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2015-08-12

 

“A Grécia usada para encobrir o escândalo do salvamento dos bancos europeus”

Notícia de INFOGRÉCIA:
Entrevista a Maria Lucia Fattorelli, a especialista brasileira sobre a dívida pública que participou nos trabalhos da Comissão para a Auditoria e Verdade da Dívida Pública organizada pelo parlamento da Grécia.

 

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2015-07-13

 

TENHO UMA FORTE SUSPEITA


TENHO UMA FORTE SUSPEITA. A suspeita de que vai passar a haver, histórica e politicamente duas Uniões Europeias. A UE ANTES e a UE DEPOIS do governo do Syriza. E se assim for não deixará de ser paradigmático que o sujeito da mudança seja a GRÉCIA com tudo o que tem de simbólico para a história da Europa e a história da democracia.
O governo grego lutou denodadamente pelos interesses do seu povo (não estou a falar dos Onassis e outros oligarcas gregos) e por estranho que a alguns pareça, pelos interesses da Europa dos Cidadãos, aquela Europa que nunca chegou a existir mas que este governo da Grécia, com a sua denodada luta, revelou como uma Europa pronta, a cada momento, a ser uma Europa CONTRA os cidadãos, se isso puser em causa os interesses do capital financeiro ou contrariar a renovada e agoirenta vertigem imperial da Alemanha.

Perante a NOVA ORDEM europeia em construção, sob a liderança de Schauble/Merkel, ergueu-se patrioticamente um governo de esquerda que, naturalmente aos olhos neoliberais parece uma assombração esquerdista. Perante grandes dificuldades negociais o Governo grego consultou o povo o que enraiveceu, em particular, governos como o português por tal revelar o seu comportamento de alegre capataz da Berlim e dos mercados em geral. 

O Governo grego negociou, fez cedências, foi vergado quase até ao chão. Para mim não foi completa surpresa, em 26 de Junho, no Facebook, disse que 

"a relação de forças [entre a UE e a Grécia] é a que a imagem mostra. De modo que, apesar do receio de indigestão, o mais provável é o cinzento engolir o verde.”


A Grécia e o Syriza tiveram o grande mérito de expor às escâncaras o crescente deslizar antidemocrático das Instituições da UE e a paulatina tutela germânica. E o acordo que a Grécia acabou por aceitar (não conheço ainda com rigor todo o seu conteúdo) só foi possível porque, contra a arrogância alemã, de duvidosa estratégia e duvidoso futuro, se levantou o habitualmente agachado François Hollande, à custa de telefonemas de Washington, a falar de geoestratégia, a lembrar que os EUA e a NATO têm uma base militar na Grécia e a humilhação da Grécia pode, ao contrário do "humilhado" Portugal, ter consequências desagradáveis com uma eventual aproximação à Rússia e, sabe-se lá, se à China também.

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2015-07-12

 

Peixe grande de Berlim quer comer peixe pequeno da Acrópole

A grande novidade do momento sobre a Grécia não é a recusa, dos ministros das Finanças do Eurogrupo às ordens de Schauble, como Maria Luís, em querer colaborar com o governo da Grécia para resolver a grave crise deste país e do Euro. A grande novidade não é a cimeira dos países do Euro com a Alemanha  acolitada pelos caniches do costume querer esganar o governo rebelde e patriótico do Syriza. 

Não, a grande novidade é a assombração, qual nuvem, que paira sobre o Parténon, A figura era de homem mas, qual Zeus, disse virado para Berlim: 


“PEIXES, a primeira coisa que me desedifica de vós é que vos comeis uns aos outros. Não só vos comeis uns aos outros senão que os grandes comem os pequenos. Se fora pelo contrário, era menos mal. Se os pequenos comeram os grandes, bastara um grande para muitos pequenos; mas como os grandes comem os pequenos, não bastam cem pequenos, nem mil, para um só grande."

Há portugueses e portugueses. Há os que habilidosamente conseguiram com uma nuvem de mentiras, poses, trejeitos e salamaleques, tomar assento em S. Bento e são a nossa vergonha e a nossa tragédia e há os outros, as suas vítimas que somos nós. Mas temos os nossos porta-vozes. E um dos que mais prezo, o Padre António Vieira, é o que, mesmo dormindo o seu justo sono, imaginando o que aí vinha para a Grécia, para Portugal, acordou em sobressalto, subiu ao Parténon e lembrou o seu "Sermão de Santo António aos Peixes" proferido em 1654. 
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Nota: a imagem é o Cartoon de Michael Koutouris (grego) que acaba de ser distinguido no World Press Cartoon, em Cascais.


2015-07-10

 

"Grécia: Merkel derrotada > Passos Coelho enganado..."

O abaixo escrito é da autoria do economista Luís Salgado de Matos, e trouxe-o (sem permissão!) do seu blog O Economista Português (link)
no qual ele se apresenta como
Um Economista Pouco Conhecido
Luís Salgado de Matos, o autor do blog, é hoje menos conhecido pela sua vertente económica e mais pelo lado politólogo – tem estudado o Estado, as Forças Armadas e a Igreja e publicou em 2011 o livro A Separação do Estado e da Igreja, editado pela Dom Quixote, do grupo Leya.
 
