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2007-12-01

 

Descompassados (2)


[De uma modesta presença na capa...]

A ideia geral que os simpatizantes das políticas do governo para a administração central e local querem fazer passar é a de que a "maioria dos portugueses compreende" a austeridade imposta aos trabalhadores da função pública.
Não é isso porém que revela o barómetro DN/TSF, ao destacar que "uma maioria de portugueses concorda que existem razões para esta greve."
Dado, porém, que o mesmo barómetro "mostra,(...) paralelamente, que o Executivo liderado por José Sócrates continua a recolher o apoio da maioria dos portugueses", fica-se sem saber, ao certo, de que "maiorias" estamos a falar.
O autor do editorial do DN, de onde foram extraídas as duas anteriores citações, - "A greve da função pública e a confiança do governo" - começa por simular equidistância, dando uma no cravo, outra na ferradura. Após a constatação de que a greve dos trabalhadores do Estado é conhecida, compreendida e apoiada pela maioria dos entrevistados, segue-se a interpretação do editorialista. De acordo com ela, "existe uma larga compreensão para o rigor orçamental definido pelo Governo socialista".

Ai é?

Os portugueses "concordam" com os trabalhadores, por um lado, e também concordam com o governo que está a afrontar todos os sindicatos do sector?

Uma leitura mais sensata, revelaria que uma boa parte dos entrevistados confirma o seu apoio ao governo, mas, (como, aliás, não poderia deixar de ser), com algumas reservas. E uma dessas reservas consiste na dedutível "recomendação", - ao governo, - de maior atenção, entendimento e sensibilidade relativamente às injustiças acumuladas, ao longo dos últimos anos, sobre os trabalhadores da administração pública. É, aliás, esse, o sentido em que se têm pronunciado alguns membros do PS. Apoiam o Governo, - é óbvio - mas aconselham-no a virar, pelo menos, um "bocadinho" à esquerda.
[...à "Maior greve em dois anos"! Sensacional!]
O editorialista do DN interpreta de outro modo.

Dirão, alguns, que está no seu direito.

Pois está.

Mas está errado quando imputa à opinião filtrada pelo barómetro da Marktest uma ambivalência de ocasião. Chama-se a isso distorcer os resultados por via interpretativa. Os respondentes, por maioria, apoiam a greve dos trabalhadores da função pública, reconhecendo-lhe o fundamento. O diligente editorialista, ao invés, encontra uma forma de fazer parecer que esses mesmos entrevistados apoiam, simultaneamente e na ocorrência, o governo, contra os trabalhadores do Estado.

Um espertalhaço!






Comments:
Espertalhaço?

Esperto + palhaço?

Não deveria ser, antes, espertalhassa?

= esperto + talassa?

Que maneira esquisita que você tem de escrever, meu caro.
 
QUER VER QUE O DN VOLTOU AO TEMPO EM QUE O SARAMAGO ERA DIRECTOR E QUE SANEAVA QUEM NÃO FOSSE DA COR?
TUDO QUE NÃO DIGA BEM DO GOVERNO SÃO PERIGOSOS COMUNISTAS OU QUEREM O MAL DESTE GRANDE PAÍS DE FUTEBOL, AUDIs A4, CENTROS COMERCIAIS E FAMÍLIAS SUPERSTAR NA TV.
FOI PARA ESTA MERDA QUE MUITOS FIZERAM SACRIFÍCIOS.
 
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