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2019-05-03

 

"La Donna e Mobile" e "Brindisi" - Pelos 3 tenores

Luciano Pavarotti (1935 - 2007) Modena, Itália.
Placido Domingo (1941 -  ) Madrid. A família mudou-se, era ele ainda muito novo, para o México. 
Josep Carreras      (1946 -  ) Barcelona.
Foram durante muito tempo os maiores tenores. Um clique no nome leva-nos à sua história de vida segundo a Wikipédia.
Em  La Donna e Mobile (ópera Rigoleto de Giuseppe Verdi) a música é belíssima mas a letra da canção, que aqui vos deixo, para vossa ilustração, é um exemplo acabado de misoginia. Esqueçam a letra para continuarem a gostar da música. Em seguida é cantada Brindisi da ópera Traviatta de Verdi.




LA DONNA È MOBILE A MULHER É VOLÚVEL
La donna è mobile A mulher é volúvel
qual piuma al vento Qual pena ao vento
muta d'accento Muda de humor
e di pensiero E de pensamento
Sempre un'amabile Sempre um amável
leggiadro viso Rosto gracioso
in pianto e in riso Em lágrimas e risos
è menzognero É mentiroso
La donna è mobil A mulher é volúvel
qual piuma al vento Qual pena ao vento
muta d'accento Muda de humor
e di pensier E de pensamento
e di pensier E de pensamento
e di pensier E de pensamento
È sempre misero É sempre infeliz
chi a lei s'affida Quem a ela se afeiçoa
chi le confida Quem lhe confia
mal cauto il core Incauto o coração
Pur mai non sentesi No entanto, nunca se sente
felice appieno Plenamente feliz
chi su quel seno Quem no seu seio
non liba amore Não bebe o amor
La donna è mobil A mulher é volúvel
qual piuma al vento Qual pena ao vento
muta d'accento Muda de humor 
e di pensier E pensamentos
e di pensier E pensamentos
e di pensier E pensamentos

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2019-02-27

 

António Lobo Antunes denuncia a Igreja


Quando morrer, não quero a vossa hipocrisia em torno do meu caixão. Basta-me que a sombra de Cristo ou de um dos seus Anjos se apiede, mesmo de longe, ainda que de muito longe, da minha alma pecadora. Não quero nenhum fariseu junto ao nosso diálogo. 

Não perdoo à Igreja nunca ter pedido perdão aos portugueses pela sua colaboração activa com a Ditadura e as iniquidades decorrentes dela, a sua total indulgência, desde a primeira hora, com a injustiça, a crueldade, a desigualdade, a intolerância, os campos de concentração - (Tarrafal, São Nicolau) - a monstruosa polícia política, a violência da censura, o desprezo pelas mulheres, a guerra colonial, a perseguição aos estudantes, aos operários, aos camponeses, a desavergonhada defesa dos ricos, as missas para as criadas, as homilias em que exortavam à obediência aos patrões, a violência para com os sacerdotes e os bispos que ousaram levantar-se contra o Estado Novo, a forma como abençoaram as centenas de milhares de rapazes mandados para África combater as aspirações dos povos colonizados, mandando capelães abençoar aquele horror, apoiar aquele horror, santificar aquele horror  -  (eu estava lá e vi)  -  em nome da luta contra o comunismo ateu, em nome da defesa dos valores cristãos, em nome nome da tolerância, em nome de Cristo. Porque carga de água não tem sequer a simples dignidade de pedir desculpa? Porque carga de água finge esquecer-se? Porque carga de água este silêncio? Eu sou cristão e aprendi a ser fiel até à morte como está escrito no Livro e pergunto: como tem coragem de tocar na Bíblia, como tem coragem de ser hipócrita para com o Senhor? O capelão do meu batalhão em África era um pobre jesuíta que se queixava das instruções que o obrigavam a fazer a apologia do colonialismo em nome do Deus e não tenho a menor dúvida que Jesus o cuspiu da Sua boca. Porque não pede perdão por ter afastado tanta gente da Virtude com as suas atitudes, as suas homilias, até com a utilização ignóbil das pobres crianças de Fátima a quem Nossa Senhora pediu em português  -  (que outra língua saberiam elas?)  -  para rezarem pela conversão da Rússia comunista, elas que nem sabiam o que comunismo queria dizer, manobradas sem vergonha pela hierarquia eclesiástica. O que terá sofrido o nosso capelão   -   (Tenho de fazer isto, tenho de fazer isto, dizia ele)  -  obrigado a louvar a guerra santa, obrigado a prometer o Paraíso aos nossos mortos
  
