2005-04-03
Estará no seu juizo?
Por que é que os Estados não tomam medidas mais rigorosas no controlo do tabaco? Pergunta, curiosa, Catarina Gomes, jornalista do Público a Francisco Pimentel, da Sociedade Portuguesa de Oncologia, e director do serviço de oncologia do Hospital de São Sebastião, em Santa Maria da Feira. E o Senhor, que lhe está a dar uma entrevista, responde:
"Muitas pessoas pensam que é porque o Estado deixava de receber os impostos. A principal razão, infelizmente, não é essa. Se o Estado tivesse uma medida dura de pura e simplesmente acabar com o tabaco, dentro de alguns anos a esperança média de vida da nossa população aumentaria entre oito a 12 anos e não havia dinheiro para pagar as reformas."
Está a dizer que isso está na mente dos políticos?
"R - Mas é isso que está. Existem documentos da Organização Mundial de Saúde. Esta é a verdadeira razão da macroeconomia. Quando temos este pensamento por trás é aterrador. Se nós suprimíssemos o tabaco.... Não estamos só a falar de cancros, também de doenças cardiovasculares, de doenças respiratórias crónicas. O prolongar da sobrevivência da população iria ser de tal ordem que os sistemas de segurança social entravam em colapso. Este é o verdadeiro problema da ineficácia de combatermos um flagelo de saúde pública."
Ora aí está. Vou já pedir ao Mário Lino para avisar o Sócrates. Os problemas da insustentabilidade da Seguranção Social têm boa solução. Em vez da infeliz ideia de aumentar a idade da reforma... mais tabaco!
No resto da entrevista, Francisco Pimentel, até parece estar no seu juízo. Estou certo ou estou errado?
Comments:
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Na verdade não acredito que alguém, o estado ou outrém, pense de forma tão maquiavélica.
Será que esta foi uma forma sui generis de passar a mensagem que o tabaco mata mesmo ?!
Será que esta foi uma forma sui generis de passar a mensagem que o tabaco mata mesmo ?!
Francisco Pimentel está no seu perfeito juízo. O problema da segurança social, qualquer que seja a forma como ela fôr gerida, está efetivamente no facto de as pessoas morrerem muito depois de deixarem de ser produtivas. O tabaco tem a enorme vantagem de que mata as pessoas, em média, próximo da idade na qual elas deixam de ser produtivas (65 anos mais ou menos). Um indivíduo que tenha fumado dois macinhos por dia a partir dos 15 anos de idade tem toda a probabilidade de não passar mais do que meia-dúzia de anos na reforma, o que é perfeitamente sustentável por qualquer esquema de segurança social.
A solução não é a que Sócrates propõe, uma vez que nenhuma empresa pretende, com raras exceções, ter trabalhadores com muito mais do que 65 anos de idade.
A solução passa mesmo por arranjar forma de fazer as pessoas morrerem mais cedo.
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A solução não é a que Sócrates propõe, uma vez que nenhuma empresa pretende, com raras exceções, ter trabalhadores com muito mais do que 65 anos de idade.
A solução passa mesmo por arranjar forma de fazer as pessoas morrerem mais cedo.
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