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2006-02-13

 

Devemos tolerar a intolerância?

Pelo seu interesse, mesmo sem consultar o autor, decidi reproduzir o comentário que José Manuel Correia Pinto fez ao post "Mais Islão", aqui abaixo. Eis a sua opinião:

"Apenas li o artigo do Vitorino uma vez e rapidamente. Posso por isso enganar-me na sua interpretação, mas pareceu-me que ele aponta no sentido do cerceamento da liberdade, com base na conhecida e velha fórmula: devemos tolerar a intolerância? A minha concepção filosófica vai exactamente no sentido oposto. Sim, devemos. Se acreditarmos que somos mais fortes porque somos mais tolerantes. O problema é que a Europa está velha e conservadora e cada vez reage com mais desconfiança relativamente aos que a ela chegam. Será fácil a partir daqui compreender as consequências, principalmente das segundas gerações de emigrantes, que são os que mais capacidade têm para representar e reagir contra as ofensas interiorizadas por gerações anteriores. Remédio para isto: Primeiro: os europeus têm de ter muitos filhos, pelo menos, muitos mais dos que agora têm; em segundo lugar: assegurar uma muito mais completa separação entre o Estado e as confissões religiosas (todas e não apenas algumas, os exemplos muito recentes de confusão entre o Estado e a religião, além de ridículos, são também estúpidos...); em terceiro lugar: garantir uma verdadeira igualdade de oportunidades e não simples políticas assistencialistas (o que se espera de um magrebino que, numa entrevista telefónica, é afastado de uma proposta de emprego apenas com base no seu sotaque? Que vá defender os "valores ocidentais"?)

Aprofunde-se a democracia, uma aprofundamento que a oriente no sentido da velha utopia socialista e vão ver se eles, daqui a alguns anos, vão querer saber do islão ou do profeta. Irrealismo? Irrealismo é pensar que o problema se resolve pondo os imãs na cadeia ou no Irão ou continuando a fazer o que até agora se tem feito. Isso é que é irrealismo. Poderia dizer mais: poderia ainda falar da quase irrelevâcia deste fenómeno em extensíssimas regiões do mundo e tentar averiguar as razões. Mas isso já não é da nossa conta. Da nossa conta é a Europa..."

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