Basílica de S. Pedro - Roma

criaturas inocentes condenadas a dois anos e tal de um sofrimento injusto. E a Igreja, passados mais de quarenta, permanece em silêncio, completamente alheada da sua culpa. Isto entende-se? Isto aceita-se? Isto apaga-se? Claro que os filhos das classes altas não iam para a guerra. Conheço filhos dessas classes altas poupados a África com desculpas inacreditáveis. Conheço os seus nomes e conheço as desculpas, desde “incompatibilidade psicológica com o Exército” (posso citar nomes) até “incontinência urinária” (posso citar nomes), até “pé chato” (posso citar nomes), até classificações aldrabadas durante a especialidade (posso citar nomes), e é impossível que a Igreja não soubesse disto. Soube, claro, colaborou. E até hoje nenhuma voz oficial dela se ergueu, nenhuma voz oficial dela protestou, nenhuma voz oficial dela pediu perdão a Portugal, nenhuma voz oficial dela pediu perdão aos portugueses, nunca os sucessivos cardeais roçaram sequer este assunto quanto mais falar nele. Pelo contrário: abençoaram o Estado Novo que perseguiu os sacerdotes que ousaram, ainda que só timidamente, levantar a voz contra isto tudo. Perseguiram-nos, expulsaram-nos fizeram-lhes a vida negra. Nem disso a Igreja a que pertenço tem vergonha? Um bocadinho de vergonha ao menos? Limitou-se a arranjar bispos castrenses que aceitaram, apadrinharam, foram cúmplices desta situação.

Baílica de S. Pedro - Roma

Não temos uma Igreja de Cristo, temos, sob muitos aspectos, uma Igreja hipócrita e complacente. Cristo não foi nunca hipócrita nem complacente: Porque é que a Igreja portuguesa o é? Tenho o maior orgulho no meu País, não tenho o menor orgulho nesta Igreja. Se Cristo aqui estivesse vomitá-la-ia da sua boca por não ser fria nem quente. Meu Deus será que nem arrependimento existe? Será que pensa que a memória dos homens é curta? Será que pensa que os portugueses esquecem? Será que não se importa de ser vendilhão do Templo? Será que acredita que vai ficar impune aos olhos do Senhor? Será que imagina que o Senhor não sabe? Será que toma Deus por parvo? Será que cuida que São Paulo, por exemplo, não a varreria? Onde estão as palavras do Senhor? Os Seus ensinamentos? O Seu exemplo? Ainda que em linguagem aparentemente críptica Cristo foi sempre muito claro. E quem quiser ouvir que oiça. A ditadura acabou em 1974, há quarenta e três anos portanto. E nem uma voz até hoje? Nem um simples pedido de perdão, nem uma confissão fácil   -   Errei   -   não existe nenhuma humildade honesta neste silêncio, não existe o simples assumir de uma culpa, de um erro formidável, de um silêncio indecente. Dói-me na alma que a minha Igreja, o meu Deus sejam amesquinhados e esquecidos pelos que se dizem Seus filhos. Tenho vergonha. Tenho nojo. Tenho pena de vós que pagareis por isto. Será que um simples pedido de desculpa não alivia a alma? Parece que não. Por isso, quando morrer, não quero a vossa hipocrisia em torno do meu caixão. Basta-me que a sombra de Cristo ou de um dos seus Anjos se apiede, mesmo de longe, ainda que de muito longe, da minha alma pecadora. Não quero nenhum fariseu junto ao nosso diálogo. Quereria um Homem Justo. Um Homem Justo bastava-me. Onde, na hierarquia da Igreja, da minha pobre Igreja, ele estará?

(VISÃO, de 8 de junho de 2017)

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2019-02-23

 

ARNALDO MATOS e o MRPP

Arnaldo Matos faleceu e naturalmente muitos são os comentários sobre esta controversa figura pública.
Quando está em marcha uma revolução – no caso a do 25 de Abril de 1974/75 – ser-se ultra revolucionário e assim mobilizar contra ela partidários da mudança menos conhecedores dos mecanismos da política é uma forma de sabotar a revolução e tornar-se um instrumento 
objectivo da contrarrevolução. Foi esse o papel do MRPP e de Arnaldo Matos na revolução portuguesa, para lá do papel positivo que terá tido durante o regime fascista.
Alguns jovens revolucionários com grande qualidade, palmilharam esse sedutor caminho até ao momento em que descobriram que afinal ele conduzia à ravina. Vários são hoje respeitáveis figuras da política e da cultura.

