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2007-03-12

 

Derrotar o referendo na secretaria

António Bagão Félix num artigo de opinião, no Público de hoje, revela que "aguarda com expectativa a posição de Cavaco Silva"sobre a lei do aborto. Inconformado com o voto popular procura agora derrotá-lo na secretaria.
Pretende que a lei imponha o "aconselhamento", para além da consulta e de todo o aconselhamento que a lei prevê desde que a pedido ou consentido pela mulher. E que aconselhamento quererá Bagão Félix? Depois do que ouvimos na campanha é lícito desconfiar que seja aquele que pressione a mulher "leviana", a mulher "pecadora", a mulher "criminosa", a mulher capaz de "matar um filho".
Depois do referendo mais chocante é ainda querer impôr aos Portugueses os "filhos do Código Penal".
Bagão Félix, numa segunda trincheira, exige agora que a lei portuguesa seja igual à alemã que inclui o aconselhamento obrigatório.
Mas o que é bom na Alemanha pode ser mau em Portugal. É que enquanto a Alemanha, no século XVI fazia a Reforma Portugal implantou a Inquisição. Enquanto na Alemanha não há uma ordem dos médicos com um código de ética confessional, em Portugal há e pretende expulsar os médicos que façam a interrupção da gravidez nas condições da lei; enquanto na Alemanha ninguém foi excomungado por votar a despenalização do aborto aqui vários foram os padres que ameaçaram com o inferno a quem a votasse.
Em Portugal com a lei aprovada, o perigo não é - como Bagão diz - "a lei promover o aborto", à custa do dinheiro dos contribuintes", o perigo não é o "Estado ... procurar expedientes de morte" o perigo seria ter uma lei que sabotasse a decisão popular no referendo com um "aconselhamento" à lá Bagão Félix.

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