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2019-11-15

 
A OEA e o golpe na Bolívia: eleição foi sem fraude, mas não aceitamos a vitória de Evo 

Por Ana Prestes.   11/11/2019 


 Foto ABI  


A onda de restauração conservadora chegou à Bolívia. Não de forma muito diferente de como se tem manifestado na América Latina desde o Golpe nas Honduras em 2009, mas com uma componente de violência acentuada. Não se trata de um golpe jurídico parlamentar como se deu no Paraguai e no Brasil, tem mais semelhança com a onda de violência e desestabilização que abalou a Nicarágua em 2018 ou com a tentativa de sequestro de Correa, no Equador em 2012 ou ainda com o golpe de 2002 na Venezuela, quando os opositores tomaram meios de comunicação e incendiaram as ruas. 

Mas vejamos como chegámos a esta situação em que hoje, 10 de Novembro, após ter sido vitorioso no pleito eleitoral de 20 de Outubro, Evo Morales, presidente da Bolívia, anuncia que o parlamento boliviano renovará os cargos dos juízes do Tribunal Eleitoral, por ter competência para fazê-lo, e novas eleições gerais serão convocadas, anulando-se assim os resultados de 20 de Outubro. Horas antes do anúncio, a OEA havia-se manifestado não reconhecendo o pleito após realização de auditoria da contagem dos votos. Na prática, a OEA, através de Luís Almagro fez seu papel, tal e qual nos outros países golpeados. 

Em que contexto económico nacional se deu o pleito de 20 de Outubro? 

As eleições na Bolívia correspondem ao apagar das luzes da segunda década do século XXI. Duas décadas marcadas por muitas transformações na América Latina. Um período em que se viveu o chamado ciclo de governos progressistas iniciado com a Eleição de Chávez como presidente da Venezuela em 1998 e seguiu vigoroso até à primeira derrota eleitoral importante, a de Cristina Kirchner na Argentina em 2015. Nesse meio tempo houve vários intentos de golpe e pelo menos dois com sucesso para os conservadores, nas Honduras e no Paraguai. De 2015 para cá a onda de restauração conservadora tomou mais corpo, especialmente como golpe no governo Dilma no Brasil e a eleição de Bolsonaro.

Fanático religioso, histriónico, corrupto: quem é “Macho” Camacho, empresário que encabeça o golpe na Bolívia? 

Evo chegou perto de ser eleito pela primeira vez em 2002, quando ficou em segundo lugar nas eleições de modo surpreendente para um país de sucessivos governos oligárquicos. Nas eleições de 2005 ele venceu com maioria absoluta, tornando-se o primeiro presidente de origem indígena. 

Quando Evo assume a presidência a Bolívia possuía um PIB de 5 biliões de dólares e uma dívida externa de igual valor. Já ao final de 2005 o PIB estava na casa dos 9 biliões e em 2018 de 40,8 biliões de dólares. Os governos dos “terratenientes” que o antecederam se ocupavam de utilizar o Estado para maior seu maior enriquecimento e dos seus familiares. Em 14 anos o governo Evo multiplicou por 8 o PIB do país. Uma das principais chaves da nova economia foi a mudança relativamente aos recursos naturais, em especial nos sectores agropecuário, mineiro, energético e de hidrocarbonetos. Com uma profunda nacionalização através da recuperação de empresas estratégicas, além do investimento misto, junto ao sector privado, na actividade económica das pequenas, médias e grandes empresas. Como consequência, refundaram politicamente o país e alteraram perfil de um Estado colonial para um Estado Plurinacional, com especial atenção ao movimentos indígenas e de mulheres. O resultado foi que um país que tinha 78,2% de pessoas na pobreza extrema, passou a ter menos de 15%, estabilizou num crescimento de 4% ao ano e chegou a um PIB per capita de 4 mil dólares, quando era de 900 dólares. 

Em que contexto político se deu o pleito de 20 de Outubro? 

A Bolívia é um país que enfrentou 193 golpes de Estado no período que vai desde os tempos de Bolívar e Sucre, heróis independentistas, em 1825, até 1982. Estabilidade política não é o comum no país, muito pelo contrário. E mais, instabilidade política sempre acompanhada de muita violência. De 84 governos, 32 foram conduzidos por ditadores. 

O Palácio de Quemados, sede da presidência e do qual observamos nos últimos dias o amotinamento dos guardas palacianos contra Evo, tem esse nome por ter sido incendiado em uma revolta popular em 1860. Com Evo e Linera, portanto, nos últimos 14 anos, a Bolívia viveu um dos mais longevos períodos de estabilidade política desde a independência, se não foi o maior. Durante esse período houve um princípio de guerra civil em 2008, instada pelos mesmos golpistas de hoje, sediados em Santa Cruz, Chuquisaca e Tarija, na época também de El Beni e Pando. 

Qualquer um que olhasse o cenário, de estabilidade política, crescimento económico, extermínio da pobreza e melhora de outros indicadores sócio-económicos, poderia pensar que Evo levaria esta fácil. Com vitória arrebatadora. Ocorre que na política tudo são nuvens e quando você volta a olhar o céu, lá vem uma tempestade imprevista. A combinação da reorganização dos setores oposicionistas, animados com os ventos conservadores que vieram bater no continente (exemplo do Brasil) com a insatisfação de setores indígenas, por considerarem que Evo se aproximou demais do mercado e do agronegócio, os incêndios florestais pré-eleitorais e a não identificação de eleitores jovens (conhecemos esse filme) com o programa do MAS formou um cenário complicado para Evo. 