Em  1974-1975 e anos seguintes Arnaldo Matos, o ultra revolucionário dirigente do MRPP, muito apreciado, ainda que apenas nos bastidores da política, pelos líderes da contrarevolução, dizia que a revolução nascente de 1974 era:


 “uma manobra da burguesia promovida por um sector da oficialagem do exército colonial-fascista" e desencadeada “contra a camarilha marcelista”.

em Fevereiro de 1976 dizia que “A Constituinte é um covil de parasitas”, definindo as primeiras eleições legislativas pós-25 de Abril como “uma manobra da burguesia para obter do povo um aval, o cheque em branco de que falava a camarilha marcelista, para, no dia seguinte à abertura do novo Parlamento, impor aos operários e aos camponeses a mais desenfreada das explorações e a mais impiedosa das repressões”. A Constituinte era “um moinho de palavras” que servia para “aplaudir a quatro patas os conluios celebrados, fora da Constituinte, entre as diversas facções da classe dominante”.   (Aqui: Link )

Entretanto Marcelo Rebelo de Sousa comenta no “sítio” da Presidência da República o falecimento de Arnaldo Matos:

       “Personalidade da vida pública portuguesa conhecida pelo desassombro das suas intervenções, Arnaldo Matos ficará na memória de todos como um defensor ardente da liberdade e como um lutador pela causa da justiça social e dos mais desfavorecidos.
Concordando-se ou não com as suas ideias e afirmações, a voz de Arnaldo Matos, pela sua intransigente independência, contribuiu decisivamente para enriquecer o debate democrático e para o pluralismo de opinião no seio da sociedade portuguesa.
Por tudo isso, Portugal ficou mais pobre com o seu desaparecimento. “

Tais considerações do PR só são entendíveis com o presumível regresso mental aos tempos do PREC em que Marcelo, então importante figura da direita nacional, assim entenderia o papel do líder do MRPP.

Já no Público Pacheco Pereira diz sobre Arnaldo Matos:

"Outro aspecto muito sui generis do MRPP era o modo bem pouco leninista como se entrava e saía da organização, como foi o exemplo do próprio Arnaldo Matos, que, em luta pela “linha vermelha” contra a “linha negra”, se afastou da organização, sempre com uma pertença ambígua. Dedicou-se durante longos anos à sua profissão de advogado num grande escritório de advogados, para voltar recentemente de novo ao MRPP, envolvido numa luta fratricida e excessiva com Garcia Pereira. Arnaldo Matos escreveu coisas inomináveis, quase obscenas, sobre os seus adversários, usando o pseudónimo de “Espártaco”, e a violência dos textos marcou os seus últimos anos de vida."(Aqui link)   

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2019-02-07

 

A Nova Guerra Fria e a Venezuela


Artigo de Boaventura Sousa Santos, director do Centro de Estudos Sociais, no Público de 2019-02-06  (sem os mapas )

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Não é difícil concluir que não está em causa a defesa da democracia venezuelana. O que está em causa é o petróleo da Venezuela.

