2005-03-07
Justifica-se um Ministério do Turismo?
Algumas associações do Sector defendem um Ministério. Será que têm razão?
Em minha opinião, não. Reconheço, no entanto, que têm razão numa questão. Que as estruturas da futura Secretaria de Estado, a começar pelo Secretário de Estado, tenham pessoas com visão estratégica sobre o sector e capacidade para as dinamizar.
Trata-se de um sector, sem dúvida importante e com múltiplas ligações a outras actividades. E até admito que não tem sido uma actividade bem cuidada pelos governos. Mas a situaçãonão se resolve por caminhos e argumentos artificiais. Indo pelo caminho do impacto na economia, teríamos muitos Ministérios, desde logo um da indústria, outro do Comércio, outro da Construção, outro dos serviços prestados às empresas, etc. etc. Porquê? Porque geram muito mais emprego e contribuem mais para o PIB e também se relacionam com múltiplas actividades. Não nos podemos esquecer que o valor acrescentado no Turismo é baixo, segundo as contas nacionais abaixo dos 5% ano, embora não deva ser apenas esse indicador a medir a importância de uma actividade.
Mas ligando todos os indicadores, acho sensato que o governo tenha corrigido o erro até porque a performance do ministério não se mostrou promissor.
Acho mesmo que Sócrates poderia ter ido mais longe com uma orgânica mais reduzida em um ou dois Ministérios.
Comments:
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Concordo, por exemplo será que se justifica um Ministério da Cultura ?
E não se pense que entendo a cultura como uma coisa menor, antes pelo contrário.
E não se pense que entendo a cultura como uma coisa menor, antes pelo contrário.
Caro senhor...aconselho-o a consultar com olhos de ver a Conta Satélite do Turismo, em que os investigadores apontam para valores de intervenção do Turismo no PIB da ordem dos 20%... E se pensarmos em termos de emprego directo, indirecto e induzido, teremos um sector responsável por cerca de 500 000 empregos em Portugal. Que por incúria e falta de directrizes capazes, poderão diminuir. Aconselho-o a visitar 09 de Fevereiro do meu blog: uma situação real do Turismo nacional por um alto funcionário do Governo.
E para quando a assinatura do Plano de desenvolvimento do Douro? Estão à espera que retirem a classificação de Património Mundial e de viver com essa vergonha? Parece-lhe lógico haver postos de turismo fechados ao fim-de-semana? OU fechados das 12h30 ás 14h e de novo encerrados às 17h30?? E Museus fechados por falta de dinheiro? E não continuo mais. Sim, é preciso um Ministério do Turismo com gente capaz e que entenda do assunto por dentro.
E para quando a assinatura do Plano de desenvolvimento do Douro? Estão à espera que retirem a classificação de Património Mundial e de viver com essa vergonha? Parece-lhe lógico haver postos de turismo fechados ao fim-de-semana? OU fechados das 12h30 ás 14h e de novo encerrados às 17h30?? E Museus fechados por falta de dinheiro? E não continuo mais. Sim, é preciso um Ministério do Turismo com gente capaz e que entenda do assunto por dentro.
Dialogando com a morgana e o pedro farinha. No meu post,levantei a questão de que eram desnecessários tantos ministérios. Uma outra arrumação da cultura seria bem um ministério a menos, com a mesma ressalva que o pedro coloca.
Já quanto à morgana, acho que não tem razão exactamente pelas razões que invoca. Afinal a existência de um ministério não resolveu nenhum problema dos que levanta e são legítimos. O problema está em pessoas capazes, como afirmei. Quanto aos valores que me diz para "consultar com olhos de ver" quero dizer-lhe que desconheço (não há) conta satélite sobre o turismo português e depois se quiser dar-se ao trabalho leia as contas nacionais (para já a informação mais fidedigna), e independente da definição mais lata que quiser adoptar para turismo vai ver que o seu contributo para o PIB fica muitíssimo aquém dos 20% que refere e que não haverá conta satélite que aí chegue. Mas nada me move contra a actividade do turismo. Antes pelo contrário,acho-a estratégica e já escrevi diversas vezes isso. Só que é preciso ter um projecto nacional que permita planear e explorar cabalmente as potencialidades da sua cadeia de valor.
Já quanto à morgana, acho que não tem razão exactamente pelas razões que invoca. Afinal a existência de um ministério não resolveu nenhum problema dos que levanta e são legítimos. O problema está em pessoas capazes, como afirmei. Quanto aos valores que me diz para "consultar com olhos de ver" quero dizer-lhe que desconheço (não há) conta satélite sobre o turismo português e depois se quiser dar-se ao trabalho leia as contas nacionais (para já a informação mais fidedigna), e independente da definição mais lata que quiser adoptar para turismo vai ver que o seu contributo para o PIB fica muitíssimo aquém dos 20% que refere e que não haverá conta satélite que aí chegue. Mas nada me move contra a actividade do turismo. Antes pelo contrário,acho-a estratégica e já escrevi diversas vezes isso. Só que é preciso ter um projecto nacional que permita planear e explorar cabalmente as potencialidades da sua cadeia de valor.
