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2015-03-26

 

Cristina Semblano desmascara Cavaco a vender gato por lebre em Paris

O artigo saiu hoje no Público e denuncia  a propaganda que Cavaco Silva - um PR sem idoneidade política nem moral - andou a fazer por Paris na sua recente visita ao país do falhado Hollande.
Pelo sua análise política Cristina Semblano merece parabéns.
 
Cristina Semblano é economista, lecciona Economia Portuguesa na Universidade de Paris IV – Sorbonne; autarca na região de Paris -
 
Foi um Presidente da República em campanha eleitoral por conta do Governo português, ou das forças políticas que o sustentam, que vimos em Paris. Um Presidente da República cujo optimismo é inversamente proporcional à situação dramática em que se encontra o país, um país que se despoja das suas forças vivas, das suas empresas estratégicas, dos seus serviços públicos. Um país que, ao mesmo tempo que aponta a porta de saída aos seus filhos, abre as pernas ao capital estrangeiro para que invista no que ele desinveste e gaba aos potenciais turistas o sol, o mar e a hospitalidade de um povo que põe de joelhos e/ou condena ao exílio.
Houve primeiro o discurso sobre o crescimento de 2% ultrapassando as expectativas internas e internacionais, o equilíbrio das trocas externas e a proeza de o país conseguir financiamento a baixas taxas de juro. Como se o crescimento, a realizar-se, não devesse ser comparado à contracção dos anos do memorando, como se a quebra das importações induzida pela contracção do consumo interno e do investimento não fosse chamada para explicar o frágil equilíbrio das trocas externas, como se as taxas de juro a que o país se financia nos mercados não fossem imputáveis à política monetária do BCE e à sua garantia.
Esse país a que o Presidente da República aludiu  que acabou com sucesso o programa de ajustamento, tem hoje uma economia mais sustentada e poderá desde este ano começar a reduzir o peso da dívida no PIB  não é, seguramente, o meu. O meu país perdeu PIB nos anos do memorando, perdeu investimento e perdeu postos de trabalho, perdeu competitividade, perdeu bens essenciais à sua economia e ao bem-estar da sua população, perdeu gente, e, se alguma coisa ganhou, foi mais desempregados, mais pobres, mais dívida, mais fragilidade, mais dependência, mais incerteza e um futuro mais hipotecado.
Não, o meu país não é esse que um obscuro instituto inglês – a que aludiu o Presidente sem todavia o designar – classificou como um dos mais prósperos do Mundo!
Porém, não é só o país a que o Presidente da República aludiu que eu não reconheço como sendo o meu. Também não me reconheço na emigração de que ele fala. A emigração do período 60-70 da qual sou oriunda e que a política politicamente correcta conviu apelidar, de forma caricata, de “emigração de sucesso”, focando-se em alguns casos e ignorando todos os outros, como o dos reformados (para não ir mais longe) que vivem abaixo do limiar da pobreza ou aqueles a quem a Santa Casa de Misericórdia de Paris proporciona um funeral condigno no espaço que reserva aos portugueses indigentes, no cemitério de Enghien-les-Bains.
Também não creio que se reconhecerão na emigração de que falou o Presidente os novos emigrantes, cuja corrente se intensificou durante os anos da troika e de que uma parte substancial desemboca quotidianamente em França, homens, mulheres e crianças de todas as idades, de todas as qualificações, em busca da realização que o país não lhes proporcionou ou, muito simplesmente, e na maioria dos casos, numa dramática luta pela sobrevivência. Luta que se prossegue no país de destino, onde a taxa de desemprego é elevada, as qualificações subvalorizadas, a exploração, e mormente a exercida pelos portugueses da primeira vaga, cada vez mais banalizada.
Como é que esses novos emigrantes, a população estrangeira mais numerosa a chegar actualmente a França e a quem o jornalista Giv Anquetil consagrou a sua reportagem para o programa de France Inter do passado dia 14, Comme un bruit qui court, poderão acolher o discurso de um Presidente que diz aos emigrantes que Portugal é um país bom para investir, bom para os franceses se irem instalar, bom para irem passar férias (recordando que, no ano passado, um milhão de franceses visitou o país) e pedindo-lhes que sejam os embaixadores desse país, que o aconselhem aos vizinhos, aos colegas de trabalho, aos amigos?
Será que eles, filhos de um país de que foram expulsos, poderão gabar os seus atractivos a terceiros?
Seguramente não, nem a Elisabete, professora de Inglês a exercer a profissão de porteira em Paris, para “poder acudir às necessidades dos filhos, dar-lhes uma educação e pagar a casa em Portugal”, nem a Sofia, filha de emigrantes, nascida em França, que havia decidido ir viver em Portugal e que, dez anos depois, foi obrigada a regressar, nem a Rosa, que acumulava dois trabalhos, um dos quais num bar, à noite, que paga 2,5 euros à hora, não declarados, “porque quando se precisa aceita-se tudo”, seguramente nenhum deles se reconhece nem no país próspero de que falou o Presidente, nem na emigração portuguesa de sucesso a que ele se dirigiu.
Não, esse país, não é o meu, nem essa emigração existe.
 

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2015-03-17

 

Jyrki Katainen: "Um verdadeiro Milagre"

Entrou-me pela casa dentro, com a ajuda da RTP, um tal JYRKI  KATAINEN, com ar de embaixador dos "mercados"  mas que afinal é o vice-presidente da Comissão Europeia, líder do Partido da Coligação Nacional (partido conservador neoliberal) e ex-1º Ministro da Finlândia.