Por isso a vitória não foi avassaladora e capaz de fechar a fatura no primeiro turno. A estreita margem dos votos, principalmente do campo e meio rural, que garantiram os 10% de diferença entre Evo e Mesa foi o componente de tempestade perfeita que o imperialismo precisava para entrar com a intrometida colher da OEA e abrir as portas para o golpe. 

O impacto das queimadas. 

Um ponto importante do cenário e contexto pré-eleitoral foi o das queimadas florestais que alarmaram a Bolívia, em especial na Chiquitania, no mesmo período em que aqui no Brasil enfrentamos as queimadas na região da Amazónia. Enquanto aqui no Brasil o governo Bolsonaro fazia vista grossa para as queimadas, batia boca com Macron e rasgava dinheiro europeu, Evo foi pessoalmente para as áreas de queimadas, montou comitê de crise em barraca de campanha, pediu ajuda ao mundo inteiro, revelou tecnologias que poucos conhecíamos ao receber aviões tanque e outros tipos de apoio. 

Seria impossível no entanto que as queimadas não chamuscassem também a candidatura de Evo e dessem de bandeja argumentos para a oposição alvejar o líder indígena. Foram cinco as mortes decorridas do enfrentamento ao fogo, 4 bombeiros e um camponês, quatro milhões de hectares consumidos pelo fogo, sendo 12 áreas protegidas com grande biodiversidade de fauna e flora. Tudo isso justamente em Santa Cruz, sede do golpismo anti-Evo. 

As eleições. 

No dia 20 de outubro, mais de 7 milhões de eleitores estavam aptos a votar, tanto no país como no exterior (341 mil puderam votar fora do país). O pleito escolheria 1 presidente e seu vice-presidente, 130 deputados e 36 senadores para o mandato de 2020 a 2025. Para vencer e levar a presidência na Bolívia um dos candidatos deve fazer mais de 50% dos votos ou no mínimo 40% com uma diferença de 10 pontos percentuais a frente do segundo mais votado. Caso contrário, há segunda volta. Os principais adversários de Evo (47,08%) foram Carlos Mesa (Comunidad Ciudadana) com 36,51%, Chi Hyun Chung (Partido Democrata Cristão), com 8,83% e Óscar Ortíz (Bolivia dice No), de Santa Cruz, preferido dos EUA, com apenas 4,26%. 

Quatro dias antes da eleição, Evo recebeu uma delegação da OEA na Casa Grande do Povo e logo manifestou via twitter: “damos as boas vindas à delegação de observadores da OEA que acompanham as eleições na Bolívia para verificar a transparência e legalidade do processo eleitoral”. A OEA enviou 92 observadores para as eleições bolivianas, sendo que parte desses se deslocou para acompanhar as votações em São Paulo, Buenos Aires e Washington. Apesar da receptividade com a OEA, que sabemos bem a serviço de quem anda “observando” os governos latino-americanos, a bandeira branca de Evo não funcionou muito e a violência se instalou já nos dias prévios às eleições. O encerramento da campanha do MAS em Santa Cruz foi um exemplo do que estava por vir. 

Passado o domingo 20, enquanto ainda se fechava o escrutínio das cédulas foram queimados os escritórios do Tribunal Eleitoral Departamental de Potosí e juízes eleitorais foram agredidos em Tarija, Chuquisaca, Oruro e La Paz. Foi derrubada uma estátua de Hugo Chávez em Riberalta e outros atos de vandalismo se instalaram pelo país. Os atos violentos tinham um conteúdo racista bastante particular da Bolívia, além de profundamente antidemocráticos. 

Enquanto isso sabe-se que funcionários o Departamento de Estado dos EUA que estão na Bolívia, Mariane Scott e Rolf Olson, mantiveram reuniões com diplomatas do Brasil, Argentina, Paraguai, Colômbia, Espanha, Equador, Reino Unido e Chile para coordenar um não reconhecimento dos resultados eleitorais. 
A OEA impôs uma auditoria e concluiu que “embora sem fraudes, o processo foi impreciso”, tradução = não reconhecemos a vitória de Evo. 

Dali em diante todos já conhecíamos o filme. O cenário do golpe estava montado: violência nas ruas, não reconhecimento do processo eleitoral por parte dos países da região, raposa instalada dentro do galinheiro: OEA. Só faltavam alguns elementos essenciais para a efetivação do golpe: forças de segurança e meios de comunicação. E foi justamente o que vimos nos últimos dias, amotinamento de forças policiais e tomada de rádios e tvs a força pelos golpistas. A que se dizer que o papel dos militares foi dúbio, mas a informações de que o próprio Evo decidiu não colocar o Exército nas ruas para não incrementar a violência e dar mais argumentos aos golpistas. 

O golpe. 

No dia de hoje Evo fez um pronunciamento que para uns soou como coragem e para outros como rendição. A ver o que a vida mostrará nas próximas horas. Anunciou aceitar o resultado da auditoria da OEA e a convocação de novas eleições. Além de sua anuência para que o parlamento troque os juízes do Tribunal Superior Eleitoral. Resta saber se as novas eleições terão entre os concorrentes Evo Morales, o presidente que tirou a Bolívia da situação de eterna colónia e deu a seu povo dignidade e oportunidade de desenvolvimento, nunca vistos naquele país. Enquanto escrevo já são noticiadas as novas chantagens golpistas e entre elas está o pedido de renúncia de Evo para que o país se pacifique. Evo apostou na paz, resta saber se isso basta para interromper a guerra. De todo modo, ele marcha suportado pela solidariedade de todo um continente que sabe o gigante que ele é. Fuerza Evo. 

