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2006-02-19

 

Choque de ignorâncias


Há uma semana o Aga Kahn, na Universidade de Évora, iluminado, dizia que mais do que choque de culturas - cartoons e incêndios de embaixadas - era "choque de ignorâncias".
Hoje com os quatro canais de TV nacionais, todo o santo dia, sobre a "irmã Lúcia", sabendo pelo DN que uma estação de TV norte-americana espalhará o milagre de Fátima para mais 150 canais de todo o mundo, para além de 250 mil peregrinos no terreno, concluo com satisfação que face ao milhão de peregrinos de Meca mas menos (presumo) telespectadores por todo o mundo, estamos em situação de não recear meças em matéria de "choque de ignorâncias".

Comments:
Essa dos 250 mil peregrinos no terreno parece que foi a peta do ano...
 
Há de facto uma diferença fundamental neste "choque".Este nosso vira-se para o interior de cada um, enquanto o outro explode para o exterior em ódio e violencia manipuladamente dirigidos.
 
Mas religião = ignorância?
JAbel
 
Não gosto de brincadeiras de "mau gosto" pois o comment anterior não é da minha autoria.
 
Não me parece que aquele JAbel seja o João Abel mas para a resposta é indiferente quem pergunta. É sabido que religião é ignorância. É óbvio que religião é "ópio do povo". É patente que religião é um grande negócio. Negócio em que se mercadeja as imagens, as relíquias, se contribui para sustentar as igrejas, o seu aparelho, as suas nomenclaturas. Negócio do turismo e de toda a indústria ligada às igrejas. Mas a principal mercadoria, a mercadoria estratégica, é a mente de milhões de pessoas. O seu controlo e assim a instrumentalização de milhões de homens. Ao serviço da nobreza, de Salazar, de Franco, dos Bushs, dos Bin Ladens, da família Saud que têm um país com o seu nome, sua quinta, dos sultões de todas as Arábias.
Mas também é evidente que religião não se reduz a nenhuma destas suas cracterísticas nem à soma delas. Se assim fora... É também consequência e necessidade de segurança dos homens num mundo inseguríssimo. Desde sempre. Ante a incontrolável Natureza, ante as incontroláveis forças sociais. Quanto mais insegura, precária, miserável é a vida das pessoas mais necessidade elas têm de um amparo. Um amparo mesmo tão ilusório ou tão "caro" (porque entregam uma parte do seu comportamento às directivas de outrém)quão a religião. Mas também para outros ou para os mesmos a religião é uma necessidade de resposta (mesmo que não resposta)ao enigma da vida, do mundo, do universo. Porquê? Para quê? Perguntas que a humanidade se coloca desde os seus primórdios e para as quais não terá resposta a não ser através de uma qualquer crença.
O pior das religiões é, sem dúvida, a sua incomensurável capacidade instrumental que nenhum déspoda (ou poder opressor) desprezará.
 
Olá João Abel, já calculava para não dizer que tinha a certeza que o comentário não era teu.
 
Pois é Margarida afinal a manifestação ficou-se pelas dezenas de milhar. E foi com uma promoção enorme pela estranja.
GP, realmente há grandes diferenças. A quantidade de gente desempregada, na miséria e enraivecida com a sua situação cuja culpa (em parte com razão) atribuem ao Ocidente por aqueles mundos de Deus, com vontade de derreter tudo à volta incluindo eles próprios, é muito maior do que entre nós. Separam-nos muitos dólares de rendimento per capita, o iluminismo, avanço tecnológico e cultural. Mas tudo é relativo. O cidadão mais civilizado e pacífico com fome, insegurança e medo vira lobo feroz. Vimos isso nos Balcãs.
 
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