Este cavalheiro, um acólito de Ângela Merkel, veio garantir a um país atónito, que a política do Governo, nestes três anos, representa um VERDADEIRO MILAGRE.
Está em visita ao 1ºM PPC e recomendou-lhe, ali à nossa frente, sem vergonha, que prossiga a sua política de "mudanças estruturais". Mudanças estruturais? Está a referir-se a quê? À dívida que passou de 90% do PIB para 130%, ao desemprego que subiu para o dobro, aos cortes de salários da administração pública e dos reformados, aos cortes na Saúde, na Educação, na Segurança Social, à maior vaga de emigrantes desde os anos 60 e agora com o predomínio de licenciados e quadros técnicos? Ou estará a referir-se  à privatização de empresas estratégicas da economia nacional? O mais certo é  o GRANDE MILAGRE que refere ter consistido em libertar os bancos alemães e franceses que arcavam com a maior parte da insegura dívida soberana portuguesa.

Esse Sr. KATAINEN está a tomar-nos por parvos? Está a falar de "milagre" a um país socialmente devastado, a uma população condenada à pobreza?!  Ou estará a referir-se aos 840 multimilionários portugueses que aumentaram as suas fortunas de 90 para 100 mil milhões de dólares em 2012, um dos anos de maior empobrecimento dos "outros portugueses" ? ( "Relatório de Ultra Riqueza no Mundo 2013" do banco suíço UBS

2015-03-14

 

Lista de Pedófilos: sim ou não?

O Governo aprovou uma proposta de lei relacionada com o combate à pedofilia na qual se prevê a criação de uma base de dados - uma lista - de todos os condenados por pedofilia, abusos sexuais, atentado à liberdade sexual de menores (comunicado do Conselho de Ministros de 2015-03-12).
A lista seria secreta e apenas acessível a autoridades judiciais, policiais e eventualmente acessível a pais ou a quem exerça autoridade parental a menores de 16 anos.

Por seu lado “ O Conselho Superior do Ministério Público (CSMP) considerou "desproporcional", "inexequível" e "passível de invalidade constitucional" o diploma do Governo sobre registo de identificação criminal de condenados por crimes sexuais contra menores.”

O Público traz hoje dois interessantes depoimentos a favor da lista, Dulce Rocha, presidente  executiva do Instituto de Apoio à Criança e contra Pinto Monteiro ex-PGR.
Pinto Monteiro depois de dizer que « a pedofilia é um dos crimes mais repugnantes, que mais danos causa na pessoa humana e que mais fere a minha sensibilidade» afirma: sou inequivocamente contra o registo de dados anunciado pelo governo entre as várias razões anuncia duas:  
1.       O registo significa uma condenação perpétua que equivale à morte civil do pedófilo, que ficará sem emprego, sem vizinhos, sem amigos, assim como a sua família mais próxima e que se poderá transformar num apedrejamento e até linchamento, como já aconteceu;
2.       Esta condenação perpétua torna impossível a reinserção do pedófilo…

Nem se diga que o registo será secreto e controlado. Todos sabemos que rapidamente se tornará público e que os tablóides anunciarão na primeira página a lista completa. Nem o segredo de Justiça se consegue manter, quanto mais uma base ao alcance de tantos!
De facto o tabloide britânico News of the World publicou em 2000  uma tal lista “secreta” que existe no ordenamento jurídico da Grã Bretanha com o nome e morada de dezenas ou centenas de agressores sexuais de menores.
 

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2015-03-12

 

Passos visto por Cavaco. O carácter, a ética, a honradez



O PR, de nome Cavaco, diz que estas questões de carácter, ética e conduta num 1ºM são tricas partidárias. Que se poderia esperar de quem está envolvido no escândalo das ações do BPN e no escândalo da vivenda da urbanização da Coelha ?

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2015-03-10

 

Varoufakis em Bruxelas: ELES [a troica] NÃO REGRESSAM À GRÉCIA

O Jornal de Negócios publica a entrevista que o MNE da Grécia deu em Bruxelas onde ele  enfatiza "Se eles gostam tanto da palavra, podemos enviar a troika para eles. Eles não regressam à Grécia", reforçou.
No entanto TV´s e os media portugueses, em geral, seguindo a versão do Governo o que disseram foi que a troica regressou à Grécia, regressou à Grécia, regressou sim senhor e que o povo grego e o Syriza se danem. Não ponham em causa a subserviência de "bom aluno de Passos, Maria Luís e Cavaco.
Eis o artigo do JN:
"O ministro grego garante que a "atitude colonial" da troika não vai regressar a Atenas. Sobre o estado actual da contas públicas gregas, o ministro limitou-se a dizer que a liquidez vai ser garantida pelo Governo em conjunto com os credores internacionais.
Yanis Varoufakis regressou a Bruxelas com sete reformas na mão. Prometeu em breve levar mais sete, para mais tarde apresentar outras sete.
Após o encontro com os parceiros europeus, o ministro das Finanças avisou que a troika não volta a entrar na Grécia. E, ao contrário do que disse o líder do Eurogrupo, Atenas não perdeu tempo nas últimas semanas e esteve a trabalhar nas reformas.
 
