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2016-01-20

 

Os Curdos com mulheres no Exército e com um Exército de mulheres

Os Curdos constituem um povo espalhado pela Turquia, Iraque, Irão e Síria, perseguidos em especial pelo governo turco pela sua luta pela independência. Os Curdos são quem mais combate o Estado Islâmico enquanto o regime confessional (mas disfarçado porque a constituição não permite regime confessional) da Turquia de Erdogan finge que combate o EI mas vai financiando-o comprando-lhe o petróleo.
Os curdos sob o comando do Partido dos Trabalhadores do Kurdistão além de terem libertado as mulheres têm-nas também no exército e têm mesmo um exército de mulheres, do soldado ao comandante em chefe.
Para os combatente jihadistas o pior que lhes pode acontecer é ser morto por uma mulher-soldado porque perdem a recompensa das virgens que os esperam no céu muçulmano que ao que se supões não fica muito distante do céu dos cristãos.
Na foto nº4 está Nufelda uma francesa de 28 anos que combate há 3 anos o EI na Síria em unidades  peshmerga (combatentes curdas).
Zékian Karhan, curda da Turquia membro do Partido dos Trabalhadores do Paquistão, na foto 3, diz que "nós somos iguais aos homens". Isto faz a diferença relativamente aos  países  muçulmanos amigos dos EUA e da UE. Aliás, vários países muçulmanos, com um regime laico que puseram fim à escravatura das mulheres e tolerantes relativamente a todas as religiões, foram atacados pelo "Ocidente" Iraque, Líbia, Síria. A razão não é de carácter religioso mas sucedia que eram países que defendiam os seus interesses nacionais e não favoreciam os interesses das multinacionais do Ocidente...  
Na foto 5 está uma jovem curda quase uma heroína que combate na Síria e que já matou uns 100 jihadistas do EI que assim além de perderem a vida terão perdido o direito às virgens que os aguardavam no céu.
(Um clique na imagem amplia-a) 




 
 


 





2016-01-18

 

Marcelo Rebelo de Sousa "O HERDEIRO"

Manuel Loff é historiador e escreve no Público ao Sábado (Link só para assinantes) E este "HERDEIRO" que aqui se reproduz oferece-nos Marcelo candidato a Belém, nado, criado, educado e paladino do ESTADO NOVO e sempre um "simpático" farsante.

O HERDEIRO
Manuel Loff – Público
16/01/2016 -
Desde 1973 que conta as histórias que quer, como quer, explicando Portugal como se fosse como ele diz, mas que não passa de um país que ele inventa semanalmente a seu gosto.
 
Ele é, por definição, um herdeiro. Filho de dirigente salazarista que, com 53 anos em 1974, havia feito todo o cursus honorum da ditadura (Mocidade Portuguesa, deputado, subsecretário de Estado, governador colonial, ministro), Marcelo Rebelo de Sousa (MRS) foi “educado para ser político”, como escreve o seu “biógrafo consentido”, Vítor Matos (VM), que assim se autodefine no livro de 2012 onde reúne informação preciosa obtida do próprio biografado, e que aqui citarei. Marcelo é um herdeiro – não apenas no sentido estrito de primogénito de uma das figuras mais típicas dessa elite de funcionários fiéis que Salazar e Caetano recrutavam, cuja legitimidade repousava exclusivamente na lealdade para com o Chefe, mas também como produto (e produtor) de uma universidade classista que, na definição de Pierre Bourdieu (1964), é “a própria instância de reprodução dos privilégios e da preservação dos interesses dos herdeiros”. A tal ponto MRS se terá sentido a vida toda um herdeiro que logo aos 27 anos (1976) quis escrever as suas memórias. A maioria delas não eram suas mas sim daqueles de quem ele era herdeiro. “Tinha conhecido o salazarismo por dentro e vivera o marcelismo, lançara o Expresso, estivera na fundação do PPD e vivera a Constituinte. Tinha histórias para contar.” (VM, 319)

“Se havia gente que o achava afilhado de Caetano” - e não o era, por falta de vontade deste - “ele deixava achar”, assegura o padre João Seabra (VM, 86). Desde os “10 ou 12 anos” que o pai Baltazar o leva a assistir aos lanches de sábado no restaurante A Choupana, em S. João do Estoril, onde Caetano, afastado do governo em 1958, reunia os marcelistas indefetíveis enquanto fazia a sua travessia do deserto que só terminará com o AVC de Salazar. “Ouvir horas de discussão entre seniores do regime podia ter injetado em Marcelo o talento para para a intriga por detrás do pano. (…) O pai empenha-se em instruí-lo nos meandros do regime” (VM, 87-88). MRS descreve a experiência como “uma escola”, e é revelador que ache que “os comportamentos políticos não são muito diferentes em ditadura ou em democracia[,] as amizades, as inimizades, as traições, a atração do poder” (cit. VM, 91).
Aos 20 anos, senta-se à mesa de todos os jantares oficiais do Governo Geral de Moçambique assumido pelo pai desde 1968. Quando Caetano sobe ao poder, janta uma vez por semana com ele. O adolescente a quem nunca faltou inteligência e intuição para o poder empenhou-se a fundo nessa “educação para ser político”, isto é, um futuro hierarca do regime; há quem se lembre no Liceu ouvi-lo dizer que um dia queria ser Presidente do Conselho (VM, 91). Muito jovem, assumirá os discursos e os temas de “exaltação nacionalista” do salazarismo dos anos 60: critica “a falta de amor pátrio daqueles que, direta ou indiretamente, (…) se divertiram neste Carnaval de 1962”, semanas depois da perda de Goa e em plena guerra em Angola. “Mais do que uma vilania foi uma afronta, uma verdadeira declaração de traição”. Em 1963, conclui uma redação escrevendo: “Pobres das nações que não têm filhos que lutem por elas e para elas!...” (cit. VM, 88-90) É surpreendente que, anos depois, não tenha feito a guerra em África. E teria tido tempo: acabou a licenciatura em 1971 e o Curso Complementar de Político-Económicas em 1972.
 
No liceu foi “nacionalista” (e o termo não lhe repugnava ainda há poucos anos atrás), mas muitos outros envolveram-se no movimento estudantil do secundário, transitando diretamente para a oposição aberta à ditadura nas universidades. Fazer opções destas aos 15 anos pode ser pouco representativo; na universidade, fazem-se com consciência, e Marcelo voltou a escolher a direita salazarista que queria fazer o “combate ideológico ao marxismo” (Freitas do Amaral, cit. VM, 120); na crise académica de 1969, “participa nas manifestações públicas de apoio à ditadura” (VM, 143). Nas eleições desse ano, momento de consciencialização política de tanta gente da sua geração, tem 21 anos e apoia, de novo, o partido único. (Até Cavaco, na sua autobiografia, dirá que terá votado na CEUD de Mário Soares – mas, claro, o voto é secreto...) “Ninguém se lembra de afirmações de Marcelo contra a guerra ultramarina”, garante VM. Com o pai ministro do Ultramar, não é de estranhar, admitamos. O que é completamente exótico é Leonor Beleza, sua colega e também filha de subsecretário de Estado da ditadura, achar hoje que “na época era cómodo estar de um lado ou do outro.
 