2019-11-11

 

Golpe militar na Bolívia

"A queda de Evo Morales mostra que o império e seus aliados não descansam, mantendo-se sempre à espreita para agir contra aquelas lideranças que representam os interesses do povo", diz o colunista Paulo Moreira Leite



No dominó sul-americano, a Bolívia era a única peça que permanecia de pé, inabalável, após o vendaval imperialista que em pouco mais de  cinco anos modificou a paisagem política da região.  
Pela ordem cronológica. Em 2013, com a morte de Hugo Chávez, teve início a fase mais dura do bloqueio à revolução bolivariana, um garrote cada vez mais apertado no pescoço da Venezuela, que resiste, apesar de tudo, apoiada por um Exército que sustenta o governo Nicolas Maduro com uma fidelidade única na região. 
Em 2015, grandes escândalos midiáticos ajudaram derrotar o peronismo na Argentina, abrindo caminho para a  vitória de Maurício Macri. Em 2016, o projeto Lula-Dilma foi derrubado através de um golpe parlamentar, consolidado pela prisão de Lula em 2018. Em 2017, numa sórdida trama palaciana, Lenin Moreno desfez as conquistas de Rafael Correa para reconectar o Equador ao comando de Washinton. 
O golpe que forçou a renúncia de Evo Morales, presidente desde 2006, reeleito pela quarta vez, mostra que a selvageria política continua liberada na América do Sul.
Apoiado pelo Exército e pelas forças policiais encarregadas da segurança interna, o ataque final a um presidente que jamais foi derrotado nas urnas é um aviso aos navegantes da democracia e da soberania de povos e países dessa parte do mundo. A América do Sul segue como alvo de cobiça do império e seus ajudantes, capazes de empregar métodos implacáveis para conservá-la sob  seus domínios.
Não vamos nos iludir. O que está em jogo, no Chile de Pinochet-Pinera, no Brasil de Temer-Bolsonaro. na Argentina de Macri, não é o bem-estar do povo, nem o reforço das garantias democráticas, nem qualquer conceito mais evoluído sobre a condição humana. Apenas a submissão de uma região inteira, rica em minérios estratégicos e em recursos naturais, aos interesses e domínios de Washington. 
O golpe que derrubou Evo é a versão bem sucedida da operação liderada por Aécio Neves para impedir a posse de Dilma em 2015. Paralisada inicialmente, a manobra seria bem sucedida um ano e quatro meses depois. 
Tanto a vitória de Augusto Fernandez-Cristina Kirschner na Argentina, como a rebelião popular contra Pinera, no Chile e a libertação de Lula, no Brasil, mostram que a região não evolui de uma mesma maneira, nem numa única direção. Há uma imensa vontade de mudanças a favor dos explorados e excluídos, que tem feito girar a roda de mudanças numa direção favorável.   
A luta por uma Assembléia Constituinte ganha força e consistência no Chile. A liberdade de Lula é o ponto de partida para dar nova musculatura à oposição a Bolsonaro, até hoje desarticulada e sem uma voz capaz de falar pelas grandes camadas do povo brasileiro.
Mas a queda de Evo Morales mostra que o império e seus aliados não descansam, mantendo-se sempre à espreita para agir contra aquelas lideranças que representam os interesses do povo.
Alguma dúvida? 
Ligação para o 247 com notícias da América latina  >>>   NÍVEA CARPES
Diante de toda a destruição, onde a oposição não tem uma estratégia para o que enfrenta, o povo está anestesiado e as instituições foram destruídas, 

2019-10-25

 

Chomsky:10 estratégias de manipulação de massas


O texto foi retirado daqui: A Mente é Maravilhosa
Noam Chomsky é um dos intelectuais mais respeitados do mundo. Este pensador americano foi considerado o mais importante da era contemporânea pelo The New York Times. Uma de suas principais contribuições é ter proposto e analisado as estratégias de manipulação de massa que existem no mundo hoje.
Noam Chomsky ficou conhecido como lingüista, mas também é filósofo e cientista político. Ao mesmo tempo, ele se tornou um dos principais ativistas das causas libertárias. Seus escritos circularam pelo mundo e não param de surpreender os leitores.
Chomsky elaborou um texto didático no qual ele sintetiza as estratégias de manipulação maciça. Suas reflexões sobre isso são profundas e complexas. No entanto, para fins didáticos, ele resumiu tudo em princípios simples e acessíveis a todos.
1. A distração das estratégias de manipulação maciça
Segundo Chomsky, a mais recorrente das estratégias de manipulação massiva é a distração. Consiste basicamente em direcionar a atenção do público para tópicos irrelevantes ou banais. Desta forma, eles mantêm as mentes das pessoas ocupadas.
Para distrair as pessoas, abarrotam-lhes de informações. Muita importância é dada, por exemplo, a eventos esportivos. Também ao show, às curiosidades, etc. Isso faz com que as pessoas percam de vista quais são seus reais problemas.
2. Problema-reação-solução
Às vezes o poder, deliberadamente, deixa de assistir ou assiste de forma deficiente certas realidades. Eles fazem dessa visão dos cidadãos um problema que exige uma solução externa. E propõem a solução eles mesmos.
Essa é uma das estratégias de manipulação em massa para tomar decisões que são impopulares. Por exemplo, quando eles querem privatizar uma empresa pública, intencionalmente diminuem sua produtividade. No final, isso justifica a venda.
3. Gradualidade