O leitor se não o conhece, então vá ali, ao seu blog, que não perde o seu tempo.
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GréciaDN8jul2015
 
48 horas antes de o Sr. Tsipras escrever o seu plano para Bruxelas, já a imprensa portuguesa sabia que ele continha a derrota moral do ras grego: manchete do Diário de Notícias de anteontem, anunciando que a Grécia «cedeu».  Mas afinal quem cedeu foi a Madrinha, a Srª Merkel. Ou de como somos levados à certa pelos nossos mass media. E o DN nem é dos piores.
 
Quando o Presidente Barack Hussein Obama lembrou à engenheira química Angela Merkel que, no meio da guerra fria com a Rússia, era má ideia entregar a Grécia a Moscovo, o destino da senhora estava resolvido: passava do Departamento do Tesouro para o Pentágono. O Fundo Monetário Internacional (FMI) já começara a tocar-lhe o Kindertoetenlieder, mas ela é dura de ouvido e escapou-lhe a mensagem da música.  Diz-se que o Engº Guterres tinha aprendido a infalível ciência de governo: seguir as sondagens. Sabe-se que a Srª Merkel descobriu um sistema ainda  mais perfeito, simples e barato: para governar o mundo basta-lhe ler todos os dias o canto superior direito da primeira página do Financial Times, que publica o índice da bolsa de valores. Ora a Grécia é uns 2% do PIB europeu e as bolsas apenas piscaram o olho perante as maldades que o Sr. Varoufakis ministrou à nova Cariátide (claro que a Srª Merkel ignora o efeito de uma queda acumulada de 1% num plano de investimento em bolsa e por isso considera 1% uma ninharia). Coitada.  Sic transit gloria mundi. O Economista Português pede também ao leitor um pensamento bom em intenção do Sr. Sigmar Gabriel, o socialista alemão que andou a fazer a publicidade da chancelarina e a dizer umas verdades duras aos helenos.
A questão grega resolveu-se, como O Economista Português sempre previu, e perde assim muito do seu interesse pois resume-se agora a saber em que medida seremos prejudicados face aos gregos: medida grande? medida pequena? Mas esta questão interessará a alguém em Portugal? Haverá uma oposição responsável que queira governar e tenha um plano de governo?  Haverá uma opinião pública minimamente informada em matéria económico-financeira?Com efeito, é certo que a Srª Merkel perdeu e os gregos ganharam. Só os mais bacocos elementos do batalhão de semicomentaristas oficiosos das nossas televisões e jornais se deixam enganar pelos eufemismos com que a propaganda alemã começou ontem a mimosear-nos, para ornamentar a sua derrota: «aliviar» (uma linda metáfora de casa de banho)  a dívida grega  e não reestruturá-la, muito menos perdoá-la. A propaganda dos credores colocou hoje nos jornais uma fuga do pedido grego que exagera a austeridade e, para agradar a Berlim, declara que o perdão da dívida será curto, mas sem o quantificar.  Só segunda feira começaremos a medir a exctensão da derrota alemã.  Falando a sério: ainda ontem, no Palais Bourbon, um chefe da direita francesa pedia a Hollande e a Berlim piedade para Portugal e por extensão para a Espanha e a Irlanda quando perdoassem a Grécia. Deus o ouça.
O Dr. Passos Coelho acreditou e verbalizou que a Alemanha não cederia e por isso enfileira entre os derrotados de hoje. Acreditou com a fé cega que põe nos mitos urbanos. Donde lhe brotava tão comovente fé? Só podia nascer dos lábios flexuosos da chancelarina os quais lhe tinham dado a saber que não cederia aos gregos, que nunca por nunca ser lhes cederia. A Srª Merkel disse em segredo ao Dr. Coelho o que nos disse a todos em público e ele, por beber do fino e o suposto segredo lhe quadrar ao simplismo mental em matéria económico-financeira, acreditou.  Coelho  acreditou acompanhadíssimo:  grandes nomes da estratégia portuguesa, incluindo do PS, outros políticos com nome na praça asseguraram-nos publicamente que ela não cederia, que os gregos perderiam, que a política da troika era o 11º mandamento que Ieová dera a Moisés no deserto para a salvação da classe política portuguesa. Enganaram-se.  Prestaram-se às manobras da nova Cariátide. Fizeram que o nosso país  desempenhsse nesta última farsa da Eurozona o divertido papel do Arlequim da commedia del arte. Nunca repararam que a Srª Merkel é tão fértil em ultimatos como é úbere em recuos perante as putativas consequências desses mesmos Diktate? Nunca viram que ela tem a ameaça fácil e a fuga lépida? Os ludibriados, a começar pelo Sr. Chefe de Governo,  têm um plano B para compensar Portugal pelos prejuízos do logro em que nos fizeram cair, prejuízos resultantes de termos abraçado alianças internacionais nocivas aos nossos interesses de nação devedora? Veremos.

