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2004-10-12

 

Da Propaganda do 1ºM ao Antigo Egipto

Nefertite Egipto 1340 AC Posted by Hello
O Gabinete do 1º Ministro combinou com as televisões a passagem do comunicado do chefe do Governo, no tempo de antena do Governo, a seguir ao telejornal. Mas o versátil Santana Lopes não resistiu e enganou a RTP e a TVI autorizando a SIC a antecipar a comunicação para o início do jornal das 20h. Com este truque pôs-me a ouvir a repetição das promessas eleiçoeiras quando mais tarde mudei de canal. Desnorteado com esta assincronia televisiva receei que as televisões estivessem já sob a batuta da central de intoxicação do governo populista a repetir o que o 1º M deveria, em primeira mão, apresentar ao Parlamento, dentro de uma semana, para poder enfrentar o "contraditório".
E lá vinha outra vez que "não dessem importância ao ruído que vai à nossa volta", o do Marcelo, claro, e repetia aquelas ameaçazinhas subliminares e reles ao PR: "saberei a cada momento fazer a avaliação" das relações entre o Gverno e a presidência. Dava-me vontade de dizer "bem feito. Toma lá que é para aprenderes!
A minha paciência chegara ao fim... e zap, zap, zap, mudei de canal e dimensão. E fui por aí fora muito lá atrás... ao Antigo Egipto.
Ei-lo ali! O explendor de 3 milénios de História a prodigalizar beleza em redor.
O programa tentava impressionar-nos com a Beleza feminina e eu achava isso bem mais gratificante que as mentirolas do muito penteadinho Santana.
Deixei-me ficar. E em breve ali à minha frente estavam Mulheres como Hatshepsute, Nefertite e Cleópatra numa História mais longa que os 6 mil Km do Nilo. Seu berço.

O programa - percebia-se - queria pôr bem à frente dos nossos olhos que as conquistas da Mulher de nossos dias pela sua emancipação não passava de luta por direitos, poderes e igualdades perdidas vão mais de 3 mil anos.
Mostrava a rainha Hatshepsute que em Tebas nas margens do Nilo, em 1473 antes de Cristo, se elevou às funções divinas de faraó, reservadas a homens, antes dela.
Mais tarde, mas ainda na XVIII dinastia, outras rainhas esposas de faraós igualavam altos poderes de oferendar e conversar com os deuses. É o caso da bela Nefertiti imortalizada por imagens que ilustram ao longo de 3 milénios a antiga arte egípcia, a antiga arte grega ou a recente e ocidental arte europeia.

O faraó seu marido, Amenhotep IV, antecipou com ela, Nefertiti, mais de mil anos o monoteísmo que depois veio e nos vem governando, desde Cristo e Maomé, substituindo o culto de Amon e outros deuses pelo deus único Aton, "O Sol".

Deixaram Tebas e criaram, 380 km ao Norte, na margem oriental do Nilo, uma nova capital Akhetaton e que agora, em tempos de Al Corão e Irmãos Muçulmanos, burcas e escravidão feminina, se chama Tell el-Amarna.
O próprio faraó mudou o seu nome de Amenhotep IV para Akhetaton, o que então podia querer dizer "Glória de Aton".
A nova religião monoteísta representava uma vigorosa luta do faraó contra os crescentes e julgados excessivos poderes dos grandes sacerdotes de Amon. E Nefertiti, cujo nome, se aceitarmos uma duvidosa tradução abrasileirada (sem ofensa) quer dizer "A bela mulher chegou" e que se fosse eu a traduzir diria "Eis a Beleza feita Mulher", foi uma grande lutadora ao lado de Akhetaton.
A História reservou-lhes, tempos depois, o estigma de heréticos porque o seu vanguardismo ia mil anos à frente do tempo próprio e feneceu com o fim das suas vidas.

Sete séculos depois os Núbios, gentes dos fundos do actual Sudão, onde fica o trágico Dafur de nossos dias, vieram por aí acima e governaram cem anos o Egipto. E as mulheres, ao que se julga saber, continuaram a enjeitar as subalternidades futuras e mantiveram-se fortes ao lado daqueles faraós de tez nubio-tropical.
Por fim Cleópatra, faraó de insuperável beleza, foi a derradeira representante da igualdade dos sexos entre os reis-deuses.
A imagem depreciativa que dela nos chegou parece ter sido criada por uma central de intoxicação, (não, não me estou a referir à do PSL) à medida dos interesses dos conquistadores romanos, cujo jugo ela recusou com o suicídio. Essa imagem de mulher frívola está a mudar com estudos recentes. E o fascínio da sua beleza foi uma arma ao serviço do império dos faraós que ela, com inteligência e suspicácia usou para conquistar e neutralizar, primeiro César Augusto e depois Marco António, no puzle delicado dos choques de poderes das potências de então.

Comments:
Caro Raimundo, parece-me tudo bem até chegares à Cleópatra. Claro q
 
Caro Raimundo, parece-me tudo bem até chegares à Cleópatra. Claro que tens o direito de suspirares eroticamente (se te faz o género) na lembrança rotunda da Elisabeth Taylor a fazer de doce Cleópatra em banheira cheia de leite de burra a suspirar pelo Marco António. Mas deste um salto histórico do caraças caminhando atrás das mulheres (o que normalmente dá mau resultado, por isso eu sigo o sábio aviso que o melhor é deixá-las vir ter connosco e dar-lhes a iniciativa do ataque, pelo menos do primeiro). Mas duas coisas me parecem adquiridas: primeiro, Cleópatra não foi uma faraó na linhagem autenticamente egípcia mas sim a última da dinastia ptolomeica (logo um trono imposto por um ocupante, mais propriamente um compromisso ocupante-ocupado de matriz grega); segundo, a verdade é que a imperícia de Cleópatra a lidar com o ocupante romano, e os seus amores foram episódios mais de estado que de coração, levou à perda, que se tornou irreversível, da independência egípcia. Por isso, enquanto no ocidente de cultura greco-romano, Cleópatra é eroticamente glorificada e convertida em mito romântico, para os egípcios ela é sobretudo, quase apenas, a raínha que lhes perdeu a soberania. Serão os egípcios demasiado severos com a Cleópatra do nosso tão ocidental e erótico culto (pelos apetites de domar a irreverência fálica do seu propagandeado nariz?)? Talvez. Mas gosto que eles desgostem de uma rainha que nós gostamos. Porque enquanto tudo andar por aí, mal ao mundo não vem. Mas, dúvida minha, porque raio meteste a Cleópatra em cruzamento de esquina com o Santana? Advinhando, perfidamente, que apareça uma santanete a tecer-lhe a desgraça num leito perto do trono? Se assim fôr, digo-te que maquiavélico sou eu mas não sou tanto. Grande Abraço. João Tunes.
 
Olá Tunes. Sempre em boa forma. Os meus colegas de blog já me repreenderam por ainda não ter posto ali ao lado a Água Lisa. Mas depois deste comentário não passa desta.
 
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