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2019-09-17

 

O Museu Salazar travestido de Centro Interpretativo do Estado Novo


Sem alarmismos, afirmo que o “povo de esquerda” está cada vez mais insuportavelmente ignorante, e, apesar disso, exige determinar o que os historiadores devem fazer.” 

É Raquel Henriques da Silva directora do Instituto Português de Museus de 1997 a 2002, em carta ao director do PÚBLICO de 2019-09-13 reagindo ao movimento contra o Museu Sala-zar em Santa Comba Dão. E continua: “O Estado Novo e o seu chefe são objectos fundamen-tais de estudo e divulgação problematizadora da história de Portugal do século XX… “
Dado que me incluo no “povo de esquerda” vou tentar minorar a minha “ignorância” ponderando os argumentos da autora do escrito sobre o projectado Museu Salazar que passou a ser referido pelo pseudónimo de Centro de Interpretação do Estado Novo” dada a vasta oposição que suscitou nomeadamente um documento de repúdio com 18 mil assinaturas e outro de presos políticos com 204.
Começo por informar a Srª ex-directora de museus que o povo de esquerda ou parte dele não contesta tanto a criação de um “Centro de Interpretação do Estado Novo” mas a sua localização na terra natal do ditador, na vizinhança da Casa Salazar, da Rua Salazar, da Escola Salazar, do jardim Salazar.

Fortaleza de Peniche
O povo de esquerda ou pelo menos eu, não se incomoda nada com a criação de um “Centro de Interpretação do Estado Novo”, por exemplo nos actuais museus criados nas antigas prisões políticas, na do Aljube ou, melhor ainda, na da Fortaleza de Peniche.
Aqui sim, toda a gente perceberia, incluindo o “insuportavelmente ignorante povo de esquerda” que não se tratava de criar um local de romaria para os saudosos do regime fascista do Estado Novo ou para as organizações de extrema direita nacionais e europeias cuja articulação Steve Bannon,  o organizador da campanha eleitoral de Trump, se tem empenhado em dinamizar e colocar em rede.
Um museu Salazar em Peniche dava certas garantias de que da acção do déspota se revelaria além do melhor também o pior. Entre o melhor poderia informar-se que livrou Portugal da 2ª Guerra Mundial e até se poderia explicar porquê: Salazar talvez colocasse de bom grado Portugal na 2ª GM mas…ao lado de Hitler! No entanto com o país refém da “secular aliança” com a velha Albion e o previsível assalto desta às colónias portuguesas em tais circunstâncias além da previsível reacção dos EUA tal opção tornava-se inviável.
A simpatia de Salazar pelo regime do Fuhrer, autor de inomináveis crimes contra a humanidade, ficou bem patente no luto nacional, com bandeira a meia haste, decretados pelo o homem de Santa Comba Dão após o suicídio de Hitler, em 30 de Abril de 1945, quando o Exército Vermelho chegou às portas do bunker, em Berlin, onde se recolhia.
Também a seu favor se poderia argumentar que com a sua iniciação como seminarista se manteve virgem e por conseguinte “puro”. Misógino  e “puro” salvo melhor investigação das suas relações com uma certa visitante francesa. Também a seu favor há o argumento de que não roubou nem enriqueceu e podemo-nos interrogar, para quê? Sem querer concluir que fosse um corrupto em potência, nada leva a pensar em tal, tenhamos presente que o ditador vivia num palácio rodeado de tudo o que necessitava e… sem mulher e sem filhos para quê ter uma fortuna sem ter a quem a deixar. Em contrapartida a sua política foi a de tornar os portugueses cada vez mais pobrezinhos para que Portugal e suas riquezas ficassem na mão de uma dúzia de famílias, os Melos, os Champalimaud, os Espírito Santo, os latifundiários donos da terra Alentejana e Ribatejana.

Salazar e Franco

Situado na fortaleza de Peniche, o Museu Salazar, trajado ou não de “Centro de Interpretação do Estado Novo”, haveria a garantia de que não seria esquecido o terror ! O terror das polícias políticas, da PVDE e das sucessoras PIDE e DGS, as torturas sistemáticas até à beira da morte e da loucura dos presos políticos. O horror das prisões, do Aljube, do Forte de Caxias, da Fortaleza de Peniche, da sede da PIDE em Lisboa e no Porto, a morte lenta ou violenta nos campos de concentração do Tarrafal, em Cabo Verde, de S. Nicolau em Angola, da Machava em Moçambique, ou de Oe-Kussi em Timor.
Houve presos políticos que para além das inauditas torturas e suplícios a que foram repetidamente submetidos passaram o melhor da sua vida na prisão: como Manuel Rodrigues da Silva, 23 anos, como Francisco Miguel, 22 anos, como José Magro 20 anos e tantos, e tantos outros, anos sem fim. E Salazar conhecia tudo isso bastante bem dos seus regulares encontros de trabalho com sucessivos directores das polícias políticas.


