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2004-06-28

 

Ficção política IV



Com a ajuda dos media (mass, sms, blogs e até face a face) temos estado a discutir a eventualidade da ida de Durão Barroso para Presidente da CE, sabendo que se trata ainda de um cenário, de uma possibilidade entre outras.
As motivações dos intervenientes na discussão são diferentes - uns facilitam a aceitabilidade do cenário P. Santana Lopes em 1º Ministro enquanto outros (e são mais do que eu poderia supor) acham a solução abstrusa. De um modo ou de outro, todos concorremos para criar a impressão de que o “cenário” se está a objectivar. Há quem pense, mesmo, que os dados já estão lançados e não nos resta senão assistir "desportivamente" à sua realização.

A Associação Nacional dos Bombeiros Profissionais e o Sindicato Nacional dos mesmos, por exemplo, com base no cenário de que vimos falando ficcionalmente, desconvocou uma greve marcada para a próxima sexta-feira

Bombeiros profissionais desconvocam manifestação e greve de sexta-feira (28/06 | 18:52)

“devido ao novo cenário político criado com a eventual nomeação do Primeiro Ministro para a presidência da Comissão Europeia”, dizem em comunicado, acrescentando que, por isso, não consideram o momento oportuno. Isto é, face ao virtual, o “real” rende-se.

Acerca desta tendência de os humanos considerarem que os resultados dos seus trabalhos e congeminações ganham vida própria - uma certa autonomia - li há pouco uma excelente colecção de ensaios que tratam entre outras coisas, desta. O livro chama-se “Dilemas da Civilização Tecnológica” (Lisboa, ICS, 2003) e o ensaio que me ocorreu, da autoria de José Luis Garcia, intitula-se “Sobre as origens da crítica da tecnologia na teoria social. A visão pioneira e negligenciada da autonomia da tecnologia de Georg Simmel”. Vale a pena ler.

Gostei dos comentários de J. Ferreira e A. Madeira às Ficções Políticas III. Vou aceitar a sugestão e visitar quanto antes os nossos colegas da Causa Nossa.

Comments:
No meu círculo restrito de amigos há uns que me acham (simpaticamente) "anarca" outros um tanto quanto "provocador" pelos comentários que costumo animar. Estes últimos são os de tendência PS. Não sei em qual das facetas me enquadram neste comentário. Bem, o que eu acho é que o PS entregou o ouro "ao bandido" há dois anos atrás e não esperava que "o bandido" se metesse em alhadas e o pudesse devolver tão cedo. E está à rasquinha e o país também. Tanto assim que manda para Bruxelas a sua esquadra principal e não foram mais porque era feio, embora alguns foram porque precisam de uma certa travessia/distanciamento.
Agora, quanto ao Santana eu não percebo as diferenças? Ele não era o Vice de DB? Que raio? A distância é assim tão grande? Ser mais ou menos europeu (desta Europa)?!!. Ou pesam nesta nossa visão argumentos morais? Santana teve muitas mulheres. OK. Assume. Pior são os que têm esses comportamentos, mas clandestinos.
Abaixo esta podre moral. Daí que não me deixo levar pelos argumentos meio formais. Ele tem tanta legitimidade como Durão.

Vamos então atirar a sério se queremos eleições. O governo enganou-nos, fez muito pouco, tirou-nos alguma qualidade de vida e não endireitou as finanças do País. Espero que não me digam que a Drª Ferreira Leite, a do "golpe de Estado", ouviram, é mais representativa que Santana.
J. Ferreira
 
Acho bem que não nos deixemos convencer por argumentos meio formais. Por isso mesmo é que titulei estes fragmentos de conversa (quando é a minha vez de falar, entenda-se) Ficções Políticas.

Acho que fará todo o sentido exigir eleições antecipadas se o 1º Ministro se demitir. Ele não pode deixar o Governo sem se demitir, é claro.

Se não se demitir, decidir ficar em nome do "interesse nacional", a ficção será necessariamente outra.

O povo de esquerda não deveria ficar refém de um cenário que os amigos do DB idealizaram e puseram a circular. Podemos perfeitamente examiná-lo sem sermos obrigados a viver "lá dentro".

Não são as diferenças entre o PSLopes e JMDBarroso que me inquietam. É a sucessão tranquila que alguns estão a preparar.

Quanto às apreciações que o J. Ferreira faz no seu comentário, estou em sintonia com a metáfora da entrega do "ouro ao bandido", e não poderia estar mais de acordo com a avaliação genérica que faz da política deste Governo.

Para mim, as Ficções Políticas, seja qual for o desfecho do folhetim DBarroso, não acabam amanhã...
 
Duas pequenas notas sobre o último comentário do Manuel Correia e uma precisão de posicionamento político. Primeiro, contesto essa do povo de esquerda. Há pensamento muito diferente e ainda bem, pelo que prefiro povo das esquerdas. Segundo e esta doi. Há "dirigentes" que nunca na vida aceitariam cooperar entre si, por muitos (falsos)apelos que façam nesse sentido: ficavam sem poleiro. Precisão em todo este processo das esquerdas(?) no caminho das eleições sente-se que falta alguma verdade. Todos os argumentos são avançados, os equívocos são muitos: não se deve condenar o Santana ou outro qualquer por ele não ser representativo, mas sim o PSD e a coligação de direita porque está a preparar mais um embuste como foi toda a anterior governança.
J. Ferreira
 
Resposta breve ao comentário anterior:

J. Ferreira tem, talvez, razão. "Povo de esquerda" e "Povo das esquerdas" são designações que apontam para identidades diferentes. Também sou a favor de tudo o que respeite a pluralidade de identidades. Descuidei-me, pelos vistos. Mesmo o termo "Povo" é já de um grau de generalização tal que só a pressa da escrita lhe justifica o uso. No entanto, obrigado pela chamada de atenção.

Quanto aos dirigentes políticos (partidários e outros) que falam de unidade mas sobrevivem hierarquicamente graças ao seu sectarismo e ao dos seus pares, estou de acordo. Também conheço alguns.

Até breve.
 
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