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2008-02-14

 

"Prends le pouvoir, note ton prof!"

Este é o slogan provocador de um site lançado em França no inicio do mês. O conceito é inspirado numa das recomendações do relatório Attali que defende que não basta que os professores sejam avaliados pela hierarquia e pela inspecção académica, é também necessário que sejam avaliados pelos alunos. Uma variante desta ideia em que aos alunos se substituem os pais deu origem a um debate no puxapalavra.

Este site foi lançado pelo director de campanha do deputado UMP Pierre Lelouche. Mesmo fazendo parte da mesma família politica o ministro da educação desaprova totalmente esta iniciativa.

Desaprovo totalmente esta iniciativa não porque tenha medo da opinião que os meus alunos possam ter sobre mim, mas pela possibilidade de se cometerem enormes injustiças devido à ausência de controlos e à total subjectividade do sistema.

Um interessante artigo do Monde pode ser visto aqui.
Comments:
Viva Pedro.

Independentemente da chicana política que alguns responsáveis políticos fazem com a avaliação, acho bem que os alunos possam avaliar os professores... desde que:

1) os termos da avaliação sejam claros, assumidos e discutidos na comunidade educativa.

2) as consequências a retirar dos resultados se estendam por períodos de três a cinco anos (para salvaguardar os casos de vindicta) e constituirem, sobretudo, indicadores para reflexão e aperfeiçoamento.

A avaliação dos professores pelos alunos já se faz nalgumas instituições do ensino superior, e os resultados parecem ser interessantes.

No fundo, o que é avaliado é o relacionamento, os talentos pedagógicos e as competências comunicacionais. Quanto ao resto, os alunos (em princípio) não detêm conhecimentos específicos que lhes permitam avaliar as outras competências de um professor.

Quanto às injustiças que tu referes (e que sabemos que existem), como não são unilaterais. Teremos de saber lidar com elas, tal como lidamos (mal) com outras formas de corrupção.

Que achas?
 
Olá Manuel

Globalmente estou de acordo com a tua análise. Só gostava de acrescentar que ela tem mais sentido para alunos do fim do liceu e da Universidade. As formas de avaliar deverão ter em conta a idade dos alunos, não se pode pedir a um adolescente de 13 anos que tenha a mesma maturidade que um universitário de 21 anos.

Gostaria só de deixar claro que a iniciativa a que me refiro no artigo não tem nada a ver com uma avaliação séria. Três aspectos são extremamente chocantes :
1) A violação do direito à privacidade dos professores aos quais não é dada qualquer possibilidade de impedir a publicação do seu nome.
2) A total subjectividade das "notas". No meu caso quando dou uma nota a um aluno baseio-me em dados concretos, exames, testes parciais, notas dos exercícios das aulas práticas, trabalhos escritos e apresentações orais. Que dirão os meus alunos se eu atribuir as notas consoante os ache simpáticos ou antipáticos?
3) A impossibilidade de corrigir uma injustiça. Fazendo o paralelo com a minha posição, se eu der uma má nota a um bom aluno este pode sempre pedir-me uma explicação (por exemplo para eu justificar a nota de um exercício ou de um exame), e pode sempre recorrer ao meu superior hierárquico se não ficar contente.

um abraço
 
Viva Pedro.
Estou de acordo que as precauções que apontas são indispensáveis. Há alguma informação disponível sobre o estado da avaliação dos professores pelos alunos em França?
Abraço
 
Olá Manuel

Infelizmente não te posso dar nenhuma referência a estudos sobre a avaliação dos professores pelos alunos pela simples razão de que esta é inexistente em França. Exceptuando algumas iniciativas isoladas dos próprios professores (sobretudo universitários) o tema é totalmente tabu...

O que pode explicar os abusos que referi...

um abraço

Pedro
 
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