"Não perdemos tempo. Fomos muito rápidos da forma que respondemos à situação que herdamos", disse Yanis Varoufakis este segunda-feira, 9 de Março, em conferência de imprensa em Bruxelas.
O ministro rejeitou assim as declarações de Jeroen Dijsselbloem que, à chegada ao Eurogrupo, pediu maior celeridade à Grécia: "Temos de parar de perder tempo".
Prometeu que, na próxima quarta-feira, a Grécia vai apresentar sete ou oito novas reformas aos parceiros europeus. E na próxima semana, outras sete reformas serão apresentadas. "Temos outro lote de sete ou oito reformas que já estão terminadas. Vamos começar a discuti-las na quarta-feira", revelou.
 
Durante a conferência de imprensa, foi questionado diversas vezes sobre qual a situação real das contas públicas gregas. O ministro limitou-se a dizer que a liquidez do Estado grego vai ser garantida pelo Governo em conjunto com os credores internacionais. E mais não disse sobre este assunto.s.
Ao mesmo tempo, Yanis Varoufakis avisou que a troika - agora tratada por "instituições" - não volta a entrar na Grécia. "A troika é um grupo de tecnocratas. Chegavam a Atenas, entravam nos ministérios com uma atitude colonial e tentavam impor um programa. Essa prática acabou".
Sublinhou que a Grécia é um membro das três "instituições" e que o país vai continuar a colaborar plenamente com as mesmas fornecendo-lhes todas a informação necessária e garantindo o acesso a todos os responsáveis do Executivo helénico. Mas agora sem "homens de negro" a aterrarem na capital grega. 

"Como membros vamos manter uma relação próxima. Mas as instituições chegarem para nos impor um programa, essa troika acabou", declarou o ministro. "Estamos à procura de formas de cooperação que não antagonizem a Grécia e não humilhem o povo grego".
Varoufakis sublinhou que, durante o Eurogrupo, alguns ministros das Finanças usaram a palavra troika e não "instituições" como usado agora pela Grécia. "Alguns colegas usaram a palavra troika. Se eles gostam tanto da palavra, podemos enviar a troika para eles. Eles não regressam à Grécia", reforçou.

2015-02-28

 

Mariana Mortágua encosta Zeinal Bava às cordas



Este Bava, tal como o padrinho Ricardo, não sabia de nada nem se lembra de nada.



2015-02-25

 
O Baptista Bastos está na "linha justa" por isso fica aqui muito bem. Mas que é isso de "linha justa"? É a dos interesses dos que são empobrecidos pelas políticas de governos dominados pela especulação financeira, como sucede na UE, com a esperançosa excepção do governo grego do Syriza, para enriquecer mais os 1% de multimilionários e sustentar os 9% da sua empregadagem que troca a decência e a honra por umas migalhas, desde o infeliz jornalista que não quer perder o emprego e tenta ser a agradecida "voz do dono" - fica com umas "migalhinhas" - até aos pançudos administradores a quem cabem umas migalhas grossas. Vejam o que o BB diz. E diz bem.

Há sempre solução

Os gregos podem ser o exemplo de que não há impossibilidades.
 
Baptista-Bastos, CM  25.02.2015
Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia, chega ao proscénio e diz que a Troika exagerou na imposição da austeridade, por desnecessária, e roubou a decência aos povos de Portugal, Espanha e Irlanda. Surge, afobado, o dr. Passos Coelho, e desmente Juncker, quase declarando que a Troika trouxe consigo felicidades inauditas. As aldrabices, mentiras e omissões deste cavalheiro atingem as zonas da coprolábia. Ou, então, pior do que tudo, usa os óculos de Pangloss, e vê um Portugal abençoado pelos deuses, embora esses deuses sejam desconhecidos, e o país seja absolutamente outro.
Um milhão e quinhentos mil desempregados; dois milhões na faixa da miséria: cento e quarenta mil miúdos que vão diariamente em jejum para a escola; quase duzentos mil jovens que abandonaram o País por carência de futuro; dezenas de doentes que morrem nos corredores dos hospitais por falta de assistência; velhos a quem foi subtraído todo e qualquer meio de subsistência; funcionários e outros aos quais cortaram todos os escassos salários – isto não terá como consequência a perda da decência e da dignidade? E perda da decência e da dignidade não consistirão nos constrangedores actos praticados por membros do Executivo, e pelo dr. Cavaco, relativos ao governo e, decorrentemente, ao povo grego?, com a torpe recusa em apoiar as propostas de quem foi legitimamente eleito, e colando-se, vergonhosamente, à estratégia da política alemã?
O grupo do dr. Passos é, por sistema, apupado e execrado, e o governo do Syriza recebe banhos de multidões a apoiá-lo e a incitá-lo.
A melancolia portuguesa e a dor do nosso viver sem luz advêm desta subalternidade que nos corrói a decência, a dignidade e a integridade moral. Fomos coagidos a perder os valores que cimentaram o nosso ser, mesmo em tempos sombrios. A nossa honradez e probidade foram substituídas pelo individualismo mais atroz. Resta-nos, afinal, quê? Estes mentirosos, esta casta de indigentes mentais, e este mutismo dos que se deviam opor e alimentam a apagada e vil tristeza são sintomas de quê? Da indeclinável decadência em que vivemos. Sem solução? Cabe-nos a última palavra no próximo combate. Os gregos podem ser o exemplo de que não há impossibilidades na História.

