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2012-07-24

 

O Euro já muito próximo do abismo

Será que ainda há alguma solução para evitar a queda do Euro?.

Cada vez tenho mais dúvidas. Os atrasos de decisão estão a inviabilizar e a tornar mais difíceis as soluções.

Se o Euro cair e por este caminho  não vai longe, mesmo a Alemanha sem dúvida a economia mais possante de toda a zona euro, vai de arrasto.

De momento, já não há um só antídoto que resolva a crise. 

Tornar a eurolândia competitiva é fundamental, mas montar as bases para tal leva algum tempo e exige medidas imediatas.

Nunca percebi porque não se tem apostado na desvalorização do Euro. Alíás, nunca percebi porque se deixou arrastar a Europa na valorização face ao dólar. Sem dúvida, uma tendência para a paridade euro-dólar traria achegas positivas. Mas não chegava.

No mínimo, precisa a Europa de um outro orçamento, de um outro BCE, de mecanismos financeiros públicos novos e de uma definição política.

Aliás, a crise é mais política que económica. Daí a definição política ser a base de tudo.

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2011-11-24

 

Homenagem aos portugueses dos bidonvilles, 1971, quando Joe Dassin cantava a nossa pobreza

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2011-11-07

 

Mesmo com FMI na Itália, a UE pode ser "sacudida"

A crise da dívida soberana na Europa, que muita tinta tem feito correr, começa agora a assumir uma dimensão com potenciais consequências de muita gravidade, incluindo o eventual fim da moeda única .

Em todo o lado, se escreve que a situação económica da Europa no seu todo não configura esta crise, até se apresenta melhor nos seus rácios económicos que os EUA e Japão.

"L'Europe va mal. Non que son économie - prise comme un tout - soit particulièrement déséquilibrée: les Européens ne consomment pas plus qu'ils ne produisent, contrairement aux Américains, et les comptes extérieurs de la zone euro sont quasiment équilibrés; l'épargne des ménages est abondante et leur endettement deux fois plus faible qu'aux Etats-Unis; même du côté des dettes publiques, qui paraissent aujourd'hui la principale faiblesse de l'Europe, leur poids dans le produit intérieur brut (PIB) est inférieur de dix points à ce qu'il est dans le PIB américain et leur progression est beaucoup moins rapide" lê-se em Alternatives Economiques nº 90, Outubro de 2011.

Mas toda a gente (menos os políticos europeus) começa a concordar que os problemas da Europa se situam a dois níveis: desequilíbrios internos profundos e principalmente uma falha e falta de comando, instituições mal formatadas como o BCE que costumo dizer só tem funções de "meio banco central", um FEEF recente e descapitalizado, que procurou financiar-se junto dos países emergentes (o que levou a Presidente DILMA a dizer mas se vocês europeus não financiam porque vamos nós entrar nesse combóio), um orçamento sobretudo para financiar a burocracia comunitária e declarações (levianas) em série dos altos responsáveis europeus sobre os problemas da Europa associadas a umas cimeiras cujas decisões caem por terra nas horas seguintes.

Estas cimeiras são por isso inconsequentes, com respostas frágeis e a reboque dos acontecimentos e sem nunca agarrarem os problemas em toda a sua dimensão.

E os mercados (capital financeiro mundial) não perdoam. É a instabilidade continuada.

Agora com um país grande, a Itália sob a alçada desses mercados, oferecendo pouca confiança com um governo sui generis e ainda periclitante, a situação é gravíssima para a Europa.

A "entrada" imposta do FMI pode aliviar o negrume da situação mas nada de bom é expectável.

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2011-10-29

 

Crise europeia em marcha

Les deux erreurs.

Aconselho a leitura deste artigo em Alternatives Économiques.

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2011-08-03

 

Europa, vítima da sua incompetência

"Os mercados" estão agora a virar-se para desacreditar países da União de maior dimensão e peso económico e político. Até agora Grécia, Irlanda e Portugal eram apenas cerca de 7,4% do PIB da Zona Euro. Com a Espanha e a Itália na mira, a história é outra. Começa o edifício a tremer.

A reacção de Espanha, de Itália e de Durão Barroso vai pelo mesmo caminho. O ataque dos "mercados" não faz sentido. Não há razões para este ataque. ... blá, blá blá.

O problema é que faz. Esses ditos "mercados"- capital financeiro, sobretudo americano - conhecem bem que a Europa não tem, de facto, instituídos mecanismos agilizados de defesa. E se atacar dá lucro e do forte porque não o fazer. É a sua função.