Portugal na guerra colonial -Angola é nossa! É nossa!! É nossa!!!

No Alentejo e não só, a GNR chegava ao ponto de prender trabalhadores, preventivamente, em vésperas do 1º de Maio, para tentar prevenir hipotéticas manifestações.
Não havia liberdade de reunião, nem de expressão com a censura prévia a toda a comunicação social. Manifestações, greves, sindicatos que não os controlados pela PIDE, estavam proibidos.
Toda este terror e intimidação existia não por degenerescência mental do homem de Santa Comba Dão mas para impedir que os milhões de Portugueses, condenados ao atraso, à ignorância, à pobreza, à miséria, tivessem êxito na sua revolta contra a política que favorecia o escandaloso enriquecimento dos “donos disto tudo”. Assim o Governo do Dr Salazar conseguiu ao fim de quase meio século de governação a proeza de reduzir Portugal à situação de país mais pobre, mais atrasado e mais analfabeto da Europa Ocidental e onde era santificada a menorização da mulher num quadro legal que a colocava na estrita tutela do marido.
E que dizer dos milhares de portugueses condenados à morte e estropiados nas guerras coloniais? E que pensar do regime de semi-escravatura dos povos das colónias portuguesas e das dezenas de milhar de mortos de africanos que lutavam pela sua dignidade, por justiça, pela libertação, pela independência?
Um estudo publicitado por José Pedro Castanheira, no Expresso, em 2013, revelou que
 a prisão política da Machava era a pior das prisões portuguesas de África durante a guerra colonial, onde se espancava e torturava até à mortes e onde ainda em 1973 se encontravam presos 1.049 africanos suspeitos do crime terrível de serem simpatizantes da Frelimo.


Salazar beija mão do cardeal Cerejeira  chefe da Igreja Católica portuguesa

Como foi possível que o regime salazarista se aguentasse quase meio século? Duas armas foram fundamentais, o terror policial e o condicionamento das mentes pela Igreja católica portuguesa, dirigida pelo seu amigo, o cardeal Cerejeira com quem conviveu na juventude durante 11 anos no
Centro Académico de Democracia Cristã, em Coimbra.

Portanto, em suma, uma boa indicação de que o essencial da terrível governação fascista não seria escamoteada seria a localização do tal museu, camuflado ou não com a designação de Centro de Interpretação do Estado Novo, no Aljube, no Forte de Caxias ou na Fortaleza de Peniche. Admito até que “a insuportável ignorância do povo de esquerda” tendesse a diminuir.

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2019-09-06

 

Bolsonaro foi ao bispo Edir Macedo da IURD para melhorar as sondagens

Dois negociantes num momento de grande investimento empresarial à custa do... "povo miúdo", dos trabalhadores e da classe média brasileira, os pagadores. Dois negociantes: o multimilionário bispo Edir Macedo fundador e proprietário da IURD a Igreja Universal do Reino de Deus e Jair Bolsonaro um desqualificado e inverosímil presidente da grande nação brasileira.

Bolsonaro foi este mês ao Templo de Salomão, em S. Paulo, para ser ungido pelo bispo Edir Macedo. Bolsonaro revelou-se um verdadeiro crente - até chorou! – na esperança de que o voto dos cerca de 2 milhões de crentes desta religião no Brasil, melhore as suas sondagens em declínio. 



Edir Macedo começou por ser católico mas depois pensou que por ali não iria longe e então criou uma religião nova onde misturou muito da religião católica com alguma coisa judaica e, de oração em oração, de negócio em negócio, chegou a multimilionário, com património avaliado em cerca de mil milhões de euros. É proprietário nomeadamente de importantes meios de comunicação social, do 3ª mais importante canal de TV do Brasil, de rádios, de jornais dedicados inteiramente a sintonizar a cabeça dos simples com a IURD. 
Já a contas com a Justiça, chegou a estar preso por lavagem de dinheiro e outras “obras de Deus” e a sua IURD e ele directamente estiveram implicados no tráfico de crianças em Portugal depois entregues a prelados casados mas sem filhos, incluindo a sua família. O bispo Macedo é um grande apoiante de Bolsonaro que é um seguro para os seus negócios e que este aproveita para o negócio dele - atrair uns votos de IURD’s. Isto e muito mais ao vosso dispor na internet.

