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2005-08-16

 

A falta de planeamento estratégico...

....é um mal intrínseco deste nosso País. E como refere João Morgado Fernandes no editorial do DN de hoje "fragilidades estratégicas", esta nossa incapacidade "custar-nos-á muito caro no futuro".

Eu apenas acrescentaria. A falta de planificação estratégica já nos está a custar muito caro agora e tem-nos custado muito caro no passado, exactamente porque essa condicionante, acima de tudo mental, nos tem impedido de lançar um programa de modernização da sociedade com o impacte negativo e mais visível que se conhece no domínio económico.

E assim, por não haver planificação energética a sério desde há anos e, por planificação entenda-se ter um rumo e subordinar a orientação dos investimentos a esse rumo, temos um país altamente dependente do petróleo; por nunca se ter pensado em como aproveitar a água que temos, temos uma seca fortíssima; por não termos atacado de há largos anos os incêndios temos o país a arder, e por não termos uma planificação estratégica de desenvolvimento económico (apontar para onde queremos ir, com que meios) o país entrou num ciclo de empobrecimento e a saída deste ciclo apresenta-se agora muito nebulosa. Sobre isto, aconselho a leitura da entrevista de Teodora Cardoso no DNegócios de hoje.

Mas parece que o planeamento nos escapa a todos os níveis. Até Fonseca e Costa, um dos mais conceituados tácnicos nacionais, acusa a Federação Portuguesa de Atletismo de não ter planeado a participação nacional em Helsínquia.

Às vezes dou comigo a pensar, será que não temos mesmo capacidade para pensar à distância? Ou será que as nossas elites por razões de calendário político pouco "se entusiasmam" com o futuro do País?

Comments:
A crescente imposição do Liberalismo e da Globalização como modelos únicos empurrou muito economistas e políticos para a crença de que o Planeamento é coisa dos Estalinistas. Na verdade, como alude muito bem este Post, planeamento e comunismo de semelhante nada têm.

De qq modo, existem hoje mecanismos de planeamento que a burocracia soviética desconhecia. Na verdade, esta funcionava com base em imensas pilhas ingeríveis de papel, e hoje, com a banalização da informática, é possível planificar e prever com detalhe evitando os erros que tanto afectaram o sistema soviético dos planos quinquenais.

É claro que qq plano deve comportar uma vertente variável...
 
A questão soviética é que,pensando que estava a planear, não planeava, não tinha em conta o evoluir do mundo e convenceu-se de que tinha capacidade de avançar desligada do contexto que a rodeava. Menosprezou o pensamento do povo.. a atracção pelo diferente e homogenizou por baixo. Foi o que se viu. O povo afinal rejeita porque pensa.
 
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