Hoje, a Europa está a ser a principal vítima de uma crise desencadeada nos EUA em 2008, a tal ponto que até o euro está a periclitar.

E não há razões económicas para isso, até porque a Europa no seu conjunto não apresenta grandes desequilíbrios. Mas de nada serve esta constatação.

Na realidade, a Europa não tem nem um sobreendividamento das famílias nem desequilíbrios externos que se comparem à situação real da economia dos EUA. Nem em termos de dívida pública.

A Europa até podia estar a superar esta crise de forma folgada, sem grandes problemas.

E não é o que está a acontecer. A Europa derrapa por todos os lados.

Porquê?

Porque deixou ir na água do banho uma das razões fortes da sua criação: a solidariedade entre países.

Há países de facto com problemas mas a Europa foi deixando andar e ainda não se entendeu no ataque à crise. Não criou mecanismos financeiros de defesa.

Para sair da crise é preciso que os países membros aceitem de uma vez por todas a necessidade evidente de pôr em comum mais dinheiro e mais poderes de decisão. Neste contexto, apesar dos tratados terem armadilhado a constituição rápida de novos mecanismos, há que superar essas restrições: perante uma crise há que ser ágil, há que romper.

Começa a ser demasiado claro que nenhum país por si só vai conseguir resolver a sua crise. Grécia, Portugal, Irlanda não vão poder pagar a dívida. E Espanha, Itália e outros se estiverem muito tempo debaixo dos holofotes dos ditos "mercados" acontecer-lhes-à a mesmíssima coisa.

O risco de não agir de forma solidária, pode ser a destruição.


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2011-07-21

 

Hoje, dia de Conselho Europeu

Mais uma vez pelas "notícias", algumas de carácter especulativo, que têm vindo a público, o Conselho Europeu de hoje pouco acrescentará de útil à solução da presente crise da Zona Euro.

A maioria das pessoas atentas e interessadas olhou para a criação da zona Euro e da sua moeda única como um projecto com destino traçado, com trajecto a prazo para o federalismo que iria sendo construído de forma progressiva, onde por conseguinte se imponha uma política cambial e monetária partilhada exigente em disciplina mas tendo por contrapartida uma prática de entreajuda entre os seus membros.

Chega a crise. Entreajuda e Solidariedade são palavras que desaparecem do léxico da Zona Euro. E quem explora muito bem esta situação?

O capital financeiro de que as Agências de Rating são os porta vozes.

Evidente, há um problema com os países de economia mais frágeis que todos conhecemos quais são, mas o grande problema é europeu e de natureza política. As decisões estratégicas da UE necessárias para atacar a crise dependem de um entendimento e de decisão política ao nível do Conselho.

E sem uma ruptura de pensamento nada feito. Mais uma desilusão hoje.


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2011-05-21

 

Europa sem estratégia para a crise

FMI: Resposta mais forte por parte da Europa é urgente . Interessante

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2010-12-16

 

Salvem os Ricos

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2010-12-07

 

Palavras que fazem meditar e...

... e explicam muita coisa. 
23 lideranças da direita, em 27 Estados da União Europeia, dá para perceber melhor a política de desastre, liderada pela Alemanha, face à maior crise internacional desde 1929. A resposta destes governos da direita, às aventuras financeiras da "alavancagem", à "economia de casino", essa em que Pedro Passos Coelho defendia na privatização da CGD, ameaça destruir o euro e a própria UE.
  
Mário Soares no Diário de Notícias:

« ... A esmagadora maioria das lideranças europeias pertence, neste momento de crise, à direita ultraconservadora (23 em 27 Estados membros), pouco tendo a ver, no plano político-ideológico, com as velhas democracias cristãs do centro, que, com os socialistas, contribuíram, nos últimos cinquenta anos, para consolidar o projecto europeu. Pelo contrário, as lideranças actuais parecem não sentir a importância da Europa como projecto político de paz, de democracia pluralista, de bem-estar para os europeus e, sobretudo, de unidade e solidariedade entre os Estados membros, com um contrato social que constitui uma das principais identidades europeias. E, por outro lado, parecem pensar, de novo, em termos de um certo nacionalismo serôdio - cada um por si e os outros que se arranjem - que, no século passado, não o esqueçamos, conduziu a Europa a duas hecatombes mundiais.
...»

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2010-10-22

 

PORTUGAL EM CRISE DESDE ???????