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2019-09-02

 

O Museu Salazar em Santa Comba Dão para saudosas romarias




Excelente artigo de Helena Pereira de Melo 
(professora de Direito da Saúde e da Bioética da Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa). No Público de hoje

O dr Salazar

2 de Setembro de 2019, 3:12

Que boa ideia, a da Câmara de Santa Comba Dão, de construir um museu em homenagem a Oliveira Salazar. Um museu que o retrate a trabalhar, sentado no seu fauteuil, com os óculos sobre o nariz e uma manta nos joelhos… a despachar, quase ininterruptamente, os assuntos da governação de um Império, cujas províncias ultramarinas jamais visitou, a partir do Palácio de São Bento, onde havia um galinheiro no jardim. D. Maria, a sua fiel governanta, ajudava a filtrar as visitas dos poucos que lhe tinham acesso directo e a quem concedeu, ao longo dos anos, grandes benesses, aquém e além-mar.
As mulheres do Povo aclamavam-no nas suas aparições públicas: Professor de Finanças Públicas, solteiro, “casado” com a Nação, católico devoto e honesto, segundo a imagem dele construída e divulgada por António Ferro. O que pensava sobre elas é conhecido: deviam conservar-se na sombra e desempenhar a nobre função de reproduzir a valorosa raça lusitana enquanto cosiam as meias do marido. Inquietavam-no, como diz num dos seus discursos, as suas ânsias de emancipação, de estudar e trabalhar fora de casa… onde nos levariam?
Poriam em causa a família cujos membros tinham um papel bem definido (sim, menina também vestia rosa, no seu pensamento e menino azul, apesar de não ter escrito sobre o tema, de tão óbvio que era à data) e cada família o seu lugar bem determinado na sociedade portuguesa. Havia generais e magalas, senhoras e sopeiras, “famílias-como-as-nossas” e “as outras” com as quais só misturávamos sangue se, “apesar de recentes fossem ricas”, numa sociedade em que não eram necessários os cem anos de hoje para se mudar de classe social: tal simplesmente não era suposto acontecer.
Arquitetonicamente a Colónia Penal do Tarrafal aberta por Decreto-lei também assinado, em 1936, pelo Senhor Presidente do Conselho, António de Oliveira Salazar, não se afasta significativamente dos campos de concentração nazis. Era um dos campos para onde o Regime enviava quem ousasse pensar de forma diferente, os “presos políticos e sociais”. Havia covas no chão onde eram interrogados os detidos quando as temperaturas atingiam mais de quarenta graus centígrados. Péssimas, diriam hoje os defensores do regresso a um regime semelhante, as condições de trabalho de quem os interrogava! Um dos médicos do campo, Esmeraldo Prata, escreveu: “o meu trabalho não é tratar pessoas, mas assinar certificados de óbito”. O Campo esteve em funcionamento várias décadas… mais do que os campos de concentração da II Guerra Mundial?
Talvez a nostalgia do regresso à ordem representada por Salazar, expressa no adágio “Deus, Pátria, Família”, seja a nostalgia da boa ordem que nos acompanhou durante os longos tempos da Santa Inquisição primeiro e, mais tarde, da PIDE … O desejo, não do regresso de Dom Sebastião e do que este simbolizou (que utilidade teria um senhor de 24 anos que não saberia o que é o Twitter e a quem teríamos de explicar, pacientemente, o funcionamento da União Europeia?), mas sim de um regime ditatorial onde cada um teria o seu lugar numa estratificação social previamente delineada por alguns e onde seria possível enviar o vizinho ou colega de trabalho que detestássemos para um novo Tarrafal, apenas porque a sua presença nos incomoda.
Ou, talvez, o desejo de celebrar um protocolo de cooperação com São Tomé e Príncipe e de retomar a pena de degredo… rezam as nossas Leis que havia lá grandes lagartos que comiam os meninos, filhos dos Judeus expulsos, mal desembarcavam… Talvez, no museu dedicado à defesa dum regime ditatorial, seja de substituir a palavra “lagartos” por “crocodilos”. Convém que os visitantes saibam, com precisão, quem comerá os próximos grupos de cidadãos indesejados e a ostracizar na sociedade portuguesa.

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2019-08-31

 

A DEMOCRACIA NOS EUA EM 3 MINUTOS


Jornal  "OBSERVADOR"   ( lINK )
"Como Ocasio-Cortez desmontou e ridicularizou o sistema político norte-americano em cinco minutos.

" Alexandria Ocasio-Cortez tornou-se a mais jovem congressista de sempre dos EUA, com 29 anos


"Fez-se de desentendida e perguntou a um comité: há limites ao financiamento?"
_____________________
O Vídeo está legendado em Espanhol mas para quem tenha dificuldade com a língua está em Português a seguir.


