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2004-08-06

 

Quando o que tem que ser tem muita força (1)


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1. Não se percebe muito bem como o Mário Lino quer discutir (?) as ideias e as pessoas apresentadas nesta campanha eleitoral destinada a escolher o próximo SG do PS. Li o "post" dele e fiquei varado. Dei por mim a pensar: então o Sócrates já convenceu o Mário Lino? Resposta: Parece que sim... O Mário Lino já está convencido. De facto já estava, desde que Sócrates anunciou publicamente que se ia candidatar (basta ler o que escreveu neste mesmo blog por essa altura). O que o Mário Lino está a fazer é campanha pelo Sócrates disfarçada de discussão.

2. No estado actual das coisas, atrevo-me a sugerir que, pelo menos, troquemos impressões sobre o que parece aproximar ou afastar as candidaturas. Por exemplo: a política de alianças à esquerda. Acho um tema interessante. A obsessão da maioria absoluta para evitar discutir outros cenários prováveis, também. O respeito pela tradição de o SG ter de ser igualmente "candidato a 1º Ministro" é outro tema. Mas sobretudo importa-me não dar por adquirido que Sócrates, seja ele bom, mau ou assim-assim, venceu e convenceu antes de ter respondido a algumas questões cruciais.

3. O PS preocupou-se, finalmente, com os seus militantes. O estudo divulgado ontem por alguns órgãos de imprensa reveste uma importância extraordinária. Simultaneamente, os candidatos a SG aceitam debater publicamente as grandes ideias orientadoras do PS e de uma futura governação. Positivo. Aí o Sócrates recuou. Bem, a meu ver. Não recear o debate público parece um bom trunfo para a esquerda. As pessoas e as ideias devem compreender-se. O debate vive disso. O resto pode ficar para mais tarde.

4. Quanto a essa história de a direita estar "assustada" com Sócrates, basta ler o artigo de Mário Pinto no PÚBLICO de há uns dias atrás, juntar-lhe os resultados da sondagem que o Correio da Manhã e a Aximage fizeram, e tentar decifrar que direita será essa.

Comments:
Eu é que estou varado.
Então só se pode discutir uma matéria quando sobre ela não se tem convicções mas apenas dúvidas? Quem tem convicções e as submete à discussão pública está a fazer campanha eleitoral disfarçada de discussão? Mas tal posição não é contraditória com o facto de Manuel Correia considerar “que as pessoas e as ideias devem compreender-se” e que “o debate vive disto”?
E que é um “bom trunfo para a esquerda” que Sócrates e Alegre debatam publicamente....precisamente as suas convicções?
Não me venha pois o Manuel Correia dizer que só escreve sobre as dúvidas que tem, e não também sobre as suas convicções.
Eu, como escrevi sem ambiguidades, estou convicto de que, entre os três candidatos, o melhor para o PS e para a esquerda é o José Sócrates. Mas também estou empenhado em discutir esta minha convicção.
Isto em nada pretende desvalorizar as outras candidaturas, que têm todo o mérito e merecem toda a consideração, sendo mesmo fundamentais para o debate e para a clarificação da linha política do PS. E por isso escrevi também o que aqui me permito reproduzir: “José Sócrates, para vencer convincentemente este desafio, tem ainda uma importantíssima tarefa a realizar: a de clarificar tão completamente quanto possível, perante os militante do PS e perante o País em geral, o seu pensamento, as suas opções a sua visão do futuro, as suas prioridades enquanto líder da oposição e candidato a futuro Primeiro Ministro de Portugal. É isso, certamente, o que a maioria dos portugueses espera”.
Quanto aos temas que sugeres para debate, estou precisamente a ultimar um texto sobre a política de alianças, que espero publicar ainda hoje no PUXAPAVRA.
 
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Mário Lino tem razão. Apenas se terá esquecido, suponho, de designar um ou dois pontos fracos do candidato das suas convicções. O que, como se sabe, pode tornar qualquer discussão numa profissão de fé.

Mas acho bem que reaja assim.

Vamos, então, ao debate.
 
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