VALE A PENA LER OU RELER A NOTICIA DE 1ª PAG DO DIARIO DE LISBOA, JANEIRO 1985, MENSAGEM PRESIDENTE DA REPÙBLICA, RAMALHO EANES

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2010-10-14

 

Revoltadíssimos

"«Estou chocado, estou revoltadíssimo», rematou Mira Amaral, num debate sobre a competitividade de Portugal... durante o Fórum Económico Mundial, a decorrer em Lisboa."
Mira Amaral está revoltadíssimo. Apesar de também ter tido as suas responsabilidades na situação do país, como ministro da Indústria de Cavaco Silva, de 1987 a 1995. Foi ministro no período de vacas gordas com grandes ajudas financeiras da Europa. E quais foram as grandes reformas do cavaquismo de que era ministro? Que resultados trouxeram aquelas ajudas? Desindustrialização, ruína das pescas , diminuição da área de  vinha para diminuir a produção vinícola nacional e também para nos tornarmos recordistas na compra de Lamborguines no fragilizado Vale do Ave e em Jeep’s “IFADAP” nos "campos agrícolas" de Lisboa.
Mira Amaral está revoltadíssimo e terá as suas razões, apesar da reforma de 18.156 euros mensais que lhe é paga pelo Estado, desde 2004, aos 56 anos de idade, por ter estado 18 meses na CGD, para onde foi a convite do Governo do PSD que aceitou pagar-lhe a reforma de luxo (com o dinheiro dos contribuintes é fácil ser-se generosos).
Está revoltadíssimo apesar de, como presidente da Comissão Executiva do CA do Banco BIC, somar à reforma uma remuneração várias vezes superior àquele valor.
Até Bagão Félix, da família ideológica dos maiores predadores nacionais, achava, a propósito da reforma dada a Mira Amaral pela CGD, que são “valores de um exagero que o País não pode aceitar. São quase obscenos."
Mira Amaral não está só. São muitos os que vivem com reformas e salários "obscenos" e que naturalmente, põem revoltadíssimos os que, com reformas ou salários abaixo de 500, 1000 ou 2000 euros, têm de suportar os custos da crise.
Vou deixar aqui, em segredo, uma forma muito simples de reduzir a padrões de decência as reformas e salários "obscenos": adequados escalões de IRS.
______________
Nota: este post tinha sido colocado ontem pelas 21h. Hoje de manhã, inadvertidamente, eliminei-o. Consegui agora refazê-lo. Eis a razão porque mudou de lugar.
RN.

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2010-05-13

 

Governo espanhol estuda medidas adicionais de cortes sobre "quem tem mais"


O Governo espanhol está a estudar novas medidas adicionais de redução do défice público, que anunciará “a curto prazo” e que incidirão sobre os “que mais têm”, sem afectar a classe média, insistiu hoje o número quatro do executivo.

Aos jornalistas, Manuel Chaves disse que as propostas e o seu impacto serão conhecidos “no futuro próximo”, mas que “haverá um esforço maior paras os que mais têm”.

Notando que a classe média “já suporta ou vai suportar algumas das medidas anunciadas pelo Governo”, o terceiro vice-presidente do Governo escusou-se a explicar se as novas acções incidirão sobre as entidades bancárias, grandes empresas ou grandes fortunas.

Apesar de admitir a dureza do pacote de medidas anunciado na quarta-feira por José Luis Rodríguez Zapatero, o vice-presidente insistiu que “o bloco maioritário das políticas sociais” do Governo se mantém.

“Estamos a viver uma crise sem precedentes em Espanha nos últimos 80 anos e, por isso, não têm precedentes as medidas que adoptámos”, afirmou.

Questionado sobre se o presidente do Governo deu um volte face na sua política social, Manuel Chaves rejeitou que o Executivo tenha actuado com “improvisação” e destacou que nos últimos dias “já houve mudanças radicais”. Dada a importância de combater o défice, Chaves manifestou-se convicto que os sindicatos adoptarão “posições responsáveis em função do momento actual”, defendendo separar o diálogo social em torno à reforma laboral das reacções a este pacote de medidas

Recorde-se que o primeiro-ministro espanhol anunciou na quarta-feira um pacote de medidas de austeridade para cortar 15 mil milhões de euros aos gastos públicos. As medidas incluem um corte de cinco por cento nos salários dos funcionários públicos e de 15 por cento no dos altos cargos do Governo bem como o fim do cheque-bebé de 2.500 euros e a congelação das pensões em 2011.
Fonte: LUSA

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2010-05-12

 

[1969] Crise para a maioria?... Bacanal para a banca.

