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2006-02-28

 

Voltando à fusão Gaz de France/Suez

Esta fusão, como ficou claro no post abaixo e nos comentários vários de vários, foi cozinhada pelo governo francês. Os argumentos do governo não foram lá muito claros: talvez esteja em vista uma privatização a prazo.

De qualquer modo, esta operação está a suscitar agitação nas relações diplomáticas Itália/França e algum incómodo na UE que, no início, mostrou estar a "passar ao lado" da questão e agora começa a admitir a hipótese de intervir. O porta voz da Comissão garantiu ontem que vai ser examinado com o máximo cuidado e rigor se a fusão anunciada respeita na íntegra "as regras do mercado interno e da livre circulação de capitais".

A questão para que não tenho resposta é: ganha a população francesa algo com esta operação? Ou, pelo contrário, avançou-se precipitadamente para a criação de um novo gigante mundial, sem se ajuizar ponderadamente os impactes sócio - económicos?

Comments:
Até agora a população em geral nunca ganhou grande coisa com a criação de gigantes, o exemplo que me vemn à memória é a da fusão Total/Fina/Elf que se saldou pela perda de muitos postos de trabalho, e a gasolina não está mais barata.
Quem ganhou muito com a fusão foram os mercados financeiros, a Total tem tido lucros enormes e as acções não param de subir.
No caso concreto da GdF é de temer que o preço do gás suba em flecha, actualmente o ministro das finanças pode recusar um aumento que estime demasiado importante, quando a empresa for privada será dificil impedi-la de fixar livremente os preços e como a concorrência não se interessa pelo mercado dos particulares continuamos numa situação de monopólio...
 
Veremos se a Comissão tem força para fazer algo de concreto contra o governo francês... Conhecendo o seu mutismo frente às repetidas violações do PEC, parece-me que não...

E sim, as fusões só interessam aos especuladores e aos proprietários que as usam para criar redundâncias e fazerem despedimentos... Depois, eliminada a concorrência, fazem subir os preços, baixar os custos e escalar os lucros. Como se vê, temos tudo a ganhar. Connosco, será o mesmo com a OPA da Sonae sobre a PT.
 
Pedro Ferreira:

"a gasolina não está mais barata"

"é de temer que o preço do gás suba em flecha"

Isto é bem verdade, mas, se isto acontece, é porque o preço do petróleo e, concomitantemente, o preço do gás natural, estão a subir nos mercados. Essa subida deve-se essencialmente ao facto de o equilíbrio entre a produção e a procura de petróleo estar nos limites.

É justo que os preços aos consumidores reflitam estes factos. Os consumidores têm que perceber que é cada vez mais difícil produzir o petróleo e o gás natural que eles querem, que cada vez há mais pessoas a querer comprar esses produtos, e que, portanto, é necessário reduzir o consumo.

Os franceses não podem esperar ter para eles toda gasolina e gás que lhes apetece, baratinhos, enquanto que os poços de petróleo secam e os chineses também querem comprar.

Não é?

Luís Lavoura
 
Pedro Ferreira:

"que se saldou pela perda de muitos postos de trabalho"

Há que perguntar: se a companhia continua a produzir o mesmo petróleo com menos trabalhadores, então o que estavam lá a fazer os trabalhadores que foram despedidos? Porque é que não haveriam de ter sido despedidos se, ao que parece, não eram neessários?

Luís Lavoura
 
Meu caro Luis Lavoura

A pergunta do João Abel era "o que tem a população a ganhar com a fusão". Na minha opinião quase nada ou muito pouco. Outro exemplo do que digo é a distribuição de água potável. Serviu para corromper ainda mais alguns políticos e para aumentar o valor da Veolia e da Lyonnaise des Eaux e pagamos hoje uma água de má qualidade a preços exorbitantes.

Sobre o preço do gás e da gasolina é evidente que o preço da matéria prima é o factor mais importante, no entanto, quando uma empresa tem um peso excessivo consegue esmagar a concorrência e impor os preços que quer. No caso da Elf isso traduz-se por um crescimento enorme dos lucros sem contrapartida para os clientes. Estou totalmente de acordo quando diz que a única solução para o problema dos combustiveis fósseis é a redução do consumo e a busca de alternativas.

Sobre os postos de trabalho, grande parte foram perdidos devido à fusão das 3 empresas que criou redundancias onde estas antes não existiam. Outros foram simplesmente sacrificados a uma lógica recente que impõe que se fechem fábricas rentáveis para transferir a produção para países com um nível de exigencia mais baixo, seja no que respeita à protecção social seja no que diz respeito ao ambiente (veja o exemplo da Dow Chemicals).
 
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