Não pertencer a um grupo nem a outro e estar no meio era mais incómodo.” (cit. VM, 154) Da “comodidade” dos estudantes presos, torturados e mandados para a guerra por a ela se oporem, Beleza parece lembrar-se pouco... Em 1970, com Beleza e Braga de Macedo, Marcelo fura a greve académica na faculdade. E reúne-se com o novo ministro Veiga Simão para lhe dar “informações” sobre as “movimentações académicas” (VM, 164). É este, aliás, que lhe dá o seu primeiro emprego, no Ministério da Educação, em gabinete dirigido por Adelino da Palma Carlos, outro filho de subsecretário, que o tentara atrair repetidamente para o Opus Dei. É verdade que manifesta publicamente o seu ceticismo relativamente à viabilidade da Reforma Educativa que Simão quer levar a cabo: “a verdadeira democratização do ensino (…) parece-me impossível no quadro de um regime autoritário e antidemocrático”, escreve ele em 1971 (cit. VM, 186), o que leva Caetano a exigir a Veiga Simão que o despeça. Mas não é despedido. Campeão da ambiguidade, o já jovem assistente de Direito não desiste de procurar o perdão de Caetano. Em 1973, já no Expresso, e já abortada pelo próprio ditador a Primavera marcelista, pede desculpa a Caetano pela “vivacidade” dos seus 24 anos e garante que “sempre estive na convicção” de que os “meus princípios não se opunham à pessoa de V.Exa”, cuja “presença na Chefia do Governo” volta a elogiar, prometendo-lhe “[inequivocamente] afastar-me do que possa ser entendido como atividade política ostensiva” (cit. VM, 226). A mãe, que do filho espera o cumprimento do destino de um herdeiro, intercede repetidamente por ele junto de Caetano (VM, 227-29). Em janeiro de 1974, dele escreve Artur Portela Filho: “Era o filho pródigo do Regime. (…) Estava talhado, calibrado, destinado” (cit. VM, 232).
 
Herdeiro de um hierarca politicamente influente, cuja família, só por isso, era automaticamente cooptada para o convívio da mais alta burguesia, “Marcelo começa a perceber como é a vida dos que têm posses.” E gosta. Ainda hoje gosta. Por mais que encene uma cristã preocupação com os mais pobres, “dirá ao longo da vida: 'melhor que ser rico, é ser amigo de ricos'” (VM, 79). É curioso que tenha escrito em 1999, na fotobiografia do seu pai, que “os governantes, na década de 50, enquanto o são, devem abster-se de fazer vida de ricos. Podem e devem dar-se entre si, eles e as famílias, mas evitar demasiados contactos com esse mundo perverso que os desviará do interesse geral.” É curioso porque não era verdade.
 
Depois do 25 de Abril, já sabemos das muitas razões para que os seus próprios correligionários o descrevam como um cata-vento, ou falem da sua “habilidade natural de iludir a realidade das coisas” (José M. Ricciardi, Expresso, 26.12.2014), de ter apoiado, depois traído, por vezes reconciliado com dezenas de personagens, da invenção de factos políticos. “Velho Rasputine”, chamou-lhe Paulo Portas (Independente, 1.10.1993), que dele podia ser um alter ego. “É filho de Deus e do Diabo: Deus deu-lhe a inteligência, o Diabo deu-lhe a maldade” (Portas, RTP, 4.12.1994). Em MRS intui-se, acima de tudo, a desmedida ambição que se estampa contra os erros de avaliação dos momentos e das conjunturas: os Inadiáveis contra Sá Carneiro (1978), Salgueiro contra Cavaco (1985), o fracasso da aliança com Paulo Portas (1999), três anos na liderança do PSD de que pouco mais fica a demonstração da sua infinita criatividade na criação de obstáculos mesmo nas mais plácidas conjunturas políticas. “Para se defender da frustração não assumida de não ter chegado a primeiro-ministro, conformou-se com a sua projeção de poder através da influência e da exposição comunicacional” (VM, 643). Desde 1973, primeiro no Expresso, depois no Semanário, na TSF (1993-96) e na TVI ou na RTP (consecutivamente desde 2000), que conta as histórias que quer, como quer, explicando Portugal como se fosse como ele diz, mas que não passa de um país que ele inventa semanalmente a seu gosto. Para o ajudar a chegar onde ele quer.

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2015-12-30

 

Os "banksters" do BANIF, BES, BPN, BPP.

A direita é por natureza a defensora dos interesses dos mais poderosos à custa do restante povo e isso é bem exemplificado pela composição política dos "banksters" que criaram e dirigiram o BPN, o BPP, o BES e agora o Banif.
O BPN foi um banco criado e gerido pela camarilha do PSD ligada a Cavaco Silva. Oliveira e Costa foi seu Secretário de Estado, Dias Loureiro e Arlindo de Carvalho, outros figurões e beneficiários do BPN, foram ministros de Cavaco. O próprio Cavaco e a filha foram beneficiados nuns negócios com o BPN.
O Banif foi também um banco ao serviço do PSD e do "Bokassa" da Madeira, o histriónico Alberto João. Sem deixar de reservar uns lugarzitos para gente do "arco da governação" como era o caso de Luís Amado, ex-mimistro do PS.


2015-12-14

 

As 5 maiores religiões. Origem, evolução.

Estas são as 5 maiores religiões. Mas existem mais umas 5.000, arrisco eu. Recentemente, de Angola, veio a notícia de que o espertalhão de um “vidente” com olhinhos para o negócio criou uma religião numa paupérrima zona de um dos mais ricos países  de África, Angola ( aliás, gigantescas manchas de miséria, são sempre pressuposto para a existência de gigantescas fortunas). O vidente, mal nada… enriqueceu!
Ainda um dia estudarei este aliciante assunto das religiões. É certo que algumas são poderosíssimas multinacionais dos negócios ou mais concretamente, de controlo das almas para as colocar ao serviço dos que os vão submeter e explorar. Mas obviamente que as religiões, a religiosidade, etc são um fenómeno bem mais complexo e seria muitíssimo redutor restringi-las ao que delas justamente acabo de dizer.
Seria também interessante conhecer a evolução ao longo dos séculos do número de pessoas que são ateias, ou agnósticas, que se libertaram da superstição, da crendice ou, em suma, para usar a expressão consagrada por um ímpio, deixaram de consumir o “ópio do povo”.

