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2006-10-26

 

Manholas (2)




Isto de escolher alguém (a ideia, a imagem de alguma coisa que parece ter a ver com alguém) para representar seja o que for, não passa, afinal, de uma banalidade quotidiana. Andamos o tempo todo nisso. É disso que falamos a maior parte do tempo; é assim que pensamos, sentimos, nos alegramos e sofremos, representando coisas, pessoas, desejos e decepções.

Por isso, não deixa de ter uma certa graça que a minha vizinha do rés do chão sonhe esta noite com a Deuladeu Martins e um dos meus amigos de infância se procure convencer de que também há (haverá?) um astronauta português, misterioso e incógnito.

A coisa ganhou um novo semblante quando a bambochata mimetizadora dos “concursos lá de fora” se transformou num braço-de-ferro com a nostalgia estado-novista.

Não foi por omissão nem por remissão do maior ditador do nosso século XX que a coisa deu no que deu.

Estou convencido que não.

A explicação mais profunda para este revivalismo em torno do Manholas encontra-se no facto de, entre nós, haver, por demais, quem sossegue refasteladamente nas teorias da inevitabilidade disto e daquilo, da irreversibilidade das “conquistas de Abril”, pensando, suponho, que a história é uma coisa do passado.

Os fãs do Botas não esperavam outra coisa!

Comments:
Primeiro, por alegadas "razões técnicas" a TV de Timor-Leste ficou off e não passou em directo a Conferência de Imprensa do Brigadeiro-General das F-FDTL. Vinte e quatro horas depois o Timor-Online, que denunciou tão estranha avaria, bloqueou. Quem é que está a amordaçar a liberdade de expressão em Timor-Leste?
 
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