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2007-12-30

 

Descompassados (12)


Li o artigo de José Pacheco Pereira no PÚBLICO de ontem. Intitula-se A cultura de blogue nacional e traz, à guisa de antetítulo, a rotulagem do produto: Mostruário da nossa pobreza, da nossa rudeza, da falta de independência que caracterizam o nosso "Portugalinho". Também pode ser lido no Abrupto [AQUI]. Gostei sobretudo dos últimos parágrafos. Encerram uma reflexão que anula ou relativiza enormemente a porção de texto que vai até às citações de Eça de Queiroz.
Pois como poderia a blogosfera de ancoragem portuguesa deixar de reflectir as culturas, os tiques e os assuntos que cá predominam? Pacheco Pereira, por via disso, parece cair, ele próprio, nessa maledicência que se diferencia da crítica exactamente por não acrescentar nada ao retrato negativo da situação. É verdade que o seu blogue é um exemplo de conjugação de géneros, temas e abordagens que se orientam para a abertura ao novo e para a reflexão livre. Mas o "nível de análise" que escolheu para poder exorcisar os arcaísmos ainda reinantes (os blogues nacionais), sendo o mais cómodo, não parece ser o mais apropriado. A blogosfera portuguesa já não pode ser estudada fora dos "anéis" ibero-americanos.

A invasora contiguidade do objecto faz acudir a 1ª quadra de um célebre soneto de Luis de Camões, que como se sabe viveu uns tempos antes da emergência da internet, mas padeceu do mesmo mal de proximidade.
"Transforma-se o amador na cousa amada,
Por virtude do muito imaginar;
Não tenho logo mais que desejar,
Pois em mim tenho a parte desejada."
A blogosfera em que a manu portuguesa labora é um pouco mais extensa do que José Pacheco Pereira a pinta, e assemelha-se enormemente a outras.

Muito a propósito: um bom Ano Novo para todos.

Comments:
Lá isso é! E... Bom Ano.
 
O Pacheco Pereira, lá pintar muito, pinta...

Bom ano!
Abraço.
 
Sobre um outro articulista com "antena aberta" na nossa praça e as asneiradas de quando se fala sobre a internet, a "blogosfera" e do género.
 
Ah! Sim! E eu gosto particularmente dos "blogueiros" que nem permitem o contraditório das patacoadas que por vezes dizem.

Já gostei mais de ouvir o Pacheco Pereira. Agora já só consegue dizer banalidades e por vezes ser bem irritante.

Mas isto é uma opinião pessoal de um vulgar cidadão.
 
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