Como as 5 maiores religiões se espalharam pelo mundo:

2015-11-24

 

Documentário da TV alemã arrasa atuação de empresas germânicas em Portugal

O canal público alemão de televisão Westdeutscher Rundfunk (WDR) transmitirá, na noite de 7 de dezembro, um documentário intitulado Saldos em Portugal. Da autoria do jornalista português António Cascais, que reside há 45 anos na Alemanha, o filme contraria a ideia difundida na opinião pública germânica de que a intervenção da troika em Portugal foi um sucesso – um caso apresentado como a prova final de que, apesar do desastre grego, afinal, a austeridade prescrita pela chanceler Angela Merkel e pelo ministro das Finanças Wolfgang Schäuble funcionou.
Durante a intervenção da troika, um período em que o vice-primeiro-ministro português, Paulo Portas, afirmava que o País estava a viver sob “protetorado”, o Instituto da Economia Alemã (IDW, um think tankpróximo das estruturas patronais germânicas), considerou que um programa de ajustamento bem sucedido em Portugal, teria uma «incalculável força simbólica para a estratégia de ajuda da zona euro».
 
No, seu documentário, António Cascais olha para o país onde nasceu pouco antes de emigrar com os pais para a Alemanha, com os olhos de um alemão. Não contesta que o resgate de Portugal nesta crise financeira tenha sido uma história de sucesso. «Contudo, não o foi para os trabalhadores, reformados, crianças e jovens portugueses, ao invés das empresas e multinacionais estrangeiras, entre elas as alemãs», cometa o jornalista.
 
Este é mais um trabalho seu envolvendo as relações luso-germânicas. E promete agitar as águas, tal como o seu filme de 2014 para o qual investigou os contornos opacos do negócio à volta de dois submarinos vendidos por um consórcio alemão ao Estado português, para o filme Corrupção – A Alma do Negócio? E cuja versão portuguesa pode ser vista no final deste texto.
 
No seu mais recente trabalho, Cascais mostra Portugal como o «bom aluno» que fez os trabalhos de casa – o ir além da troika no seu programa de privatizações, a redução radical da despesa do Estado, a flexibilização da legislação laboral, os cortes nas pensões, salários e na saúde e aumento dos impostos.                                                                                                                              Elogiado pelo sucesso da saída do resgate, em 2014, Portugal é exibido como aluno exemplar – uma espécie de contraponto à Grécia.                                                                                             Mas o documentário questiona se esse coro de elogios corresponderá à realidade e procura dar resposta a muitas interrogações. Como é que as empresas alemãs se tornaram as principais empregadoras no País? Terão elas encontrado em Portugal melhores condições do que na Alemanha? E o que tem isso a ver com as políticas da troika? Não se deveria mudar a medicação, quando o remédio prescrito pelo Governo alemão e pela troika aos países em crise tem efeitos secundários nefastos – mesmo num aluno exemplar como Portugal? 


2015-11-09

 

O PROGRAMA DO GOVERNO DERROTADO NA AR

Cheguei à esplanada do café a las três en punto de la tarde O casal bem posto chegou logo a seguir e um pouco mais além olhava-nos atento o casal triste. O Sr Arraial fazia muitos tri ti ti tri ti ti a dois bebés em carrinho de gémeos na esperança de meter conversa com a mãe ou mesmo com o pai. A meu pedido a Cilinha mudou a TV para a SicN. Não dava futebol e a assistência foi discretamente diminuindo.No grande monitor 
a las três en punto de la tarde víamos os Calimeros a entrar para o hemiciclo, a sorrirem para os jornalistas mas com indelével tom amarelo.
(Leiam “cinco” onde está “tres” e o grande Federico aí fica em todo o seu esplendor )
A las tres de la tarde. 
Eran las tres en punto de la tarde. 
Un niño trajo la blanca sábana 
a las tres de la tarde. 
Una espuerta de cal ya prevenida 
a las tres de la tarde. 
Lo demás era muerte y sólo muerte 
a las tres de la tarde. 

O Dr. Passos da Tecnoforma, o amigo de Relvas e criação de Ângelo vem todo vestidinho de Calimero, mais passos e mais uns passos e Passos aí está na tribuna do plenário da AR a ler num papel esborratado um programa de governo nado morto. Os Senhores deputados do PSD e do CDS, dormitam mas a cada breve suspensão de Passos, o sinal, batem palmas, palmas tristes, palmas de saudade como quem está de partida.  
El viento se llevó los algodones 
a las cinco de la tarde. 
Y el óxido sembró cristal y níquel 
a las cinco de la tarde. 
Ya luchan la paloma y el leopardo 
a las cinco de la tarde. 
Y un muslo con un asta desolada 
a las cinco de la tarde. 
Os outros Senhores Deputados – o drama é esse – são em maior número e olham para o relógio e surpreendo aqui e além uma piscadela de olho. Olho para a TV, olho para o Dr. Coelho a exigir aos Senhores Deputados “as suas responsabilidades.”
Comenzaron los sones de bordón 
a las cinco de la tarde. 
Las campanas de arsénico y el humo 
a las cinco de la tarde. 
En las esquinas grupos de silencio 
a las cinco de la tarde. 
¡Y el toro solo corazón arriba! 
a las cinco de la tarde. 
O Sr Presidente da AR deu a palavra ao Sr deputado do PS Pedro Nuno Santos. Mas antes que este pegasse na palavra um Sr deputado do PSD usou a figura regimental “interpelação à Mesa” para saber quem é que estava inscrito para interpelar o Dr Passos. Ficou a saber que estavam inscritos uns 30 ou 40 Srs Deputados mas, como não aparecia o nome, António Costa, tentou voltar à conversa para saber se deixariam falar o deputado António Costa sem estar inscrito mas o Presidente da AR não lhe deu mais tribuna e entrou na conversa o deputado do PS numa intervenção a contrapor ao programa das direitas o programa das esquerdas, uma intervenção basto desagradável para os mercados que aliás já tinham dado a sua reprovação na bolsa .

Cuando el sudor de nieve fue llegando 
a las cinco de la tarde 
cuando la plaza se cubrió de yodo 
a las cinco de la tarde, 
la muerte puso huevos en la herida 
a las cinco de la tarde. 
A las cinco de la tarde. 
A las cinco en Punto de la tarde. 
O Dr Coelho respondeu com muito vigor e recebeu muitas palmas do seu grupo parlamentar. Interveio então o líder parlamentar do PSD com pesados argumentos demonstrativos de que o povo escolheu o Dr Passos para 1ºM e que o Sr Costa perdeu e portanto “não tem o direito de se sentar aí onde Vª EXª se senta”.  E Luís Montenegro sentenciou que nunca viu em 23 anos de política que leva no lombo… nunca viu alguém que perdeu as eleições ser 1ºM. E bateu e rebateu um a um os argumentos de Nuno Santos com um vigor de excitado calimero.
Un ataúd con ruedas es la cama 
a las cinco de la tarde. 
Huesos y flautas suenan en su oído 
a las cinco de la tarde. 
El toro ya mugía por su frente 
a las cinco de la tarde. 
El cuarto se irisaba de agonía 
a las cinco de la tarde. 


O Dr Passos no papel de quase 1º M à beira da agonia voltou a pegar na sua palavra perante uma plateia entre o desatento e o agastado.

