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2015-04-15

 

Fiquem agora a saber o que é uma LOIRA EM MOVIMENTO!

Desde Bertolt Brecht que tínhamos uma "Mãe Coragem" e agora temos também uma "Filha Coragem" ou uma "Miúda Coragem". Com um salto a preceito e um grito bem gritado "Parem a ditadura do BCE" derrubou Draghi e paralisou Constâncio.


“End the ECB dick-tatorship” (“Acabem com a ditadura do BCE”, em que a palavra dick remete também para "idiotas" ou "pénis") gritou várias vezes uma manifestante que lançou um monte de "confetti" para o ar durante uma conferência do BCE. Mario Draghi (presidente do BCE) e Vítor Constâncio (vice-presidente do BCE) não conseguiram esconder um ar assustado perante este protesto pacífico.www.publico.pt/n1692479
Posted by Público on Quarta-feira, 15 de Abril de 2015

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Mulher voadora derruba o BCE

Depois disto o BCE passa a ser obrigado - espero eu - a emprestar directamente aos Estados em vez de emprestar aos bancos privados para estes emprestarem aos Estados e assim sacarem injustamente milhões e milhões ao contribuinte, em juros. (Artigo 123º do Tratado de Lisboa)
 
 
"PAREM A DITADURA DO BCE" grita a MULHER. E assim reduz a nada o preconceito acerca das LOIRAS.
E como ela salta !! - ASSALTA - o BCE
Como uma miúda derruba o BCE. Ah ganda mulher
O Constâncio também está todo acagaçado
  PAREM A DITADURA DO BCE, PAREM A DITADURA DO BCE, PAREM A DITADURA...
 

 Agora foi assim mas para a próxima levam mais


 
 
Ganhei, ganhei sim senhor, seus grandes parvalhões. E têm que me levar ao colo. Parem a ditadura da austeridade.

2015-04-14

 

A Islândia pondera tirar aos bancos o poder de criarem dinheiro do nada

Não sou especialista em finanças e de MOEDA sei apenas o que tenho lido por aí. E o que tenho lido é que...(ver aqui em baixo, a seguir aos extratos do artigo sobre a Islândia)

Islândia pondera tirar aos bancos o poder de criarem dinheiro.

- Artigo de Sérgio Aníbal no Público de ontem -
 
« A Islândia foi um dos países que mais sofreu com o facto de ter deixado o seu sector bancário crescer descontroladamente. Por isso, não surpreende que agora seja nesta ilha de 300 mil habitantes conhecida por não ter medo de inovar que se esteja a ponderar a reforma mais radical do sistema financeiro. Uma reforma que foi apresentada por uma comissão parlamentar a pedido do primeiro-ministro islandês e que retiraria aos bancos o poder de criar dinheiro, fazendo-os recuar para um tipo de funcionamento que já não conhecem desde o século XIX.
A primeira coisa que é preciso perceber para compreender o alcance daquilo que está a ser ponderado na Islândia é que os bancos comerciais, e não somente os bancos centrais, têm desde o final do século XIX o poder de criar mais ou menos dinheiro. É verdade que são os bancos centrais que emitem as notas e as moedas. Mas, os bancos comerciais, quando decidem fazer um empréstimo a uma empresa para esta investir ou quando financiam alguém a comprar uma casa, fazem na prática com que mais dinheiro entre em circulação na economia.
....
« Já nos anos 30 do século passado, depois da Grande Depressão, um grupo de economistas norte-americanos liderado por Irving Fisher tinha feito a mesma proposta de passar para o Estado todo o poder de criar dinheiro.
No ano passado, o colunista do Financial Times, Martin Wolff tinha defendido o mesmo tipo de estratégia, acrescentando que tal daria ainda aos Estados uma enorme fonte de receitas, que lhes daria espaço de manobra para reduzir a carga fiscal.
...
« O debate teórico em relação a esta matéria promete ser cada vez mais animado depois do aparecimento desta proposta. Mas como em muitos outros casos, dificilmente conduzirá a uma conclusão definitiva. Será que a Islândia e os seus 300 mil habitantes estão dispostos a passar esta ideia à prática e servir de experiência viva para os outros países? »
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NOTA: Sobre o funcionamento dos bancos e como é criada a moeda nem a escola nem a comunicação social diz uma palavra e assim é porque não convém que o ZÉ PAGA TUDO saiba afinal aquilo que só deve ser conhecido por que tem dinheiro suficiente para criar um banco e pelos seus empregados de luxo, nossos concidadãos de muito alimento e cujos bons serviços são pagos acima dos 100 mil euros mensais entre remuneração fixa (não cai bem designar por salário o que é ganho por estes senhores )  prémios, prebendas, cartões, férias...
 
Os bancos estão autorizados, de acordo com certas regras, variáveis de país para país, a emprestar dinheiro que criam, registando-o nas suas contas, no momento do empréstimo. Com esse dinheiro criado do nada ganham milhões em juros que são pagos indiretamente por toda a população.
Os bancos estão autorizados a emprestar até 9 vezes (ou 20 ou 30 conforme os países, a época ou falta de regulamentação e controlo) o dinheiro que possuem, o seu capital social, depositado no Banco Central. 
Por outro lado os bancos estão autorizados a emprestar, aqui e agora, 90% do dinheiro que cada cliente lá deposita, ganhando com o dinheiro alheio, um jurozinho igual à diferença entre o juro que cobra a quem empresta e o juro que paga ao Zé depositante pelo dinheiro que lá depositou, sem lhe pedir autorização para tal.