Vamos jogar a perguntas e respostas. Vou fazer o papel de má e fazer a maior quantidade de maldades possível. Enriquecer a todo o custo ainda que seja à custa dos interesses dos cidadãos dos Estados Unidos.
Apresento-me ao Congresso.
Ocasio-Cortez:      Há algum impedimento legal a que a minha candidatura ao congresso seja totalmente financiada pelas grandes corporações
Resposta :   Não
Ocasio-Cortez:      Muito bem, portanto nada impede que a minha candidatura seja totalmente financiada pelas corporações do petróleo, seguradoras de saúde, farmacêuticas, isto é que seja financiada a 100% por lóbis . Muito bem.
Ocasio-Cortez:    Agora suponhamos que há alguns assuntos sujos no meu passado que quero ocultar para poder ser eleita.  Sr. Smith! Foi o Sr que escreveu este artigo: Os pagamentos a estas mulheres foram inapropriados mas nem por isso foram ilegais?
-   Sim confirmo. fui eu que escrevi.
Ocasio-Cortez  -   Então assim posso usar o dinheiro da minha campanha para pagar a certas pessoas para que estejam caladas e assim poder ser eleita.
Agora já eleita tenho o poder de legisla e dar forma às leis que regem os Estados Unidos. Fabuloso!
Há limites para impeçam que proponha leis que favoreçam os interesses financeiros que apoiaram a minha candidatura?
R – Não. Não há limites.
Ocasio-Cortez  -  Posso então ter sido financiada inteiramente por petrolíferas, farmacêuticas e depois fazer leis sobre petrolíferas e farmacêuticas sem nenhum limite. Isto é excelente. Má como sou o que quero é enriquecer com o menor esforço possível. Pergunto: há algo que me impeça de, como congressista, ter acções de companhias que com legislação possa  desregular para aumentar o seu valor no mercado e assim ganhar muito dinheiro?
R – Poderia fazê-lo.
Ocasio-Cortez – Posso fazê-lo com a legalidade vigente?
-  Sim
P – É possível que qualquer dos elementos desta história se aplique ao nosso governo e à Câmara de Representantes actual ?
R– Sim
Ocasio-Cortez: Então temos um regime político apodrecido. A legislação que regula o Congresso é mais ou menos restritiva que a que regula o Presidente da República?
R – Em relação ao Presidente não há nenhuma restrição.
Ocasio-Cortez  - Então qualquer congressistas passa por filtros éticos mais exigentes do que o Presidente?
Assim é .
Muito Obrigada.

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O que diz a Wikipedia desta jovem congressita norte-americana:

" Alexandria Ocasio-Cortez (Nova Iorque, 13 de outubro de 1989) é uma política, ativista e organizadora comunitária dos Estados Unidos, atualmente é membro da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos por Nova Iorque.
Americana de ascendência porto-riquenha que cresceu em bairro de classe trabalhadora,[1] venceu a primária para o 14º Distrito de Nova Iorque pelo Partido Democrata usando um discurso a favor das minorias sociais e pró-imigração, com uma campanha de baixo orçamento baseada em doações.
Ocasio-Cortez autointitula-se uma socialista democrática e faz parte do grupo interno DSA (Democratic Socialists of America) do Partido Democrata, grupo que apoiou a pré-candidatura do senador Bernie Sanders na eleição presidencial nos Estados Unidos em 2016
A atriz e ativista Cynthia Nixon, também democrata e autointitulada socialista que concorreu na primária do partido para governadora de Nova Iorque, inspirou-se em Ocasio-Cortez e disse que ela desafiou o establishment democrata e fez campanha pelos democratas progressistas contra os "democratas corporativistas".[2][3][4][5]
Ocasio-Cortez derrotou o deputado e presidente do "caucus" democrata da Câmara de RepresentantesJoseph Crowley, ao vencer a primária para o 14º distrito de Nova York no que foi considerado a maior surpresa das primárias para as eleições para o Congresso dos Estados Unidos em 2018.[6][7] Uma vez no cargo de congressista, Cortez passou a apoiar uma agenda política voltada em defender a implementação de um sistema de saúde universal nos Estados Unidos, leis de segurança laboral a nível federal, licença parental para trabalhadores, estabelecimento de um "Green New Deal", abolição da Agência de Imigração e Fiscalização Aduaneira do governo, mais acesso a universidades e escolas públicas, projetos de infraestrutura voltados para energias renováveis e aumento de impostos para os mais ricos.[8][9]

2019-08-14

 