O que se está a passar na Venezuela é uma tragédia anunciada, e vai provavelmente causar a morte de muita gente inocente. A Venezuela está à beira de uma intervenção militar estrangeira e o banho de sangue que dela resultará pode assumir proporções dramáticas. Quem o diz é o mais conhecido líder da oposição a Nicolas Maduro, Henrique Capriles, ao afirmar que o Presidente-fantoche Juan Guaidó está a fazer dos venezuelanos "carne para canhão".
Ele sabe do que está a falar. Sabe, por exemplo, que Hugo Chávez levou muito a
sério o destino da experiência socialista democrática de Salvador Allende no Chile. E que, entre outras medidas, armou a população civil, criando as milícias, que obviamente podem ser desarmadas, mas que muito provavelmente tal não ocorrerá sem alguma resistência. Sabe também que, apesar do imenso sofrimento a que o país está a ser submetido pela mistura tóxica de erros políticos internos e pressão externa, nomeadamente por via de um embargo que a ONU considera humanitariamente condenável, continua entranhado no povo venezuelano um sentimento de orgulho nacionalista que rejeita com veemência qualquer intervenção estrangeira.
Perante a dimensão do risco de destruição de vidas inocentes, todos os democratas venezuelanos opositores do governo bolivariano fazem algumas perguntas para as quais só muito penosamente vão tendo alguma resposta.
Porque é que os EUA, acolitados por alguns países europeus, embarcam numa posição agressiva e maximalista que inutiliza à partida qualquer solução negociada? Porque é que se fazem ultimatos típicos dos tempos imperiais dos quais, aliás, Portugal tem uma experiência amarga? Porque foi recusada a proposta de intermediação feita pelo México e o Uruguai, que tem como ponto de partida a recusa da guerra civil? Porque um jovem desconhecido do povo venezuelano até há algumas semanas, membro de um pequeno partido de extrema-direita, Voluntad Popular, directamente envolvido na violência de rua ocorrida em anos anteriores, se autoproclama Presidente da República depois de receber um telefonema do vice-presidente dos EUA, e vários países se dispõem a reconhecê-lo como Presidente legítimo do país?
A legitimidade concedida a um Presidente-fantoche e a uma estratégia que muito provavelmente terminará em banho de sangue faz-me sentir vergonha do meu Governo
As respostas virão com o tempo, mas o que vai sendo conhecido é suficiente para indicar por onde surgirão as respostas. Começa a saber-se que, apesar de pouco conhecido no país, Juan Guaidó e o seu partido de extrema-direita, que tem defendido abertamente uma intervenção militar contra o governo, são há muito os favoritos de Washington para implementar na Venezuela a infame política de regime change. A isto se liga a história das intervenções dos EUA no continente, uma arma de destruição maciça da democracia sempre que esta significou a defesa da soberania nacional e questionou o acesso livre das empresas norte-americanas aos recursos naturais do país. Não é difícil concluir que não está em causa a defesa da democracia venezuelana. O que está em causa é o petróleo da Venezuela.
A Venezuela é o país com as maiores reservas de petróleo do mundo (20% das reservas mundiais; os EUA têm 2%). O acesso ao petróleo do Médio Oriente determinou o pacto de sangue com o país mais ditatorial da região, a Arábia Saudita, e a destruição do Iraque, da Síria, da Líbia, no Norte de África; a próxima vítima pode bem ser o Irão. Acresce que o petróleo do Médio Oriente está mais próximo da China do que dos EUA. Enquanto o petróleo da Venezuela está à porta de casa.
O modo de aceder aos recursos varia de país para país, mas o objectivo estratégico tem sido sempre o mesmo. No Chile, envolveu uma ditadura sangrenta. Mais recentemente, no Brasil, o acesso aos imensos recursos minerais, à Amazónia e ao pré-sal envolveu a transformação de um outro favorito de Washington, Sergio Moro, de ignorado juiz de primeira instância em notoriedade nacional e internacional, mediante o acesso privilegiado a dados que lhe permitissem ser o justiceiro da esquerda brasileira e abrir caminho para eleição de um confesso apologista da ditadura e da tortura que se dispusesse a vender as riquezas do país ao desbarato e formasse um governo de que o favorito pró-norte-americano do futuro do Brasil fizesse parte.
Mas a perplexidade de muitos democratas venezuelanos diz especialmente respeito à Europa, até porque no passado a Europa esteve activa em negociações entre o governo e as oposições. Sabiam que muitas dessas negociações fracassaram por pressão dos EUA. Daí a pergunta: também tu, Europa? Estão conscientes de que, se a Europa estivesse genuinamente preocupada com a democracia, há muito teria cortado relações diplomáticas com a Arábia Saudita. E que, se a Europa estivesse preocupada com a morte em massa de civis inocentes, há muito que teria deixado de vender à Arábia Saudita as armas com que este país está a levar a cabo o genocídio do Iémen. Mas talvez esperassem que as responsabilidades históricas da Europa perante as suas antigas colónias justificassem alguma contenção. Porquê este alinhamento total com uma política que mede o seu êxito pelo nível de destruição de países e vidas?
LER MAIS
·         Venezuela, para que conste
A pouco e pouco se tornará claro que a razão deste alinhamento reside na nova guerra fria que entretanto estalou entre os EUA e a China, uma guerra fria que tem no continente latino-americano um dos seus centros e que, tal como a anterior, não pode ser travada directamente entre as potências rivais, neste caso, um império declinante e um império ascendente. Tem que ser travada por via de aliados, sejam eles num caso os governos de direita da América Latina e os governos europeus, e, noutro caso, a Rússia. Nenhum império é bom para os países que não têm poder para beneficiar por inteiro da rivalidade. Quando muito, procuram obter vantagens do alinhamento que lhes está mais próximo. E o alinhamento tem de ser total para ser eficaz. Isto é, é preciso sacrificar os anéis para não se irem os dedos. Isto é tão verdade do Canadá como dos países europeus.
Tenho-me reconhecido bem representado pelo Governo do meu país no poder desde 2016. No entanto, a legitimidade concedida a um Presidente-fantoche e a uma estratégia que muito provavelmente terminará em banho de sangue faz-me sentir vergonha do meu Governo. Só espero que a vasta comunidade de portugueses na Venezuela não venha a sofrer com tamanha imprudência diplomática, para não usar um outro termo mais veemente e verdadeiro da política internacional deste Governo neste caso.

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2019-01-24

 

A CGD emprestou contrariando pareceres e perdeu 1.200 milhões de €

A CGD fez empréstimos de cerca de três mil milhões de euros contrariando pareceres que informavam da ausência de garantias de pagamento e perdeu 1.200 milhões de euros.

Mas como foi para ajudar cerca de um milhão de portugueses atingidos pela pobreza ou pelo roubo de salários e pensões impostos pela "troica" ...

 desculpem, equivoquei-me...

os empréstimos foram a grandes empresas de gente multimilionária que depois não esquecem os favores e dão chorudos empregos a quem nos governos ou no Estado lhes fez favores destes com o nosso dinheiro.