Imaginemos um caso simples: o banco XPTO possui 10 mil milhões de euros. Está autorizado, a emprestar até 90 mil milhões. Autorizado por leis feitas a seu mando ao longo da história do capitalismo, pois são eles que efetivamente condicionam, isto é, mandam, nos governos que elegemos, Imaginemos que emprestam esse dinheiro por dez anos, a uma taxa de 5% ao ano.
O banco, isto é, os capitalistas donos dos bancos, passam a ganhar por ano, em juros, de dinheiro que não possuem, de dinheiro que tiraram da cartola com um truque de magia, 4.500 milhões de euros, dos quais, digamos, 10% ou seja 450 milhões são para pagar aos funcionários, a renda das instalações, despesas de funcionamento e ainda, digamos, uns 50 milhões, 1%, no nosso exemplo, para remunerar  principescamente os membros do conselho de administração, os seus empregados de luxo e cúmplices nestas artes mágicas do capitalismo financeiro.
 
Quando ao fim de 10 anos os 90 mil milhões forem pagos ao banco este, tal como os criou do nada, devolve-os ao nada, anula no balanço o registo que os tinha criado. Anula-os como? queima as notas? Não, risca o valor no sistema informático, no folha excel. As voltas que os 90 milhões deram não necessitaram de notas em papel nem moedas em cobre a não ser numa quantidade mínima. É tudo registo informático, cheques, pagamentos por multibanco, etc. Entretanto os 40 mil milhões de juros obtidos em 10 anos que sobram após o pagamento do funcionamento do banco vão para o bolso dos seus donos, a nobreza embuçada dos nossos dias. Nobreza nem mais nem menos reles que a outra a nobreza de sangue, a diferença é que a antiga exibia a riqueza e poder para assustar e assim se defender e dominar e esta esconde tudo porque a plebe foi organizando revoluções e ganhando força neste meio tempo.
Que remédio para este roubo institucionalizado permitido aos multimilionários donos de um banco? Talvez aquilo que a Islândia vai fazer. Ou com a nacionalização dos bancos. E com governos que não governem às ordens dos antigos donos dos bancos nacionalizados.

Conclusão: é necessária muita luta e muita determinação para se ir desfazendo a ordem rapace tricotada ao longo de séculos pelas elites do dinheiro. E será possível? A História diz-nos que sim. Há 500 anos Portugal era o país mais escravocrata da Europa e em Lisboa e noutras cidades 10% da população era escrava e foi possível acabar com a escravatura.
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O artigo completo sobre a Islândia está aqui e também aqui para o caso de desaparecer dali.

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2015-04-08

 

Quem é afinal esse perigoso Yanis Varoufakis que atormenta os nossos queridos governos?

A revista Courrier Internacional deste mês traz um artigo intitulado "O teórico dos jogos que conduz a revolta dos académicos", excertos de um trabalho de James Bone, da revista londrina Prospect, datado de 2015-02-19, que aqui mais abaixo, através de "digitalizados" da revista, reproduzo e nos revela a natureza do "abominável" ministro das finanças grego.
 
 
 
YanisVaroufakis (54 anos) com a mulher Danae Stratou, (50) em sua casa. Uma das célebres fotos do Paris Match muito criticada pelos filisteus do "establishment" troicano porque um "perigoso esquerdista" devia viver num bairro social pobrezinho e com uma mulher feia.
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Yanis Varoufakis é o porta estandarte de um governo de ilustres académicos e cientistas: seis economistas, um matemático, um  professor emérito de Filosofia, um professor de Direito e outro de Relações Internacionais. « É o gabinete com maior formação académica da Europa» diz o artigo do Courrier Internacional. Por outro lado Varoufakis tem um currículo invejável com obra de referência publicada e foi professor em universidades do Reino Unido, dos Estados Unidos, da Grécia e da Austrália. Ora isso além de um perigo é uma ofensa para os borgessos que governam a Europa e em especial os que governam a infeliz Lusitânia. 



 





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2015-04-06

 

Teixeira dos Santos ministro das Finanças de Portugal ou dos Bancos?

Teixeira dos Santos esteve hoje na TVI a explicar como, na qualidade de ministro das finanças, traiu o 1º M José Sócrates, a conselho dos bancos e por convicção própria. Submeteu assim o país à humilhante e dramática intervenção da troica. O 1ºM dizia que não queria governar com o FMI cá dentro a mandar. Passos Coelho em nome da facção neoliberal do PSD, punha-se em bicos de pés, oferecia-se aos credores e aos mercados e ufano, anunciava "eu governo com o FMI! Eu governo com o FMI !!". E governou e governa. Para o FMI, para o BCE e para a UE às ordens da Alemanha de Merkel. Com a ajuda do PSD, do CDS e o apoio do PCP e do BE que chumbaram o voto de confiança no Parlamento.
Pode-se dizer que o PEC IV não levaria a lado nenhum e que a troica era inevitável. Não se sabe. É mera presunção da direita e dos que se comprometeram com ela. Poder-se-ia dizer o mesmo de Espanha que estava em condições idênticas às de Portugal. Mas a Espanha não tinha lá um Passos Coelho e um Portas ansiosos por governar mesmo que às ordens do FMI e... não quis a troica.
Teixeira dos Santos veio à TVI dizer como trocou a sua obediência ao 1º M pela obediência à banca (e à sua consciência !) que é suposto não terem ido a votos para governar Portugal. E como se sabe a agiotagem financeira confunde os interesses do país com os interesses dos oligarcas donos dos bancos e com as remunerações dos seus administradores acima, sempre acima, "Deus é grande", dos 100 mil euros mensais.