Esta é outra das estratégias de manipulação maciça para introduzir medidas que normalmente as pessoas não aceitariam. Consiste em aplicá-las pouco a pouco, de forma que sejam praticamente imperceptíveis.
Foi o que aconteceu, por exemplo, com a redução dos direitos trabalhistas. Em diferentes sociedades têm implementado medidas, ou formas de trabalho, que acabam fazendo com que o trabalhador não tenha garantia de segurança social normal.
4. Adiar
Esta estratégia consiste em fazer com que os cidadãos pensem que estão tomando uma medida que temporariamente é prejudicial, mas que no futuro pode trazer grandes benefícios para toda a sociedade e, claro, para os indivíduos.
O objetivo é que as pessoas se acostumem com a medida e não a rejeitem, pensando no suposto bem que trará amanhã. No momento, o efeito da “normalização” já operou e as pessoas não protestam porque os benefícios prometidos não chegam.
5. Infantilizar o público
Muitas das mensagens televisivas, especialmente publicidade, tendem a falar ao público como se fossem crianças. Eles usam gestos, palavras e atitudes que são conciliadoras e impregnadas com uma certa aura de ingenuidade.
O objetivo é superar as resistências das pessoas. É uma das estratégias de manipulação massiva que busca neutralizar o senso crítico das pessoas. Os políticos também empregam essas táticas, às vezes se mostrando como figuras paternas.
6. Apelar para as emoções
As mensagens que são projetadas a partir do poder não têm como objetivo a mente reflexiva das pessoas. O que eles procuram principalmente é gerar emoções e atingir o inconsciente dos indivíduos. Por isso, muitas dessas mensagens são cheias de emoção.
O objetivo disso é criar uma espécie de “curto-circuito” com a área mais racional das pessoas. Com emoções, o conteúdo geral da mensagem é capturado, não seus elementos específicos. Desta forma, a capacidade crítica é neutralizada.
7. Criar públicos ignorantes
Manter as pessoas na ignorância é um dos propósitos do poder. Ignorância significa não dar às pessoas as ferramentas para que possam analisar a realidade por si mesmas. Diga-lhe os dados anedóticos, mas não deixe que ele conheça as estruturas internas dos fatos.
Manter-se na ignorância também não dar ênfase à educação. Promover uma ampla lacuna entre a qualidade da educação privada e a educação pública. Adormecer a curiosidade de conhecimento e dá pouco valor aos produtos de inteligência.
8. Promover públicos complacentes
A maioria das modas e tendências não são criadas espontaneamente. Quase sempre são induzidas e promovidas de um centro de poder que exerce sua influência para criar ondas massivas de gostos, interesses ou opiniões.
A mídia geralmente promove certas modas e tendências, a maioria delas em torno de estilos de vida tolos, supérfluos ou mesmo ridículos. Eles convencem as pessoas de que se comportar assim é “o que está na moda”.
9. Reforço da auto-censura
Outra estratégia de manipulação em massa é fazer as pessoas acreditarem que elas, e somente elas, são as culpadas de seus problemas. Qualquer coisa negativa que aconteça a eles, depende apenas delas mesmas. Desta forma,  fazem-lhes acreditar que o ambiente é perfeito e que, se ocorrer uma falha, é responsabilidade do indivíduo.
Portanto, as pessoas acabam tentando se encaixar em seu ambiente e se sentindo culpadas por não conseguir. Elas deslocam a indignação que o sistema poderia causar, para uma culpa permanente por si mesmos.
10. Conhecimento profundo do ser humano
Durante as últimas décadas, a ciência conseguiu coletar uma quantidade impressionante de conhecimento sobre a biologia e a psicologia dos seres humanos. No entanto, todo esse patrimônio não está disponível para a maioria das pessoas.
Apenas uma quantidade mínima de informações está disponível ao público. Enquanto isso, as elites têm todo esse conhecimento e usam-no conforme sua conveniência. Mais uma vez, fica claro que a ignorância facilita a ação do poder sobre a sociedade.
Todas essas estratégias de manipulação em massa visam manter o mundo como ele é mais poderoso. Bloqueie a capacidade crítica e a autonomia da maioria das pessoas. No entanto, depende também de nos deixarmos ser passivamente manipulados, ou oferecer resistência tanto quanto possível.

2019-09-30

 

Sócrates explica Tancos no Expresso

Desta vez o nome é Tancos
EXPRESSO 29.09.2019 às 18h36


«Neste artigo para o Expresso, José Sócrates ataca o Ministério Público pelos casos que rebentam em cima de campanhas eleitorais e acha que há motivações políticas para o conhecimento da acusação de Tancos. O ex-líder socialista critica quem se justifica com "isso é lá da justiça", mas também defende António Costa contra Rui Rio: "O ataque ao primeiro-ministro pode ser político, mas é baseado no julgamento prévio do antigo ministro da Defesa", escreve.