A lo lejos ya viene la gangrena 
a las cinco de la tarde. 
Trompa de lirio por las verdes ingles 
a las cinco de la tarde. 
Las heridas quemaban como soles 
a las cinco de la tarde, 
y el gentío rompía las ventanas 
a las cinco de la tarde. 
Alto. Espera aí… agora fala a Catarina. Diz ela “Estamos a debater um programa de governo que antes de o ser já não o era.” E diz que os lamentos do falhado governo não fazem lei e portanto têm de se resignar ao seu estado de coligação derrotada. Está a dizer coisas horríveis. Coisas mesmo de esquerda. Vou ouvi-la. Os calimeros estão excitadíssimos, barulham…
Catrina diz que triplicaram a dívida e assusta as bancadas da direita.
O Sr quase 1º M responde com ar animado por cima e derrotado por baixo. Diz que discorda de tudo o que Catarina disse e volta a recitar o que já disse antes.
Falou a seguir Jerónimo de Sousa que não deixou pedra sobre pedra do programa e dos argumentos dos derrotados calimeros.
A las cinco de la tarde. 
¡Ay, qué terribles cinco de la tarde! 
¡Eran las cinco en todos los relojes! 
¡Eran las cinco en sombra de la tarde!
Cumprimento os meus vizinhos de mesa, em especial o casal bem posto, pago o meu café, já não aguento ver todas aquelas caras que durante 4 anos atormentaram o país. E vou dar uma voltinha pelo jardim com La cogida y la muerte do Grande Federico García Lorca debaixo do braço.

2015-11-05

 

TTIP um tratado negociado em segredo entre a UE e os EUA

30-10-2015 “Uma sombra sobre o futuro da democracia europeia” “O secretismo do TTIP projeta uma sombra sobre o futuro da democracia europeia”, afirmou Julian Assange. Sob esta cobertura, os interesses especiais estão a tornar-se selvagens, como vimos com o recente cerco financeiro contra o povo da Grécia. O TTIP afeta a vida de todos os europeus e empurra a Europa para um conflito de longo prazo com a Ásia. O tempo do seu secretismo chega agora ao fim.



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2015-10-11

 

Sampaio da Nóvoa a Belém.

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Agora que o "entertainer" Prof. Marcelo está disposto a "sacrificar-se humildemente" pelo país e corre salivando mas com muita humildade, para o palácio de Belém, lembremos o discurso de Sampaio da Nóvoa, no 10 de Junho de 2012 e digam-me se não preferem ter como PR alguém que sabe dizer o que ele diz aqui e não anda demagogicamente a distribuir pipocas pela Festa do Avante.

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2015-10-09

 

Putin com "uma estratégia equivocada" na Síria :-)

«O secretário da Defesa dos Estados Unidos, Ashton Carter, afirmou nesta quarta-feira, na Itália, que a Rússia utiliza "uma estratégia equivocada" na sua ofensiva aérea na Síria e reiterou que Washington não colaborará com Moscovo enquanto os bombardeios prosseguirem.» 
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Síria[Dados de The World Factbook - CIA disponíveis na net]
Área: 185.000 Km2 [quase duas vezes Portugal].
População: 22.457.336 (2013). Árabes 90.3%, Kurdos, Armenios e outros 9.7%.
Regime: República, regime autoritário, laico, liberdade para as diferentes religiões.
Parlamento: 250 deputados eleitos por 4 anos.
Partidos legalizados: 6, partidos kurdos não legalizados 16.
Voto aos 18 anos para homens e mulheres.
Idade média da população: 22,7 anos (Portugal 40,7) Mortalidade infantil por 1000 nascimentos: 14,63 (Portugal 4,54, EUA 5,9)
Religião: Sunitas 74%, outros islamitas incluindo alauitas, druzos: 16%, Cristãos vários: 10%, Judeus: pequenas comunidades em Damasco, Al Qamishli, e Aleppo.
PIB per capita: 5.100 dólares, em 2011 (Portugal 23.800 dólares, em 2012)

Serviço militar obrigatório para os homens 18 meses a partir dos 18 anos. As mulheres podem prestar serviço militar voluntário
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Mas que se passa então? A Rússia apoia o governo da Síria e está a bombardear, parece que com grande eficácia, os terroristas do Estado Islâmico e também os terroristas financiados pelos EUA, pela Arábia Saudita,  pelo Qatar e pela Turquia, a Al-Nusra, a Frente Islâmica, o Exército Livre da Síria, o Exército dos Mujahedins, a União Islamita, a Aliança Mujahedin Wa-Ansar, etc., que conquistaram uma grande parte do território e estão uns e outros apostados em derrubar Bashar Al-Assad e ao mesmo tempo em se derrubarem uns aos outros.

Esses bombardeamentos "errados" puseram em chamas um comboio de dezenas de camiões autotanque do "Estado Islâmico" carregados de petróleo que vendem a metade do preço, à Turquia e à França e talvez a companhias norte-americanas e são uma importante fonte de financiamento. Ora isto irrita sobremaneira o Tio SAM e a NATO que estão muito preocupados com os mísseis russos e os seus aviões que, confirmaram agora, detectam os caças indetectáveis norte-americanos. Já vão enviar tropas para a Turquia que quer esmagar o Estado Islâmico? Não. Os Kurdos.

E vistas as coisas assim a estratégia de Putin é errada, explica o Sr Ashton Carter. Errada para uns certa para outros! É assim a vida.
Mas afinal que objectivos visam tais estratégias. A Rússia apoia Bashar al-Assad porque este permite-lhe uma muito conveniente base naval no Mediterrâneo e manter influência naquela região nevrálgica. 

Os EUA querem derrubar o regime sírio porque é uma ditadura má como era a da Líbia de Kadafi e a do Iraque de Sadan desde que este deixou de ser um amigo dos EUA após a guerra com o Irão (1980-88). 
Tal como fizeram no Iraque, na Líbia, na Ucrânia, e anteriormente pela América Latina e o resto do mundo, os EUA acham-se no direito de intervir militarmente, ou organizando golpes de militares ou com grupos terroristas por si financiados para derrubar os governos que guardam para si as riquezas naturais dos seus países e teimam em não se submeter às ordens de Washington.
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Por vezes, mas cada vez menos desde o desaparecimento da URSS, invocam os pretextos da defesa das liberdades, da democracia, dos direitos humanos, etc. apesar de serem aliados e "muito amigos" das mais ferozes e retrógradas ditaduras da região como a Arábia saudita e países do Golfo.
O governo de Damasco quer o petróleo, o gás e as restantes riquezas para a Síria em vez de as subordinar aos interesses das petrolíferas e multinacionais norte-americanas. E isso os EUA consideram uma intolerável ofensa à SUA liberdade. 

Apesar de ditaduras, mais ou menos disfarçadas de democracias, a Líbia e a Síria, com eleições e partidos políticos, com regimes laicos, sem a escravatura de metade da população, as mulheres, com liberdade religiosa, porque defendiam os seus interesses nacionais foram invadidas e lançadas no caos.  
Sobre a Síria também "postei" aqui e aqui .