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2015-04-04

 

Silva Lopes: o oposto deste Governo e deste PR

Agora que Silva Lopes morreu e já não pode continuar a fustigar as políticas do governo e do presidente da República estes querem beneficiar do seu prestígio celebrando o grande economista e a sua obra.
Revisitemos algumas das suas opiniões que Cavaco e Passos gostariam de esquecer:
Jornal de Negócios 2013-11-12“O Acordo da troika tem sido um falhanço completo”
O economista critica o entusiasmo gerado em torno dos números do desemprego e das exportações e defende que as políticas de austeridade não conduziram Portugal a lado nenhum.
É um ciclo vicioso de austeridade. O governo e a troika não querem reconhecer esse ciclo vicioso…”,
... Quanto ao desemprego, confessa, “fico pasmado em se ter festejado”, já que acredita que a descida do desemprego deve-se sobretudo ao aumento do número de portugueses que “foram procurar trabalho lá fora”.
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Jornal de Negócios 2013 06 07:  José da Silva Lopes, numa conversa sobre as dificuldades do País. "Se tivesse poder, acabava com os paraísos fiscais, criava um orçamento federal e punha o BCE a fazer o mesmo que a Reserva Federal."
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“Dinheiro Vivo, [2013-03-16] O ex-ministro das Finanças [Silva Lopes] diz que “não vê mal nenhum” que as pensões elevadas possam sofrer um corte de 90%. [falava daquelas acima dos 20 e 30 mil €/mês.] “Sou a favor de grandes cortes nas pensões. E por mim gostaria muito, …”, afirmou Silva Lopes, assinalando que esta posição vai “contra o meu próprio interesse”.
“O ex-ministro das Finanças critica Filipe Pinhal, pelo facto de o ex-presidente do BCP classificar de “extorsão” o corte na sua pensão.” Extorsão é o rendimento que lhe atribuíram. Quando se atribui a um tipo um rendimento de 20 ou 25 mil euros num país onde há gente que tem reformas de 400 euros, isso não é extorsão? Claro que é extorsão”, referiu.
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Silva Lopes DENUNCIA A CORRUPÇÃO E A GRANDE DESIGUALDADE
Jornal de Negócios 2014-03-25  "… Somos um país bastante corrupto…”
«O ex-ministro afirmou também que Portugal é "um país profundamente desigual".»
"Temos um dos níveis de desigualdade maiores da Europa … e principalmente não temos organizações nem instituições para combater estes problemas", declarou Silva Lopes.
"Vemos a corrupção campear em frente por aí e não se ataca como deve ser. “…Cá damos liberdade a todos os delinquentes", disse, acrescentando que "fomos longe demais nessas coisas, na protecção dos delinquentes". (Refere-se a BPN e outros que tais)
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JN 2013 08 01: José Silva Lopes diz ser “ferozmente contra” a proposta que está sobre a mesa de reduzir a taxa de IRC, argumentando que, no contexto actual em que Portugal tem de anular défices, o custo orçamental da medida acabará por ter de ser compensado por outros sectores da sociedade.
Em entrevista quarta-feira à noite à SIC-Notícias compara a descida dos impostos sobre os lucros das empresas, como foi proposta pela comissão presidida por António Lobo Xavier, às mexidas que chegaram a ser pensadas para a TSU, considerando que se irá traduzir numa “transferência de rendimento” a favor sobretudo das grandes empresas...
 “Esses 300 milhões de euros vão ter de se ir buscar a algum lado”, diz, especulando que o mais provável é que essa perda de receita fiscal seja compensada por cortes nos apoios sociais e salários no Estado.
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PAUL KRUGMAN
JN 2015-04-03 O NOBEL DA ECONOMIA em 2008, PAUL KRUGMAN, escreveu um texto disponibilizado no "site" do New York Times .
Paul Krugman conheceu, relata o próprio, o então governador do Banco de Portugal quando em 1976 passou o Verão a trabalhar no Banco de Portugal com um grupo de estudantes do MIT. Paul Krugman, em 2013 escreveu sobre a sua experiência em Portugal
"Deixem-me acrescentar que trabalhar com Silva Lopes … um bom humor infalível e inteligente - foi dos pontos mais altos de toda a história".
 

2015-03-26

 

Cristina Semblano desmascara Cavaco a vender gato por lebre em Paris

O artigo saiu hoje no Público e denuncia  a propaganda que Cavaco Silva - um PR sem idoneidade política nem moral - andou a fazer por Paris na sua recente visita ao país do falhado Hollande.
Pelo sua análise política Cristina Semblano merece parabéns.
 
