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2008-09-20

 

Sarah Palin

O juizo "se matam um homem é uma tragédia, se matam um milhão é uma estatística" diz da nossa dificuldade de entendimento e da nossa incapacidade de gerir afectos em escala que transcenda o nosso olhar. Por isso é vulgar darmos muita relevância a acontecimentos menores mas que nos estão próximos e desistirmos de compreender e de agir nesses grandes acontecimentos que condicionam bem mais que aqueles, as nossas vidas. A realidade, desagradavelmente, não se impressiona com isso e mantém, alheada, o seu percurso. A política e alguns políticos não desperdiçam essa janela de oportunidades.
Tem este filosofar a ver com as eleições americanas que apesar de consequências muito maiores para a vida de cada um de nós do que os pequenos episódios da nossa vida política interna(Manuela Ferreira Leite fala não fala) eles impressionam-nos, em geral, muito menos do que estes.
McCain um neo-liberal (na economia) é um crente na bondade da auto-regulação do mercado e no paraíso que daí decorreria sem o "intervencionismo do Estado". No entanto a actual crise financeira dos EUA e portanto mundial veio desmentir de forma gritante a sua posição política perante a economia. Terá o eleitor americano capacidade para alcançar a magnitude da aplicação das teorias de McCain à actual crise?
O governo americano foi obrigado a fazer o contrário do que que McCain (e Bush) defendem para evitar um situação de tragédia a milhões de endividados proprietários de casa própria. Foi obrigado à nacionalização das duas gigantescas empresas hipotecárias norte-americanas falidas a Fannie Mae e a Freddie Mac e para evitar uma situação dramática a milhões de pessoas de todo o mundo viu-se obrigado à "nacionalização" (o FED injectou 85 mil milhões de dólars) da maior companhia de seguros mundial, a AIG. Terá o eleitor capacidade e disposição para se preocupar com a "morte do milhão de homens" da sentença inicial deste post ou ficará apenas sensível à morte de um?

E Sarah Palin?
Reporto ao interessante artigo do insuspeito Luís Campos e Cunha, no Público de ontem e à citação que faz do NYT: "Os nossos líderes nacionais estão a enviar [os nossos filhos para o Iraque] para uma tarefa que vem de Deus... é que há um plano e este plano é um plano de Deus". Bin Laden? Não, Sarah Palin. O que mostra como o fundamentalismo islâmico em nada se distingue, na sua natureza, do fanatismo cristão ou de qualquer outra religião e como este se pode tornar tão perigosamente dramático como aquele.

Sarah Palin, pouco culta, fanática, extremista evangélica, sócia da associação dos detentores de armas, para mostrar a sua "raça" se acaso vier a ser eleita vice-presidente dos EUA, admitiu como um cenário aceitável declarar guerra à Rússia. Forte assim da sua insensatez conseguiu empurrar McCain nas sondagens. Talvez porque é bonita, porque é uma mulher "tesa" (apesar de tudo o que se vai sabendo da sua pequenez como governante). Talvez porque muitos eleitores só consigam alcançar a tragédia da morte de "um homem" e não a de "um milhão".
Muito mais dramático (apesar de desagradável) que a vitória de Manuela Ferreira Leite seria a vitória de McCain/Palin. Por isso a vitória de Barak Obama é tão importante.

Comments:
ja tinha lido o artigo de Campos e Cunha e, de facto, concordo com ele e consequentemente consigo. É necessário a vitória de Obama.
 
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