Contra Museu Salazar

Carta de 204 ex-presos políticos


Exmo. Senhor Primeiro-Ministro
Exmo. Senhor Presidente da Assembleia da República
Lisboa, 12 de Agosto de 2019

Os abaixo-assinados, ex-presos políticos, manifestam, em nome próprio e no da memória de milhares de vítimas do regime fascista – de que Salazar foi principal mentor e responsável – o mais veemente repúdio pelo anúncio da criação de um “Museu Salazar” feito pelo Presidente da Câmara de Santa Comba Dão e apelam ao Governo para que, em conformidade com o relatório aprovado por unanimidade, em Julho de 2008, pela Comissão de Assuntos Constitucionais da Assembleia da República e com normas da Constituição da República Portuguesa, intervenha para impedir a concretização desse projecto que, longe de visar esclarecer a população e sobretudo as jovens gerações sobre o que foi o regime fascista, se prefigura como um instrumento ao serviço do seu branqueamento e um centro de romagem para os saudosistas do regime derrubado com o 25 de Abril. Quando em muitos países se assiste ao renascer de forças fascistas e fascizantes, o país precisa, não de instrumentos de propaganda do fascismo – que a Constituição da República expressamente proíbe – mas de meios de pedagogia democrática que não deixem esquecer o cortejo de crimes do fascismo salazarista e preserve a memória das suas vítimas.

Os abaixo-assinados apelam ainda a todos os democratas e amantes da liberdade que se manifestem contra a criação, nos termos em que tem vindo a ser anunciado, desse memorial ao ditador.

Adelino Pereira da Silva, Afonso Rodrigues, Aguinaldo Cabral, Aguinaldo Espada de Oliveira Santos. Albertino Almeida, Alberto Borges, Alexandre Jorge Almeida, Alexandre José Pirata, Alfredo Caldeira, Alfredo Guaparrão, Alfredo de Matos, Alice Capela. Álvaro Monteiro, Álvaro Pato, Américo Joaquim Brás, Américo Leal, Ana Abel, António Almeida, António Antunes Canais, António Borges Coelho, António Caçola Alcântara, António Cerqueira, António Espirito Santo, António Gervásio, António Graça, António Inácio Baião, António José Baltazar Condeço, António Lenine Moiteiro, António Melo, António Pedro Braga, António Ramalho Alcântara, António Redol, António Rodrigues Canelas, António Rodrigues Correia, António Santos, António Santos Pereira, António Velhinho Ventura, Armando Cerqueira, Arménio Marques Gil, Arnando de Lacerda, Artur Monteiro de Oliveira, Artur Pinto, Aurélio Pato, Aurora Rodrigues, Bárbara Judas, Camilo Mortágua, Carlos Brito, Carlos Campos Rodrigues Costa, Carlos Coutinho, Carlos Marum, Carlos Myre Dores, Carlos Oliveira Santos, Clemente Alves, Conceição Matos, Cristiano de Freitas, Daniel Cabrita, Danilo Matos, Diana Andringa, Domingos Abrantes, Domingos Lopes, Domingos Pinho, Duarte Nuno Clímaco Pinto, Eduardo Baptista, Eduardo Ferreira, Eduardo Meireles, Elídia Rosa Caeiro, Emília Brederode, Encarnação Raminho, Estevão A. P. Caeiro Oca, Eugénia Varela Gomes, Eugénio Ruivo, Feliciano David, Fernando Almeida Simões, Fernando Baeta Neves, Fernando Chambel, Fernando Correia, Fernando Cortez Pinto, Fernando Flávio Espada, Fernando Martins Adão, Fernando Miguel Bernardes, Fernando Rosas, Fernando Vicente, Filipe Augusto Neves do Carmo, Filipe Mendes Rosas, Firmino Martins, Francisco Braga, Francisco Bruto da Costa, Francisco Carrasco dos Santos, Francisco do Carmo Martins, Francisco Lobo, Francisco Melo, Francisco Nilha Jorge, Francisco Silva Alves, Graça Érica Rodrigues, Helena Cabeçadas, Helena Neves, Helena Pato, Herculano Neto Silva, Humberto Rui Moreira, Isabel do Carmo, Jaime Fernandes, Jaime Serra, João Augusto Aldeia, João Carrasco Caeiro, João Queirós, João Viegas, Joaquim Barata, Joaquim Henrique Rodrigues, Joaquim Jorge Araújo, Joaquim Judas, Joaquim Labaredas, Joaquim Monteiro Matias, Joaquim P. Pinto Isidro, Joaquim Santos, Jorge Carvalho, Jorge Querido, Jorge Neto Valente, Jorge Seabra, Jorge Vasconcelos, José A . Guimarães Morais, José Carlos Almeida, José Eduardo Baião, José Eduardo Brissos, José Ernesto Cartaxo, José Guimarães Morais, José Jaime Fernandes, José Lamego, José Leitão, José Luís Machado Feronha, José Manuel Serra Picão de Abreu, José Marcelino. José Mário Branco, José Marques, José Oliveira, José Revés, José Ribeiro Sineiro, José Teodósio Cachochas, José Pedro Soares, Justino Pinto de Andrade, Laura Valente, Luís Firmino, Luís Fonseca, Luís Moita, Luís Figueiredo, Luísa Oliveira, Manuel Candeias, Manuel Custódio Jesus, Manuel Ferreira Gonçalves, Manuel Henriques Estevão. Manuel José Brás, Manuel Pedro. Manuel Pedro Baião, Manuel Policarpo Guerreiro, Manuel Quinteiro Gomes, Manuel Ruivo, Manuel dos Santos Guerreiro, Manuela Bernardino, Maria da Conceição Moita, Maria Custódia Chibante, Maria Dulce Antunes, Maria Emilia Miranda de Sousa, Maria Fernanda Almeida Marques, Maria Fernanda Dâmaso Marques, Maria da Graça Marques Pinto. Maria Guilhermina Ferreira Galveias, Maria Helena Rocha Soares, Maria Hermínia de Sousa Santos, Maria Isabel Areosa Feio de Barros, Maria João Gerardo, Maria José Pinto Coelho da Silva, Maria João Lobo, Maria José Ribeiro, Maria Luíza Sarsfield Cabral, Maria de Lurdes Clarisse, Maria Lourença Cabecinha, Maria Margarida Barbosa de Carvalho Pino, Mário Abrantes, Mário Araújo, Mário de Carvalho, Mário Lino. Matilde Bento, Miguel Guimarães, Miriam Halpern Pereira, Modesto Navarro, Nozes Pires, Nuno Luís Silva. Nuno Pereira da Silva Miguel, Nuno Potes Duarte, Óscar Vieira, Osvaldo Osório, Paula Correia, Pedro Borges, Ramiro Rodrigues Morgado, Raúl Carvalho, Sara Amâncio, Saúl Nunes, Sérgio Ribeiro, Sérgio Valente, Teresa Dias Coelho, Teresa Tito de Morais, Úrsula da Conceição Farinha, Vasco Paiva, Violante Saramago Matos, Vítor Dias, Vítor Zacarias.