Cristina Semblano é economista, lecciona Economia Portuguesa na Universidade de Paris IV – Sorbonne; autarca na região de Paris -
 
Foi um Presidente da República em campanha eleitoral por conta do Governo português, ou das forças políticas que o sustentam, que vimos em Paris. Um Presidente da República cujo optimismo é inversamente proporcional à situação dramática em que se encontra o país, um país que se despoja das suas forças vivas, das suas empresas estratégicas, dos seus serviços públicos. Um país que, ao mesmo tempo que aponta a porta de saída aos seus filhos, abre as pernas ao capital estrangeiro para que invista no que ele desinveste e gaba aos potenciais turistas o sol, o mar e a hospitalidade de um povo que põe de joelhos e/ou condena ao exílio.
Houve primeiro o discurso sobre o crescimento de 2% ultrapassando as expectativas internas e internacionais, o equilíbrio das trocas externas e a proeza de o país conseguir financiamento a baixas taxas de juro. Como se o crescimento, a realizar-se, não devesse ser comparado à contracção dos anos do memorando, como se a quebra das importações induzida pela contracção do consumo interno e do investimento não fosse chamada para explicar o frágil equilíbrio das trocas externas, como se as taxas de juro a que o país se financia nos mercados não fossem imputáveis à política monetária do BCE e à sua garantia.
Esse país a que o Presidente da República aludiu  que acabou com sucesso o programa de ajustamento, tem hoje uma economia mais sustentada e poderá desde este ano começar a reduzir o peso da dívida no PIB  não é, seguramente, o meu. O meu país perdeu PIB nos anos do memorando, perdeu investimento e perdeu postos de trabalho, perdeu competitividade, perdeu bens essenciais à sua economia e ao bem-estar da sua população, perdeu gente, e, se alguma coisa ganhou, foi mais desempregados, mais pobres, mais dívida, mais fragilidade, mais dependência, mais incerteza e um futuro mais hipotecado.
Não, o meu país não é esse que um obscuro instituto inglês – a que aludiu o Presidente sem todavia o designar – classificou como um dos mais prósperos do Mundo!
Porém, não é só o país a que o Presidente da República aludiu que eu não reconheço como sendo o meu. Também não me reconheço na emigração de que ele fala. A emigração do período 60-70 da qual sou oriunda e que a política politicamente correcta conviu apelidar, de forma caricata, de “emigração de sucesso”, focando-se em alguns casos e ignorando todos os outros, como o dos reformados (para não ir mais longe) que vivem abaixo do limiar da pobreza ou aqueles a quem a Santa Casa de Misericórdia de Paris proporciona um funeral condigno no espaço que reserva aos portugueses indigentes, no cemitério de Enghien-les-Bains.
Também não creio que se reconhecerão na emigração de que falou o Presidente os novos emigrantes, cuja corrente se intensificou durante os anos da troika e de que uma parte substancial desemboca quotidianamente em França, homens, mulheres e crianças de todas as idades, de todas as qualificações, em busca da realização que o país não lhes proporcionou ou, muito simplesmente, e na maioria dos casos, numa dramática luta pela sobrevivência. Luta que se prossegue no país de destino, onde a taxa de desemprego é elevada, as qualificações subvalorizadas, a exploração, e mormente a exercida pelos portugueses da primeira vaga, cada vez mais banalizada.
Como é que esses novos emigrantes, a população estrangeira mais numerosa a chegar actualmente a França e a quem o jornalista Giv Anquetil consagrou a sua reportagem para o programa de France Inter do passado dia 14, Comme un bruit qui court, poderão acolher o discurso de um Presidente que diz aos emigrantes que Portugal é um país bom para investir, bom para os franceses se irem instalar, bom para irem passar férias (recordando que, no ano passado, um milhão de franceses visitou o país) e pedindo-lhes que sejam os embaixadores desse país, que o aconselhem aos vizinhos, aos colegas de trabalho, aos amigos?
Será que eles, filhos de um país de que foram expulsos, poderão gabar os seus atractivos a terceiros?
Seguramente não, nem a Elisabete, professora de Inglês a exercer a profissão de porteira em Paris, para “poder acudir às necessidades dos filhos, dar-lhes uma educação e pagar a casa em Portugal”, nem a Sofia, filha de emigrantes, nascida em França, que havia decidido ir viver em Portugal e que, dez anos depois, foi obrigada a regressar, nem a Rosa, que acumulava dois trabalhos, um dos quais num bar, à noite, que paga 2,5 euros à hora, não declarados, “porque quando se precisa aceita-se tudo”, seguramente nenhum deles se reconhece nem no país próspero de que falou o Presidente, nem na emigração portuguesa de sucesso a que ele se dirigiu.
Não, esse país, não é o meu, nem essa emigração existe.
 

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2015-03-17

 

Jyrki Katainen: "Um verdadeiro Milagre"

Entrou-me pela casa dentro, com a ajuda da RTP, um tal JYRKI  KATAINEN, com ar de embaixador dos "mercados"  mas que afinal é o vice-presidente da Comissão Europeia, líder do Partido da Coligação Nacional (partido conservador neoliberal) e ex-1º Ministro da Finlândia.

