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2007-04-01

 

A Revolta da Madeira - 1931 (3)

O decreto nº 19 273, de 26 de Janeiro de 1931, que os madeirenses apelidaram de "decreto da fome" causou uma grande repulsa e uma unânime rejeição.

Logo no dia 27, associações de classe, organismos, entidades administrativas e imprensa local manifestam-se contra o decreto, enviando telegramas ao Governo a pedir a sua imediata suspensão.

Ora este decreto vinha, de novo, impedir a livre importação de farinha e trigo, conquistada com tremendas lutas anteriores, e instituir de novo o regime de monopólio, uma vez que tal importação era dada em exclusivo a um grupo de moageiros.

Perante este decreto, a população movimenta-se e, a 29 de Janeiro, dá-se a primeira manifestação em frente ao Palácio do Governador Civil, o Palácio de S. Lourenço.

O governador militar, coronel José Maria de Freitas, promete intervir junto do Governo no sentido de revogar o decreto.

Passados uns dias, a população sente-se enganada, pois o decreto é publicado e, assim, no dia 4 de Fevereiro inicia-se uma greve de 3 dias, durante a qual alguns moageiros são levados a publicamente discordar do decreto.

No dia 5 de Fevereiro, aderem à greve os taxistas. Há várias manifestações populares pela cidade e tentativas de asslto aos moageiros.

Dia 6 de fevereiro, é a paralização global, com a adesão dos trabalhadores marítimos, continuando as tentativas de assalto aos moageiros. Durante estes dias de greve, o comércio também fechou em solidariedade a estes "atentados" contra a economia da Madeira, da responsabilidade do goveno central.

É esta reacção da população que ficou conhecida pela "revolta da farinha", dois meses antes do 4 de Abril de 1931 que abordaremos mais em detalhe num post seguinte.

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