Sim, porque se o dinheiro fosse dos Srs administradores ou dos governantes que autorizaram os empréstimos, outro galo cantaria.

Aconteceu alguma coisa a esta gentinha que malbaratou o dinheiro do Estado - o nosso dinheiro - que deveria ir para para o Serviço Nacional de Saúde, para o Ensino ou para a Segurança Social?

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2019-01-15

 

RODRIGO TAVARES : Manual de Instruções para Entender o Governo Bolsonaro

Artigo de Rodrigo Tavares* original aqui: link
14 DE JANEIRO DE 2019 - 13:19

O problema do novo governo brasileiro não é a ideologia de extrema-direita mas a falta de uma ideologia.

A embalagem diz que o governo de Jair Bolsonaro é de extrema-direita, antissistema, tecnocrata e formado pelos mais resilientes à corrupção. Porém, as primeiras semanas de administração destapam um cenário diferente, que vai ficando cada vez mais ostensivo à medida que o tempo passa.
Sem experiência executiva e, por isso, sem acesso a uma equipe de trabalho lubrificada e preestabelecida, Bolsonaro não conseguiu compor um governo conexo.
Na verdade existem pelo menos três governos dentro do governo Federal, com vasos comunicantes coagulados entre eles.
O primeiro é o dogmático. É a concessão de Bolsonaro às suas inquietações néscias e às igrejas evangélicas dos subúrbios das grandes cidades. É o regresso ao julgamento de Galileu pela Inquisição. Sem eloquência nem 
ciência,  defende-se o fim do "globalismo" e do "marxismo cultural" (Ministro das Relações Exteriores), creem ter tido visões de Jesus Cristo em cima de uma goiabeira (Ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos) ou acreditam que "Deus está de volta ao Brasil" (Ministro da Educação). É o grupo dos despreparados e dos que gerarão a matéria-prima para o escárnio internacional.
Mas serão úteis também. Servirão para desviar as atenções das medidas impopulares aplicadas por outros grupos, darão conforto emocional aos brasileiros que verdadeiramente acreditam que o criacionismo deve ser ensinado nas escolas e o socialismo abolido dos livros, e ajudarão a cultivar bodes expiatórios. Se alguma coisa der errado, a culpa será dos opositores do regime: os defensores dos direitos humanos, a esquerda que "propaga que um feto humano é um amontoado de células descartável," ou os intelectuais e artistas "que vivem à custa de subsídios públicos."
É um grupo que idolatra Bolsonaro.
O segundo é o jurídico-militar-policial. É quem gosta de dar um murro na mesa e pôr ordem na casa. São os tratores que passam por cima do cereal para cortar caminho. Se for necessário dar ordens ao presidente, darão. Dos 22 ministros, sete são militares. É o grupo responsável pela coordenação estratégica, infraestrutura, segurança e defesa nacional, ciência, e minas e energia. Controlam os temas ligados à soberania nacional. Têm destaque o Vice-Presidente Hamilton Mourão, o Ministro da Justiça Sérgio Moro, o chefe da Secretaria de Governo (ministério que faz a ponte com o Congresso) Carlos Alberto dos Santos Cruz e o chefe do Gabinete de Segurança Institucional (responsável pelos serviços de inteligência), Augusto Heleno. Participam no governo com régua e esquadro. Encaram-no como uma missão de paz no Congo ou no Haiti.
É um grupo que mantém uma relação meramente institucional com Bolsonaro.
O terceiro grupo é o económico. Aqui o interesse é monetário. Liderado pelo Ministro da Economia Paulo Guedes, é composto por pessoas de ideias liberais que fazem uma incursão rápida pelo governo para vitaminar as suas carreiras e garantir o enxugamento da máquina do estado. Conhecem-se todos há muito tempo, partilharam universidades no estrangeiro, palestras em São Paulo e dividendos anuais em fundos de investimento. É por causa deste grupo que a elite brasileira votou em Bolsonaro. Marcarão o governo pelo pragmatismo. Tanto farão alianças com a China quanto com os EUA, cortarão dinheiro para a segurança social, apoios culturais e programas sociais até que o Excel fique no azul. Direitos trabalhistas, interesses indígenas e vontades da população negra não fazem parte do algoritmo. Mudança da Embaixada para Jerusalém? É um cataclismo irrelevante, desde que não afete as contas públicas.