Este cavalheiro, um acólito de Ângela Merkel, veio garantir a um país atónito, que a política do Governo, nestes três anos, representa um VERDADEIRO MILAGRE.
Está em visita ao 1ºM PPC e recomendou-lhe, ali à nossa frente, sem vergonha, que prossiga a sua política de "mudanças estruturais". Mudanças estruturais? Está a referir-se a quê? À dívida que passou de 90% do PIB para 130%, ao desemprego que subiu para o dobro, aos cortes de salários da administração pública e dos reformados, aos cortes na Saúde, na Educação, na Segurança Social, à maior vaga de emigrantes desde os anos 60 e agora com o predomínio de licenciados e quadros técnicos? Ou estará a referir-se  à privatização de empresas estratégicas da economia nacional? O mais certo é  o GRANDE MILAGRE que refere ter consistido em libertar os bancos alemães e franceses que arcavam com a maior parte da insegura dívida soberana portuguesa.

Esse Sr. KATAINEN está a tomar-nos por parvos? Está a falar de "milagre" a um país socialmente devastado, a uma população condenada à pobreza?!  Ou estará a referir-se aos 840 multimilionários portugueses que aumentaram as suas fortunas de 90 para 100 mil milhões de dólares em 2012, um dos anos de maior empobrecimento dos "outros portugueses" ? ( "Relatório de Ultra Riqueza no Mundo 2013" do banco suíço UBS

2015-03-14

 

Lista de Pedófilos: sim ou não?

O Governo aprovou uma proposta de lei relacionada com o combate à pedofilia na qual se prevê a criação de uma base de dados - uma lista - de todos os condenados por pedofilia, abusos sexuais, atentado à liberdade sexual de menores (comunicado do Conselho de Ministros de 2015-03-12).
A lista seria secreta e apenas acessível a autoridades judiciais, policiais e eventualmente acessível a pais ou a quem exerça autoridade parental a menores de 16 anos.

Por seu lado “ O Conselho Superior do Ministério Público (CSMP) considerou "desproporcional", "inexequível" e "passível de invalidade constitucional" o diploma do Governo sobre registo de identificação criminal de condenados por crimes sexuais contra menores.”

O Público traz hoje dois interessantes depoimentos a favor da lista, Dulce Rocha, presidente  executiva do Instituto de Apoio à Criança e contra Pinto Monteiro ex-PGR.
Pinto Monteiro depois de dizer que « a pedofilia é um dos crimes mais repugnantes, que mais danos causa na pessoa humana e que mais fere a minha sensibilidade» afirma: sou inequivocamente contra o registo de dados anunciado pelo governo entre as várias razões anuncia duas:  
1.       O registo significa uma condenação perpétua que equivale à morte civil do pedófilo, que ficará sem emprego, sem vizinhos, sem amigos, assim como a sua família mais próxima e que se poderá transformar num apedrejamento e até linchamento, como já aconteceu;
2.       Esta condenação perpétua torna impossível a reinserção do pedófilo…

Nem se diga que o registo será secreto e controlado. Todos sabemos que rapidamente se tornará público e que os tablóides anunciarão na primeira página a lista completa. Nem o segredo de Justiça se consegue manter, quanto mais uma base ao alcance de tantos!
De facto o tabloide britânico News of the World publicou em 2000  uma tal lista “secreta” que existe no ordenamento jurídico da Grã Bretanha com o nome e morada de dezenas ou centenas de agressores sexuais de menores.
 

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2015-03-12

 

Passos visto por Cavaco. O carácter, a ética, a honradez



O PR, de nome Cavaco, diz que estas questões de carácter, ética e conduta num 1ºM são tricas partidárias. Que se poderia esperar de quem está envolvido no escândalo das ações do BPN e no escândalo da vivenda da urbanização da Coelha ?

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2015-03-10

 

Varoufakis em Bruxelas: ELES [a troica] NÃO REGRESSAM À GRÉCIA

O Jornal de Negócios publica a entrevista que o MNE da Grécia deu em Bruxelas onde ele  enfatiza "Se eles gostam tanto da palavra, podemos enviar a troika para eles. Eles não regressam à Grécia", reforçou.
No entanto TV´s e os media portugueses, em geral, seguindo a versão do Governo o que disseram foi que a troica regressou à Grécia, regressou à Grécia, regressou sim senhor e que o povo grego e o Syriza se danem. Não ponham em causa a subserviência de "bom aluno de Passos, Maria Luís e Cavaco.
Eis o artigo do JN:
"O ministro grego garante que a "atitude colonial" da troika não vai regressar a Atenas. Sobre o estado actual da contas públicas gregas, o ministro limitou-se a dizer que a liquidez vai ser garantida pelo Governo em conjunto com os credores internacionais.
Yanis Varoufakis regressou a Bruxelas com sete reformas na mão. Prometeu em breve levar mais sete, para mais tarde apresentar outras sete.
Após o encontro com os parceiros europeus, o ministro das Finanças avisou que a troika não volta a entrar na Grécia. E, ao contrário do que disse o líder do Eurogrupo, Atenas não perdeu tempo nas últimas semanas e esteve a trabalhar nas reformas.
 
"Não perdemos tempo. Fomos muito rápidos da forma que respondemos à situação que herdamos", disse Yanis Varoufakis este segunda-feira, 9 de Março, em conferência de imprensa em Bruxelas.
O ministro rejeitou assim as declarações de Jeroen Dijsselbloem que, à chegada ao Eurogrupo, pediu maior celeridade à Grécia: "Temos de parar de perder tempo".
Prometeu que, na próxima quarta-feira, a Grécia vai apresentar sete ou oito novas reformas aos parceiros europeus. E na próxima semana, outras sete reformas serão apresentadas. "Temos outro lote de sete ou oito reformas que já estão terminadas. Vamos começar a discuti-las na quarta-feira", revelou.
 