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Carmina Burana

«O compositor alemão Carl Orff musicou alguns dos Carmina Burana, compondo uma cantata homónima. Com o subtítulo "Cantiones profanae cantoribus et choris cantandae", a obra, por suas características, pode ser definida também como uma "cantata cénica". 
 Estreou em Junho de 1937, em Frankfurt e faz parte da trilogia "Trionfi" que Orff compôs em diferentes períodos, e que compreende os "Catulli carmina" (1943) e o "Trionfo di Afrodite" (1952).
(A imagem foi tirada do vídeo que se segue.)




Carmina Burana - O Fortuna, Imperatrix Mundi
                                  Em latim                       Em português
O Fortuna,
Ó Sorte,
Velut Luna
És como a Lua
Statu variabilis,
Mutável,
Semper crescis
Sempre aumentas
Aut decrescis;
Ou diminuis;
Vita detestabilis
A detestável vida
Nunc obdurat
Ora oprime
Et tunc curat
E ora cura
Ludo mentis aciem,
Para brincar com a mente;
Egestatem,
Miséria,
Potestatem
Poder,
Dissolvit ut glaciem.
Ela os funde como gelo.
Sors immanis
Sorte imensa
Et inanis,
E vazia,
Rota tu volubilis
Tu, roda volúvel
Status malus,
És má,
Vana salus
Vã é a felicidade
Semper dissolubilis,
Sempre dissolúvel,
Obumbrata
Nebulosa
Et velata
E velada
Michi quoque niteris;
Também a mim contagias;
Nunc per ludum
Agora por brincadeira
Dorsum nudum
O dorso nu
Fero tui sceleris.
Entrego à tua perversidade.
Sors salutis
A sorte na saúde
Et virtutis
E virtude
Michi nunc contraria
Agora me é contrária.
Est affectus
Et defectus
E tira
Semper in angaria.
Mantendo sempre escravizado
Hac in hora
Nesta hora
Sine mora
Sem demora
Corde pulsum tangite;
Tange a corda vibrante;
Quod per sortem
Porque a sorte
Sternit fortem,
Abate o forte,
Mecum omnes plangite!
Chorai todos comigo!
 __________________________________________

«A cantata é emoldurada por um símbolo da Antiguidade — a roda da fortuna, eternamente girando, trazendo alternadamente boa e má sorte. É uma parábola da vida humana exposta a constante mudança, mas não apresenta uma trama precisa.

Orff optou por compor uma música inteiramente nova, embora no manuscrito original existissem alguns traços musicais para alguns trechos. Requer três solistas (uma soprano, um tenor e um barítono), dois coros (um dos quais de vozes brancas), pantomimos, bailarinos e uma grande orquestra (Orff compôs também uma segunda versão, na qual a orquestra é substituída por dois pianos e percussão).
A obra é estruturada em prólogo e duas partes. No prólogo há uma invocação à deusa Fortuna na qual desfilam vários personagens emblemáticos dos vários destinos individuais.
Na primeira parte se celebra o encontro do Homem com a Natureza, particularmente o despertar da primavera - "Veris laeta facies" ou a alegria da primavera.
Na segunda, "In taberna", preponderam os cantos goliardescos que celebram as maravilhas do vinho e do amor(“Amor volat undique”), culminando com o coro de glorificação da bela jovem ("Ave, formosíssima").
No final, repete-se o coro de invocação à Fortuna ("O Fortuna, velut luna”). Carmina Burana - O Fortuna, Imperatrix Mundi. »  (O texto éda Wikipédia.) 

2015-08-12

 

“A Grécia usada para encobrir o escândalo do salvamento dos bancos europeus”

Notícia de INFOGRÉCIA:
Entrevista a Maria Lucia Fattorelli, a especialista brasileira sobre a dívida pública que participou nos trabalhos da Comissão para a Auditoria e Verdade da Dívida Pública organizada pelo parlamento da Grécia.

 

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2015-07-13

 

TENHO UMA FORTE SUSPEITA


TENHO UMA FORTE SUSPEITA. A suspeita de que vai passar a haver, histórica e politicamente duas Uniões Europeias. A UE ANTES e a UE DEPOIS do governo do Syriza. E se assim for não deixará de ser paradigmático que o sujeito da mudança seja a GRÉCIA com tudo o que tem de simbólico para a história da Europa e a história da democracia.
O governo grego lutou denodadamente pelos interesses do seu povo (não estou a falar dos Onassis e outros oligarcas gregos) e por estranho que a alguns pareça, pelos interesses da Europa dos Cidadãos, aquela Europa que nunca chegou a existir mas que este governo da Grécia, com a sua denodada luta, revelou como uma Europa pronta, a cada momento, a ser uma Europa CONTRA os cidadãos, se isso puser em causa os interesses do capital financeiro ou contrariar a renovada e agoirenta vertigem imperial da Alemanha.

Perante a NOVA ORDEM europeia em construção, sob a liderança de Schauble/Merkel, ergueu-se patrioticamente um governo de esquerda que, naturalmente aos olhos neoliberais parece uma assombração esquerdista. Perante grandes dificuldades negociais o Governo grego consultou o povo o que enraiveceu, em particular, governos como o português por tal revelar o seu comportamento de alegre capataz da Berlim e dos mercados em geral. 

O Governo grego negociou, fez cedências, foi vergado quase até ao chão. Para mim não foi completa surpresa, em 26 de Junho, no Facebook, disse que 

"a relação de forças [entre a UE e a Grécia] é a que a imagem mostra. De modo que, apesar do receio de indigestão, o mais provável é o cinzento engolir o verde.”


A Grécia e o Syriza tiveram o grande mérito de expor às escâncaras o crescente deslizar antidemocrático das Instituições da UE e a paulatina tutela germânica. E o acordo que a Grécia acabou por aceitar (não conheço ainda com rigor todo o seu conteúdo) só foi possível porque, contra a arrogância alemã, de duvidosa estratégia e duvidoso futuro, se levantou o habitualmente agachado François Hollande, à custa de telefonemas de Washington, a falar de geoestratégia, a lembrar que os EUA e a NATO têm uma base militar na Grécia e a humilhação da Grécia pode, ao contrário do "humilhado" Portugal, ter consequências desagradáveis com uma eventual aproximação à Rússia e, sabe-se lá, se à China também.

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2015-07-12

 

Peixe grande de Berlim quer comer peixe pequeno da Acrópole

A grande novidade do momento sobre a Grécia não é a recusa, dos ministros das Finanças do Eurogrupo às ordens de Schauble, como Maria Luís, em querer colaborar com o governo da Grécia para resolver a grave crise deste país e do Euro. A grande novidade não é a cimeira dos países do Euro com a Alemanha  acolitada pelos caniches do costume querer esganar o governo rebelde e patriótico do Syriza. 

Não, a grande novidade é a assombração, qual nuvem, que paira sobre o Parténon, A figura era de homem mas, qual Zeus, disse virado para Berlim: 


“PEIXES, a primeira coisa que me desedifica de vós é que vos comeis uns aos outros. Não só vos comeis uns aos outros senão que os grandes comem os pequenos. Se fora pelo contrário, era menos mal. Se os pequenos comeram os grandes, bastara um grande para muitos pequenos; mas como os grandes comem os pequenos, não bastam cem pequenos, nem mil, para um só grande."