Peter Paul Ruben: Bacchanal
Ainda não vi em nenhum dos mil e um fora de sábios, economistas do establishment ou de demiurgos da desgraça com que os media atordoam e assustam todos os dias os Portugueses (aqueles portugueses que querem preparar para a tosquia) explicar que os portugueses (como os gregos, espanhóis, alemães ou americanos) não são todos iguais e que os que levam com a crise no focinho são uns, a esmagadora maioria, trabalhadores e classes médias e depois há os outros, os agentes e beneficiários da crise (à proporção do país), os donos da finança e os seus agentes e cúmplices dentro e fora dos governos.
O CDS grita que não quer aumento de impostos com uns salamaleques que pretendem fazer crer aos tosquiáveis cidadãos que estão a protege-los, ora o que é preciso é lançar impostos e muito elevados mas apenas para as altas e muito altas remunerações e prémios, acima, por exemplo, da remuneração do Presidente da República e aumento do IRC (real, sem as múltiplas isenções) à banca de modo a pagarem pelo menos tanto como as pequenas empresas e não metade ou menos como agora sucede. E taxar as mais valias mas não apenas aos pequenos investidores como o Governo está a pensar fazer deixando de fora o grosso das mais valias, as que são auferidas pelos muito ricos através das SGPS e por não residentes.

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2009-12-13

 

EUROPA A MURRO

Berlusconi foi atingido na cara com um murro que lhe partiu os dentes. Tudo aconteceu depois de um comício na praça do Duomo (Milão). Durante uma sessão de autógrafos, o agressor quebrou o cordão de segurança e aproximou-se demasiado do primeiro ministro de Itália acabando um serviço há muito anunciado, basta ler a blogosfera e acompanhar o movimento "No Berlusconi Day" que desde Outubro pede a demissão do PM.
"Anomalia italiana" é a justificação para a vitória de Berlusconi nas eleições de Abril de 2008. Mais uma, diga-se.
Temo que o que se passa em Itália, um país com a comunicação social controlada e uma Justiça de rastos, atinga proporções maiores. Pode ser que a Europa acorde e não precise de abrir os olhos a murro. O desemprego, o aumento da pobreza, as clivagens sociais cada vez mais vincadas, o sentimento de que tudo está errado, a crise do capitalismo, a ausência de ideologias para se agarrar, deixa-nos à deriva.
E há um pormenor que nos atinge. Há quatro países com economias preocupantes e que viveram ditaduras -Grécia, Espanha, Portugal e Itália.
Arrepia-me quando ouço, e cada vez mais, que é preciso "meter este país (Portugal) nos eixos".
Num cenário de ingovernabilidade, é bom que ninguém se esqueça que o povo de barriga vazia não pensa e, normalmente, abre portas a um pai tirano.
Às vezes, julgo que é isso que muita gente anda a querer para Portugal. Mas tomem juízo. Há histórias que não se repetem.

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2009-03-12

 

A "depressão" de Medina Carreira


Nos anos 80, mal Sarsfield Cabral aparecia no écran da televisão, leia-se RTP, já a minha mãe dizia em voz alta para toda a família:
" Lá vão os preços aumentar outra vez...".

Esta analogia entre Sarsfield Cabral e a inflação ficou-me na memória.
Isto vem a propósito de uma outra história bem mais recente.

Andei uns dias fora da ilha mas logo que aterrei e me estendi no sofá com o telecomando na mão, fazendo zapping à crise, assustei-me. Não há nada a fazer por este Portugal. Ninguém presta. Nada do que se faz tem um pingo de mérito.
Comecei a ficar angustiada. A depressão do professor Medina Carreira, ex-Ministro das Finanças, com currículo na área das finanças públicas, fiscalidade e direito societário, estava a contagiar-me.

Mário Crespo bem tentava um sinal de esperança, qualquer coisa que valesse a pena, que justificasse viver neste país...mas não. Nada. Não sei como é que o Professor Medina Carreira aguenta. Admiro-o.
Mas por muito que puxe pelo Teco e o Neco - dois neurónios formatados para estas discussões - não consigo lembrar-me do que fez Medina Carreira enquanto ministro das finanças. Peço desculpa pela ignorância mas.....(grande pausa) será que foi no tempo em que a minha mãe dizia "lá vão os preços subir outra vez?".
Não sei. Nem quero saber.

Mas dormi muito mal nessa noite. Tive pesadelos com os olhos cerrados do Professor. Com a folha A4 de dados estatísticos a vermelho que arrastam a nossa economia para parâmetros de 1900, tempo reais, vésperas da I República.
Cada vez mais agoniada vi a história repetir-se. O fim dos partidos, a ordem estabelecida por um iluminado a suspender a democracia para meter as contas na ordem... A minha cabeça começou a andar à roda da nora. Burra. E sempre que voltava à direita e à esquerda só via Medina Carreira.