Durante a conferência de imprensa, foi questionado diversas vezes sobre qual a situação real das contas públicas gregas. O ministro limitou-se a dizer que a liquidez do Estado grego vai ser garantida pelo Governo em conjunto com os credores internacionais. E mais não disse sobre este assunto.s.
Ao mesmo tempo, Yanis Varoufakis avisou que a troika - agora tratada por "instituições" - não volta a entrar na Grécia. "A troika é um grupo de tecnocratas. Chegavam a Atenas, entravam nos ministérios com uma atitude colonial e tentavam impor um programa. Essa prática acabou".
Sublinhou que a Grécia é um membro das três "instituições" e que o país vai continuar a colaborar plenamente com as mesmas fornecendo-lhes todas a informação necessária e garantindo o acesso a todos os responsáveis do Executivo helénico. Mas agora sem "homens de negro" a aterrarem na capital grega. 

"Como membros vamos manter uma relação próxima. Mas as instituições chegarem para nos impor um programa, essa troika acabou", declarou o ministro. "Estamos à procura de formas de cooperação que não antagonizem a Grécia e não humilhem o povo grego".
Varoufakis sublinhou que, durante o Eurogrupo, alguns ministros das Finanças usaram a palavra troika e não "instituições" como usado agora pela Grécia. "Alguns colegas usaram a palavra troika. Se eles gostam tanto da palavra, podemos enviar a troika para eles. Eles não regressam à Grécia", reforçou.

2015-02-28

 

Mariana Mortágua encosta Zeinal Bava às cordas



Este Bava, tal como o padrinho Ricardo, não sabia de nada nem se lembra de nada.



2015-02-25

 
O Baptista Bastos está na "linha justa" por isso fica aqui muito bem. Mas que é isso de "linha justa"? É a dos interesses dos que são empobrecidos pelas políticas de governos dominados pela especulação financeira, como sucede na UE, com a esperançosa excepção do governo grego do Syriza, para enriquecer mais os 1% de multimilionários e sustentar os 9% da sua empregadagem que troca a decência e a honra por umas migalhas, desde o infeliz jornalista que não quer perder o emprego e tenta ser a agradecida "voz do dono" - fica com umas "migalhinhas" - até aos pançudos administradores a quem cabem umas migalhas grossas. Vejam o que o BB diz. E diz bem.

Há sempre solução

Os gregos podem ser o exemplo de que não há impossibilidades.
 
Baptista-Bastos, CM  25.02.2015
Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia, chega ao proscénio e diz que a Troika exagerou na imposição da austeridade, por desnecessária, e roubou a decência aos povos de Portugal, Espanha e Irlanda. Surge, afobado, o dr. Passos Coelho, e desmente Juncker, quase declarando que a Troika trouxe consigo felicidades inauditas. As aldrabices, mentiras e omissões deste cavalheiro atingem as zonas da coprolábia. Ou, então, pior do que tudo, usa os óculos de Pangloss, e vê um Portugal abençoado pelos deuses, embora esses deuses sejam desconhecidos, e o país seja absolutamente outro.
Um milhão e quinhentos mil desempregados; dois milhões na faixa da miséria: cento e quarenta mil miúdos que vão diariamente em jejum para a escola; quase duzentos mil jovens que abandonaram o País por carência de futuro; dezenas de doentes que morrem nos corredores dos hospitais por falta de assistência; velhos a quem foi subtraído todo e qualquer meio de subsistência; funcionários e outros aos quais cortaram todos os escassos salários – isto não terá como consequência a perda da decência e da dignidade? E perda da decência e da dignidade não consistirão nos constrangedores actos praticados por membros do Executivo, e pelo dr. Cavaco, relativos ao governo e, decorrentemente, ao povo grego?, com a torpe recusa em apoiar as propostas de quem foi legitimamente eleito, e colando-se, vergonhosamente, à estratégia da política alemã?
O grupo do dr. Passos é, por sistema, apupado e execrado, e o governo do Syriza recebe banhos de multidões a apoiá-lo e a incitá-lo.
A melancolia portuguesa e a dor do nosso viver sem luz advêm desta subalternidade que nos corrói a decência, a dignidade e a integridade moral. Fomos coagidos a perder os valores que cimentaram o nosso ser, mesmo em tempos sombrios. A nossa honradez e probidade foram substituídas pelo individualismo mais atroz. Resta-nos, afinal, quê? Estes mentirosos, esta casta de indigentes mentais, e este mutismo dos que se deviam opor e alimentam a apagada e vil tristeza são sintomas de quê? Da indeclinável decadência em que vivemos. Sem solução? Cabe-nos a última palavra no próximo combate. Os gregos podem ser o exemplo de que não há impossibilidades na História.

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2015-02-23

 


2015-02-07

 

"A partir de agora a Tróica deixa de mandar na Grécia"



A Grécia é um pequeno país no meio de uma grande União Europeia. A luta do governo dirigido pelo Syrisa, pelos interesses da maioria dos gregos e da maioria dos europeus tem pela frente poderes colossais comparado com o seu. Por isso a sua luta não obterá uma vitória total mas se não for derrotada em toda a linha e atingir alguns dos seus objetivos centrais então a EUROPA terá muito a agradecer à GRÉCIA em cuja civilização nasceu.