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2019-08-06

 

GARCIA LORCA em LLANTO POR IGNACIO SÁNCHEZ MEJÍAS

Inacio Sanchez Mejia (Sevilha6 de junho de 1891 — Madrid13 de agosto de 1934) foi um toureiro, escritor e dramaturgo espanhol. Amigo de alguns dos grandes nomes da intelectualidade espanhola de então, foi tolhido na arena e morto pelo touro que toureava.

A sua morte teve grande repercussão em Espanha mas de todas as referências à sua morte trágica sobressaiu o famoso e belíssimo poema do seu amigo, o grande poeta, Federico Garcia Lorca que, aliás, não era um aficionada de touradas, :  LLANTO POR IGNACIO SÁNCHEZ MEJÍAS.
Da esq p a dir: Salvador Dali, Lorca e Jose "Pepin" Bello

Lorca
 teria, dois anos depois, um fim trágico -
mandado fuzilar por Franco - por ser um opositor do seu golpe militar e da ditadura franquista e um defensor do regime republicano e democrático que este derrubou dando origem à terrível guerra civil espanhola com mais de 500 mil mortos. Franco venceu com o apoio de Hitler e Mussolini e teve a colaboração de Salazar.


O célebre poema de Lorca tem 4 partes:
 
1 - La Cogida y la Muerte, 2 - La sangre Derramada, 3 - Corpo Presente, 4 - Alma Ausente.

LLANTO POR IGNACIO SÁNCHEZ MEJÍAS (1935) 

LA COGIDA Y LA MUERTE 

A las cinco de la tarde. 
Eran las cinco en punto de la tarde. 
Un niño trajo la blanca sábana 
a las cinco de la tarde. 
Una espuerta de cal ya prevenida 
a las cinco de la tarde. 
Lo demás era muerte y sólo muerte 
a las cinco de la tarde. 