2015-07-04

 

Pacheco Pereira denuncia o roubo das privatizações de Passos Coelho

"O relatório do Tribunal de Contas sobre a EDP e REN, foi arrasador para o Governo e, consequentemente, quase ignorado na imprensa. Entre outros factos, o relatório refere que "a participação de 21% na EDP vendida por 2,2 mil milhões de euros rendeu ao Estado, em 2012, 144 milhões de euros em dividendos. Se se tivesse mantido, a longo prazo, mesmo tendo em conta os custos da dívida pública, esta participação tinha um potencial de rendimento, uma "renda perpétua", na ordem dos 3,8 mil milhões de euros. Numa "ótica financeira", com esta venda da EDP, a "perda de valor para o Estado ascendeu a cerca de 1,6 mil milhões de euros"."
Publicado a 02/07/2015
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2015-06-26

 

Voroufakis entrevistado. O homem, o político, a Grécia

JANICE TURNER, ENTREVISTA VAROUFAKIS para “The Times Magazine”/ The Interview People Varoufalis  O expresso reprodu-la em 2015-06-17 [aqui] e para que continue online coloquei-a no Puxapalavra in Extenso

A entrevista visa dar a conhecer o homem, o político e a política do governo grego do Siryza. Devido à extensão não está aqui totalmente reproduzida.
Grande entrevista: as confissões, motivações e explicações de Varoufakis
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Dois dias depois de nos encontrarmos, a Grécia devia fazer o seu primeiro pagamento de junho ao Fundo Monetário Internacional (FMI), no valor de 310 milhões de euros, iniciando uma série de reembolsos que totalizarão 13 mil milhões de euros até ao fim do mês. A Grécia já andou à cata de trocos no forro do sofá da nação. Hospitais, universidades e autarquias locais entregaram as suas reservas ao Governo; o Estado protela os pagamentos aos fornecedores, para ter dinheiro vivo. Depois de cinco anos de austeridade, a economia grega encolheu 25% e mantém-se em recessão; um quarto da população (e 60% dos jovens) está no desemprego.
Do que a Grécia precisa, do que espera neste carrossel pede-a-Pedro-para-pagar-a-Paulo da finança mundial, é de mais um empréstimo, de 7,2 mil milhões de euros, de resgate da chamada “troika” de instituições financeiras: FMI, Banco Central Europeu e Comissão Europeia. Mas o dinheiro está a ser retido até a Grécia concordar em cumprir as exigências da troika: mais privatizações, mais cortes nas pensões e mais mudanças nas leis laborais que facilitem os despedimentos. Por outras palavras, mais austeridade, precisamente o que o Governo radical do Syriza foi mandatado para combater após a sua retumbante vitória eleitoral.  
.....
Conversa abertamente, interrompendo-se de dez em dez minutos para atender o telefone. A última chamada – “Olá, Larry!” – para falar com Larry Summers, o professor de Harvard e secretário do Tesouro de Clinton, é feita na casa de banho privada. Varoufakis, 54 anos, não parece esmagado por ter às costas o destino da nação. ...
... Vai escrever um livro? “Claro que vou! Ha, ha!” 

Varoufakis descreveu-se a si mesmo como um “economista acidental” e diz agora que é um “político relutante”

E ele é, claro, o menos enfadado dos políticos. Quando lhe pergunto se, enquanto jovem assistente na Universidade de Essex  – onde a sua máxima “Subvertam o paradigma dominante” foi estampada em t-shirts pelos estudantes  – poderia imaginar-se ministro das Finanças, Varoufakis ri-se. “Nem há um ano poderia imaginar!” Na verdade, estava a trabalhar no Texas quando o Syriza o pôs nas listas. Não era membro do partido e continua a não o ser, ainda que nas eleições de janeiro tenha recolhido a maior votação de todos os candidatos apoiados pelo Syriza.

Varoufakis, apesar dos muitos livros que escreveu, descreveu-se a si mesmo como um “economista acidental” e diz agora que é um “político relutante”. ... “Da mesma forma, acredito em políticos relutantes. Uma pessoa que se entusiasme com o poder político devia ser impedida de o ter.”

Na primeira reunião do Governo do Syriza, conta, o novo primeiro-ministro disse: “Rapazes, lembrem-se: não queremos saber dos nossos gabinetes”. Varoufakis olha à sua volta, com as suas pinturas modernas, as plantas yucca, as estantes de livros de economia e uma ausência total de objetos pessoais, e depois ergue os braços do sofá magenta. “Não estou ligado a este gabinete, a este sofá. Quero dizer, se ficar sem eles amanhã, estou-me nas tintas. Isso, acho, é fundamental. Se começamos a sentir que perdemos a nossa posição ministerial – as sondagens estão a resvalar, meu deus, o Wall Street Journal não está a dizer grande coisa sobre mim, se calhar estou de saída –, se começamos a ralar-nos com isso, então muito depressa perdemos a força.”
...
Varoufakis está refrescantemente livre do estilo treinado para os media de fugir às questões. Abre um livro de candura e eloquência. Quando lhe digo que ainda não aprendeu as maneiras dos políticos, diz com dramatismo: “Quando as aprender, demito-me. Por outras palavras, quando começar a mentir e a não chamar espada a uma espada, deixei de ser útil. Não acho que o mundo, e a Grécia de certeza, precise de mais um político que distorça a realidade. Eu não falei de mais, só falei verdade”.

Na sua eleição, causou furor ao declarar “sou o ministro das Finanças de um Estado na bancarrota”. Mas isto, afirma, é um simples facto. A Grécia não sofre de falta de liquidez - é insolvente. E não há empréstimo que a cure. “É como um amigo seu que não pode pagar a hipoteca da casa obtendo um novo cartão de crédito e dizendo que o problema está resolvido.”

Diz que recebe ameaças de morte desde a crise de 2010, quando se manifestou exaltado contra os resgates, contra os cleptocratas que esgotaram os fundos e contra a injustiça que é o grego comum sofrer pelo desgoverno dos banqueiros. 

