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2005-08-30

 

Olhar a Madeira a partir da... Madeira!

O pedido de "Socooorro" que aqui em baixo lancei foi bom pretexto para oportunos e lúcidos comentários da Sofia, uma visita madeirense, sobre o fenómeno do jardinismo. Estão lá nos comments. Mas aqui ficam melhor.

Primeiro comentário:

"O dr. Jardim já ameaçou tudo e todos, incluindo presidentes da República, Assembleia da República, orgãos de soberania - ele que faz parte do Conselho de Estado - e o que é que lhe aconteceu? Nada. Quem sofre no meio de tudo isto é quem vive na Madeira e tenta estar fora do sistema. É uma pressão diária que vocês aí no Continente não fazem ideia. Só que a República abandonou-nos. REPITO: ABANDONOU-NOS e até acha graça ao comportamento ditatorial do "secretário da União da Corporativas de Laticínios da Madeira (era esse o cargo que o Jardim tinha em 74) sustentáculo de uma rede pidesca que controla tudo.
Jardim já não precisa de dar ordens. Tem os controleiros para fazer o serviço. As comissões de sítio para elaborar os relatórios. Não se pode ter grandes desabafos pois nunca se sabe com quem estamos a falar. Se há ou não jogo duplo. O medo foi interiorizado pela população. Jardim não está xexé como refere o autor do comentário anterior.
Jardim está bem lúcido e sabe o que o diz. O pior - o maior erro - que podem fazer é oferecer-lhe essa atenuante que o torna inimputável pelos actos que comete. Tenho pena de não ter feito o mesmo que o dr. João Abel. Abandonado a ilha, antes que a oligarquia tomasse conta do poder. A oposição deveria assumir um registo de resistência mas também ela deixou-se enredar na teia.
Sou uma madeirense que vive na ilusão de que, um dia, a liberdade de expressão, de debate, de exercício da cidadania há-de chegar à Madeira. E será o povo a fazê-lo. Acho que os madeirenses em Lisboa têm um papel fundamental pois podem ser uma ponte para a discussão que aqui não se faz. Desculpem a longa metragem de palavras. Mas há dias em que custa suportar o ar húmido desta ínsula.
Sofia "

2º comentário:

"Quando alguém quiser estudar as razões verdadeiras que justificam a longevidade de Jardim terá de passar obviamente pela comunicação social. Recordo que durante mais de 20 anos os madeirenses (e açorianos) só tiveram acesso a 1 canal de televisão - a RTP/Madeira, cujos directores eram nomeados pela administração da RTP após aprovação do presidente do governo regional. A Lei era assim. A Constituição de 76 consagra, por outro lado, o direito das regiões autónomas usufruirem, em sinal aberto, do mesmo número de canais de televisão (o chamado serviço público) do que o restante território nacional. Só que nunca cumpriu. Só há dois anos a esta parte é que foram disponibilizados (RTP1 e A2). Isto fez com que ao longo de décadas a informação fosse "filtrada" pelos homens de mão de Jardim.

O autor do comentário

[trata-se do comentarista que precedeu a Sofia nos comentários ao post e que tinha dito: "Jardim tem de estar supremamente grato à comunicação social, à que sempre o apoiou e bajulou e à que o criticou e mais a esta ainda porque sem ser objectivo foi quem o promoveu"]

fica a saber, ainda, que entre 1978 e 1992 quase não há notícias sobre as práticas do jardinismo nas páginas dos diários locais nem nacionais. Localmente, porque uma censura explica parte da história. A nível nacional, porque a imprensa dita séria, também se borrifou durante décadas para a vida política, económcia e social madeirense, pois estavam mais preocupados com São Bento e Belém. Acordaram quando, em finais de 1991, Mário Soares, na qualidade de candidato a presidente da República, disse no aeroporto do Funchal que «havia défice democrático na Madeira».
No ano seguinte, durante as eleições internas do PS disputadas entre Guterres e Sampaio, Guterres fez suas as palavras de Soares e transformou-as em bandeira durante a sua campanha eleitoral para liderança do partido. Nessa altura, a Imprensa do continente acordou. Abriu delegações de jornais (DN e Público) na Madeira. A Lusa deixou de estar nas mãos de gente ligada ao PSD/M e que travava a saída da informação. Só a partir desta data (1992) é que o país deitou as mãos à cabeça e entrou em delírio com o epíteto de Bokassa lançado na
Assembleia da República por Jaime Gama. Nessa altura, choveram jornalistas dos mais prestigiados órgãos de comunicação social de Lisboa. O objectivo era denunciar situações que aniquilavam as elementares regras de um regime democrático. Mas já era tarde.
Portanto, caro senhor, não fale do que não sabe. As ideias-feitas desfocam sempre a realidade. Aqui a história é outra e um dia há-de ser contada. Por exemplo, em 1995, quando Guterres, já então primeiro ministro, veio dizer numa visita oficial à Madeira, que já não havia indícios de défice democrático... Dá vontade de rir. Se calhar o senhor preferia que se continuasse no silêncio. Mas esse tempo acabou. A promoção do dr. Jardim deve-se, sobretudo, à falta de coragem dos governantes nacionais que nunca o meteram na ordem. Antes pelo contrário. Quando a convite de Jardim visitam a ilha oficialmente é só elogios. Quando vêm na qualidade partidária dizem aquilo que José Lello disse no passado fim de semana. Para mim, quem promoveu Jardim foram os políticos nacionais. Todos. Por cobardia política e interesses partidários. Sabia que o Presidente da República pode dissolver a Assembleia Regional? Nunca o fez. Porquê?
Sofia.

Comments:
Os politicos portugueses têm todos a nódoa de serem cumplices de AJJ.
AJJ já fez e disse o que não passa pela cabeça de qualquer cidadão deste país. E não é por medo, é por decência.
Porque é que o C.E. aceitou o seu pedido para que lhe não fosse levantada a imunidade?
Imagino uma reunião do C.E.:apertam-lhe a mão?
Têem tanta falta de vergonha?
Porque não se faz um referendo?
E a TOCO ?
Enfim.
Uma ditadura como a do Avelino.
 
E o PS da Madeira?
 
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