Há portugueses e portugueses. Há os que habilidosamente conseguiram com uma nuvem de mentiras, poses, trejeitos e salamaleques, tomar assento em S. Bento e são a nossa vergonha e a nossa tragédia e há os outros, as suas vítimas que somos nós. Mas temos os nossos porta-vozes. E um dos que mais prezo, o Padre António Vieira, é o que, mesmo dormindo o seu justo sono, imaginando o que aí vinha para a Grécia, para Portugal, acordou em sobressalto, subiu ao Parténon e lembrou o seu "Sermão de Santo António aos Peixes" proferido em 1654. 
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Nota: a imagem é o Cartoon de Michael Koutouris (grego) que acaba de ser distinguido no World Press Cartoon, em Cascais.


2015-07-10

 

"Grécia: Merkel derrotada > Passos Coelho enganado..."

O abaixo escrito é da autoria do economista Luís Salgado de Matos, e trouxe-o (sem permissão!) do seu blog O Economista Português (link)
no qual ele se apresenta como
Um Economista Pouco Conhecido
Luís Salgado de Matos, o autor do blog, é hoje menos conhecido pela sua vertente económica e mais pelo lado politólogo – tem estudado o Estado, as Forças Armadas e a Igreja e publicou em 2011 o livro A Separação do Estado e da Igreja, editado pela Dom Quixote, do grupo Leya.
 
O leitor se não o conhece, então vá ali, ao seu blog, que não perde o seu tempo.
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GréciaDN8jul2015
 
48 horas antes de o Sr. Tsipras escrever o seu plano para Bruxelas, já a imprensa portuguesa sabia que ele continha a derrota moral do ras grego: manchete do Diário de Notícias de anteontem, anunciando que a Grécia «cedeu».  Mas afinal quem cedeu foi a Madrinha, a Srª Merkel. Ou de como somos levados à certa pelos nossos mass media. E o DN nem é dos piores.
 
Quando o Presidente Barack Hussein Obama lembrou à engenheira química Angela Merkel que, no meio da guerra fria com a Rússia, era má ideia entregar a Grécia a Moscovo, o destino da senhora estava resolvido: passava do Departamento do Tesouro para o Pentágono. O Fundo Monetário Internacional (FMI) já começara a tocar-lhe o Kindertoetenlieder, mas ela é dura de ouvido e escapou-lhe a mensagem da música.  Diz-se que o Engº Guterres tinha aprendido a infalível ciência de governo: seguir as sondagens. Sabe-se que a Srª Merkel descobriu um sistema ainda  mais perfeito, simples e barato: para governar o mundo basta-lhe ler todos os dias o canto superior direito da primeira página do Financial Times, que publica o índice da bolsa de valores. Ora a Grécia é uns 2% do PIB europeu e as bolsas apenas piscaram o olho perante as maldades que o Sr. Varoufakis ministrou à nova Cariátide (claro que a Srª Merkel ignora o efeito de uma queda acumulada de 1% num plano de investimento em bolsa e por isso considera 1% uma ninharia). Coitada.  Sic transit gloria mundi. O Economista Português pede também ao leitor um pensamento bom em intenção do Sr. Sigmar Gabriel, o socialista alemão que andou a fazer a publicidade da chancelarina e a dizer umas verdades duras aos helenos.
A questão grega resolveu-se, como O Economista Português sempre previu, e perde assim muito do seu interesse pois resume-se agora a saber em que medida seremos prejudicados face aos gregos: medida grande? medida pequena? Mas esta questão interessará a alguém em Portugal? Haverá uma oposição responsável que queira governar e tenha um plano de governo?  Haverá uma opinião pública minimamente informada em matéria económico-financeira?Com efeito, é certo que a Srª Merkel perdeu e os gregos ganharam. Só os mais bacocos elementos do batalhão de semicomentaristas oficiosos das nossas televisões e jornais se deixam enganar pelos eufemismos com que a propaganda alemã começou ontem a mimosear-nos, para ornamentar a sua derrota: «aliviar» (uma linda metáfora de casa de banho)  a dívida grega  e não reestruturá-la, muito menos perdoá-la. A propaganda dos credores colocou hoje nos jornais uma fuga do pedido grego que exagera a austeridade e, para agradar a Berlim, declara que o perdão da dívida será curto, mas sem o quantificar.  Só segunda feira começaremos a medir a exctensão da derrota alemã.  Falando a sério: ainda ontem, no Palais Bourbon, um chefe da direita francesa pedia a Hollande e a Berlim piedade para Portugal e por extensão para a Espanha e a Irlanda quando perdoassem a Grécia. Deus o ouça.
O Dr. Passos Coelho acreditou e verbalizou que a Alemanha não cederia e por isso enfileira entre os derrotados de hoje. Acreditou com a fé cega que põe nos mitos urbanos. Donde lhe brotava tão comovente fé? Só podia nascer dos lábios flexuosos da chancelarina os quais lhe tinham dado a saber que não cederia aos gregos, que nunca por nunca ser lhes cederia. A Srª Merkel disse em segredo ao Dr. Coelho o que nos disse a todos em público e ele, por beber do fino e o suposto segredo lhe quadrar ao simplismo mental em matéria económico-financeira, acreditou.  Coelho  acreditou acompanhadíssimo:  grandes nomes da estratégia portuguesa, incluindo do PS, outros políticos com nome na praça asseguraram-nos publicamente que ela não cederia, que os gregos perderiam, que a política da troika era o 11º mandamento que Ieová dera a Moisés no deserto para a salvação da classe política portuguesa. Enganaram-se.  Prestaram-se às manobras da nova Cariátide. Fizeram que o nosso país  desempenhsse nesta última farsa da Eurozona o divertido papel do Arlequim da commedia del arte. Nunca repararam que a Srª Merkel é tão fértil em ultimatos como é úbere em recuos perante as putativas consequências desses mesmos Diktate? Nunca viram que ela tem a ameaça fácil e a fuga lépida? Os ludibriados, a começar pelo Sr. Chefe de Governo,  têm um plano B para compensar Portugal pelos prejuízos do logro em que nos fizeram cair, prejuízos resultantes de termos abraçado alianças internacionais nocivas aos nossos interesses de nação devedora? Veremos.