O que é preciso, reclama Varoufakis, não é só investimento na Grécia, mas generosidade de espírito. Fala do famoso “discurso da esperança” feito pelo secretário de Estado norte-americano James Byrnes à Alemanha em 1946, como prelúdio do Plano Marshall. Foi a declaração da América de que desejava a paz com o seu inimigo derrotado; de que a Alemanha tinha o direito de voltar a ser próspera à custa de trabalho esforçado. O discurso de esperança da Grécia, declara, deve ser feito por Angela Merkel.

Quando negoceia, mantém presente vários gregos que lhe exemplificam os males do país: pensa num casal de empresários que conheceu e que tenta erguer das cinzas uma start-up arrasada pelo sistema fiscal; lembra-se de um homem de quarenta e muitos anos que veio servir de tradutor quando Varoufakis deu uma entrevista a um jornal espanhol - antigo professor de línguas com família, vive agora na rua. “Disse-me: 'apoio-o, mas não pode fazer nada por mim. Estou feito. Acabado. Faça qualquer coisa é pelos que estão à beira do precipício e ainda não caíram'.”

Depois, numa noite em que foi beber um copo com a mulher, a artista Danae Stratou, ao bairro rico de Kolonaki, em Atenas, viu “uma idosa muito bonita, dos seus oitenta, muito limpa e bem arranjada, sentada num banco de jardim”. Veio a saber que era uma burguesa que vivia num dos apartamentos da zona e que se tinha tornado numa sem-abrigo. “Passa ali a noite e quem a conhece toma conta dela.”

E depois há os seus antigos alunos da Universidade de Atenas. Antes da crise, faziam fila à porta do seu gabinete para pedir recomendações para os mestrados. Depois de 2010 pediam-lhe referências para irem trabalhar para o estrangeiro. Ele próprio se juntou à fuga de cérebros, em 2012, saindo para os Estados Unidos desencantado com o desfazer do seu departamento e com o corte no salário, que significava que não podia apoiar a filha, Xenia, que desde 2005 vive com a sua ex-mulher, a académica Margarite Poulos, em Sydney.

Embora seja um político recente, Varoufakis foi criado num ambiente muito politizado. O seu pai, Giorgos, que subiu a pulso até se tornar presidente da maior siderurgia grega, lutou do lado dos comunistas na guerra civil; a sua mãe, bioquímica, era militante feminista. O pai foi preso uns tempos pela junta militar que deteve o poder na Grécia no final dos anos 60, princípio da década de 70 do século passado; o tio esteve preso vários anos. “Lembro-me de a porta ser arrombada ao pontapé pela polícia secreta”, recorda Varoufakis. À noite, a família juntava-se em segredo a ouvir a BBC, cuja emissão estava proibida.

Saiu para estudar em Inglaterra com 17 anos - ficando por lá até aos 27 - e foi-lhe difícil transmitir aos amigos britânicos o horror de viver em ditadura.
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Deve conhecer a visão popular no norte da Europa de que, por muito lamentável que seja a provação do povo grego, a sua miséria é autoinfligida. A evasão fiscal na Grécia é endémica, a política suja, a idade de reforma baixa, o sector público hiperdimensionado — e isto endurece os corações. “São grandes mentiras baseadas numa miríade de pequenas verdades”, diz Varoufakis. “A imunidade fiscal para os poderosos, a corrupção, uma oligarquia que gere tudo mal… Sim, montes de coisas mal feitas. Isso é assim desde 1827, quando o Estado grego moderno foi criado.” Mas, argumenta, o Estado grego vive dentro das suas possibilidades no que toca a salários e pensões - só está paralisado pelas dívidas. E os atuais problemas da Grécia vêm da própria entrada do país na Zona Euro: “A crise que tivemos nos últimos sete anos não teria simplesmente existido. Em 2008, teríamos tido uma pequena correção, mais ou menos como a Bulgária. E nos últimos três ou quatro anos temos crescido muito rapidamente.”
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 Os ricos não vão fugir? “É deixá-los ir”, diz Varoufakis com um gesto vago. “Eles já foram, de qualquer forma - o seu dinheiro está em Londres ou nas Ilhas Caimão. Por isso, acho que nos desenvencilhamos sem eles. O que precisamos de fazer é travar este regime que perpetua e reproduz as coisas más.”

“Destruição. Completa destruição”. (...) “Não sobraria nada; voltava tudo à Idade da Pedra. Por isso não estou preparado para realizar essa experiência de nos libertarmos do euro. Acho que temos de consertar o euro”, refere Varoufakis

Mas e quanto àqueles que dizem que a Grécia mascarou as dívidas para atingir os critérios de entrada no euro? “Acredita mesmo que os europeus são tão facilmente enganados?”, exclama. “Que lhes mentimos e nos safámos? Dizer que os governos gregos da época conseguiram mentir para entrar é simplesmente desonesto.”  “Claro” que a Grécia “não devia ter entrado no euro”, mas uma vez que a sua situação é integralmente causada por essa entrada, cabe à Europa resolver a crise resultante.
Não sente, após meses de negociações, que a Alemanha e a Grécia são simplesmente irreconciliáveis? “Sou um otimista”, diz. O que mais o desapontou nas conversações, depois de anos de universidade, é a falta de rigor e superficialidade dos debates. Dez minutos para cada, “burocratas não eleitos falam na perspetiva das suas instituições e depois passamos horas a discutir o comunicado final”.

