mas já se antevêem mudanças nesta situação. Tripoli está a ser tomada por guerrilheiros de tribos que pouco têm a ver com o quartel general dos "rebeldes".
E o que farão os senhores poderosos do Mundo? Que lado, lados vão agora apoiar? Certamente o lado do petróleo. Mas?...
Etiquetas: Guerra civil, Kadhafi, Líbia, NATO
2011-02-25
A vez de Kadafi
Há umas horas atrás os media anunciavam que o leste da Líbia já se libertara, que a revolta alastrava a Trípoli e que o egocêntrico déspota local estava cada vez mais acossado no seu fojo. Neste momento as informações dão conta de que Kadafi prepara a reconquista das cidades perdidas. Em resumo, a situação é instável, a informação é insuficiente e não é certa a queda do regime a todo o momento, como ainda há pouco se anunciava.
Kadafi criou uma administração para o país organizando as tribus e os clans que o compôem, de forma sui generis mas a Líbia não pode escapar à influência da modernidade e as novas gerações não podiam deixar de se rebelar contra o despotismo, falta de liberdade, a corrupção e o choque das diferenças entre a miséria e a ostentação.
A Líbia é muito diferente, na estrutura da sociedade, da Tunísia ou do Egipto, mas não é por acaso que a revolta que acossa o clã Kadafi surge na mesma altura, na sequência e a exemplo da revolta que rompeu em Tunes, varreu Mubarak do Egipto, incendeia o Iemen e Bahrain e alastrará a outros países da região.
Em cada um destes países, com uma história diferente, coabitam populações em estádios muito diferentes quanto à cultura, à percepção do mundo actual, e consequentemente quanto ao usufruto dos bens materiais e culturais, quanto ao bem-estar. No Egipto ou na Líbia a modernidade e com ela o desejo de liberdade, de uma outra vida e um outro futuro atingem a juventude urbana mais educada que coabita com camadas da população que têm as aspirações e as concepções do mundo e da vida de há vários séculos atrás. A distância entre ricos e pobres acentua-se até ao insuportável e a revolta e a revolução tornam-se inevitáveis. Assim tem sucedido noutras sociedades e sucede neste mundo árabe, muito diversificado mas em muitos aspectos uno, na língua, na religião, no atraso tecnológico, nas roturas sociais. Veremos durante quanto tempo os potentados do petróleo, a Arábia Saudita, o Kuwait, os emirados do Golfo, conseguirão escapar à revolta lançando alguns petrodólares à população.
Donde menos se esperava surgiu o fogo da revolta e a espectacular mudança. Que profundidade atingirão estas inesperadas mudanças no nosso vizinho sul é impossível, de momento, avaliar.