2015-07-04

 

Pacheco Pereira denuncia o roubo das privatizações de Passos Coelho

"O relatório do Tribunal de Contas sobre a EDP e REN, foi arrasador para o Governo e, consequentemente, quase ignorado na imprensa. Entre outros factos, o relatório refere que "a participação de 21% na EDP vendida por 2,2 mil milhões de euros rendeu ao Estado, em 2012, 144 milhões de euros em dividendos. Se se tivesse mantido, a longo prazo, mesmo tendo em conta os custos da dívida pública, esta participação tinha um potencial de rendimento, uma "renda perpétua", na ordem dos 3,8 mil milhões de euros. Numa "ótica financeira", com esta venda da EDP, a "perda de valor para o Estado ascendeu a cerca de 1,6 mil milhões de euros"."
Publicado a 02/07/2015
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2015-06-26

 

Voroufakis entrevistado. O homem, o político, a Grécia

JANICE TURNER, ENTREVISTA VAROUFAKIS para “The Times Magazine”/ The Interview People Varoufalis  O expresso reprodu-la em 2015-06-17 [aqui] e para que continue online coloquei-a no Puxapalavra in Extenso

A entrevista visa dar a conhecer o homem, o político e a política do governo grego do Siryza. Devido à extensão não está aqui totalmente reproduzida.
Grande entrevista: as confissões, motivações e explicações de Varoufakis
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Dois dias depois de nos encontrarmos, a Grécia devia fazer o seu primeiro pagamento de junho ao Fundo Monetário Internacional (FMI), no valor de 310 milhões de euros, iniciando uma série de reembolsos que totalizarão 13 mil milhões de euros até ao fim do mês. A Grécia já andou à cata de trocos no forro do sofá da nação. Hospitais, universidades e autarquias locais entregaram as suas reservas ao Governo; o Estado protela os pagamentos aos fornecedores, para ter dinheiro vivo. Depois de cinco anos de austeridade, a economia grega encolheu 25% e mantém-se em recessão; um quarto da população (e 60% dos jovens) está no desemprego.
Do que a Grécia precisa, do que espera neste carrossel pede-a-Pedro-para-pagar-a-Paulo da finança mundial, é de mais um empréstimo, de 7,2 mil milhões de euros, de resgate da chamada “troika” de instituições financeiras: FMI, Banco Central Europeu e Comissão Europeia. Mas o dinheiro está a ser retido até a Grécia concordar em cumprir as exigências da troika: mais privatizações, mais cortes nas pensões e mais mudanças nas leis laborais que facilitem os despedimentos. Por outras palavras, mais austeridade, precisamente o que o Governo radical do Syriza foi mandatado para combater após a sua retumbante vitória eleitoral.  
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Conversa abertamente, interrompendo-se de dez em dez minutos para atender o telefone. A última chamada – “Olá, Larry!” – para falar com Larry Summers, o professor de Harvard e secretário do Tesouro de Clinton, é feita na casa de banho privada. Varoufakis, 54 anos, não parece esmagado por ter às costas o destino da nação. ...
... Vai escrever um livro? “Claro que vou! Ha, ha!” 

Varoufakis descreveu-se a si mesmo como um “economista acidental” e diz agora que é um “político relutante”

E ele é, claro, o menos enfadado dos políticos. Quando lhe pergunto se, enquanto jovem assistente na Universidade de Essex  – onde a sua máxima “Subvertam o paradigma dominante” foi estampada em t-shirts pelos estudantes  – poderia imaginar-se ministro das Finanças, Varoufakis ri-se. “Nem há um ano poderia imaginar!” Na verdade, estava a trabalhar no Texas quando o Syriza o pôs nas listas. Não era membro do partido e continua a não o ser, ainda que nas eleições de janeiro tenha recolhido a maior votação de todos os candidatos apoiados pelo Syriza.

Varoufakis, apesar dos muitos livros que escreveu, descreveu-se a si mesmo como um “economista acidental” e diz agora que é um “político relutante”. ... “Da mesma forma, acredito em políticos relutantes. Uma pessoa que se entusiasme com o poder político devia ser impedida de o ter.”

Na primeira reunião do Governo do Syriza, conta, o novo primeiro-ministro disse: “Rapazes, lembrem-se: não queremos saber dos nossos gabinetes”. Varoufakis olha à sua volta, com as suas pinturas modernas, as plantas yucca, as estantes de livros de economia e uma ausência total de objetos pessoais, e depois ergue os braços do sofá magenta. “Não estou ligado a este gabinete, a este sofá. Quero dizer, se ficar sem eles amanhã, estou-me nas tintas. Isso, acho, é fundamental. Se começamos a sentir que perdemos a nossa posição ministerial – as sondagens estão a resvalar, meu deus, o Wall Street Journal não está a dizer grande coisa sobre mim, se calhar estou de saída –, se começamos a ralar-nos com isso, então muito depressa perdemos a força.”
...
Varoufakis está refrescantemente livre do estilo treinado para os media de fugir às questões. Abre um livro de candura e eloquência. Quando lhe digo que ainda não aprendeu as maneiras dos políticos, diz com dramatismo: “Quando as aprender, demito-me. Por outras palavras, quando começar a mentir e a não chamar espada a uma espada, deixei de ser útil. Não acho que o mundo, e a Grécia de certeza, precise de mais um político que distorça a realidade. Eu não falei de mais, só falei verdade”.

Na sua eleição, causou furor ao declarar “sou o ministro das Finanças de um Estado na bancarrota”. Mas isto, afirma, é um simples facto. A Grécia não sofre de falta de liquidez - é insolvente. E não há empréstimo que a cure. “É como um amigo seu que não pode pagar a hipoteca da casa obtendo um novo cartão de crédito e dizendo que o problema está resolvido.”

Diz que recebe ameaças de morte desde a crise de 2010, quando se manifestou exaltado contra os resgates, contra os cleptocratas que esgotaram os fundos e contra a injustiça que é o grego comum sofrer pelo desgoverno dos banqueiros. 

O que é preciso, reclama Varoufakis, não é só investimento na Grécia, mas generosidade de espírito. Fala do famoso “discurso da esperança” feito pelo secretário de Estado norte-americano James Byrnes à Alemanha em 1946, como prelúdio do Plano Marshall. Foi a declaração da América de que desejava a paz com o seu inimigo derrotado; de que a Alemanha tinha o direito de voltar a ser próspera à custa de trabalho esforçado. O discurso de esperança da Grécia, declara, deve ser feito por Angela Merkel.

Quando negoceia, mantém presente vários gregos que lhe exemplificam os males do país: pensa num casal de empresários que conheceu e que tenta erguer das cinzas uma start-up arrasada pelo sistema fiscal; lembra-se de um homem de quarenta e muitos anos que veio servir de tradutor quando Varoufakis deu uma entrevista a um jornal espanhol - antigo professor de línguas com família, vive agora na rua. “Disse-me: 'apoio-o, mas não pode fazer nada por mim. Estou feito. Acabado. Faça qualquer coisa é pelos que estão à beira do precipício e ainda não caíram'.”

Depois, numa noite em que foi beber um copo com a mulher, a artista Danae Stratou, ao bairro rico de Kolonaki, em Atenas, viu “uma idosa muito bonita, dos seus oitenta, muito limpa e bem arranjada, sentada num banco de jardim”. Veio a saber que era uma burguesa que vivia num dos apartamentos da zona e que se tinha tornado numa sem-abrigo. “Passa ali a noite e quem a conhece toma conta dela.”