Wolfgang Schäuble tem sido o mais firme opositor da Grécia, insistindo em medidas de austeridade, mas Varoufakis diz que o prefere a outros negociadores com duas faces. “Gosto das nossas reuniões, porque ele também chama espada a uma espada. Por isso, quando falamos, é tudo muito civilizado, cheio de respeito mútuo – discordamos, mas sei que posso acreditar no que ele me diz.”

No turbilhão de especulações sobre as intenções do Syriza, há uma teoria de que Varoufakis, que escreveu livros sobre a teoria dos jogos, está secretamente a trabalhar num plano B - a saída da Grécia do euro. Mas ele rejeita isto com veemência: “Não tenho mandato para empobrecer mais um milhão ou dois de gregos, para fazer uma experiência social, pôr quatro milhões de pessoas a viver abaixo da linha de pobreza, só para ver em quanto tempo recuperamos mais tarde”.
...
O Syriza estabeleceu muitas “linhas vermelhas” nas negociações. Mas quais são as suas próprias? “Eu só não quero dar muita importância ao facto de ser político e ainda menos de ser ministro. Não vou negociar a minha integridade para manter este cargo.” Demitir-se-ia, declara, se não fosse capaz de libertar a Grécia do seu eterno ciclo empréstimo-pagamento-austeridade.

Mas avisa com ar soturno: se a Grécia for à bancarrota e deixar o euro, se o país mergulhar no passado, o governo do Syriza não será substituído pelos velhos partidos centristas que falharam, mas pela Aurora Dourada, o partido neonazi grego. “Este é um país que lutou com unhas e dentes contra os nazis. Os três países europeus que tiveram uma maior percentagem de baixas no combate aos nazis foram a Rússia, a Jugoslávia e a Grécia. Um movimento nazi indígena na Grécia é uma afronta à nossa História.” Mas a combinação da implosão económica e da humilhação nacional  – “como vocês, europeus, dizem, os gregos são um caso perdido de aldrabões do fisco e preguiçosos, não é?” – pode levá-la ao poder.

E para onde iria Varoufakis? “De volta para a universidade”, diz, encolhendo os ombros. Sente falta de ter tempo para ler e de correr na rua sem ser detido por cidadãos que querem contar-lhe as suas histórias pessoais. (Diz-me que está morto por ir ao ginásio: “Limpa-me a cabeça como mais nada”) Com a sua bela Danae, ainda come em esplanadas de Atenas sem seguranças, mesmo depois do incidente de abril em que foi cercado e ameaçado por anarquistas. Embora nos dias que correm tenha muito pouco tempo para gozar o seu pequeno barco e outros prazeres da vida. Depois de uma sessão fotográfica para a “Paris Match” de que hoje se arrepende, foi criticado por ousar comer peixe no seu terraço durante a crise. “Não sou católico - não acredito no purgatório e na autoflagelação. As pessoas dizem-me, 'Foste apanhado a beber vinho'. E daí?”

Entretanto, o telefone toca. Em Bruxelas e Berlim e Washington, banqueiros e burocratas dão voltas à cabeça para saberem como lidar com este político relutante que continua a subverter o paradigma dominante, porque ele e o seu país sentem que têm tudo a perder.
 

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2015-06-25

 

A Troica quer exercer o "direito de pernada" sobre a Grécia para derrubar o Siryza

Para que os servos não esquecessem que quem mandava neles era o Senhor feudal, o fidalgo exercia entre outros actos de poder o "direito de pernada". Isto é, tinha o direito a ser ele a "desvirginar" na noite de núpcias a serva que habitasse os seus domínios. A humilhação do noivo e da noiva traduzir-se-ia de forma simbólica com o Senhor a passar a perna, num gesto largo, sobre a cama dos noivos. É, pelo menos, o que reza a lenda. 
Ora o que se passa na Grécia é parecido, a Troica quer ter o direito de pernada sobre a Grécia e o governo grego não aceita o papel da serva humilhada. O governo Português que se ofereceu para a pernada com prostituto prazer não aceita que o governo grego não seja humilhado como ele próprio foi e como Junker reconheceu ao considerar que “era perfeitamente compreensível” a recusa do governo grego em ser desautorizado na sua terra por uns funcionários de segunda categoria, a Troica, isto é, "em ser humilhado, como aconteceu com Portugal". 

O Siryza não aceita que seja o povo grego que já está de rastos a pagar de novo a parte maior do "castigo". Tanto mais quanto o remédio só agravou a doença, na Grécia como em Portugal.

O Governo de Tsipras não quer castigar mais os que mais sofreram com a política de austeridade dos governos anteriores, da direita ou do PASOK que, como em geral os partidos socialistas europeus, converteu-se, desde Tony Blair, ao neoliberalismo. 

A Troica quer não apenas o dinheiro mas também ser ela, que não foi eleita, a decidir como e a que classes sociais, na Grécia, o vai cobrar. E quer fazer recair sobre os mais desfavorecidos o grosso da factura a pagar. Não será por malvadez mas porque descredibilizaria o Siryza que gostaria de ver desaparecer da cena política grega, porque não ofende os oligarcas gregos nem os seus apaniguados dos partidos que se prestaram a aceitar o "direito de pernada" da Troica, porque se "está nas tintas" para com a justiça social, para com o sofrimento dos gregos mais causticados com a austeridade.

