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2009-08-22

 

Calor (4)



Como reagem os militantes partidários aos "erros" ou às medidas dos seus próprios partidos quando com elas estão em desacordo?

Uma boa parte, cala-se, pura e simplesmente.
O silêncio de muitos opõe uma barreira de indiferença contra os que querem fazer assunto de uma questão melindrosa.
São os fieis mudos.
O mutismo parece resolver o que no debate político levanta receios e inseguranças.

Outra (boa) parte, faz trapézio retórico e contorcionismo argumentativo.
São os bem-falantes pletóricos, que se esforçam, sob os projectores mediáticos, tentando justificar o injustificável e explicar o inexplicável.
Esgotam a paciência de qualquer um, cobrem-se de ridículo, mas contam com o reconhecimento interno, com a cumplicidade tribal, visando assegurar uma carreira estável nos respectivos partidos. Ganham a confiança de uns, perdem a de outros, mas oferecem uma espécie de fidelidade incondicional que satisfaz os líderes mais conservadores.

Finalmente, vêm os "intermitentes": estão com uma liderança, mas não com a outra; gabam-se de poder estar em público desacordo, custe isso o que custar, desde que a coerência essencial não os obrigue a trair as suas consciências. São os mais expostos e, por isso, os que melhor se prestam ao escrutínio público. E são exactamente esses que nos podem ajudar a elaborar uma questão antiga: a da de definir qual o limiar que explica a decisão de continuar a militar num partido quando os desacordos se acumulam, as dissidências se amontoam e as matérias de princípio são afectadas ou atraiçoadas.

Manuel Alegre, Ferro Rodrigues e Paulo Pedroso que continuam abnegadamente a militar no PS, apesar de não conseguirem demover a direcção a rever a tendência estafada de se proclamar da esquerda fazendo sempre alianças à direita (com algumas excepções nas autárquicas); Marcelo Rebelo de Sousa, José Pacheco Pereira e António Capucho, declaram publicamente o seu desconforto com os fretes que Manuela Ferreira Leite fez aos santanistas, com o sectarismo abstruso na elaboração das listas de deputados e com a prova máxima de isenção e ética com que anuiu à recondução da candidatura de António Preto para a AR.
Acham fraca a prestação da líder (de facto é muitíssimo fraca!), envergonham-se com a sua inépcia e vazio de ideias, em proporções semelhantes aos socialistas que vêem em José Sócrates um político do "centro direita".

Afinal os "intermitentes" só se distiguem dos "mudos" e dos "trapezistas" num aspecto: falam alto e em público. De resto, a caravana passa, com os arrangismos do costume, a desfaçatez das direcções partidárias e a conivência... deles.

Comments:
"(com algumas excepções nas autárquicas)" Que me lembre, com uma única excepção nas autárquicas que durou 8 anos.
 
as suas taxinomias deixam-me um q de desarranjo intestinal , isto porque não vi bem condimentada , aquela categoria dos fiéis ao tacho , esteve perto , mas misturou -a com palavreado seco , e destemperado. De forma que mal vejo qualquer das categorias com acinte ... Exercício de retórica culinária fracassado , senhor Correia !
inestimáveis cumprimentos , todavia !
_________ O Bernardes
 
Este trapezismo todo dentro de partidos, para efeitos nacionais, pode ser agora melhorado com a lei de limite de mandatos dos dinossauros autarcas. Pena não atingir os parlamentares. Muita pena!...
 
Mas olhe que já vão aparecendo... e criando a passada dos lugar... bem giro aliás para quem os viu programa a programa todo o ano lectivo a espernear aparecerem agora - que reviravolta - dar apoio aos profissionais descorçoados e por as ministras a irem reflectir para casa mesmo antes de findos mandatos.. Ah meninos que giros passos... Que posição pede tal disposição! Só pode em tão curta temporada. Bom, por enquanto, Bom verão. 1 Abraço Amigo...e, mais nada!
 
Caro anónimo de 22/08/09 23:45.

Tem razão. Fui levado pelo facto de a aliança ter ido a votos duas vezes.
Obrigado pela precisão.

Caro O Bernardes,

Congratulo-me que, para os seus elevados padrões de exigência, me tenha brindado com esse mimo sobranceiro do "esteve perto". Aquilo a que chama "taxinomias" (mudos, acrobatas e intermitentes) pode sempre ser objecto de melhorias, substituições, etc. Por isso, obrigado pela sua contribuição. Quanto ao "desarranjo intestinal", fiquei surpreendido. Imaginei uma pessoa que não se deixava emocionar tanto com as ideologias.
Cumprimentos.

Caro anónimo de 23/08/09 14:27,

Estou de acordo quanto à abrangência da lei. Mas, olhe, se foi possível começar pelos autarcas e governos regionais, dir-se-ia que, para início de partida, vale a pena seguir o jogo.
Obrigado pelo seu comentário.
Saudações
 
Caro senhor Correia, no essencial estamos desentendidos , as suas categorias oferecem-me algumas reservas , nada de essencial , ao seu estilo, como convém ... Talvez do articulado se despreendesse algo de importante se escolhesse melhor as as gravatas !
Quanto á minha sensibilidade às ideologias , descuide , eu sou muito sensível á agua fria e as hemorragias !
O Bernardes
 
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