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2015-02-23

 


2015-02-07

 

"A partir de agora a Tróica deixa de mandar na Grécia"



A Grécia é um pequeno país no meio de uma grande União Europeia. A luta do governo dirigido pelo Syrisa, pelos interesses da maioria dos gregos e da maioria dos europeus tem pela frente poderes colossais comparado com o seu. Por isso a sua luta não obterá uma vitória total mas se não for derrotada em toda a linha e atingir alguns dos seus objetivos centrais então a EUROPA terá muito a agradecer à GRÉCIA em cuja civilização nasceu.

Neste momento é o governo Grego que, a par dos interesses da Grécia defende indiretamente os interesses de Portugal que Passos Coelho com os seus “contos de criança” trai.
Apesar do seu pequeno peso na Europa a Grécia vai conseguiu alterar irreversivelmente a tragédia da política austeritária imposta pelo governo alemão.
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Tempestade magnética, abalo telúrico, o mar galga a terra? Que terá provocado o tsunami que assombra a Europa?  É um partido que ganhou as eleições, na Grécia, o berço da Europa e incompreensivelmente cumpre as promessas: tem o nome aterrador de SYRISA, é conduzido pelo Deus APOLO sob o disfarce de Alexis Tsipras e é assessorado por ARES, o Deus da Guerra, sob a máscara de Yanis Varoufakis. Estão reunidos no Olimpo.
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Na primeira reunião do Conselho de Ministros em Atenas, (2015-02-04) Alexis Tsipras disse aos membros da sua equipa que aceitou o mandado como primeiro-ministro para levar a cabo uma "mudança radical" na Grécia, defendendo ser essencial iniciar uma "renegociação responsável" da dívida pública com os credores internacionais.

"Não entramos num choque mutuamente destrutivo, mas não vamos continuar uma política de sujeição. Teremos um plano para lançar reformas sem incorrer em défice, sem as asfixiantes obrigações dos últimos anos", declarou Alexis Tsipras , citado pela Reuters.

O Deus Apolo ou Tsipras ou lá quem seja, lançou a Europa numa assombração ao declarar que a troica deixara, a partir de agora, de governar a Grécia e que não falava mais com ela.

"Entretanto, o ministro Panayiotis Lafazani, anunciou "Vamos suspender imediatamente o processo de privatização da Public Power Corporation (PPC) .E vamos tentar que a eletricidade seja mais barata, para aumentar a competitividade e ajudar as famílias", frisando que o governo quer fornecer energia gratuita a 300 mil casas de famílias carenciadas. Estão a imaginar algo parecido em Portugal ?
O salário mínimo na Grécia passa de 586 euros para 751 -  regressando ao valor fixado antes do resgate.
A paragem da requalificação na Função Pública e a concessão de incentivos para a contratação em empresas são outras das medidas previstas pelo novo executivo do Syriza.

Pelo seu lado Yanis Varoufakis, ministro das Finança, em 4 de Fevereiro, em entrevista ao Telegraph explicou aos britânicos:  

Vou tentar ser tão charmoso como puder em Berlim. Vou dizer ao senhor Schäuble que podemos ser um partido de esquerda, mas ele pode contar com o Syriza para limpar os cartéis e oligarquias da Grécia e para avançar com as reformas profundas do Estado grego que os governos antes de nós recusaram fazer",

Além das reformas, Varoufakis também vai transmitir ao ministro de Ângela Merkel que a Grécia não está disposta a manter a austeridade orçamental. "Também lhe vou dizer que vamos acabar com a espiral de dívida e de deflação e fazer o que deveríamos ter feito há cinco anos. Isso não é negociável. Temos um mandato democrático para desafiar toda a filosofia de austeridade".

Já sabemos que Schauble no fim da reunião declarou que concordámos em não concordar em nada ao que que Varoufakis respondeu que “nem nisso concordámos”. O caminho vai ser muito difícil.

 Yanis Varoufakis também já respondeu à diatribe enfatuada de Passos Coelho de que o programa do Syriza era “um conto de crianças”. Um assessor do seu gabinete, citado pelo Diário Económico, lembrou – apaziguadoramente - que "os contos de crianças trazem sempre esperança".
Portugal e Espanha os países mais favorecidos pelo governo grego são considerados por este como os países com uma atitude mais dura.
Lá como cá era a troica que apesar de não ter sido eleita pelos gregos (nem pelos portugueses) decidia: têm de mandar para ao desemprego tantos milhares de professores e outros agentes da administração, têm de privatizar isto e aquilo e mais aquilo. E o governo da Nova Democracia com Samaras e antes dele o PASOK estavam ali para as curvas, isto é, para cumprir respeitosamente quase tão servilmente como aqui fez, com gosto, o servo Passos Coelho.
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 ­­­­­­­­­­­­­­­­­­­As eleições, um instrumento que, com a ajuda das televisões, dos muitos jornalistas, comentaristas e especialistas avençados pelos donos da comunicação social e do país, tem encaminhado bem o rebanho eleitor para os resultados pretendidos, foram um fracasso na Grécia. O povo grego escolheu o Syriza e a direita da finança especulativa da Europa e do mundo abriu as portas ao tsunami.  Da Europa do Mundo e a da Grécia porque cada país tem as suas “merkels” e os seus Syrisas, os seus muitos arruinados pela austeridade e os seus 1% enriquecidos por ela. Não esquecamos: num dos anos de maior empobrecimento de milhões de portugueses o número de multimilionários em Portugal - com fortunas superiores a 25 milhões de euros - aumentou para 870 - segundo o "Relatório de Ultra Riqueza no Mundo 2013", do banco suíço UBS e a fortuna destes aumentou nesse ano de 90 para 100 mil milhões de dólares.
Os interesses antagónicos, a justiça social, a solidariedade, os amigos e os inimigos não estão divididos por países. Estão em todos e cada um dos países.