El viento se llevó los algodones 
a las cinco de la tarde. 
Y el óxido sembró cristal y níquel 
a las cinco de la tarde. 
Ya luchan la paloma y el leopardo 
a las cinco de la tarde. 
Y un muslo con un asta desolada 
a las cinco de la tarde
Comenzaron los sones del bordón 
a las cinco de la tarde. 
Las campanas de arsénico y el humo 
a las cinco de la tarde. 
En las esquinas grupos de silencio 
a las cinco de la tarde. ¡
Y el toro solo corazón arriba! 
a las cinco de la tarde. 
Cuando el sudor de nieve fue llegando 
a las cinco de la tarde, 
cuando la plaza se cubrió de yodo 
a las cinco de la tarde, 
la muerte puso huevos en la herida 
a las cinco de la tarde. 
A las cinco de la tarde. 
A las cinco en punto de la tarde. 

Un ataúd con ruedas es la cama 
a las cinco de la tarde. 
Huesos y flautas suenan en su oído 
a las cinco de la tarde. 
El toro ya mugía por su frente 
a las cinco de la tarde. 
El cuarto se irisaba de agonía 
a las cinco de la tarde. 
A lo lejos ya viene la gangrena 
a las cinco de la tarde. 
Trompa de lirio por las verdes ingles 
a las cinco de la tarde. 
Las heridas quemaban como soles 
a las cinco de la tarde, 
y el gentío rompía las ventanas 
a las cinco de la tarde.
A las cinco de la tarde. 
¡Ay, qué terribles cinco de la tarde! 
¡Eran las cinco en todos los relojes! 
¡Eran las cinco en sombra de la tarde! 


LA SANGRE DERRAMADA 

¡Que no quiero verla! 

Dile a la luna que venga, 
que no quiero ver la sangre 
de Ignacio sobre la arena. 

¡Que no quiero verla! 

La luna de par en par. 
Caballo de nubes quietas, 
y la plaza gris del sueño 
con sauces en las barreras.

¡Que no quiero verla! 
Que mi recuerdo se quema. 
¡Avisad a los jazmines 
con su blancura pequeña! 

¡Que no quiero verla! 

La vaca del viejo mundo 
pasaba su triste lengua 
sobre un hocico de sangres
 derramadas en la arena, 
y los toros de Guisando, 
casi muerte y casi piedra, 
mugieron como dos siglos 
hartos de pisar la tierra. 
No. 
¡Que no quiero verla! 
.....................

O resto do poema está no fim do texto de Osvaldo Rodriguez que discorre sobre ele, aqui:

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2019-07-12

 

SARAH AFFONSO

SARAH AFFONSO - A Arte e o Minho da sua infância e inspiração.

Inaugura-se hoje 2010-07-12 no Museu Gulbenkian até 2019-10-07 a exposição: 

Sarah Affonso e a Arte Popular do Minho 

 (Na imagem Sarah com Almada)

" Esta exposição explora a relação entre a obra de Sarah Affonso e a arte popular do Minho. Muitas vezes recordada como a mulher de Almada Negreiros, pretende-se aqui evocar Sarah Affonso como uma artista modernista reconhecida com um percurso próprio, de notável qualidade.
O Museu Gulbenkian celebra o 120.º aniversário do nascimento de Sarah Affonso, pintora portuguesa modernista cuja obra tem sido muito pouco investigada e exposta. Muitas vezes recordada como a mulher de Almada Negreiros, é uma artista de nome reconhecido e tem um percurso próprio, de assinalável  qualidade, que aqui nos propomos revisitar.            
Esta exposição centra-se na particular relação de Sarah Affonso (1899-1983) com a arte e a cultura popular do Minho, que tão fortemente a marcou desde os anos da sua infância e  adolescência em Viana do Castelo, entre 1904 e 1915.     
Destes anos, a artista guardará na memória o especial caráter da terra minhota, das suas tradições, das feiras, procissões e romarias que ganham protagonismo na sua obra a partir de 1932-1933.
Apesar do retrato ter sido a grande marca autoral da sua obra, a artista abandona este registo, preferindo integrar determinados aspetos do vernáculo minhoto nas suas composições.A exposição apresenta, em paralelo, as obras de Sarah Affonso com os objetos cerâmicos, têxteis, de ourivesaria, que formam parte do léxico visual que a inspirou e onde se incluem empréstimos de museus e colecionadores portugueses. O Museu Calouste Gulbenkian associa-se ao Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado, que assinala este aniversário com uma exposição sobre a artista, a inaugurar em setembro deste ano.
Curadoria: Ana Vasconcelos"
___________________________________
Obras de Sarah Affonso:








                                                                                                            .
             As Meninas

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2019-06-10

 

"Eu acuso LULA É CULPADO"

Roberto Requião, foi senador do Movimento Democrático Brasileiro - MDB e acusa: Lula é culpado. De facto Lula fez coisas que as elites do dinheiro não podem perdoar. É culpado, culpado, culpado.