Para ir direto ao assunto, considero que a apresentação da acusação judicial de Tancos tem uma evidente e ilegítima motivação política. Não só pelo momento escolhido – No meio da campanha eleitoral –, mas, principalmente, pela forma como o Ministério Público orientou a sua divulgação pública. O truque, desta vez, consistiu basicamente em apresentar nas televisões a prova – uma mensagem do antigo ministro para um deputado na qual afirma que “já sabia” . Todos os jornalistas foram atrás : “já sabia” – eis a smoking gun. Todavia, lida toda a mensagem, rapidamente nos apercebemos DE que o ministro diz que já sabia da recuperação das armas e não que sabia da forma ilegal como elas foram recuperadas. A mensagem nada prova. Não obstante, isolar aquelas duas palavrinhas permitiu o formidável passe de mágica que contaminou toda a conversa posterior. A operação chama-se “spinning” e constitui hoje uma especialidade da nossa política penal.
2.
A partir daqui, nem direito de defesa, nem presunção de inocência, nem tribunais. Eis ao que chegou esse poder oculto, subterrâneo e quase absoluto que resulta dessa extraordinária aliança entre procuradores (alguns) e jornalistas. A primeira vítima é o visado, é certo. Mas, se tentarmos ver um pouco mais longe, as próximas vítimas serão os juízes. O seu papel na justiça penal caminhará para a irrelevância. Afinal, já não precisamos deles: o ministério público investiga, o ministério público acusa, o ministério público julga – tudo isto nos jornais e nas televisões, seu terreno de eleição.
3.
O momento da divulgação não é inocente, não. Vejo para aí o álibi de que haveria um prazo de prisão preventiva que se esgotava. Fraco argumento. Ainda que mal pergunte, não é princípio geral que, em regra, o cidadão tenha o direito de aguardar o seu julgamento em liberdade? Já nos esquecemos de que a prisão preventiva é uma medida extraordinária? Já nos esquecemos que passar um ano em prisão preventiva sem acusação é uma violência que a maior parte dos países desenvolvidos não aceita? Já nos esquecemos que essa medida deveria ser reservada apenas a matérias de especial complexidade? A infeliz resposta é que todos estes princípios jurídicos parecem longínquos e ultrapassados. Os tempos que vivemos são de normalização do abuso institucional. Acresce que, com tanto tempo para investigar e acusar, é difícil encontrar razões para o não terem feito antes da campanha. O que resta, pelas regras da experiência comum que tanto gostam de invocar, é que queriam que a acusação tivesse exatamente o efeito político que teve.
4.
Finalmente, os dois líderes políticos em campanha. Um deles produziu o momento mais singular de toda a campanha afirmando com coragem que a democracia não convive com julgamentos de tabacaria. Um novo acorde que teve o impacto de tudo aquilo que se ouve pela primeira vez . O outro, com esmeradíssima prudência, tratou o caso como assunto de intendência – isso é lá com a justiça. Como se do outro lado de toda esta conversa não houvesse pessoas reais. Como se não estivesse a falar de direitos individuais, de garantias, de Constituição. Como se o direito democrático não fosse, no que é essencial, a imposição de limites ao poder estatal .
5.
Uma semana depois a situação inverte-se : o primeiro decide atacar o primeiro-ministro dizendo que, se não sabia é grave e, se sabia, mais grave é ainda. Esta afirmação só se percebe se o próprio partir do principio de que o ministro da defesa sabia, isto é, que ele é culpado. O ataque ao primeiro ministro pode ser político, mas é baseado no julgamento prévio do antigo ministro da Defesa. Em boa verdade, o que fez foi condenar sem ouvir a defesa e sem esperar pelo veredicto de um juiz. Por sua vez, o primeiro ministro, indignado, declara o óbvio – a declaração encerra uma vergonhosa condenação pública antes de qualquer julgamento.
6.
Eis no que nos tornámos : em 2005, foi o Freeport; em 2009, as escutas de Belém; em 2014, a operação marquês, agora foi Tancos que se seguiu à espetacular operação de buscas e apreensões a propósito de um concurso de golas para uso em incêndios e que juntou duzentos polícias, vários procuradores e o juiz do costume. Tudo isto, evidentemente, devidamente coberto pelas televisões, avisadas com antecedência. A violação do segredo de justiça é um crime que o Estado reserva para si próprio. É isto, e julgo que não é preciso fazer um desenho.
Ericeira, 28 de Setembro de 2019
José Sócrates

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2019-09-28

 

PEDRO GUERREIRO como os bancos destruíram 40 milhões

Pedro Guerreiro

2:59 para explicar o mundo como os bancos destruíram €40 mil milhões


 

Como meio mundo anda a roubar o outro meio






2019-09-17

 

O Museu Salazar travestido de Centro Interpretativo do Estado Novo


Sem alarmismos, afirmo que o “povo de esquerda” está cada vez mais insuportavelmente ignorante, e, apesar disso, exige determinar o que os historiadores devem fazer.” 

É Raquel Henriques da Silva directora do Instituto Português de Museus de 1997 a 2002, em carta ao director do PÚBLICO de 2019-09-13 reagindo ao movimento contra o Museu Sala-zar em Santa Comba Dão. E continua: “O Estado Novo e o seu chefe são objectos fundamen-tais de estudo e divulgação problematizadora da história de Portugal do século XX… “
Dado que me incluo no “povo de esquerda” vou tentar minorar a minha “ignorância” ponderando os argumentos da autora do escrito sobre o projectado Museu Salazar que passou a ser referido pelo pseudónimo de Centro de Interpretação do Estado Novo” dada a vasta oposição que suscitou nomeadamente um documento de repúdio com 18 mil assinaturas e outro de presos políticos com 204.
Começo por informar a Srª ex-directora de museus que o povo de esquerda ou parte dele não contesta tanto a criação de um “Centro de Interpretação do Estado Novo” mas a sua localização na terra natal do ditador, na vizinhança da Casa Salazar, da Rua Salazar, da Escola Salazar, do jardim Salazar.