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2015-01-28

 

Anda um espectro pela Europa — o espectro do Syriza

Anda um espectro pela Europa — o espectro do Syriza. Todos os poderes da velha Europa se aliaram para uma santa caçada a este espectro, a srª Merkel, o Sr Shauble, o Sr presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, polícias alemães e até o moço de recados, Passos Coelho que pôs logo a descoberto o que lhe ia na alma sem se informar previamente em Berlim que não queria abrir o jogo todo, de bandeja.

Deste facto concluem-se duas coisas. O Syriza já é reconhecido por todos os poderes europeus como um poder, menos por Belém e S. Bento.

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É uma brincadeira. Já todos perceberam que é uma adaptação do Manifesto Comunista, de Karl Marx e Friedrich Engels que, em nome da Liga Comunista, o publicaram em 21 de Fevereiro 1948. É historicamente um dos tratados políticos  de maior influência mundial.
Qualquer paralelismo com o Syriza seria perfeitamente pateta. Mas dá-me um certo gozo ver o susto que vai pelas Europas dos mercados, com a pequena/grande Grécia do Partenon.

Sem esquecer que a Grécia como, em geral, qualquer país, encerra duas Grécias - a dos multimilionários, a da grande corrupção, a da brutal desigualdade, a dos BNP/SLN a dos BES/GES, a dos BPP, a dos BCP - e a outra Grécia, a da esmagadora maioria do povo grego que, agora com o Syriza, espreita pela estreita frincha da solidariedade e da justiça social e não quer pagar as favas que os banqueiros e seus partidos lhes prepararam


2014-12-27

 

Durão Barroso, Portas e Submarinos em águas de bacalhau

João Semedo no  Público 26/12/2014
(Deputado do BE, membro da Comissão Parlamentar de Inquérito à aquisição dos submarinos e outros equipamentos militares)
....
O DCIAP precisou de oito anos para arquivar o processo. Ninguém foi acusado, não se provou o crime de corrupção. A direita suspirou de alívio, transformou o arquivamento na “absolvição” de Paulo Portas que, finalmente, “pode dormir tranquilo”.
Esta “absolvição” de Paulo Portas tem tanto de encenada como de precipitada, como qualquer um percebe se ler o despacho de arquivamento ou se tiver acesso aos documentos recolhidos e às audições realizadas no inquérito parlamentar. É uma “absolvição” construída sobre os silêncios de uns e as mentiras de outros, em alguns casos os mesmos, e que beneficiou do desaparecimento de documentos muito reveladores. Por isso é uma absolvição frágil, muito frágil.
O que diz o despacho?
Que foram detetadas ilegalidades administrativas, que podiam levar à nulidade do contrato. Que foi obscura a adjudicação da operação financeira que pagou os submarinos. Que Paulo Portas excedeu o mandato conferido pelo Conselho de Ministros em 2003 ao celebrar um contrato de compra diferente dos termos estabelecidos na adjudicação. Que Paulo Portas conduziu negociações que decorreram de forma opaca e produziram alterações significativas no equipamento, na fórmula de cálculo do preço e nas contrapartidas. Que foi Paulo Portas a incluir o BES no consórcio que financiou a compra dos submarinos, em detrimento de outros bancos. Que foi Paulo Portas que se envolveu diretamente nas negociações, inclusive com o próprio Ricardo Salgado, para rever em alta o contrato de financiamento: a margem de lucro para os bancos do consórcio aumentou de 0,19 para 0,25%, com obvio prejuízo para as contas públicas. Absolvição?
E, finalmente, que esta documentação desapareceu do Ministério de Paulo Portas, impedindo de se “percepcionar o modo como se desenrolou o processo concursal que culminou com a celebração dos contratos de financiamento”. Desaparecimento que ninguém – governos, MP - achou por bem investigar.
.....

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2014-12-24

 

António Gedeão - Dia de Natal


Dia de Natal

Hoje é dia de ser bom.
É dia de passar a mão pelo rosto das crianças,
de falar e de ouvir com mavioso tom,
de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças.
 
É dia de pensar nos outros— coitadinhos— nos que padecem,
de lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria,
de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem,
de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria.
 
Comove tanta fraternidade universal.
É só abrir o rádio e logo um coro de anjos,
como se de anjos fosse,
numa toada doce,
de violas e banjos,
Entoa gravemente um hino ao Criador.
E mal se extinguem os clamores plangentes,
a voz do locutor
anuncia o melhor dos detergentes.
 
De novo a melopeia inunda a Terra e o Céu
e as vozes crescem num fervor patético.
(Vossa Excelência verificou a hora exacta em que o Menino Jesus nasceu?
Não seja estúpido! Compre imediatamente um relógio de pulso antimagnético.)
 
Torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas.
Toda a gente se acotovela, se multiplica em gestos, esfuziante.
Todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas
e fazem adeuses enluvados aos bons amigos que passam mais distante.
 
Nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates,
com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica,
cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilovates,
as belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro e de cerâmica.
 
Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito,
ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores.
É como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito,
como se o Céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores.
 
A Oratória de Bach embruxa a atmosfera do arruamento.
Adivinha-se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se no ar.
E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento
e compra— louvado seja o Senhor!— o que nunca tinha pensado comprar.
...................
Continua aqui

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2014-12-22

 

O Tea Party em S. Bento


O tea party em S. Bento

MÁRIO VIEIRA DE CARVALHO  no Público de 21/12/2014

Para Passos, tudo tem de ser um negócio lucrativo: a começar pela Saúde e a continuar por aí fora.

Finalmente, Passos desatou a língua e começou a proclamar, sem eufemismos, o seu programa. Não aquele programa socialdemocrata escrutinado nas eleições, mas sim o programa fundado nas suas crenças pessoais, jamais escrutinado pelo seu próprio partido e muito menos pelo povo português. Fá-lo com uma euforia inaudita, qual cabo de guerra já derrotado e acossado no seu Bunker que, de súbito, lesse nos astros um sinal da divina Providência. Cercado dos escombros e ruínas da “destruição criativa”, partilha agora connosco, diariamente, em voz alta, o sonho duma radiosa vitória final: a promessa duma revolução milenar, que trará a redenção a Portugal, à Europa e a toda a humanidade.

Ficou a saber-se que, para Passos, tudo tem de ser um negócio lucrativo: a começar pela Saúde e a continuar por aí fora: na Segurança Social, na Educação, na Ciência, na Cultura, nos transportes públicos, redes viárias etc., etc. De tudo isso o Estado deverá retirar-se para dar lugar aos privados. Só lhe falta explicitar se o princípio se aplica também à Administração Pública e aos órgãos de soberania, mas é de esperar que venha a fazê-lo em breve. Passos não deixará escapar esse precioso detalhe do seu programa de capitalismo utópico”!

Com a privatização integral das funções do Estado, o governo, o parlamento e os demais órgãos de soberania tornar-se-ão supérfluos. Serão substituídos poruma ou mais empresas de multisserviços, que desempenharão eficientemente as tarefas requeridas, pagas caso a caso pelos indivíduos que delas careçam.

Cada um por si. Nunca mais haverá “todos a pagar para o benefício de alguns...” Nesses amanhãs de sonho, em que os males do “socialismo” – diz ele – serão esconjurados, mas que já entrevemos pela pequena amostra dos seus três anos de governação, Portugal baterá todos os records: será o país com as mais elevadas taxas de exclusão e discriminação sociais, desemprego, desemprego jovem, capital humano não qualificado, pobreza, pobreza infantil, trabalhadores no ativo que só sobrevivem graças ao apoio dos bancos alimentares, destruição da capacidade produtiva, criminalidade violenta, delinquência juvenil, suicídios, depressões, enfermos sem assistência, envelhecimento demográfico, desertificação, etc. Uma vez alcançado o primeiro lugar em todos esses rankings, acontecerá o milagre e cada qual viverá feliz para sempre, pois não terá de contribuir com um pataco para o bem comum.

Liquidar o Estado – e não: melhorar o Estado – é o seu programa. Por isso, recusa liminarmente as virtudes da despesa pública, mesmo que seja investimento estratégico com efeito reprodutivo. Daí que não tenha feito a reforma do Estado e se contente com cortes cegos. E daí a sua hostilidade aos

programas PRACE e SIMPLEX dos governos de José Sócrates, que constituíram uma verdadeira reforma do Estado e que cumpriram inteiramente os seus objetivos: melhorar a eficiência e a qualidade dos serviços públicos, reduzindo os custos de suporte. Isso não interessa a Passos, empenhado como está na sua cruzada contra o “socialismo”, isto é, contra tudo o que se pareça, de longe ou de perto, com o modelo social europeu.

Uma tal cruzada surpreende pela sua retórica extremista, pois rompe necessariamente com ambas as bandeiras da sua família política – não só a “social”, mas também a “democrata”. Não esqueçamos a matriz fascista do primeiro “laboratório” do neoliberalismo (o Chile de Pinochet), onde o Estado instaurou uma ditadura terrorista para impor a privatização integral da economia.

Tão levianamente radical como o discurso de Passos, nos dias de hoje, só mesmo o do tea party nos EUA. Este ainda não chegou à Casa Branca, mas já se instalou em S. Bento.