E depois há os seus antigos alunos da Universidade de Atenas. Antes da crise, faziam fila à porta do seu gabinete para pedir recomendações para os mestrados. Depois de 2010 pediam-lhe referências para irem trabalhar para o estrangeiro. Ele próprio se juntou à fuga de cérebros, em 2012, saindo para os Estados Unidos desencantado com o desfazer do seu departamento e com o corte no salário, que significava que não podia apoiar a filha, Xenia, que desde 2005 vive com a sua ex-mulher, a académica Margarite Poulos, em Sydney.

Embora seja um político recente, Varoufakis foi criado num ambiente muito politizado. O seu pai, Giorgos, que subiu a pulso até se tornar presidente da maior siderurgia grega, lutou do lado dos comunistas na guerra civil; a sua mãe, bioquímica, era militante feminista. O pai foi preso uns tempos pela junta militar que deteve o poder na Grécia no final dos anos 60, princípio da década de 70 do século passado; o tio esteve preso vários anos. “Lembro-me de a porta ser arrombada ao pontapé pela polícia secreta”, recorda Varoufakis. À noite, a família juntava-se em segredo a ouvir a BBC, cuja emissão estava proibida.

Saiu para estudar em Inglaterra com 17 anos - ficando por lá até aos 27 - e foi-lhe difícil transmitir aos amigos britânicos o horror de viver em ditadura.
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Deve conhecer a visão popular no norte da Europa de que, por muito lamentável que seja a provação do povo grego, a sua miséria é autoinfligida. A evasão fiscal na Grécia é endémica, a política suja, a idade de reforma baixa, o sector público hiperdimensionado — e isto endurece os corações. “São grandes mentiras baseadas numa miríade de pequenas verdades”, diz Varoufakis. “A imunidade fiscal para os poderosos, a corrupção, uma oligarquia que gere tudo mal… Sim, montes de coisas mal feitas. Isso é assim desde 1827, quando o Estado grego moderno foi criado.” Mas, argumenta, o Estado grego vive dentro das suas possibilidades no que toca a salários e pensões - só está paralisado pelas dívidas. E os atuais problemas da Grécia vêm da própria entrada do país na Zona Euro: “A crise que tivemos nos últimos sete anos não teria simplesmente existido. Em 2008, teríamos tido uma pequena correção, mais ou menos como a Bulgária. E nos últimos três ou quatro anos temos crescido muito rapidamente.”
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 Os ricos não vão fugir? “É deixá-los ir”, diz Varoufakis com um gesto vago. “Eles já foram, de qualquer forma - o seu dinheiro está em Londres ou nas Ilhas Caimão. Por isso, acho que nos desenvencilhamos sem eles. O que precisamos de fazer é travar este regime que perpetua e reproduz as coisas más.”

“Destruição. Completa destruição”. (...) “Não sobraria nada; voltava tudo à Idade da Pedra. Por isso não estou preparado para realizar essa experiência de nos libertarmos do euro. Acho que temos de consertar o euro”, refere Varoufakis

Mas e quanto àqueles que dizem que a Grécia mascarou as dívidas para atingir os critérios de entrada no euro? “Acredita mesmo que os europeus são tão facilmente enganados?”, exclama. “Que lhes mentimos e nos safámos? Dizer que os governos gregos da época conseguiram mentir para entrar é simplesmente desonesto.”  “Claro” que a Grécia “não devia ter entrado no euro”, mas uma vez que a sua situação é integralmente causada por essa entrada, cabe à Europa resolver a crise resultante.
Não sente, após meses de negociações, que a Alemanha e a Grécia são simplesmente irreconciliáveis? “Sou um otimista”, diz. O que mais o desapontou nas conversações, depois de anos de universidade, é a falta de rigor e superficialidade dos debates. Dez minutos para cada, “burocratas não eleitos falam na perspetiva das suas instituições e depois passamos horas a discutir o comunicado final”.

Wolfgang Schäuble tem sido o mais firme opositor da Grécia, insistindo em medidas de austeridade, mas Varoufakis diz que o prefere a outros negociadores com duas faces. “Gosto das nossas reuniões, porque ele também chama espada a uma espada. Por isso, quando falamos, é tudo muito civilizado, cheio de respeito mútuo – discordamos, mas sei que posso acreditar no que ele me diz.”

No turbilhão de especulações sobre as intenções do Syriza, há uma teoria de que Varoufakis, que escreveu livros sobre a teoria dos jogos, está secretamente a trabalhar num plano B - a saída da Grécia do euro. Mas ele rejeita isto com veemência: “Não tenho mandato para empobrecer mais um milhão ou dois de gregos, para fazer uma experiência social, pôr quatro milhões de pessoas a viver abaixo da linha de pobreza, só para ver em quanto tempo recuperamos mais tarde”.
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O Syriza estabeleceu muitas “linhas vermelhas” nas negociações. Mas quais são as suas próprias? “Eu só não quero dar muita importância ao facto de ser político e ainda menos de ser ministro. Não vou negociar a minha integridade para manter este cargo.” Demitir-se-ia, declara, se não fosse capaz de libertar a Grécia do seu eterno ciclo empréstimo-pagamento-austeridade.

Mas avisa com ar soturno: se a Grécia for à bancarrota e deixar o euro, se o país mergulhar no passado, o governo do Syriza não será substituído pelos velhos partidos centristas que falharam, mas pela Aurora Dourada, o partido neonazi grego. “Este é um país que lutou com unhas e dentes contra os nazis. Os três países europeus que tiveram uma maior percentagem de baixas no combate aos nazis foram a Rússia, a Jugoslávia e a Grécia. Um movimento nazi indígena na Grécia é uma afronta à nossa História.” Mas a combinação da implosão económica e da humilhação nacional  – “como vocês, europeus, dizem, os gregos são um caso perdido de aldrabões do fisco e preguiçosos, não é?” – pode levá-la ao poder.

E para onde iria Varoufakis? “De volta para a universidade”, diz, encolhendo os ombros. Sente falta de ter tempo para ler e de correr na rua sem ser detido por cidadãos que querem contar-lhe as suas histórias pessoais. (Diz-me que está morto por ir ao ginásio: “Limpa-me a cabeça como mais nada”) Com a sua bela Danae, ainda come em esplanadas de Atenas sem seguranças, mesmo depois do incidente de abril em que foi cercado e ameaçado por anarquistas. Embora nos dias que correm tenha muito pouco tempo para gozar o seu pequeno barco e outros prazeres da vida. Depois de uma sessão fotográfica para a “Paris Match” de que hoje se arrepende, foi criticado por ousar comer peixe no seu terraço durante a crise. “Não sou católico - não acredito no purgatório e na autoflagelação. As pessoas dizem-me, 'Foste apanhado a beber vinho'. E daí?”

Entretanto, o telefone toca. Em Bruxelas e Berlim e Washington, banqueiros e burocratas dão voltas à cabeça para saberem como lidar com este político relutante que continua a subverter o paradigma dominante, porque ele e o seu país sentem que têm tudo a perder.
 

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