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2019-05-26

 

IEMEN - A GUERRA ESCONDIDA

O que se segue escrevi-o no Facebook em 2018-09-06 mas para ficar mais à mão e eventual consulta trouxe o escrito para aqui.


IEMEN - A GUERRA ESCONDIDA
Raimundo Narciso    6 de Setembro às 17:50 · 

A maior parte da informação que a comunicação social nos oferece não revela as causas nem a natureza da devastadora guerra que assola o Iemen. "Explica" que se trata de uma guerra civil religiosa entre iemenitas sunitas e iemenitas shiitas quando na realidade, sem escamotear contradições e disputas internas entre grupos e partidos políticos, se trata desde 25 de Março de 2015 de uma guerra de agressão da Arábia Saudita pelo controlo político do Iemen com o apoio logístico, peritos, armas e informações dos EUA, Reino Unido, França, Emirados Árabes Unidos...
Um regime republicano no Iemen para mais após os partidos terem chegado a acordo sobre novas eleições e sobre a promoção da igualdade entre homens e mulheres, decisão de ter 30% de mulheres no Governo e outras medidas “escandalosas” de igualdade de género, tudo isto era um afronta e péssimo exemplo a um país propriedade da família Saud para mais com fronteira comum com o escandaloso Iemen. 
A ONU considera a situação no Iemen, o país mais pobre do mundo árabe, como a maior crise humanitária global em curso atualmente. Considera que 22 milhões de pessoas estão em situação de grande vulnerabilidade. 
O número de civis mortos nestes 3 anos pelos bombardeamentos da Arábia Saudita são estimados, conforme diferentes avaliações, entre 10 e 20 mil.
A Arábia Saudita estabeleceu um bloqueio ao país que impede a ajuda humanitária e impede que bens básicos, como comida, gás de cozinha e medicamentos, cheguem a 70% da população iemenita.
Os ataques aéreos sauditas contra alvos civis indiscriminados e infraestruturas essenciais criaram uma situação que a ONU caracteriza como catastrófica. Destruíram o sistema de saúde do país, dificultando o combate a uma grave epidemia de cólera. que atinge mais de um milhão de pessoas e que até Dezembro de 2017 já matara 2.196 pessoas
Mais de 20 milhões de pessoas, incluindo 11 milhões de crianças, precisam de ajuda humanitária imediata. Há 7 milhões de pessoas dependentes de ajuda para comer e 400 mil crianças sofrendo de desnutrição. Cerca de 2 milhões de iemenitas viram suas casas detruídas e cerca de 200 mil conseguiram fugir do país.
Mas há grandes interesses envolvidos que “vivem” precisamente de mortos, feridos, destruições de cidades e outras bagatelas: os vendedores de armas, em primeiro lugar os EUA. Uma pesquisa da ONG War Child UK informa que só as empresas britânicas desde o início desta guerra teriam lucrado com a venda de armas à Arábia Saudita cerca de 7 mil milhões de euros.
Mas que guerra é esta? Quem está envolvido, que objectivos prossegue, como e quando começou?
Eis o que nos dizem - assertivamente - o ex-diplomata do Iemen em Paris, SADEK Al SAAR e o general iemenita YAHYA SALEH na sua passagem por Lisboa, em 22 de Novembro de 2017, entrevistados por José Manuel Rosendo que publicou as entrevistas no seu blogue "Meu Mundo minha Aldeia" aqui:
http://meumundominhaaldeia.blogspot.com/2017/11/
Lisboa, em 22 de Novembro de 2017, entrevistados por José Manuel Rosendo que publicou as entrevistas no seu blogue "Meu Mundo minha Aldeia" aqui:
http://meumundominhaaldeia.blogspot.com/2017/11/
9 comentários  50 partilhas

Odete Pinto Muito obrigada pelas informações que tanto escasseiam na nossa miserável comunicação social.
Victor Moura Partilhei, espero que não haja inconveniente...
Penso que o assunto está dentro do segredo de Estado
José Guerreiro A desinformação sobre esta guerra ,poderá dizer-se mesmo,por este genocídio,é vergonhosa,irei partilhar.
Henrique Moreira Este importante ponto de situação respeitante ao Iemen merece a partilha que vou fazer.
 · Responder · 2 sem · Editado
Catarina Passinhas
Quem nos dera mais Embaixadores que falem defendendo o seu Povo.
Maria Faustina Fonseca As televisões só dizem o que a direita fascista lhes deixam dizer!!!
José Luís S. Curado
José Luís S. Curado Excelente documento.
Amilcar Costa EUA e Seus Vassalos da NATO São Amigos dos Corruptos da Monarquia Sangrenta e Terrorista da Arábia Saudita...

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