Fortaleza de Peniche
O povo de esquerda ou pelo menos eu, não se incomoda nada com a criação de um “Centro de Interpretação do Estado Novo”, por exemplo nos actuais museus criados nas antigas prisões políticas, na do Aljube ou, melhor ainda, na da Fortaleza de Peniche.
Aqui sim, toda a gente perceberia, incluindo o “insuportavelmente ignorante povo de esquerda” que não se tratava de criar um local de romaria para os saudosos do regime fascista do Estado Novo ou para as organizações de extrema direita nacionais e europeias cuja articulação Steve Bannon,  o organizador da campanha eleitoral de Trump, se tem empenhado em dinamizar e colocar em rede.
Um museu Salazar em Peniche dava certas garantias de que da acção do déspota se revelaria além do melhor também o pior. Entre o melhor poderia informar-se que livrou Portugal da 2ª Guerra Mundial e até se poderia explicar porquê: Salazar talvez colocasse de bom grado Portugal na 2ª GM mas…ao lado de Hitler! No entanto com o país refém da “secular aliança” com a velha Albion e o previsível assalto desta às colónias portuguesas em tais circunstâncias além da previsível reacção dos EUA tal opção tornava-se inviável.
A simpatia de Salazar pelo regime do Fuhrer, autor de inomináveis crimes contra a humanidade, ficou bem patente no luto nacional, com bandeira a meia haste, decretados pelo o homem de Santa Comba Dão após o suicídio de Hitler, em 30 de Abril de 1945, quando o Exército Vermelho chegou às portas do bunker, em Berlin, onde se recolhia.
Também a seu favor se poderia argumentar que com a sua iniciação como seminarista se manteve virgem e por conseguinte “puro”. Misógino  e “puro” salvo melhor investigação das suas relações com uma certa visitante francesa. Também a seu favor há o argumento de que não roubou nem enriqueceu e podemo-nos interrogar, para quê? Sem querer concluir que fosse um corrupto em potência, nada leva a pensar em tal, tenhamos presente que o ditador vivia num palácio rodeado de tudo o que necessitava e… sem mulher e sem filhos para quê ter uma fortuna sem ter a quem a deixar. Em contrapartida a sua política foi a de tornar os portugueses cada vez mais pobrezinhos para que Portugal e suas riquezas ficassem na mão de uma dúzia de famílias, os Melos, os Champalimaud, os Espírito Santo, os latifundiários donos da terra Alentejana e Ribatejana.

Salazar e Franco

Situado na fortaleza de Peniche, o Museu Salazar, trajado ou não de “Centro de Interpretação do Estado Novo”, haveria a garantia de que não seria esquecido o terror ! O terror das polícias políticas, da PVDE e das sucessoras PIDE e DGS, as torturas sistemáticas até à beira da morte e da loucura dos presos políticos. O horror das prisões, do Aljube, do Forte de Caxias, da Fortaleza de Peniche, da sede da PIDE em Lisboa e no Porto, a morte lenta ou violenta nos campos de concentração do Tarrafal, em Cabo Verde, de S. Nicolau em Angola, da Machava em Moçambique, ou de Oe-Kussi em Timor.
Houve presos políticos que para além das inauditas torturas e suplícios a que foram repetidamente submetidos passaram o melhor da sua vida na prisão: como Manuel Rodrigues da Silva, 23 anos, como Francisco Miguel, 22 anos, como José Magro 20 anos e tantos, e tantos outros, anos sem fim. E Salazar conhecia tudo isso bastante bem dos seus regulares encontros de trabalho com sucessivos directores das polícias políticas.


Portugal na guerra colonial -Angola é nossa! É nossa!! É nossa!!!

No Alentejo e não só, a GNR chegava ao ponto de prender trabalhadores, preventivamente, em vésperas do 1º de Maio, para tentar prevenir hipotéticas manifestações.
Não havia liberdade de reunião, nem de expressão com a censura prévia a toda a comunicação social. Manifestações, greves, sindicatos que não os controlados pela PIDE, estavam proibidos.
Toda este terror e intimidação existia não por degenerescência mental do homem de Santa Comba Dão mas para impedir que os milhões de Portugueses, condenados ao atraso, à ignorância, à pobreza, à miséria, tivessem êxito na sua revolta contra a política que favorecia o escandaloso enriquecimento dos “donos disto tudo”. Assim o Governo do Dr Salazar conseguiu ao fim de quase meio século de governação a proeza de reduzir Portugal à situação de país mais pobre, mais atrasado e mais analfabeto da Europa Ocidental e onde era santificada a menorização da mulher num quadro legal que a colocava na estrita tutela do marido.
E que dizer dos milhares de portugueses condenados à morte e estropiados nas guerras coloniais? E que pensar do regime de semi-escravatura dos povos das colónias portuguesas e das dezenas de milhar de mortos de africanos que lutavam pela sua dignidade, por justiça, pela libertação, pela independência?
Um estudo publicitado por José Pedro Castanheira, no Expresso, em 2013, revelou que
 a prisão política da Machava era a pior das prisões portuguesas de África durante a guerra colonial, onde se espancava e torturava até à mortes e onde ainda em 1973 se encontravam presos 1.049 africanos suspeitos do crime terrível de serem simpatizantes da Frelimo.


Salazar beija mão do cardeal Cerejeira  chefe da Igreja Católica portuguesa

Como foi possível que o regime salazarista se aguentasse quase meio século? Duas armas foram fundamentais, o terror policial e o condicionamento das mentes pela Igreja católica portuguesa, dirigida pelo seu amigo, o cardeal Cerejeira com quem conviveu na juventude durante 11 anos no
Centro Académico de Democracia Cristã, em Coimbra.

Portanto, em suma, uma boa indicação de que o essencial da terrível governação fascista não seria escamoteada seria a localização do tal museu, camuflado ou não com a designação de Centro de Interpretação do Estado Novo, no Aljube, no Forte de Caxias ou na Fortaleza de Peniche. Admito até que “a insuportável ignorância do povo de esquerda” tendesse a diminuir.

