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2009-09-30

 

Deve & Haver (3)



Filipa Sotto Mayor, Braço de Ferro
Cortesia do Rasgo

Nesta história que se conhece à superfície como a das "escutas", bem podemos ir com vagar, porque, pelo jeito das comunicações de ontem (PR e Governo), ainda a missa vai no adro.



A questão de fundo é, obviamente, a das relações institucionais: sendo o PR de uma família política e o Governo de outra, com o que isso deveria acarretar de diferenças de perspectiva acerca da vida económica, social e cultural, apoio a modelos de crescimento/desenvolvimento, costumes e relações internacionais. Ora apesar de as diferenças não serem extraordinárias, quer um quer outro, deveriam actuar com cuidado, sem precipitações, e apenas recorrer à publicidade dos diferendos em casos graves, devidamente ponderados e objecto de consulta prévia ao outro órgão de soberania.


A cooperação estratégica foi a designação, um tanto exagerada, com que ambos, PR e 1º Ministro, baptizaram o entendimento que parecia existir na primeira fase da legislatura. Os partidos à esquerda do PS seguiam o conúbio preocupados por tamanha sintonia e, ao mesmo tempo, divertidos com os ademanes a que Cavaco Silva e José Sócrates se entregavam, episódios que mereceram, até, uma célebre rábula dos Gato Fedorento, em que Cavaco e Sócrates, com extrema amabilidade, sopravam chicorações um ao outro.


O que se está a passar, pouco tem a ver com as plantações de falsas notícias, autênticas suspeitas de espionagem, ou novelas quejandas.


A explicação poderá ser mais simples.


Quer o 1º Ministro José Sócrates, quer o Presidente Cavaco Silva, perceberam que a ocultação das suas reais divergências, além de gerar burburinhos de irritação no seio das respectivas famílias políticas, não contribuia para alargar a base de apoio eleitoral futura, nem elevar o nível de popularidade de ambos.


O Estatuto da R.A. dos Açores, foi, pelo lado do Governo, o sinal forçado desse fim de lua-de-mel.


O que vai seguir-se, será, muito provavelmente, o aproveitamento, de um lado e do outro, das travessuras e dos excessos dos zelotas, com repescagem pós-eleitoral de exemplos de pressões e condicionamentos de várias proveniências.


O Presidente, ontem à noite, esteve mal.
A resposta do Governo, manteve-se ao mesmo nível.


Se ambos ficarem a remexer na nebulosa inventona, é difícil que algo venha a esclacer-se. Aquilo que aparentemente mais nos deveria interessar, agora, era saber como é que os actores políticos interpretam os resultados das eleições de domingo passado e como tencionam assumir as suas responsabilidades perante quem os elegeu.


Torcer por Cavaco ou por Sócrates é ir a um jogo em que os dados estão viciados e em que só um sector do PS e uma parte do PSD estão verdadeiramente interessados.


Voltemos à política!


Comments:
Há pouco tempo, há relativamente pouco tempo, Belém ocupada por Sampaio mandou Santana passear como se essa fosse a saída única da dignidade possível. São as legitimidades de que a Família PS se outorga. Só que as outras Famílias andam por aí. : vivas, com memória, e, por que não, também elas com lugares para legitimar e sentidos de dignidade.
 
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