Entristece-me o facto de uma pessoa que, à primeira impressão, aparenta ser dotada de uma inteligência e capacidade de raciocínio e compreensão acima da média, consiga emitir este tipo de opinião. Para sua informação (vá lá, perca um pouquinho do seu tempo e investigue) existe efectivamente uma conta satélite do turismo. Como aliás existe na maioria dos países em que o peso do turismo é significativo.E para seu conhecimento, o peso no P.I.B do sector turístico é maior do que o sector do calçado e do sector do têxteis. Sectores esses que, convenhamos, há muito estão moribundos no nosso país. E o que chama aos grandes eventos que têm decorrido no nosso país nos últimos anos? Insignificantes? E o que me diz do facto de Lisboa ser a 5.ª capital do mundo a nível da organização de feiras, congressos e incentivos? Muito acima de capitais de sucesso como Paris, Barcelona, Roma. E o que me diz do facto de existirem milhares de profissionais qualificados (muitos deles com mais qualificações e habilitações que o senhor, acredite) que auferem salários de miséria, não vêm o seu trabalho reconhecido e são muitas vezes preteridos na obtenção de um cargo de relevo por profissionais da economia e da gestão que não possuem o mínimo de conhecimentos necessários para gerir este sector tão específico.
Não se esqueça que o nosso país é conhecido no exterior por pouquíssimas razões: o vinho, o futebol, as trapalhadas dos governos e pasme-se, a profusão de recursos turísticos existentes neste país de contrastes tão memoráveis. E reconheça, se não fosse o turismo, onde estaria o Algarve, a Madeira, o Porto, até Lisboa? Nã se esqueça que o ser humano é francamente permeável a novos encontros e novas realidades. Assim como os turistas que nos visitam voltam para os seus países de origem com mais conhecimentos também nós aprendemos com a sua estadia.
E acredite, não é nada fácil trabalhar neste sector. É necessário vocação e um amor infinito a esta arte!
Não se esqueça que o nosso país é conhecido no exterior por pouquíssimas razões: o vinho, o futebol, as trapalhadas dos governos e pasme-se, a profusão de recursos turísticos existentes neste país de contrastes tão memoráveis. E reconheça, se não fosse o turismo, onde estaria o Algarve, a Madeira, o Porto, até Lisboa? Nã se esqueça que o ser humano é francamente permeável a novos encontros e novas realidades. Assim como os turistas que nos visitam voltam para os seus países de origem com mais conhecimentos também nós aprendemos com a sua estadia.
E acredite, não é nada fácil trabalhar neste sector. É necessário vocação e um amor infinito a esta arte!
Adoptando os mesmos critérios que são considerados nas Contas Satélites para outros sectores como sejam, o Têxtil, Vestuário e Calçado, a Indústria Automóvel, o Sector Energético, o Comércio, a Grande Distribuição, entre outros, era possível chegar à conclusão que estas actividades superavam o peso económico do turismo. Será que também devemos criar um ministério para cada um destes sectores?
Argumenta-se que o turismo tem muitas especificidades. Ora, isto acontece com todos os sectores de actividade. Será que isto justifica que crie um ministério para cada sector?
Uma saudação, muito especial, ao José Sócrates por ter tido a coragem de corrigir a enorme demagogia que esteve subjacente à criação de mais aquela saloice que se chamou Mi(ni)stério do Turismo!
Continuando a dialogar com as minhas (us) discordantes, acho mesmo que este governo deveria ter sido menor e apontar para uma mais clara coordenação de ministérios afins. Este último aspecto é ainda possível de estabelecer no programa, na orgância. Quanto à actividade turismo como já referi, acho-a estratégica e com isto tudo dito. Precisa de pessoas à altura para a gerir dentro e fora da Administração pública. Espero muito sinceramente a escolha de um Secretário de Estado, experiente e dinâmico e com capacidade de captar colaboradores muito valiosos e que na Secretaria de Estado sejam delegadas funções que permitam um excelente desempenho.
Agora quanto à conta satélite desconheço que exista disponível e se houver agradeço a indicação de acesso. Penso que os valores referidos são desmesurados e mais na conta satélite de Espanha o indicador peso no PIB é medido não pelo VAB mas pela oferta/produção que tecnicamente é muito diferente do valor gerado pela actividade. Mas a conta satélite tem uma metodologia própria que tem de ser interpretada como tal e aproveitando a boleia do que diz um comentarista indo por aí certamente ficariamos com um PIB umas quantas vezes mais elevado. É bom que o INE a produza sobretudo para nos podermos comparar internacionalmente. E também sei que a Madeira e o Algarve 8porto e lisboa duvido) muito devem a esta actividade, até sou natural de uma destas regiões. Mas até no caso da Madeira estudos recentes do INE apontaram O CINM como uma área com maior contributo para o PIBregional que o turismo o que causou muito espanto. Mas estudos são isso. Às vezes trazem-nos surpresas.
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Agora quanto à conta satélite desconheço que exista disponível e se houver agradeço a indicação de acesso. Penso que os valores referidos são desmesurados e mais na conta satélite de Espanha o indicador peso no PIB é medido não pelo VAB mas pela oferta/produção que tecnicamente é muito diferente do valor gerado pela actividade. Mas a conta satélite tem uma metodologia própria que tem de ser interpretada como tal e aproveitando a boleia do que diz um comentarista indo por aí certamente ficariamos com um PIB umas quantas vezes mais elevado. É bom que o INE a produza sobretudo para nos podermos comparar internacionalmente. E também sei que a Madeira e o Algarve 8porto e lisboa duvido) muito devem a esta actividade, até sou natural de uma destas regiões. Mas até no caso da Madeira estudos recentes do INE apontaram O CINM como uma área com maior contributo para o PIBregional que o turismo o que causou muito espanto. Mas estudos são isso. Às vezes trazem-nos surpresas.
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