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2008-02-10

 

O Jogo e as regras (4)


Do lado dos defensores do governo (à outrance), aparecem, por vezes, argumentos patuscos. Não fazem propriamente prova de nada. Dão-nos tão somente a medida do inebriamento e do desejo de que todos vejamos no governo um grupo socialmente fotogénico. É por esse caminho que Vital Moreira (Blog Causa Nossa) segue ao creditar boas intenções (e determinação em cumprir promessas) ao Governo de José Sócrates. É assim que, em perda factual, atira, com mordacidade falhada, à cara dos detractores da actual governação, o que seria (será?) Mais uma prova do "esvaziamento do estado social".

Apontando para uma peça do Correio da Manhã, que inclui uma entrevista em que Sintra Nunes se esforça, ingloriamente (pelo visto) em explicar que muitas das empreitadas assinaladas se inscrevem no programa de conservação e manutenção do parque escolar existente, Vital Moreira exulta com as obras em curso e também já com as da próxima década.
Enlevado com esta excelsa prova de zelo social, confunde o cuidado mínimo de não deixar degradar (ainda mais!?) os edifícios escolares, com uma alegada e remoçada (ou serôdia?) paixão pela educação.

Avançando em terreno de confiança e crença, Vital Moreira destaca uma frase promissora contra qualquer veleidade (mal intencionada) de pôr em causa o baixo investimento do governo em matéria de políticas sociais: «332 escolas com Ensino Secundário vão ser recuperadas, remodeladas e modernizadas até 2015».

Até 2015?!

Os mais pobres, quando não têm pão, vão às migalhas; os mais convencidos, quando lhes falta um exemplo real, dão um... virtual.

Sobra um pequeno problema que Vital Moreira não ajuda a resolver. Se o actual 1º Ministro não se notabilizou pelo cumprimento das promessas que fez, que 1º Ministro assegurará, até 2015 (!) as promessas que vão sendo feitas?

A última das linhas argumentativas de um actor político: apostar em promessas de um governo conhecido por não as cumprir.

Comments:
Quando li este post no Causa Nossa, com mais uma das (tentadas) ironias do Vital Moreira, ainda pensei em escrever qualquer coisa lá na minha tasca, mas pensando melhor, acho que se insisto ainda mais no "fenómeno", os meus fregueses acabam por pensar que eu tenho alguma mala-pata com o catedrático...
Assim, fico-me desta vez por aqui, assinando por baixo cada palavra deste teu texto.

Abraço.
 
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