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2004-08-17

 

Relativizando as situações e talvez de forma mais apropriada as ideias (I)

A uns bons quilómetros de Lisboa dispondo, em simultâneo, de muito e pouco tempo, o que parece um contrasenso, mas é a realidade vivida, dei por mim a dispõr de algum espaço/tempo, não direi para grandes reflexões, mas de relativização dos problemas.

Sobre as questões mais diversas, temos alguma tendência para "as formatar" a partir de "ideias feitas" que, por vezes, nos acompanham ao longo da vida. Este background pode ser positivo quando não nos "fecha" a visão de mudança face à mudança envolvente.

Este curto comment vem a propósito da minha estada ou estadia (melhor escolherão os linguistas qual a palavra melhor) em Luanda.

Dei por mim a pensar, a testar no terreno, as ideias sobre Angola, (outras regiões e outros assuntos) que, por vezes, temos: "ideias feitas", elaboradas à distância mas que nem sempre colam com a realidade.

Não pretendo sugerir uma visão da problemática de Angola. Melhor dizendo tenho mais interrogações que certezas.

Para começar será que temos em conta a olhar para a realidade angolana uma questão tão comezinha como a de que só com o Memorandum de Entendimento , assinado a 2 de Abril de 2002 entre os representantes militares do MPLA e da UNITA, se restabeleceu a Paz no País e retomou o processo de Luanda, o qual foi formalmente dado por concluído, entre as partes e as Nações Unidas, em 21 de Novembro de 2002?

Foram quase 30 anos de guerra civil e de instabilidade no País, antes de se reunirem os pré-requisitos para o recomeço da edificação do Estado Angolano. Juntando-lhe o período de guerra colonial... temos um quadro de partida de bases muito frágeis. Um país destruído, sem pontes, sem estradas, com uns transportes muito deficientes, com um elevado número de minas espalhado pelo terreno,intimidando as pessoas, com quase um terço da população deslocada, dificultando o regresso aos seus locais de origem e o relançamento das produções agrícolas,- enfim uma situação económica bastante grave-basta ler os indicadores económicos das Nações Unidas com Angola numa posição muito baixa entre os países menos desenvolvidos do Mundo.

Apesar deste quadro negro, há confiança de que a situação está a melhorar e nas ruas de Luanda, única parte de Angola onde estive, há vida, movimento, muito comércio informal, até parece que os indicadores das Organizações Internacionais de tão "negros" não colam com a vida que pulsa e se sente nessas mesmas ruas.
Comments:
Sou uma angolana de cá e de lá. Não sei se sei agarrar aquela realidade. Mas atenção a realidade angolana é bem mais complexa das ideias feitas em Portugal. Há corrupção? Há, mas pergunta-se onde não há?! Não se cumprem as leis. E em Portugal? Basta olhar para o panorama da justiça. Atenção, olhe-se para Angola com muito cuidado. O Bloco Central é também uma ameaça para Angola.
 
Que optimismo militante! Rebati. Abraço. João Tunes - http://botaacima.blogs.sapo.pt
 
Também estive recentemente em Angola e, talvez por isso mesmo, revejo-me nestas "notas breves de viagem". Sente-se que, apesar da situação de grande precaridade, os angolanos vivem intensamente, com optimismo e esperança no futuro. Confundindo os sonhos e a utopia com a realidade, também eu passei a acreditar mais na capacidade daquele povo mártir para construir novos futuros mais promissores.
 
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