O Ministro do Meio Ambiente, que em entrevista exclusiva à TSF , deixou claro que a sua prioridade é garantir a eficiência da máquina pública, diminuir o assistencialismo do estado às ONGs ambientalistas e cimentar uma aliança entre a sustentabilidade e o desenvolvimento económico, também faz parte deste grupo.
Quando a faca bater no osso, os integrantes deverão começar a sair do governo e a reocupar cargos no mercado financeiro. É um grupo que abomina os seus colegas dogmáticos, inquieta-se com o peso que o grupo militar possa vir a ter e que não nutre um particular respeito por Bolsonaro. Se conseguirem concluir o trabalho no primeiro mandato, vão torcer para que o presidente não se recandidate. Preferirão apoiar um republicano em sentido americano e alguém menos constrangedor. Um Sebastián Piñera brasileiro.
É por isso que o governo Bolsonaro, contrariamente ao que indica o anúncio, está longe de ser um governo ideologicamente homogéneo e mais longe ainda de ser um governo de extrema-direita. A maioria dos seus membros é simplesmente uma massa utilitarista e pragmática - seguem o poder. Também está longe de ser um governo antissistema. A maioria passou por governos anteriores, pelo Congresso Nacional ou por Assembleias Estaduais e quase todos são filiados a partidos políticos. O novo presidente do banco estatal de desenvolvimento BNDES, a joia da coroa da economia brasileira, foi ministro das Finanças da petista Dilma Rousseff.
Também não é um governo tecnocrata, que conseguiu atrair as melhores cabeças. 

Com meia dúzia de exceções, a qualidade técnica das pessoas é baixa. O Ministério da Educação, por exemplo, foi ocupado por educadores que se destacaram nas redes sociais e em blogues pelas suas teses radicais e autodidatas. O novo responsável pelo ENEM, a prova que dá acesso ao ensino superior, já defendeu publicamente que os professores no Brasil "pregam o aborto, incesto e pedofilia."
Finalmente, está muito longe de ser um governo dos puros. Alguns ministros e pessoas próximas a Bolsonaro, incluindo a própria família, ocuparam as manchetes dos jornais nas últimas semanas com suspeitas de corrupção e casos de improbidade administrativa e de fraude. E em nenhuma destas situações Bolsonaro tomou uma posição de força, de líder, ao afastá-las enquanto estivessem a ser investigadas.
E Agora?
Nos primeiros meses o Governo deverá anunciar medidas significativas, algumas delas durante o Fórum Económico Mundial, em Davos, na Suíça, ligadas à reforma da segurança social e do sistema tributário, à manutenção (ou não) do subsídio ao óleo diesel para os camionistas ou à privatização de empresas e infraestruturas públicas. Gerarão alguma empolgação.
Mas estes anúncios não deverão conseguir mascarar os riscos inerentes a este governo.
A comunicação entre os três grupos é gaguejante, como se viu logo na primeira semana quando Bolsonaro anunciou um conjunto de novas medidas económicos e foi humilhado por um secretário de estado que, a pedido do Ministro da Economia, desmentiu-as todas em público no mesmo dia. É como António Costa apresentar, de manhã, o novo aeroporto do Montijo e o Secretário de Estado das Infraestruturas dizer, à tarde, que afinal vai ser na Ota.
Por isso, os maiores riscos deste governo não advêm do tamanho de criança do vocabulário de Bolsonaro nem da sua feição intolerante. O presidente é apenas um ser "ignorante, abanando com a cabeça que sim" (como Eça de Queiroz descreveu a Assembleia da República). Alguém que preza o escapismo e a desconversa para disfarçar as suas ignorâncias. A maior ameaça é a possibilidade do governo começar a esfarelar-se por dentro - conflitos internos, duplicação de funções, falta de comunicação, adoção de medidas inoperantes, casos de corrupção.
Se a sua 8.ª maior economia tornar-se ingovernável, o mundo será afetado. E Portugal necessariamente também.
* Rodrigo Tavares é fundador e presidente do Granito Group. A sua trajetória académica inclui as universidades de Harvard, Columbia, Gotemburgo e California-Berkeley. Foi nomeado Young Global Leader pelo Fórum Económico Mundial.

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2019-01-10

 

ADIS ABEBA - ETIÓPIA -1977

Em Setembro de 1977, de 10 a 14, estive em Adis Abeba nos festejos comemorativos do 3º aniversário da revolução etíope, em representação do PCP e a convite do Governo Militar Provisório.
Um grupo de militares jovens de tendência marxista - uma espécie de MFA da Etiópia - que ganhou grande apoio popular ao derrubar o imperador Hailé Selassié no poder desde 1916 e imperador e encarnação de Deus, desde 1930.


Em recepções e encontros tive oportunidade de conversar com vários desses oficiais alguns bastante jovens, de modo informal e em ambiente muito descontraído. Falávamos em Francês já que Português eles não conheciam e eu não dominava nenhuma das línguas locais.


A revolução etíope ocorreu cinco meses depois da portuguesa e não sei se apenas para serem simpáticos comigo me disseram que ela lhes serviu de inspiração. Queriam que lhes falasse de Portugal e eu interrogava-os sobre a Etiópia.