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2019-09-06

 

Bolsonaro foi ao bispo Edir Macedo da IURD para melhorar as sondagens

Dois negociantes num momento de grande investimento empresarial à custa do... "povo miúdo", dos trabalhadores e da classe média brasileira, os pagadores. Dois negociantes: o multimilionário bispo Edir Macedo fundador e proprietário da IURD a Igreja Universal do Reino de Deus e Jair Bolsonaro um desqualificado e inverosímil presidente da grande nação brasileira.

Bolsonaro foi este mês ao Templo de Salomão, em S. Paulo, para ser ungido pelo bispo Edir Macedo. Bolsonaro revelou-se um verdadeiro crente - até chorou! – na esperança de que o voto dos cerca de 2 milhões de crentes desta religião no Brasil, melhore as suas sondagens em declínio. 



Edir Macedo começou por ser católico mas depois pensou que por ali não iria longe e então criou uma religião nova onde misturou muito da religião católica com alguma coisa judaica e, de oração em oração, de negócio em negócio, chegou a multimilionário, com património avaliado em cerca de mil milhões de euros. É proprietário nomeadamente de importantes meios de comunicação social, do 3ª mais importante canal de TV do Brasil, de rádios, de jornais dedicados inteiramente a sintonizar a cabeça dos simples com a IURD. 
Já a contas com a Justiça, chegou a estar preso por lavagem de dinheiro e outras “obras de Deus” e a sua IURD e ele directamente estiveram implicados no tráfico de crianças em Portugal depois entregues a prelados casados mas sem filhos, incluindo a sua família. O bispo Macedo é um grande apoiante de Bolsonaro que é um seguro para os seus negócios e que este aproveita para o negócio dele - atrair uns votos de IURD’s. Isto e muito mais ao vosso dispor na internet.

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2019-09-02

 

O Museu Salazar em Santa Comba Dão para saudosas romarias




Excelente artigo de Helena Pereira de Melo 
(professora de Direito da Saúde e da Bioética da Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa). No Público de hoje

O dr Salazar

2 de Setembro de 2019, 3:12

Que boa ideia, a da Câmara de Santa Comba Dão, de construir um museu em homenagem a Oliveira Salazar. Um museu que o retrate a trabalhar, sentado no seu fauteuil, com os óculos sobre o nariz e uma manta nos joelhos… a despachar, quase ininterruptamente, os assuntos da governação de um Império, cujas províncias ultramarinas jamais visitou, a partir do Palácio de São Bento, onde havia um galinheiro no jardim. D. Maria, a sua fiel governanta, ajudava a filtrar as visitas dos poucos que lhe tinham acesso directo e a quem concedeu, ao longo dos anos, grandes benesses, aquém e além-mar.
As mulheres do Povo aclamavam-no nas suas aparições públicas: Professor de Finanças Públicas, solteiro, “casado” com a Nação, católico devoto e honesto, segundo a imagem dele construída e divulgada por António Ferro. O que pensava sobre elas é conhecido: deviam conservar-se na sombra e desempenhar a nobre função de reproduzir a valorosa raça lusitana enquanto cosiam as meias do marido. Inquietavam-no, como diz num dos seus discursos, as suas ânsias de emancipação, de estudar e trabalhar fora de casa… onde nos levariam?
Poriam em causa a família cujos membros tinham um papel bem definido (sim, menina também vestia rosa, no seu pensamento e menino azul, apesar de não ter escrito sobre o tema, de tão óbvio que era à data) e cada família o seu lugar bem determinado na sociedade portuguesa. Havia generais e magalas, senhoras e sopeiras, “famílias-como-as-nossas” e “as outras” com as quais só misturávamos sangue se, “apesar de recentes fossem ricas”, numa sociedade em que não eram necessários os cem anos de hoje para se mudar de classe social: tal simplesmente não era suposto acontecer.
Arquitetonicamente a Colónia Penal do Tarrafal aberta por Decreto-lei também assinado, em 1936, pelo Senhor Presidente do Conselho, António de Oliveira Salazar, não se afasta significativamente dos campos de concentração nazis. Era um dos campos para onde o Regime enviava quem ousasse pensar de forma diferente, os “presos políticos e sociais”. Havia covas no chão onde eram interrogados os detidos quando as temperaturas atingiam mais de quarenta graus centígrados. Péssimas, diriam hoje os defensores do regresso a um regime semelhante, as condições de trabalho de quem os interrogava! Um dos médicos do campo, Esmeraldo Prata, escreveu: “o meu trabalho não é tratar pessoas, mas assinar certificados de óbito”. O Campo esteve em funcionamento várias décadas… mais do que os campos de concentração da II Guerra Mundial?
Talvez a nostalgia do regresso à ordem representada por Salazar, expressa no adágio “Deus, Pátria, Família”, seja a nostalgia da boa ordem que nos acompanhou durante os longos tempos da Santa Inquisição primeiro e, mais tarde, da PIDE … O desejo, não do regresso de Dom Sebastião e do que este simbolizou (que utilidade teria um senhor de 24 anos que não saberia o que é o Twitter e a quem teríamos de explicar, pacientemente, o funcionamento da União Europeia?), mas sim de um regime ditatorial onde cada um teria o seu lugar numa estratificação social previamente delineada por alguns e onde seria possível enviar o vizinho ou colega de trabalho que detestássemos para um novo Tarrafal, apenas porque a sua presença nos incomoda.
Ou, talvez, o desejo de celebrar um protocolo de cooperação com São Tomé e Príncipe e de retomar a pena de degredo… rezam as nossas Leis que havia lá grandes lagartos que comiam os meninos, filhos dos Judeus expulsos, mal desembarcavam… Talvez, no museu dedicado à defesa dum regime ditatorial, seja de substituir a palavra “lagartos” por “crocodilos”. Convém que os visitantes saibam, com precisão, quem comerá os próximos grupos de cidadãos indesejados e a ostracizar na sociedade portuguesa.

