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2009-09-23

 

Desabafos e manifestos (7)





A campanha eleitoral acabou. Vai ficar tudo suspenso das explicações que Cavaco Silva tem (ou não) para dar. Já que falou tão lestamente a propósito do Estatuto dos Açores e da perda de poderes presidenciais que o novo articulado acarretava, mais facilmente falaria, agora, acerca do que muitos supõem ser uma urdidura montada pelo Governo do PS.
Há, no entanto, uma questão central de poder a que um putativo estadista não pode deixar de responder: como é que, na óptica dos grandes interesses em concubinato com o Estado, melhor se estabiliza este ambiente de conflitualidade que promete prolongar-se nos tempos mais próximos?


Com a continuidade do PS ou com o regresso do PSD?


Basta estar mediamente atento para registar, entre discursos herméticos e movimentações de empresários, que a direita está dividida a este respeito.
E é isso que uma parte da direita política não perdoa a Cavaco Silva. Este seu novo tabu pode vir favorecer a continuidade de uma governação formalmente socialista, excepcionalmente compreensiva em relação ao patronato (mais trabalho e menos emprego), à Banca e ao sector energético, mas prejudicando os militantes do PSD que continuam, assim, afastados dos centros de distribuição de "novas oportunidades".


Na hora que passa, apesar da agitação de uma parte do PSD e do CDS, há um sector vasto do empresariado que aprendeu com a experiência dos últimos anos. O PS (e a sua esquerda espantosamente moderada), contribui mais para a estabilidade quando está no poder. Na oposição, toma-se de brios históricos, luta contra o Código de Trabalho, defende o SNS, bate-se pelos direitos das pessoas...


Uma chatice!


Entre o regresso revanchista e sôfrego de um PSD desnorteado, e a continuidade de um PS com provas dadas nos últimos quatro anos, os corações balançam. É uma espécie de neoromantismo da direita (moderada e democrática) que sente os seus lucros acima de todas as ideias.
É por isso que Luis Filipe Menezes enche os pulmões e grita, de Gaia para Lisboa, queixando-se que o Presidente deu uma ajudinha desnecessária ao PS, despedindo Fernando Lima em silêncio e sem justa causa.


É a esta questão que o Professor Cavaco Silva responderá (indirectamente, é claro), quando, antes de sábado ou durante o período de reflexão, se dirigir ao país.


Tem muita prática de se fazer rogado.


Nem vai ser necessário ouvi-lo. Bastará ler-lhe nos lábios aquele jeito que tem para os adiamentos promissores.


Comments:
Só gostaria de saber os seus desabafos e manifestos já vão em 7, ou seja, se a sua cruzada é dar uma ajudinha para levar a Ferreira Leite para S. Bento. Se não é,olhe que imita muito bem.
 
Num país com outra maturidade que não as bananas e democrático já se estaria a falar de um "impeachment" ao Presidente se restassem dúvidas quanto ao seu envolvimento altamente mafioso de encomendar um trabalhito buê da fixe! pois de facto somos um povo de brandos costumes...
 
Caros Anónimos das 17:15,

estamos cada vez mais perto daquele momento em que cada um de nós pode arrastar a sua cruz e deixá-la à porta de uma força política. Feito o balanço da governação, não sei onde é que o PS irá buscar as cruzes necessárias para continuar a governar.
Se considera "cruzada" o meu direito a exprimir-me e se acha que o PS pode continuar a ofender-nos sob a chantagem de que quem governará, em alternativa, será o PSD, desengane-se. Se não é maniqueísta, imita muito bem.

Cordialmente
 
Caro Anónimo das 23:42,

Olhe que entre suspeições e processos mal esclarecidos, o Eng. José Sócrates não fica atrás do Prof. Cavaco Silva. Tanta paixão pró-PS leva ao autismo político que impossibilita a análise dos erros cometidos.
A circunstância de já não lhe restarem dúvidas, a si, acerca do envolvimento do Presidente, não quer dizer que tudo esteja satisfatoriamente esclarecido.
É dessas certezas inabaláveis que vivem os diferentes sectarismos.

Cordialmente
 
Sr. Manuel Correia

Resposta do anónimo das 17:15.
Sr. Manuel Correia.
Resposta do anónimo das 17:15
O voto é secreto e o seu pode percebeu-se: todos menos o PS. Tem esse direito.
Agora vir dizer-nos que a alternativa não passa por PS ou PSD (depois, logo se vê)é banha da cobra de feira mais rasca. Acha que o CDS, Bloco ou PC podem ser candidatos a Primeiro? Nem tem piada. Seria bom que pudessem ser! Não brinque por favor. Mas vá lá votar num dos 4. Escolha bem
 
Sim.
Também espero que os portugueses não sofram todos do síndroma de Estocolmo. Se o caro Anónimo foi, de algum modo, beneficiado e está satisfeito com a política seguida até aqui, bom proveito.

Cordialmente
 
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