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2005-08-22

 

Os incêndios neste País têm sido uma Fatalidade

... e penso que vão continuar a ser. Estou a meter-me por domínios complexos e partindo de uma base de grande pessimismo.

Mas alguém pode acalentar alguma ténue esperança de que isto vai mudar?

Todos os anos oiço os governantes deste país dizerem: no próximo ano é que vai ser. Vai haver um plano etc.

Ao dizerem isto acredito na sua sinceridade. Mas já acredito pouco na sua capacidade de execução, ou melhor, na sua capacidade de pensar e planear algo que certamente demorará muitos anos, décadas a pôr em prática e desse modo começar a pôr cobro a esta situação que tantos prejuízos materiais, psicológicos e humanos, acarreta a este país.

A questão dos incêndios é complexa. Portugal é caso único na Europa. Diz quem sabe e as estatístivas o provam, que a floresta é eminentemente privada, ao contrário dos outros países onde o Estado tem uma posição significativa na propriedade florestal.

E a questão base dos incêndios prende-se com a forma de organizar a gestão profissionalizada da floresta que não se coaduna com cada parcela de minifúndio fazer ou não fazer o que bem entender.

Li na imprensa que o presidente da câmara de Ourém , David Catarino, reclamou ontem "limitações ao direito de propriedade para facilitar acções de limpeza compulsiva nas florestas e matas por parte dos serviços camarários e estatais".

Trabalhar com a floresta, de forma profissionalizada, é preciso reunir muitos hectares, centenas ou milhares. Só assim se pode dispôr de técnicos competentes.

Ora, avançar por este caminho exige um Estado fortemente determinado com uma estratégia e um projecto de mudança para a floresta deste país e um grande diálogo e o estabelecimento de uma forte cooperação com as organizações dos produtores florestais exactamente porque o tipo de propriedade existente tem de ser reorganizada e gerida sobre novos moldes.

Daí o sentimento do Presidente da Câmara referido quanto a este problema. E de facto isto não vai longe, enquanto o papel dos bombeiros é tido como primeiro plano quando eles deveriam ser o último recurso na protecção dos incêndios. Esta inversão da acção deita tudo a perder.


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