Neste momento é o governo Grego que, a par dos interesses da Grécia defende indiretamente os interesses de Portugal que Passos Coelho com os seus “contos de criança” trai.
Apesar do seu pequeno peso na Europa a Grécia vai conseguiu alterar irreversivelmente a tragédia da política austeritária imposta pelo governo alemão.
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Tempestade magnética, abalo telúrico, o mar galga a terra? Que terá provocado o tsunami que assombra a Europa?  É um partido que ganhou as eleições, na Grécia, o berço da Europa e incompreensivelmente cumpre as promessas: tem o nome aterrador de SYRISA, é conduzido pelo Deus APOLO sob o disfarce de Alexis Tsipras e é assessorado por ARES, o Deus da Guerra, sob a máscara de Yanis Varoufakis. Estão reunidos no Olimpo.
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Na primeira reunião do Conselho de Ministros em Atenas, (2015-02-04) Alexis Tsipras disse aos membros da sua equipa que aceitou o mandado como primeiro-ministro para levar a cabo uma "mudança radical" na Grécia, defendendo ser essencial iniciar uma "renegociação responsável" da dívida pública com os credores internacionais.

"Não entramos num choque mutuamente destrutivo, mas não vamos continuar uma política de sujeição. Teremos um plano para lançar reformas sem incorrer em défice, sem as asfixiantes obrigações dos últimos anos", declarou Alexis Tsipras , citado pela Reuters.

O Deus Apolo ou Tsipras ou lá quem seja, lançou a Europa numa assombração ao declarar que a troica deixara, a partir de agora, de governar a Grécia e que não falava mais com ela.

"Entretanto, o ministro Panayiotis Lafazani, anunciou "Vamos suspender imediatamente o processo de privatização da Public Power Corporation (PPC) .E vamos tentar que a eletricidade seja mais barata, para aumentar a competitividade e ajudar as famílias", frisando que o governo quer fornecer energia gratuita a 300 mil casas de famílias carenciadas. Estão a imaginar algo parecido em Portugal ?
O salário mínimo na Grécia passa de 586 euros para 751 -  regressando ao valor fixado antes do resgate.
A paragem da requalificação na Função Pública e a concessão de incentivos para a contratação em empresas são outras das medidas previstas pelo novo executivo do Syriza.

Pelo seu lado Yanis Varoufakis, ministro das Finança, em 4 de Fevereiro, em entrevista ao Telegraph explicou aos britânicos:  

Vou tentar ser tão charmoso como puder em Berlim. Vou dizer ao senhor Schäuble que podemos ser um partido de esquerda, mas ele pode contar com o Syriza para limpar os cartéis e oligarquias da Grécia e para avançar com as reformas profundas do Estado grego que os governos antes de nós recusaram fazer",

Além das reformas, Varoufakis também vai transmitir ao ministro de Ângela Merkel que a Grécia não está disposta a manter a austeridade orçamental. "Também lhe vou dizer que vamos acabar com a espiral de dívida e de deflação e fazer o que deveríamos ter feito há cinco anos. Isso não é negociável. Temos um mandato democrático para desafiar toda a filosofia de austeridade".

Já sabemos que Schauble no fim da reunião declarou que concordámos em não concordar em nada ao que que Varoufakis respondeu que “nem nisso concordámos”. O caminho vai ser muito difícil.

 Yanis Varoufakis também já respondeu à diatribe enfatuada de Passos Coelho de que o programa do Syriza era “um conto de crianças”. Um assessor do seu gabinete, citado pelo Diário Económico, lembrou – apaziguadoramente - que "os contos de crianças trazem sempre esperança".
Portugal e Espanha os países mais favorecidos pelo governo grego são considerados por este como os países com uma atitude mais dura.
Lá como cá era a troica que apesar de não ter sido eleita pelos gregos (nem pelos portugueses) decidia: têm de mandar para ao desemprego tantos milhares de professores e outros agentes da administração, têm de privatizar isto e aquilo e mais aquilo. E o governo da Nova Democracia com Samaras e antes dele o PASOK estavam ali para as curvas, isto é, para cumprir respeitosamente quase tão servilmente como aqui fez, com gosto, o servo Passos Coelho.
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 ­­­­­­­­­­­­­­­­­­­As eleições, um instrumento que, com a ajuda das televisões, dos muitos jornalistas, comentaristas e especialistas avençados pelos donos da comunicação social e do país, tem encaminhado bem o rebanho eleitor para os resultados pretendidos, foram um fracasso na Grécia. O povo grego escolheu o Syriza e a direita da finança especulativa da Europa e do mundo abriu as portas ao tsunami.  Da Europa do Mundo e a da Grécia porque cada país tem as suas “merkels” e os seus Syrisas, os seus muitos arruinados pela austeridade e os seus 1% enriquecidos por ela. Não esquecamos: num dos anos de maior empobrecimento de milhões de portugueses o número de multimilionários em Portugal - com fortunas superiores a 25 milhões de euros - aumentou para 870 - segundo o "Relatório de Ultra Riqueza no Mundo 2013", do banco suíço UBS e a fortuna destes aumentou nesse ano de 90 para 100 mil milhões de dólares.
Os interesses antagónicos, a justiça social, a solidariedade, os amigos e os inimigos não estão divididos por países. Estão em todos e cada um dos países.