Entre outras medidas, pressionado e fazendo concessões, o governo grego propôs, à União Europeia, isto é, a Merkel, e ao FMI e ao BCE - a Troica - entre outras, as medidas seguintes que permitam o pagamento da dívida:

-  uma taxa de 12% nos lucros das empresas acima de 500 mil euros. 
-  Aumento da taxa de IRC de 26% para 29% que afetará cerca de 15 mil empresas com lucros de 100 mil euros e deverá render 410 milhões de euros em 2016.
- Sobretaxa no IRS, para rendimentos anuais, em euros, superiores a
12 mil - 0,7%  ;   20 mil - 1,4% ;  30 mil - 2 % ;  50 mil - 4 %  ; 100 mil - 6 %
- Redução da despesa com defesa.
- Aumento do imposto especial sobre produtos de luxo, como iates privados, de 10% para 13%.
- Aumento de impostos sobre o jogo. [ Link para JNegócios ]

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A Grécia na Europa (Clique aumentará)

2015-06-14

 

A Grécia! A Grécia!! A Grécia!!! Mas qual Grécia?

Há mais que uma Grécia.
 

Uma Grécia

O ex-min. da Defesa da Grécia, Akis Tsochatzpoulos, comprou em 2000, 4 submarinos à Alemanha por 2,85 mil milhões de euros.  A Justiça alemã descobriu ter havido corrupção (62 milhões em luvas). Os corruptores alemães foram julgados, condenados e presos. E havendo corruptores há corrompidos (não é como em Portugal, "nós não somos a Grécia!") e assim ao ex-min da Defesa grego, o corrompido, sucedeu o mesmo. Aconteceu na Grécia dos governos corruptos, dos governos que privilegiavam o lucro do grande capital financeiro, e para quem o estado social… ora o Estado Social… em primeiro lugar estão os mercados e os grandes negócios depois se sobejar alguma coisa, pois com certeza, o Estado Social.
 
Outra Grécia:
 
Em 2001 um grupo de organizações, movimentos e pequemos partidos deu origem a um partido um pouco maior que concorreu às eleições e foi tendo estes resultados:
Parlamento
Votos
 %
Assentos
2004
241 539
3.3
6 em 300
2007
361 211
5.0
14 em 300
2009
315 627
4.6
13 em 300
2012 - Maio
1 061 265
16.8
52 em 300
2012 - Junho
1 655 022
26.9
71 em 300
2015
2 246 064
36.3
149 em 300
Dá pelo nome de Siryza e tem no seu programa entre outros objectivos:
 
«1. Realizar una auditoría sobre la deuda pública. Renegociar su devolución y suspender  los pagos hasta que se haya recuperado la economía y vuelva el crecimiento y el empleo.
2. Exigir a la UE un cambio en el papel del BCE para que financie directamente a los Estados y a los programas de inversión pública.
3. Subir el impuesto de la renta [IRS] al 75% para todos los ingresos por encima del medio millón de euros anuales. [acima dos 42.000/mês aproximadamente]

4. Cambiar la ley electoral para que la representación parlamentaria sea verdadeiramente roporcional.
5. Subir el impuesto de sociedades para las grandes empresas al menos hasta la media europea.
6. Adoptar un impuesto a las transacciones financieras y también un impuesto especial para los productos de lujo.
7. Prohibir los derivados financieros especulativos, como los swaps y los CDS.
8. Abolir los privilegios fiscales de los que disfruta la iglesia y los armadores de barcos.
9. Combatir el secreto bancario y la evasión de capitales al extranjero.
10. Rebajar drásticamente el gasto militar.
11. Subir el salario mínimo hasta su nivel previo a las recortes (751 euros brutos mensuales).
12. Utilizar los edificios del Gobierno, la banca y la iglesia para alojar a las personas sin hogar.
13. Poner en marcha comedores en los colegios públicos para ofrecer desayuno y almuerzo gratuito a los niños.
14. Ofrecer sanidad pública gratuita para las personas desempleadas, sin hogar o sin ingresos suficientes.
15. Ayudas de hasta el 30% de sus ingresos para las familias que no pueden afrontar sus hipotecas.
16. Subir las prestaciones de desempleo para los parados. Aumentar la protección social para las familias monoparentales, los ancianos, los discapacitados y los hogares sin ingresos.
17. Rebajas fiscales para los productos de primera necesidad.
18. Nacionalización de los bancos.
19. Nacionalizar las antiguas empresas públicas de sectores estratégicos para el crecimiento del país (ferrocarriles, aeropuertos, correos, agua…).
20. Apostar por las energías renovables y por la protección del medio ambiente.
21. Igualdad salarial para hombres y mujeres.
22. Limitar el encadenamiento de contratos temporales y apostar por los contratos indefinidos.
23. Ampliar la protección laboral y salarial de los trabajadores a tiempo parcial.
....... » Link
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O governo alemão que atualmente tutela a UE é amigo da 1ª Grécia, acima identificada e com ela não só fez excelentes negócios chorudos como fechou os olhos a todo o tipo de falsificações que permitiram a entrada da Grécia no Euro. A 1ª Grécia era por sua vez muito amiga da Alemanha e dos seus bancos que lhe ofereciam todo o dinheiro que quisesse para pagarem juros incomportáveia para o  povo grego mas muito apreciados pelos bancos alemães e outros, incluindo portugueses.
 
