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2009-09-22

 

A inevitável perda de credibilidade de Cavaco Silva


A única explicação plausível para a origem da conspiração das  “escutas” alegadamente feitas pelo Governo ao Presidente da República é a de que ela está em Cavaco Silva.
O sacrifício - hoje consumado para controlo de danos - do seu dedicado acessor de imprensa, Fernando Lima, procura mostrar o contrário mas... demasiado tarde.
Não vejo, infelizmente, outro entendimento possível dos factos tendo em conta as nunca desmentidas informações trazidas a público pelo Provedor do Público, Joaquim Vieira e pelo DN (que teve o mérito de lhe dar o realce merecido). Particularmente tendo em conta o comportamento e afirmações públicas do PR que a si próprio atribuiu o papel de figurante nesta peça de boulevard ao insinuar que as “escutas” existiam com aquele pueril aviso de que «depois das eleições se ia informar melhor sobre as questões de segurança» como se tal ignorância e passividade fosse compatível com a sua magistratura e não deixasse a descoberto a tentativa de dar suporte à fantasiosa campanha do PSD e de Manuela Ferreira Leite da “asfixia democrática”.

Se novos e improváveis factos não desmentirem tudo o que se sabe, não reconhecer que o PR se envolveu numa inaceitável e trapalhona conspiração que compromete irremediavelmente a sua credibilidade, é uma ofensa à razão. Mas admitir as inevitáveis consequências da realidade – o envolvimento directo e encoberto (ver a propósito Correia Pinto no Politeia) do PR nisto – levaria a um cenário de renúncia do Chefe do Estado ou pelo menos da sua inaceitável humilhação. Por isso, António Vitorino, no seu programa das segundas feiras - há duas horas atrás - acuado por Judite de Sousa: “mas diga lá, diga, diga, então não foi o Presidente que deu ordens a Fernando Lima, diga lá o Presidente não sabia tudo? por isso Vitorino achou que devia dizer que o presidente não estava a par da conspiração que tolda ameaçadora o palácio. Pelo menos por ora, o PS deixa aberta uma janelinha por onde Cavaco Silva possa sair do "esconso da casa de banho" em que se meteu.
Se a bomba atómica não aterra em Belém, como é provável, tendo em conta o país de brandos costumes que somos, também me parece que Cavaco Silva ficou de tal modo desmascarado que dificilmente recuperará a boa imagem de que gozava perante o "bom povo" e o cargo exige. Santana Lopes pode agora rir-se da "má moeda" com que Cavaco o mimoseou quando chegou a 1ºM e que agora é moeda corrente em Belém.
[Fiz pequenas correcções de estilo. Se estilo possa haver... em 2009-09-22]

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