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2015-01-28

 

Anda um espectro pela Europa — o espectro do Syriza

Anda um espectro pela Europa — o espectro do Syriza. Todos os poderes da velha Europa se aliaram para uma santa caçada a este espectro, a srª Merkel, o Sr Shauble, o Sr presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, polícias alemães e até o moço de recados, Passos Coelho que pôs logo a descoberto o que lhe ia na alma sem se informar previamente em Berlim que não queria abrir o jogo todo, de bandeja.

Deste facto concluem-se duas coisas. O Syriza já é reconhecido por todos os poderes europeus como um poder, menos por Belém e S. Bento.

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É uma brincadeira. Já todos perceberam que é uma adaptação do Manifesto Comunista, de Karl Marx e Friedrich Engels que, em nome da Liga Comunista, o publicaram em 21 de Fevereiro 1948. É historicamente um dos tratados políticos  de maior influência mundial.
Qualquer paralelismo com o Syriza seria perfeitamente pateta. Mas dá-me um certo gozo ver o susto que vai pelas Europas dos mercados, com a pequena/grande Grécia do Partenon.

Sem esquecer que a Grécia como, em geral, qualquer país, encerra duas Grécias - a dos multimilionários, a da grande corrupção, a da brutal desigualdade, a dos BNP/SLN a dos BES/GES, a dos BPP, a dos BCP - e a outra Grécia, a da esmagadora maioria do povo grego que, agora com o Syriza, espreita pela estreita frincha da solidariedade e da justiça social e não quer pagar as favas que os banqueiros e seus partidos lhes prepararam


2014-12-27

 

Durão Barroso, Portas e Submarinos em águas de bacalhau

João Semedo no  Público 26/12/2014
(Deputado do BE, membro da Comissão Parlamentar de Inquérito à aquisição dos submarinos e outros equipamentos militares)
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O DCIAP precisou de oito anos para arquivar o processo. Ninguém foi acusado, não se provou o crime de corrupção. A direita suspirou de alívio, transformou o arquivamento na “absolvição” de Paulo Portas que, finalmente, “pode dormir tranquilo”.
Esta “absolvição” de Paulo Portas tem tanto de encenada como de precipitada, como qualquer um percebe se ler o despacho de arquivamento ou se tiver acesso aos documentos recolhidos e às audições realizadas no inquérito parlamentar. É uma “absolvição” construída sobre os silêncios de uns e as mentiras de outros, em alguns casos os mesmos, e que beneficiou do desaparecimento de documentos muito reveladores. Por isso é uma absolvição frágil, muito frágil.
O que diz o despacho?
Que foram detetadas ilegalidades administrativas, que podiam levar à nulidade do contrato. Que foi obscura a adjudicação da operação financeira que pagou os submarinos. Que Paulo Portas excedeu o mandato conferido pelo Conselho de Ministros em 2003 ao celebrar um contrato de compra diferente dos termos estabelecidos na adjudicação. Que Paulo Portas conduziu negociações que decorreram de forma opaca e produziram alterações significativas no equipamento, na fórmula de cálculo do preço e nas contrapartidas. Que foi Paulo Portas a incluir o BES no consórcio que financiou a compra dos submarinos, em detrimento de outros bancos. Que foi Paulo Portas que se envolveu diretamente nas negociações, inclusive com o próprio Ricardo Salgado, para rever em alta o contrato de financiamento: a margem de lucro para os bancos do consórcio aumentou de 0,19 para 0,25%, com obvio prejuízo para as contas públicas. Absolvição?
E, finalmente, que esta documentação desapareceu do Ministério de Paulo Portas, impedindo de se “percepcionar o modo como se desenrolou o processo concursal que culminou com a celebração dos contratos de financiamento”. Desaparecimento que ninguém – governos, MP - achou por bem investigar.
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2014-12-24

 

António Gedeão - Dia de Natal


Dia de Natal

Hoje é dia de ser bom.
É dia de passar a mão pelo rosto das crianças,
de falar e de ouvir com mavioso tom,
de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças.
 
É dia de pensar nos outros— coitadinhos— nos que padecem,
de lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria,
de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem,
de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria.
 
Comove tanta fraternidade universal.
É só abrir o rádio e logo um coro de anjos,
como se de anjos fosse,
numa toada doce,
de violas e banjos,
Entoa gravemente um hino ao Criador.
E mal se extinguem os clamores plangentes,
a voz do locutor
anuncia o melhor dos detergentes.
 
De novo a melopeia inunda a Terra e o Céu
e as vozes crescem num fervor patético.
(Vossa Excelência verificou a hora exacta em que o Menino Jesus nasceu?
Não seja estúpido! Compre imediatamente um relógio de pulso antimagnético.)
 
Torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas.
Toda a gente se acotovela, se multiplica em gestos, esfuziante.
Todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas
e fazem adeuses enluvados aos bons amigos que passam mais distante.
 
Nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates,
com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica,
cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilovates,
as belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro e de cerâmica.
 
Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito,
ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores.
É como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito,
como se o Céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores.
 
A Oratória de Bach embruxa a atmosfera do arruamento.
Adivinha-se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se no ar.
E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento
e compra— louvado seja o Senhor!— o que nunca tinha pensado comprar.
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Continua aqui

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