A Etiópia é o país independente mais antigo de África e um dos mais antigos do mundo. Ainda que com fronteira variável as origens remontam segundo certas fontes a 3 mil anos. E estudos recentes indicam aquela região como o local mais antigo com vestígios do "homo sapiens".


Estava, com outras delegações, hospedado no Hotel Ghion. (na foto acima por trás de mim)


Na capital ora fazia um sol quente e radioso ora desabava chuva torrencial.
Quando saí do hotel a pé, para o local da tribuna, nas proximidades, de onde assistiríamos ao desfile popular, o sol brilhava mas, mal nada, vindas não sei de onde, apareceram umas nuvens que se desfizeram-se em torrente de água que me entrava pelo colarinho e saia aos pés pela boca das calças. Percebi então porque toda a gente andava com grandiosos chapéu de chuva ou de sol quando nada o justificava. Achava eu! Felizmente seguiu-se um sol abrasador que ainda na tribuna me enxugou.
Na tribuna estavam todos armados de chapéu para a chuva ou para o sol menos eu e um ou outro incauto estrangeiro. Foi assim que vendo-me indefeso perante os caprichos da natureza o representante da Igreja Ortodoxa, a meu lado, bispo, cardeal ou coisa que o valha, me chamou para debaixo do seu largo chapéu e me abrigou do sol que faiscava em brasa.

Sobre a Etiópia ver aqui na Wikipédia    

As fotos, tiradas por mim, excepto as duas em
que estou, mostram a zona do Hotel Ghion, no centro de Adis Abeba.

  


Na viagem de regresso o avião sobrevoou as célebres pirâmides de Gizé, no Egipto e da janela do avião consegui delas esta imagem.

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2019-01-03

 

Bolsonaro quer despedir funcionários com "ideias socialistas e comunistas"


Com Bolsonaro o Fascismo Anuncia-se SEM DISFARCE, Impante e brutal  O texto que se segue foi obtido em 2019-01-03 TSF online   aqui

Intenções do governo liderado por Bolsonaro foram dadas a conhecer por Onyx Lorenzoni, ministro da Casa Civil.

Lorenzoni explicou que esta questão foi abordada na reunião que Bolsonaro teve esta quinta-feira com seu Conselho de Governo, que inclui os titulares dos 22 ministérios, e que será aplicado em todos os setores da administração pública.
Lorenzoni destacou ainda que os "critérios" para decidir sobre a situação dos funcionários também serão "técnicos" e que ainda irão definir se os cargos dos funcionários demitidos serão preenchidos novamente ou se serão extintos.
Na reunião, Bolsonaro e os seus ministros decidiram que cada área do Governo brasileiro vai fazer um inventário de imóveis para realizar uma futura venda dos que não são necessários.
"A primeira informação diz que o Estado tem cerca de 700 mil propriedades em todo o país, o que causa imensos custos de manutenção", afirmou Lorenzoni.
O ministro da Casa Civil acrescentou que o novo Governo identificou que há ministérios que, apesar de terem os seus próprios imóveis, ainda "alugam outros espaços", o que "não faz sentido", aumentando desta forma o gasto público "que o Presidente Bolsonaro está determinado a reduzir". 
Lorenzoni insistiu que todas essas decisões serão tomadas com critérios "absolutamente técnicos", como Bolsonaro defendeu durante a campanha eleitoral.
"Como diz o capitão [Bolsonaro], estamos aqui para servir a sociedade e não as ideologias", concluiu o ministro da Casa Civil.

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2018-12-02

 

“Marxismo cultural”, obsessão dos bolsonaristas

“Marxismo cultural”, obsessão dos bolsonaristas, foi invocado por neonazi para matar 77 pessoas na Noruega. 

 

