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2009-08-01

 

O Programa do PS (1)

O programa eleitoral do PS [aqui] já foi amplamente comentado e é de esperar que concite maior atenção do que de outras vezes. Lê-se o que lá está e a primeira ideia que ocorre, a seguir, é a de saber se as medidas propostas se destinam apenas a ganhar votos. O critério será com certeza aplicado também ao programa do PSD que nos manterá em suspense até Setembro. Aliás, tudo leva a crer que Manuela Ferreira Leite só não apresenta o programa do PSD depois das eleições por poder vir ser acusada de estar a tentar suspender a democracia por alguns meses...

Neste programa (do PS), mais ainda do que no anterior, abundam os enunciados vagos: desde o pacto para o emprego até à reforma do Estado, aquilo que lá está pode ser entendido de diversas maneiras.

Enquanto alguns comentadores vão deixando escapar, pesporrentemente, expresões como a de que "ninguém lê os programas" - donde se depreende que só eles e os amigos lêem - os redactores do programa do PS partiram do princípio contrário. Sabiam que muitas gentes iriam ler o programa desta vez, e que seria importante não pôr lá certas coisas. Isso está a facilitar a vida aos dirigentes do PS, deixando-lhes larga margem de manobra para introduzir, caso a caso, alguns elementos que tornam os princípios programáticos em promessas personalizadas, em dúvidas arrastadas, ou em recusas liminares. Teixeira dos Santos exemplificou bem este aspecto, ontem à noite, no "Expresso da Meia Noite" da SIC Notícias.

Para obviar àquelas observações dos analistas-de-conteúdo do costume, o programa baniu do texto a palavra "esquerda". Habitualmente, os Ruis Tavares e Cª, vinham a terreiro apontar o exagero da utilização de "marcadores" ideológicos. Diziam eles que a floresta de palavras "esquerda" visava ocultar a nudez da árvore social democrata rendida ao neoliberalismo. A partir de agora, os dirigentes do PS reclamar-se-ão, ou não, de "esquerda", sem que o programa a isso os obrigue. E é essa a verdadeira novidade deste programa: impele-nos a que não nos deixemos ficar pelo que lá está dito; leva-nos a deduzir o que se pode dizer a partir do que lá se escreveu. E isso é bom e inteligente.

De qualquer modo, para bom entendedor, este programa não foi ,"de facto", escrito em nome da "esquerda". Demarca-se daquilo a que chama "esquerdismo radical", permitindo que os activistas do PS se sintam descomprometidos da ganga ideológica de um passado, (não tão distante como isso), em que, sincopadamente, nas manifestações de rua e nos comícios, trauteavam, firmes e fraternais: "Partido Socialista/ Partido Marxista".

Esse problema, pelo menos ficou resolvido.

A letra mata. Só o espírito vivifica


Comments:
Francamente, concordo consigo. Só não percebo o que quer dizer com Rui's Tavares e Cª. Que plural é esse usando uma singularidade destas, Blogger?
 
“abundam os enunciados vagos”, este é o novo eufemismo para as promessas com que os PS's nos querem atordoar para que esqueçamos os maus actos da governação destes últimos quatro anos e meio. Mas não as esqueceremos.
 
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