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2019-08-31

 

A DEMOCRACIA NOS EUA EM 3 MINUTOS


Jornal  "OBSERVADOR"   ( lINK )
"Como Ocasio-Cortez desmontou e ridicularizou o sistema político norte-americano em cinco minutos.

" Alexandria Ocasio-Cortez tornou-se a mais jovem congressista de sempre dos EUA, com 29 anos


"Fez-se de desentendida e perguntou a um comité: há limites ao financiamento?"
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O Vídeo está legendado em Espanhol mas para quem tenha dificuldade com a língua está em Português a seguir.


Vamos jogar a perguntas e respostas. Vou fazer o papel de má e fazer a maior quantidade de maldades possível. Enriquecer a todo o custo ainda que seja à custa dos interesses dos cidadãos dos Estados Unidos.
Apresento-me ao Congresso.
Ocasio-Cortez:      Há algum impedimento legal a que a minha candidatura ao congresso seja totalmente financiada pelas grandes corporações
Resposta :   Não
Ocasio-Cortez:      Muito bem, portanto nada impede que a minha candidatura seja totalmente financiada pelas corporações do petróleo, seguradoras de saúde, farmacêuticas, isto é que seja financiada a 100% por lóbis . Muito bem.
Ocasio-Cortez:    Agora suponhamos que há alguns assuntos sujos no meu passado que quero ocultar para poder ser eleita.  Sr. Smith! Foi o Sr que escreveu este artigo: Os pagamentos a estas mulheres foram inapropriados mas nem por isso foram ilegais?
-   Sim confirmo. fui eu que escrevi.
Ocasio-Cortez  -   Então assim posso usar o dinheiro da minha campanha para pagar a certas pessoas para que estejam caladas e assim poder ser eleita.
Agora já eleita tenho o poder de legisla e dar forma às leis que regem os Estados Unidos. Fabuloso!
Há limites para impeçam que proponha leis que favoreçam os interesses financeiros que apoiaram a minha candidatura?
R – Não. Não há limites.
Ocasio-Cortez  -  Posso então ter sido financiada inteiramente por petrolíferas, farmacêuticas e depois fazer leis sobre petrolíferas e farmacêuticas sem nenhum limite. Isto é excelente. Má como sou o que quero é enriquecer com o menor esforço possível. Pergunto: há algo que me impeça de, como congressista, ter acções de companhias que com legislação possa  desregular para aumentar o seu valor no mercado e assim ganhar muito dinheiro?
R – Poderia fazê-lo.
Ocasio-Cortez – Posso fazê-lo com a legalidade vigente?
-  Sim
P – É possível que qualquer dos elementos desta história se aplique ao nosso governo e à Câmara de Representantes actual ?
R– Sim
Ocasio-Cortez: Então temos um regime político apodrecido. A legislação que regula o Congresso é mais ou menos restritiva que a que regula o Presidente da República?
R – Em relação ao Presidente não há nenhuma restrição.
Ocasio-Cortez  - Então qualquer congressistas passa por filtros éticos mais exigentes do que o Presidente?
Assim é .
Muito Obrigada.

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O que diz a Wikipedia desta jovem congressita norte-americana:

" Alexandria Ocasio-Cortez (Nova Iorque, 13 de outubro de 1989) é uma política, ativista e organizadora comunitária dos Estados Unidos, atualmente é membro da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos por Nova Iorque.
Americana de ascendência porto-riquenha que cresceu em bairro de classe trabalhadora,[1] venceu a primária para o 14º Distrito de Nova Iorque pelo Partido Democrata usando um discurso a favor das minorias sociais e pró-imigração, com uma campanha de baixo orçamento baseada em doações.
Ocasio-Cortez autointitula-se uma socialista democrática e faz parte do grupo interno DSA (Democratic Socialists of America) do Partido Democrata, grupo que apoiou a pré-candidatura do senador Bernie Sanders na eleição presidencial nos Estados Unidos em 2016
A atriz e ativista Cynthia Nixon, também democrata e autointitulada socialista que concorreu na primária do partido para governadora de Nova Iorque, inspirou-se em Ocasio-Cortez e disse que ela desafiou o establishment democrata e fez campanha pelos democratas progressistas contra os "democratas corporativistas".[2][3][4][5]
Ocasio-Cortez derrotou o deputado e presidente do "caucus" democrata da Câmara de RepresentantesJoseph Crowley, ao vencer a primária para o 14º distrito de Nova York no que foi considerado a maior surpresa das primárias para as eleições para o Congresso dos Estados Unidos em 2018.[6][7] Uma vez no cargo de congressista, Cortez passou a apoiar uma agenda política voltada em defender a implementação de um sistema de saúde universal nos Estados Unidos, leis de segurança laboral a nível federal, licença parental para trabalhadores, estabelecimento de um "Green New Deal", abolição da Agência de Imigração e Fiscalização Aduaneira do governo, mais acesso a universidades e escolas públicas, projetos de infraestrutura voltados para energias renováveis e aumento de impostos para os mais ricos.[8][9]

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