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2006-10-29

 

"O Congresso do Governo"

"Na eleição de delegados [para o congresso do PS], as listas afectas à moção de José Sócrates elegeram 1384 delegados, cerca de 99 %, contra nove da moção encabeçada por Helena Roseta (0,6 %) e seis de Fonseca Ferreira (0,4 %), tendo-se registado 714 votos brancos e nulos (2,7%).
Em 2004, quando disputou a corrida à liderança com Manuel Alegre e João Soares, o actual secretário-geral obteve mais de 28 mil votos, sendo eleito com uma percentagem de 81%.



Esta situação unanimista pode empanturrar de safisfação o PS mas é bem paradigmática da insuficiente vitalidade dos partidos de poder.

Uma vez no Governo as clientelas partidárias sossegam refasteladas com os "jobs for the boys" e esquecem divergências que na disputa do poder interno aquecem ao rubro mais pela ambição de alcançar o job (para muitos que não para todos) do que por apego a consistente projecto alternativo ou a contrastantes valores de cidadania.
Não se pede, obviamente, a Sócrates e aos seus fiéis que promovam a oposição interna mas já se lhes devia reprovar as atitudes ríspidas que inibem o contraditório naquilo que mais importa, a crítica à governação.
Bem caracterizou, Ana Sá Lopes, no DN de Sábado, o congresso do partido, chamando-lhe o congresso do Governo.
Há a percepção da parte de muitos militantes que essa sua qualidade os deve inibir de "criar dificuldades" ao partido e ao Governo que seriam habilmernte aproveitadas e potenciadas pelas oposições. Não tenho essa opinião. Apesar da nota positiva que dou ao Governo, ainda que com algumas reservas nomeadamente na má distribuição dos sacrifícios para a resolução do problema do défice, acho que um vigoroso debate sobre as políticas do Governo seria um prova de vitalidade, que não deixaria de ser tão apreciada e indutora de apoios externos como o foi a bem disputada luta interna pelo lugar de secretário-geral.
Será (seria!) oportuníssimo a meio do mandato governamental e parlamentar o contraditório desinibido, sério e sem tibiesas, da governação. Seria uma verdadeira lufada de ar fresco, antídoto para o autismo e auto-satisfação para que inelutavelmente tende qualquer poder e oportunidade para a correcção do que se concluisse não ir bem.
Há muito a fazer para a necessária reforma dos partidos. A começar pela apresentação de contas certas. É por aí que tem de passar em primeira mão as mudanças de que o sistema político carece.
Reforma dos partidos. Uma reforma paulatina, de pequenos passos se não puder, como parece não poder, ser de passos grandes mas que, mesmo assim, exigem determinação, persistência, um braço de ferro permanente. Contra os interesses instalados e os que se querem instalar. Por uma ética de serviço público.

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