CONCLUSÃO:
 
quando  falamos da Grécia, convém saber de que Grécia estamos a falar, se da
Grécia dos oligarcas donos dos bancos e dos grandes consórcios 
ou da
 Grécia dos trabalhadores e das classes médias.
A UE, o BCE, o FMI fazem tudo o que podem e podem muito para vergar o governo grego, para obrigar o Siryza a deixar de cumprir as suas promessas eleitorais e obrigar as classes menos favorecidas da Grécia a pagar os desmandos dos anteriores governos gregos amigos da Troica, cortes nos salários, nas pensões e tudo o que temos visto por cá. E depois a UE, o BCE e o FMI mandam os seus papagaios da comunicação social apregoar: vejam o Siryza! Vejam o governo grego!! Promete e não cumpre! Populistas e Corruptos. Corruptos como nós!

2015-06-10

 

WikiLeaks revela acordos do TTIP que o Governo esconde ao país

Actualizado:  07.06.2015 21:04                                     
  Link para este artigo do Público (Espanha)
 
El pacto secreto TiSA quitará a los Estados el control digital de los datos de sus ciudadanos
Los documentos confidenciales revelados por Wikileaks sobre el Anexo de Comercio Electrónico del Acuerdo de Comercio de Servicios, muestran que 50 países van a deslocalizar a través de las fronteras la información personal de la ciudadanía, en aplicación de la doctrina neoliberal a los datos informáticos, poniendo en peligro las garantías nacionales de su privacidade.
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Acto contra el TTIP, CETA y TISA organizado por el GUE este martes, en Bruselas. FLICKR GUE/NGL


Acto contra el TTIP, el CETA y el TISA, organizado por la Confederación de la Izquierda Europea Unida (GUE/NGL) en Bruselas. FLICKR GUE/NGL
Cuanto más se examina el contenido del Trade in Services Agreement (TiSA) que medio centenar de países negocian a escondidas, más se comprende por qué esos gobiernos pretenden que permanezca en secreto incluso cinco años después de su entrada en vigor. Por ejemplo, si su Anexo sobre Comercio Electrónico es aplicado internacionalmente, los Estados perderán el control sobre dónde se almacenan y cómo se utilizan los datos de sus ciudadanos.

Una conclusión en la que coinciden expertos economistas y juristas consultados por Público, uno de los diez medios de comunicación de otros tantos países —desde Australia a Uruguay y de Islandia a Turquía— que ha colaborado con Wikileaks en una nueva exclusiva mundial: la filtración de 17 documentos internos que constituyen las actas de esa negociación secreta para establecer un tratado de comercio de servicios todavía más antidemocrático y neoliberal que el TTIP entre Estados Unidos y la Unión Europea.
El acuerdo secreto prohíbe categóricamente cualquier restricción en el flujo de datos personales de los ciudadanos a través de las fronteras
El Artículo 2 del citado Anexo sobre Comercio Electrónico del TiSA, titulado "Movimiento de Información" o "Flujos de Información a través de Fronteras", establece sin ambages en su primer punto que "ningún partícipe [país firmante del acuerdo] podrá impedir a un proveedor de servicios que transfiera, acceda, procese o almacene información, incluida información personal, dentro o fuera del territorio de ese partícipe, cuando esa actividad se efectúa en conexión con la gestión del negocio de ese proveedor de servicios".

Es decir, el acuerdo secreto prohíbe categóricamente cualquier restricción en el flujo de datos personales de los ciudadanos a través de las fronteras, ya que vuelve a insistir en esa libre exportación de la información en su punto quinto: "Los partícipes no impedirán a los proveedores extranjeros de comercio electrónico, ni a los clientes de dichos proveedores, transferir información internamente o a través de fronteras, acceder a la información públicamente disponible o acceder a su propia información almacenada en el extranjero".

Y todo ello es reforzado aún más en el Artículo 9, que establece que ningún país firmante podrá requerir a un proveedor de servicios que use instalaciones informáticas localizadas en su territorio para procesar y almacenar los datos de los usuarios, como condición para operar en ese país.

​Esta deslocalización de la información personal de los ciudadanos, en aplicación de la doctrina económica neoliberal a los datos informáticos, es francamente peligrosa porque la localización territorial de la información es a menudo imprescindible para garantizar la privacidad de los datos digitales o incluso asegurar la libertad de expresión, respetada en unos países y perseguida en otros.
Esta hiperliberalización del flujo internacional de la información personal de los ciudadanos de los países firmantes está en conflicto con las propias normativas internas de la UE y la OCDE
Más aún, esta hiperliberalización del flujo internacional de la información personal de los ciudadanos de los países firmantes (incluidos todos los de la UE, representados por la Comisión Europea en una negociación secreta que cede a los deseos de EEUU, Canadá, Australia o incluso Suiza) está en conflicto con las propias normativas internas de la Unión Europea y la OCDE. Ambas organizaciones "prevén restricciones en la transferencia al extranjero de datos privados como uno de los métodos para que las compañías de servicios proporcionen un adecuado sistema de protección de la privacidad a los ciudadanos de los países" miembros, explica el abogado de Wikileaks Tamir Israel.