Professor Catedrático Jubilado (FCSH-UNL)

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2014-12-20

 

José Sócrates, Judite de Sousa e João Araújo

Judite de Sousa (TVI - 2014-12-19 ; 21h)  bem se esforçou para oferecer aos telespectadores a entrevista que os portugueses que têm como jornal de referência o Correio da Manhã esperariam. Mas João Araújo, o advogado de José Sócrates, com inteligência e humor, trocou-lhe as voltas e ofereceu precisamente a esses mesmos telespectadores não seguramente o que eles esperariam mas a que melhor os poderá elucidar.
A essa faixa do público menos exigente, mais intoxicada e a todos os telespectadores, João Araújo ofereceu uma excelente entrevista, desmistificadora de ideias feitas. Das ideias postas a correr pela suposta PPP (Parceria Público-Privado) entre investigação, CM e O Sol.  
De modo que ao contrário do que vejo aí pelas alamedas do Facebook acho que a Judite de Sousa, ainda que involuntariamente, acabou por nos facultar uma boa entrevista.
Judite "apertava com o entrevistado" surpreendendo-se com o facto de João Araújo afirmar nada
 


saber daquilo que ela classificava como o que "toda a gente sabe", mas o que toda a gente sabe são as notícias publicadas no CM e no Sol e que "toda a gente" de bom senso sabe que não oferecem a mais remota garantia de terem fundamento.
O que parece ter real fundamento é que Sócrates está arbitrária e ilegalmente preso.  Termino com uma observação de génio de Carlos Esperança, um amigo do Facebook, que referiu Sócrates, Portas e submarinos sem nomear ninguém. É dizer o máximo gastando o mínimo:
"Em Portugal provam-se mais facilmente as suspeitas do que as evidências."


2014-12-01

 

CITIUS - agora descobriu-se que ninguém sabe onde está o arquivo dos tribunais extintos

O Citius volta a dar que falar. Agora verifica-se, passados mais de 3 meses a tentarem pôr ordem no caos instalado no ministério da Justiça, que processos findos dos tribunais que foram extintos não transitaram para a nova plataforma informática criando situações como a de descontrolo de cumprimento de sentenças.

A ministra da Justiça não só não se demitiu como tentou sem vergonha atirar responsabilidades próprias para  cima de dois subordinados seus. 

A ministra Paula Teixeira da Cruz também não foi demitida por Passos Coelho o que está perfeitamente de acordo com o que se pode esperar de um 1ºM que é nem mais nem menos que o antigo gerente da Tecnoforma.

Nesta empresa Passos Coelho geria projectos de formação de técnicos municipais de aeroportos que não existiam, com subsídios europeus facultados pelo seu amigo e facilitador, Miguel Relvas, então Secretário de Estado da Administração Local do governo de Durão Barroso. 

O carácter e honorabilidade do antigo gerente da Tecnoforma também pode ser aquilatado quando, agora como 1ºM, começou por afirmar, enquanto não urdia uma escapatória, que não se lembrava se ganhava ou não 5000 € por mês, quando deputado em exclusividade de funções,  na qualidade de presidente do Centro Português para a Cooperação. Quer isto dizer que não se lembrava se tinha cometido a fraude, enquanto deputado, de declarar dedicação exclusiva com as respetivas compensações, ao mesmo tempo que trabalhava e ganhava 5000 euros por mês numa atividade aliás indigna, a de sugar apoios europeus para a Tecnoforma que legalmente não os poderia ter, apresentados como se fossem para uma ONG, uma falsa ONG. 

Sobre as sequelas do caos na Justiça, relacionadas com o Citius, da (i)responsabilidade da ministra PTC ver aqui "Ninguém sabe onde está o arquivo dos tribunais extintos" no Jornal de Notícias link que encontrei no blog Câmara Corporativa.

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2014-11-25

 

"Justiça e Vingança" - O caso Sócrates

Independentemente do que Sócrates possa vir a ser acusado e do que possa vir a ser comprovado aquilo a que estamos a assistir é a um circo mediático com vistas a um assassínio político prévio, antes de qualquer julgamento.
A forma como está a ser tratado o ex-primeiro ministro - independente dos factos ou das culpas - têm também consequências diretas e imediatas na agenda político-partidária. Um comentarista na SIC Notícias, esta 2f, entre as 22 e as 23h, Ricardo Jorge Pinto, salvo erro, augurava até, não sei se por desejo ou suspicácia, que nesta situação António Costa poderá mesmo resignar das funções de SG do PS !!  
A raiva paranoica em torno de Sócrates que ganhou largos sectores da política, dos media e da justiça está exemplarmente espelhada na forma como este processo foi montado: televisões no aeroporto à espera do "malvado", tudo o que era suposto ser "segredo de Justiça" noticiado com estrondo pelo Sol (que fez mais uma edição especial, hoje 2ªf ) e pelo Correio da Manhã.
Corrupção e outros crimes que a "porta-voz da justiça", Felícia Cabrita, nos anunciou devem ser combatidos com a máxima firmeza custe a quem custar seja Sócrates, Portas (submarinos), Passos Coelho (Tecnoforma e CPC) ou Cavaco (BPN) mas acrescentar à prestação serena da Justiça o circo mediático a que estamos a assistir, pode satisfazer raivas mas não ajuda a defender os direitos dos cidadãos nem a imagem do país. 
Ofereço-vos aqui as considerações que o ex-bastonário Marinho e Pinto produziu aqui.
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Justiça e vingança
António Marinho e Pinto
 