Foi assim que entrei num filme de terror. E os olhos do professor quase cerrados, lábios finos e vincados, presságio de desgraça colectiva, gritava-me no sonho "suas bestas", "corruptos", "este país acabou", "o mundo acabou", "não há solução para nada". Vi-me esfarrapada no juízo final com medo de dizer que era portuguesa. Mesmo assim, aflita, ainda tive tempo de fazer uma última pergunta antes do adeus.

"Será que o Professor poderia explicar como é que as grandes fortunas fogem ao fisco? Não é que eu seja dessa estirpe mas tenho uma curiosidade mórbida de mulher. Que conselho me daria se eu fosse muito, muito, rica?», questionei.

É neste preciso momento que deixo de ouvir a voz do professor. Uma nuvem pairou sobre a sua cabeça, crescendo e envolvendo-o num manto celestial.
Só que nos sonhos tudo é possível. De repente, saltei de um espaço para outro. Era actriz no filme "Um dia de cada vez" de Mike Leign.
Vi-me na pele de Poppy, a professora primária de espírito livre, divertida e anárquica, concentrada e responsável, com sentido de humor. Mas logo acordei desesperada quando, tal como a protagonista, inicio as aulas de condução.
Não é que o professor Medina Carreira era o mal disposto do meu instrutor?
Que pena na Madeira não haver aulas de flamenco.

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2009-02-05

 

O meu Yd, o teu Yd, o nosso Yd.....o deles

O presidente do Banco Central Europeu reconheceu hoje que as taxas de juro poderão voltar a baixar, mas reforçou que, de momento, está fora de questão colocar os juros no nível de 0%, que já está vigente nos EUA. Está bem, com os EUA posso eu! E Portugal?

A minha dúvida é tão primária que até tenho vergonha. Como todos sabemos a taxa euribor desceu nos empréstimos, mas há bancos que aumentaram os juros à "pala" do spread. Será que foi para isto que o governo andou a dar avales à Banca?

Não se percebe. Ainda nada se reflectiu nas famílias. Não será tempo do Ministro das Finanças, ou o Primeiro-Ministro, seguirem os passos de Zapatero e mandar avisos aos senhores do dinheiro?

Por que será que o peditório bate sempre à porta dos mesmos, ou seja, no queijo da sandes? A sobrevivente classe média. Média? Média de quê?

Esta crise é muito pior do que anteriores, dizem. Mas é mais chique. Porque colocou o global no epicentro do terramoto. E sempre são banqueiros, gente das finanças, da Wall Street às ruas do Ouro ou da Prata. Responsabilidades? Assobia-se para o ar. E metam no arquivo das memórias as teorias económicas.
O que já sofri à conta do Yd (rendimento disponível) e, pelo visto, continuarei. Só que desta vez não há fórmulas.

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2009-02-04

 

O Desemprego está aí

Todos os dias temos notícias tristes sobre o flagelo do desemprego. Empresas que ou fecham e/ou fazem despedimentos colectivos CGTP denuncia práticas ilegais em despedimentos.

Os sinais dizem-nos que há de tudo um pouco neste processo. Empresas em dificuldades, sim, mas outras há que estão a aproveitar-se do chapéu crise para se reestruturarem.

O Governo tem de olear a máquina e actuar com firmeza, distinguindo bem as situações, não transigindo. O cumprimento da lei é o mínimo requerido bem como a devolução de fundos/financiamentos, quando não foram efectivamente aplicados segundo as condições previstas.

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2008-12-15

 

Altas Figuras respeitadas da Wall Street

É de desconfiar delas ... Madoff era uma dessas figuras. Foi preso na última quinta feira, acusado de um negócio "tipo D. Branca". No negócio que montou ele pagava altos juros espoliando os depósitos dos novos clientes que ia atraindo. Madoff era um especialista na gestão de grandes fortunas, tendo sido antes da Administração do Nasdaq.

Segundo uma autoavaliação, o impacto da burla do financeiro Bernard Madoff, já confessada, atinge 50 mil milhões de euros.

Os efeitos da burla espalham-se pela Europa. O sistema financeiro de Espanha é muito atingido. De Portugal, ainda nada se sabe, mas de certeza que não ficará virgem.

Há que desconfiar desta gente muito respeitada da alta finança.

Por cá também já temos os nossos respeitados, embora por enquanto só com um em prisão preventiva.

Até a lei é lenta, ampliando-lhes o tempo de respeito.

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