Los servicios secretos occidentales conocen tan bien la importancia crucial de la localización territorial de los datos que están permanentemente tratando de redirigir estratégicamente el tráfico de Internet hacia naciones o jurisdicciones amigas para asegurarse un acceso directo a esa información. Eso es lo que han practicado las agencias de inteligencia como la estadounidense NSA para desencadenar un espionaje masivo de la ciudadanía, tal como reveló el exanalista de la CIA Edward Snowden.

Precisamente por eso, el marco de normativas de la UE y de la OCDE sobre comercio electrónico, permite a los países bloquear las transferencias de datos a otros países donde no hay suficientes garantías de respeto a la privacidad de la información personal. Pero el TiSA no da margen ninguno a ese tipo de restricciones, algo que entra en conflicto directo con los compromisos internacionales de muchos de los países que participan en la negociación secreta de ese acuerdo y que son firmantes de las Privacy Guidelines de la OCDE actualizadas en 2013, de la Data Protection Directive de la UE, o de ambas.

Tanto es así que, tras la filtración de los documentos en Wikileaks, la eurodiputada Viviane Reding –exvicepresidenta de la Comisión y actualmente miembro de la Comisión de Comercio Internacional de la Eurocámara– ha reconocido al periódico italiano L'Espresso (uno de los principales socios colaboradores en esta exclusiva) que "los auténticos desafíos se plantean en el capítulo de Comercio Electrónico, que también ha sido filtrado. El documento muestra que varios de los participantes en el TiSA querrían socavar la privacidad de los datos con cláusulas multifunción, limitar la neutralidad de la Red con diversas excepciones y deshacer los estándares con exenciones universales de seguridad nacional".

No obstante, Reding sostiene que "por muchas puertas de atrás que intenten abrir nuestros socios, estoy decidida a cerrarlas todas. La protección de datos no es una barrera comercial, sino un derecho fundamental no negociable (Artículo 39 del Tratado de Funcionamiento de la UE y Artículo 8 de la Carta de Derechos Fundamentales de la Unión).

Pero vamos a necesitar a muchas Reding para hacer frente al asalto combinado contra nuestros derechos de todas las potencias económicas y políticas del neoliberalismo.

2015-06-09

 
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Parece que este vídeo está a ser bloqueado pelo Facebook. Experimentemos.
Posted by João José Cardoso on Domingo, 7 de Junho de 2015

 

O Homem sem qualidade



Há gente que os tem no sitio.Admirei!
Posted by TZ Serra on Terça-feira, 2 de Junho de 2015

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2015-06-01

 

John Locke, Duvid Hume, Adam Smith os IDEÓLOGOS da AUSTERIDADE ?


John Locke (1632 - 1704) grande  filósofo inglês é o primeiro ideólogo do liberalismo. Representante da burguesia em ascensão ele é um grande ideólogo da liberdade individual e da propriedade privada contra o poder discricionário e abusivo do rei e da nobreza, contra o absolutismo.
Com Locke nasce a primeira teorização do liberalismo económico, do indivíduo contra o Estado.
Mark  Blyth na sua obra "AUSTERIDADE a História de uma Ideia Perigosa" (Quetzal 2013) diz que Locke foi o pai teórico da AUSTERIDADE, e que esta se ergue de tempos a tempos, ao longo da história do capitalismo. A AUSTERIDADE que assola a Europa do Euro e é seguida com entusiasmo e volúpia acrítica pelos regentes da Troica em Portugal, Passos/Portas/Cavaco.
 
Outros grandes figuras da Filosofia ou da Economia se lhe seguiram com novas "nuances" adequadas às circunstâncias, como o escocês David Hume (1711-1776) ou o grande e também escocês Adam Smith (1723-1790) .
Vem daqui a quadratura do circo da doutrina liberal ( no sentido económico) acerca do

ESTADO:  1) NÃO SE PODE VIVER COM ELE, 2) NÃO SE PODE VIVER SEM ELE, 3) NÃO QUEREMOS PAGÁ-LO.

Remetendo-nos à época deste grandes pensadores e interpretando os interesses dos capitalistas  NÃO SE PODE VIVER COM ELE porque cobra-nos impostos , NÃO SE PODE VIVER SEM ELE porque é necessário manter a ordem e para defender o direito sagrado à "nossa" propriedade. NÃO QUEREMOS PAGÁ-LO percebe-se.
 
Nos tempos da UE e do EURO a tradução é:
NÃO SE PODE VIVER COM ELE (quando é controlado por gente má como a do Syriza) e deve em qualquer circunstância ser reduzido ao mínimo, privatizando-se tudo o que dê lucro (mesmo que a privatização seja uma nacionalização chinesa como no caso da EDP),
NÃO SE PODE VIVER SEM ELE porque é preciso manter parlamentos e governos que façam as leis que convêm ao capital financeiro e tenham fortes polícias para manter o respeitinho da "populaça" incluindo aqui as classes médias.
NÃO QUEREMOS PAGÁ-LO:  Cortem nas  pensões, cortem do serviço nacional de saúde, cortem na Educação, rebentem com a segurança social, em geral.

Não estou contra Locke, Hume ou Smith. eles lutavam contra o poder despótico e senhorial dos reis e dos nobres e interpretavam as forças progressistas em ascensão. Estou é contra os actuais paladinos da AUSTERIDADE posta ao serviço da nova nobreza do dinheiro mas que mesmo com esse propósito é ao que parece e os EUA tendem a comprová-lo é uma orientação pouco inteligente e de curto alcance. 

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