Há, em Portugal, cidadãos que nunca poderão ser humilhados pela justiça como está a ser José Sócrates: os magistrados. 
A detenção do antigo primeiro-ministro José Sócrates levanta questões de ordem política, de ordem jurídica e de cidadania. Mais do que a politização da justiça, ela alerta-nos para a judicialização da política que está em curso no nosso país.
José Sócrates acabou, enquanto primeiro-ministro, com alguns dos mais chocantes privilégios que havia na sociedade portuguesa, sobretudo na política e na justiça. Isso valeu-lhe ódios de morte. Foi ele quem, por exemplo, impediu o atual Presidente da República de acumular as pensões de reforma com o vencimento de presidente.
A raiva com que alguns dirigentes sindicais dos juízes e dos procuradores se referiam ao primeiro-ministro José Sócrates evidenciava uma coisa: a de que, se um dia, ele caísse nas malhas da justiça iria pagar caro as suas audácias. Por isso, tenho muitas dúvidas de que o antigo primeiro-ministro esteja a ser alvo de um tratamento proporcional e adequado aos fins constitucionais da justiça num estado civilizado.
É mesmo necessário deter um cidadão, fora de flagrante delito e sem haver perigo de fuga, para ser interrogado sobre os indícios dos crimes económicos de que é suspeito? É mesmo necessário que ele, depois de detido, esteja um, dois, três ou mais dias a aguardar a realização desse interrogatório?
Dir-me-ão que é assim que todos os cidadãos são tratados pela justiça. Porém, mesmo que fosse verdade, isso só ampliava o número de vítimas da humilhação. Mas não é verdade. Há, em Portugal, cidadãos que nunca poderão ser humilhados pela justiça como está a ser José Sócrates: os magistrados. Desde logo porque juízes e procuradores nunca podem ser detidos fora de flagrante delito.
Em Portugal, poucos, como eu, têm denunciado a corrupção. Mas, até por isso, pergunto: seria assim tão escandaloso que um antigo primeiro-ministro de Portugal tivesse garantias iguais às de um juiz ou de um procurador? Ou será que estes, sim, pertencem a uma casta de privilegiados acima das leis que implacavelmente aplicam aos outros cidadãos?
A justiça não é vingança e a vingança não é justiça. Acredito que um dia, em Portugal, a justiça penal irá ser administrada sem deixar quaisquer margens para essa terrível suspeita.

2014-11-12

 

Legionella e Passos Coelho. Lemos e não acreditamos!

Lemos e não acreditamos!
Um estudo publicado no início de 2013 pelo Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA) alertava para a necessidade de se reforçar a “vigilância de determinados edifícios ou locais considerados de maior risco” para o desenvolvimento da legionella. Entre as amostras referentes a torres de refrigeração que o INSA recolheu entre 2010 e 2012 quase 15% deram resultado positivo quanto à presença desta perigosa bactéria.
Lemos e não acreditamos!!
Esta situação pouco tranquilizadora acontecia apesar de legislação que tornava obrigatória as auditorias à qualidade do ar interior estabelecida em 2006 (Olá!! Sócrates ???) e que o atual Governo, supostamente ao serviço de Portugal mas efetivamente postergado perante os mercados, revogou no fim de 2013.
Lemos e não acreditamos!!!
"Questionado sobre a alteração legislativa que acabou com as auditorias obrigatórias à qualidade do ar interior, o primeiro-ministro afirmou nesta terça-feira, no Porto, que a alteração visou justamente reforçar a capacidade de inspecção e prevenção destes casos” - Ouviu bem? - o suposto 1º M "afirmou que a alteração visou justamente reforçar a capacidade de inspecção e prevenção destes casos e rejeitou que o surto tenha ocorrido por “negligência do Estado”.
Lemos e não acreditamos!!!!
Dando o benefício da dúvida de que o ex-administrador da Tecnoforma que alçaram a 1ºM não está, nesta dramática situação, "a gozar com o pagode" e que não se encontra em estado de insanidade mental, forçoso é concluir que se encontra afinal, com gosto e convicção, a levar à risca no Governo o que os próceres do neoliberalismo extremado ou seja os "mercados" lhe recomendam: menos Estado, menos Estado. Neste caso concreto as empresas industriais que é suposto não terem por objetivo criar as melhores condições ambientais aos seus trabalhadores e à população vizinha mas aprimorarem-se nos lucros, libertas de legislação que as obrigava a auditorias e inspeções ambientais pouparam nas despesas e revelaram com tanta legionella no que pode dar menos e menos Estado.
Menos Estado estaria bem se fosse diminuição de desperdício na administração pública, eliminação de serviços sobrepostos, melhor organização dos serviços, limpeza da legislação que oferece campo à corrupção legal a favor das grandes empresas, bancos, amigos e afilhados de governantes.
Mas, menos Estado, na boca de quem atualmente nos governa, de S. Bento a Belém, quer dizer MENOS ESTADO SOCIAL. Menos dinheiro para os serviços sociais, para as reformas e subsídio de desemprego, menos dinheiro para as pequenas e médias empresas, menos dinheiro para o serviço de saúde, para o apoio aos mais desprotegidos, menos dinheiro para a Educação, para a Ciência e a Investigação. Menos Estado para este Governo quer dizer um quadro institucional que favoreça a transferência de riqueza do trabalho para o capital, que favoreça a transferência de riqueza dos trabalhadores e classes médias para uma minoria restritíssima de multimilionários como mostra o "Relatório de Ultra Riqueza no Mundo, 2013" do UBS, que revela que em Portugal, em 2012, um ano de grande empobrecimento da população não só cresceu o número de multimilionários, como aumentou o valor global das suas fortunas, de 90 para 100 mil milhões de dólares (mais 11,1%).
Lemos e acreditamos!!!! Acreditamos que é possível isto ser dito quando quem diz se chama Passos Coelho ou Paulo Portas ou Cavaco Silva.

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