Bolsonaro e Rodriguez, novo ministro da Educação
Há uma bandeira que une os mentores intelectuais (sic) do bolsonarismo: a luta contra o chamado “marxismo cultural”.
Essa batalha é travada com força e com vontade pelo futuro chanceler Ernesto Araújo e seu anunciado colega ministro da Educação, o colombiano Ricardo Vélez Rodriguez.
Num artigo lelé da cuca intitulado “Trump e o Ocidente”, publicado em seu blog, Araújo jura que o presidente dos EUA está salvando a civilização do “marxismo cultural globalista” ao defender a “identidade nacional, os valores familiares e a fé cristã, enquanto a Europa não o faz”.
Rodriguez não deixa por menos.
Autor de livros contra o PT, ele assina uma postagem com planos para o MEC em sua página na internet — denominada, sugestivamente, “Rocinante”. No caso, o cavalo de Dom Quixote. Ainda assim, um cavalo.
Os brasileiros, segundo Rodriguez, são “reféns de um sistema de ensino alheio às suas vidas e afinado com a tentativa de impor, à sociedade, uma doutrinação de índole cientificista e enquistada na ideologia marxista, travestida de ‘revolução cultural gramsciana’, com toda a coorte de invenções deletérias em matéria pedagógica como a educação de gênero” etc etc.
Resenhou o livro “Educação física e regime militar: Uma guerra contra o marxismo cultural”, picaretagem que alega, entre outras coisas, que “o esporte-educacional, como aquele observado nos anos de 1964 a 1985, aparece claramente com o notável intuito de formar a juventude brasileira por meio de valores supremos”.
Ambos são seguidores e indicações do “filósofo” Olavo de Carvalho, general dessa guerra contra o que ele definiu numa coluna seminal (sic) no Globo, de 2002, como “uma nova escola” que quer destruir o Ocidente.
Ela tem “influência predominante nas universidades, na mídia, no show business e nos meios editoriais”. A esquerda, mais especificamente os governos petistas, tornou-se seu arauto.
Tanto Jair quanto seus filhos papagueiam tio Olavo repetindo essa expressão sempre que julgam necessário parecer, inutilmente, inteligentes.
É um bicho papão da extrema direita no mundo.
No New York Times, Samuel Moyn, professor de Direito e História da Universidade de Yale, nos EUA, resumiu o conceito como “um meme de 100 anos de idade”, com “uma história longa e tóxica”.
“Nada disso realmente existe”, afirma, numa excelente análise.
“Mas é cada vez mais popular acusar os efeitos nefastos do marxismo cultural na sociedade – e sonhar com seu violento extermínio.”
Moyn associa essa tese paranoica ao antissemitismo.
Bolsonaro e o futuro chanceler Ernesto Araújo | Sérgio Lima/AFP

Lembra que Anders Breivik, o neonazi terrorista que matou 77 e feriu 51 num acampamento do Partido dos Trabalhadores norueguês, na ilha de Utøya, em 2011, justificou a barbárie mencionando o marxismo cultural, ameaça à “cristandade” moderna.
Destaco alguns trechos para entender em que buraco a inteligentsia bolsonaro-olavista quer atirar o Brasil:
Originalmente uma contribuição americana para a fantasmagoria do alt-right, o medo do “marxismo cultural” vem se infiltrando há anos através de esgotos globais de ódio. (…)
Em junho, Ron Paul tuitou um meme racista que empregou a frase. No Twitter, o filho de Jair Bolsonaro, o recém-eleito homem forte do Brasil, gabou-se de conhecer Steve Bannon e unir forças para derrotar o “marxismo cultural”. (…)
O “marxismo cultural” também é um dos temas favoritos do Gab, a rede de mídia social em que Robert Bowers, o homem acusado de matar 11 pessoas em uma sinagoga em Pittsburgh no mês passado, passou algum tempo. (…)
Em seu manifesto de 1 500 páginas, o norueguês de direita Anders Breivik, que matou 77 pessoas em 2011, invocou o “marxismo cultural”. Repetidamente. “Ele quer mudar o comportamento, o pensamento e até as palavras que usamos”, escreveu. “Até certo ponto, já o fez.”
De acordo com seus oponentes ilusórios, “marxistas culturais” são uma aliança profana de aborteiros, feministas, globalistas, homossexuais, intelectuais e socialistas que traduziram a velha campanha esquerdista para levar os privilégios das pessoas da “luta de classes” à “política de identidade”. (…)
Alguns dos teóricos da conspiração que traçam as origens do “marxismo cultural” atribuem um significado desproporcional à Escola de Frankfurt. (…)
Muitos membros da Escola de Frankfurt fugiram do nazismo e foram para os Estados Unidos, onde supostamente carregavam o vírus do marxismo cultural para a América.
O discurso mais amplo em torno do marxismo cultural hoje se assemelha a uma versão do mito do “bolchevismo judeu” atualizada para uma nova era.
Nos anos após a Revolução Russa, os fantasistas aproveitaram o fato de que muitos dos seus instigadores eram judeus para sugerir que as pessoas poderiam economizar tempo equiparando o judaísmo ao comunismo – e matar ambos com um único golpe. (…)
A defesa do Ocidente em nome da “ordem” e contra o “caos” é um assunto antigo que se apresenta como um novo insight. Isso levou a danos graves no último século. (…)
Esse “marxismo cultural” é uma calúnia grosseira, referindo-se a algo que não existe, mas infelizmente não significa que pessoas reais não vão pagar o preço, como bodes expiatórios para apaziguar um sentimento crescente de raiva e ansiedade.
E, por essa razão, o “marxismo cultural” não é apenas um desvio triste de enquadrar queixas legítimas, mas também uma atração perigosa em um momento cada vez mais desequilibrado.

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