.comment-link {margin-left:.6em;}

2006-02-20

 

TIMOR: o poder da imagem

O jornalista Max Stahl é um dos condecorados por Sampaio na sua visita-despedida a Timor Leste. E bem. Sem as imagens do video de Maz Stahl, teria havido a independência de Timor?
Não é comparável a resistência e luta armada de um povo durante mais de 25 anos e umas imagens colhidas em escassos minutos, mas a sua importância pode ter sido decisiva para a vitória daquela luta heróica. É que são imagens terríveis a ser vistas por centenas de milhões de... eleitores!
Jornalistas de vários países aguardavam a chegada de uma delegação parlamentar portuguesa a Dili. A Indonésia proibiu a sua entrada em Timor. Milhares de timorenses que aguardavam a delegação decidiram ir em manifestação pacífica ao cemitério de Santa Cruz, ao túmulo do jovem Sebastião Gomes assassinado dias antes, na igreja de Santo António de Motael, em Díli, pelas forças indonésias. A tropa Indonésia recebeu a manifestação com fuzilaria: 271 mortos, 278 feridos, quase três centenas de desaparecidos. Foi o massacre de Santa Cruz. No dia 11 de Novembro de 1991.
Max Stahl estava lá filmou e permitiu que as imagens dessem a volta ao mundo.
Os governos, a começar pelo de Washington que é quem mais pode, não podiam continuar a fingir que nada sabiam, e tiveram de ter em conta a sua imagem (mais que a dos mortos) e a opinião pública, que o mesmo é dizer, a opinião dos eleitores.
Sem Max Stahl, sem as imagens, o massacre, a brutal opressão indonésia, a REALIDADE não teria existido. E sem a ajuda da opinião pública norte-americana, europeia, portuguesa, australiana, indonésia, teria havido independência? Talvez não. Mesmo em Portugal crescia a resignação. A liberdade para Timor Leste era cada vez mais algo negligenciável, de Washinton ao Vaticano, face à importância das relações com a Indonésia, mil vezes mais importantes.
A justiça não triunfa obrigatoriamente. O mais comum é mesmo o oposto. Desde a luta dos escravos no império romano. E antes seguramente.

A lição serve também para os cartoons de Maomé. Sem essas pobres imagens (provocação da extrema direita de cá, que não pode nem deve ser impossibilitada com censura prévia) os fundamentalismos de lá não tinham um pretexto visível e acessível às "massas" a instrumentalizar de acordo com a agenda política de cada país islâmico, ora do governo ora da oposição.
A imagem! O poder da imagem no mundo globalizado!!

Comments:
É um lugar cmum dizê-lo mas a exposição de uma imagem pode substituir muitas palavras, que são muitas vezes redutoras.
 
Publicar um comentário



<< Home

This page is powered by Blogger. Isn't yours?