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2004-09-05

 

Partido Socialista, por extenso (3)


1. A ser verdade o que o semanário Expresso (caderno principal, página 13) dizia ontem, Cesário, que incluiu no PUXA-PALAVRA um comentário ao meu post «Partido Socialista, por extenso (2)», deve estar relativamente satisfeito. Perguntava o nosso comentador o que pensávamos acerca do Código do Trabalho. Respondi-lhe que, por mim, o Código deveria ser «extirpado de uma série de disposições que agravam a condição dos trabalhadores». Todavia, fui ultrapassado. Prova-se, assim, que qualquer dos candidatos a SG do PS está mais à esquerda do que eu, porque - passo a citar a peça do Expresso - «(...) no caso do Código Laboral, todos os candidatos acordaram na sua revogação, logo que a possibilidade se apresente ao PS».
O seu a seu dono.

2. Como o debate decorreu à porta fechada - exigência da entidade organizadora que José Sócrates acolheu contra a opinião dos outros dois candidatos - os jornalistas apenas puderam, no fim, recolher versões de alguns participantes. De onde se conclui que a Tendência Sindical Socialista tinha questões a abordar com os candidatos cujo teor não queria que caísse no domínio público. Estranho, mas, enfim... Ressalta, porém, uma nota inquietante. João Soares e Manuel Alegre estavam a favor da presença dos jornalistas; José Sócrates, não. Democraticamente, Sócrates não teria de submeter-se à maioria? Pois não teve.

3. Fica-se a saber (?) igualmente que Manuel Alegre anda a bater-se contra o «bloco central dos interesses» mas, em vésperas da formação do Governo do Bloco Central, votou a favor da sua formação, enquanto José Sócrates terá votado contra. Por outro lado, João Soares terá ilustrado a sua ligação ao mundo sindical declarando que nunca falta a nenhuma manifestação do 1º de Maio. Cada um valoriza o que pode.

4. M.M. Carrilho, apoiante de M. Alegre, propôs um «balanço crítico dos governos de António Guterres para perceber o que é necessário mudar no futuro». A resposta foi-lhe dada por António Costa (apoiante de José Sócrates) numa sessão realizada quinta-feira passada, no Cacém. Tal balanço constituiria, segundo António Costa, «um exercício de autoflagelação completamente suicidário». Se a disposição para o debate e a transparência é esta, não surpreende, então, o incómodo com a presença dos jornalistas...

5. Pelo evitamento dos jornalistas, do balanço crítico e do debate, insinuam alguns que o medo anda por aí. José Sócrates tem assegurado que não. Os outros dois concorrentes é que estão com medo de perder. Pronto. Confirma-se. Sempre há alguém que está com medo.


Comments:
Parabéns ao Manuel Correia por ser quem maior contribuição dá para o acompanhamento do debate entre as 3 candidaturas a S-G do PS.
Parabenizo-o (acho este brasileirismo uma contribuição de inultrapassável mau gosto para o "enriquecimento" da língua! Uso-a como quem usa anti-corpos)pois parabenizo o Manuel pela isenção e equilíbrio nas amostras do triálogo partidário.
Em todo o caso e sem querer prejudicar as judiciosamente sopesadas considerações deixo aqui uma outra possível interpretação do caso "porta fechada":
Dizes no post: "...exigência da entidade organizadora que José Sócrates acolheu contra a opinião dos outros dois candidatos... Ressalta, porém, uma nota inquietante. João Soares e Manuel Alegre estavam a favor da presença dos jornalistas; José Sócrates, não. Democraticamente, Sócrates não teria de submeter-se à maioria? Pois não teve."
A outra explicação possível (talvez ditada pela minha irreprimível veia facciosamente propagandista)é esta. Como dizes "a entidade organizadora fez saber como queria organizar. Sócrates aceitou. E as outras também! Por isso ficaram e participaram. Mas as outras manifestaram, pelo menos para os jornalistas e talvez também à entidade organizadora que discordavam. A entidade organizadora organiza como quer e entende. Não tem que ir a votos. Podemos achar bem ou mal. E os participantes também e se mal...recusar. Por isso não me parece que "Democraticamente, Sócrates [tivesse)...de submeter-se à maioria" nem me parece que devas ficar triste e penalizado como, quiçá erradamente, me parece poder-se concluir do teu pezaroso "Pois não teve."
A menos que te pareça que a coisa seja mais séria e faça parte da grande conspiração dos "95% do aparelho" contra os infelizes 5% do aparelho.
 
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Olá Raimundo,

também pode ser visto como dizes. Depois de ler o teu comentário, fiquei a achar que foi o que mais provavelmente se passou. A TSS organizou assim, e pronto. Pode ser. Fez-me uma certa impressão, no início, o José Sócrates não querer debates públicos; depois aceitar; depois aceitar só alguns; recusar os bilaterais. Mas admito que esteja a ficar demasiado comichoso e que tudo isso não passe de coincidência e apenas indisponibilidade de agenda. Finalmente, no conjunto, nem é muito relevante.
 
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