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2009-10-19

 

As Mulheres Socialistas e a História



Maria Manuela Augusto, Presidente do Departamento das Mulheres Socialistas, veio dizer ao DN (ver notícia intitulada Mulheres do PS querem um governo mais feminino ) que a composição do próximo governo ganharia com a inclusão de um significativo número de mulheres. A aspiração é justificada, tanto mais que vem de um partido que se bateu denodamente pela Lei da Paridade, apontando-a, até, como uma das marcas de "esquerda" da governação socialista. Porém, ao olhar para trás, Maria Manuela Augusto afirma ter feito um "balanço muito positivo" da acção das mulheres nos governos de José Sócrates.

O que quis ela dizer com isto?

Que Ana Jorge, Ana Paula Vitorino e Maria Manuel Leitão Marques estiveram à altura.

A presidente do Departamento Nacional das Mulheres Socialistas, além de esquecer outras mulheres que passaram pelos governos de José Sócrates, refere-se à "própria ministra de Educação, que fez um trabalho excelente - e a quem a história fará justiça."

Ao tratar Maria de Lurdes Rodrigues como um caso à parte, Maria Manuela confirma o carácter especial (problemático? polémico?) que o consulado da Educação revestiu. Porém, ao exprimir o voto de que a história lhe venha a fazer justiça, a presidente das Mulheres Socialistas parece estar a sustentar a tese de que a história ainda não lhe fez justiça.

Já agora, convém não deitar pela borda fora a história que foi feita até hoje. Nela cabem, quer se queira ou não, as grandes manifestações dos professores e a obstinação da ministra, acompanhada de uma fraquíssima capacidade de diálogo.

Pois se tiver de ser apenas a história a fazer-lhe justiça, que o faça também de um modo justo, sem "esquecer" nenhum dos episódios lamentáveis que muitas gentes vão querer esquecer muito depressa.

Quando se evoca a história, tal como noutras questões sociais, convém ser inclusivo. Que lhe seja então feita justiça por inteiro!

Comments:
"vem de um partido que se bateu denodamente pela Lei da Paridade, apontando-a, até, como uma das marcas de "esquerda" da governação socialista."

Quando as quotas são a marca de "esquerda", estamos conversados.

Aliás, ainda recentemente o patusco Santos Silva numa das TV's se vangloriava de serem a verdadeira "esquerda" por causa das quotas e por causa da limitação dos mandatos dos autarcas, e a lembrar que o PCP estivera contra. E está. E mesmo assim foi quem mais mulheres apresentou nas candidaturas autárquicas...
 
...de facto ainda hoje não percebo porque razão o PCP esteve contra. Bateu-se sempre por vários tipos de discrminação positiva rumo à igualdade...
Talvez o Luis nos possa ajudar a compreender.
 
Diz a minha companheira que as "quotas" a envergonham. Eu também acho um tanto deprimente precisarmos de uma lei para impor uma x percentagem de mulheres nas listas para as autarquias e para o parlamento. Mas já não há lei que obrigue o PM, ou os administradores das empresas? Não há lei que obrigue a "paridade" nos cargos dirigentes da FP? Por mim não devia haver. Mas sim esforços continuados para acabar com discriminações que persistem e principalmente muita formação e educação nesse sentido.

Mas francamente fazer das "quotas" e das limitações de mandatos dos autarcas marcas de "esquerda", não me convence de seriedade política, mas de show-off. E do que precisamos é de seriedade e de sustentabilidade.
 
Se os membros do PCP deixaram de adoptar medidas de discriminação positiva para forçar a transformação da sociedade, fico surpreendido. Houve com certeza uma alteração estratégica que me escapou.
Eu fico mais envergonhado pela lenga-lenga milenar de que elas (as mulheres) não reúnem condições.
Quanto ao resto, é verdade que a "esquerda" de que o PS se reclama padece de uma liderança francamente à direita.
 
Mas em que é que as "quotas" (apenas para as listas das candidaturas à AR e poder local) contribuiram para a transformação da sociedade? Francamente, não dei por nada. Tanto mais que quem não cumprir apenas deixará de receber a subvenção estatal que viesse a ter direito. Coisa de somenos, como vê.
 
Caro Luis,

dizer que a composição da representação parlamentar é "coisa de somenos", que não tem impacto social, e que não vale a pena porque não é suficientemente impositiva, causa-me a mesma surpresa de que lhe falei anteriormente.

Acho que, apesar de tímida, é uma medida que deve ser apoiada.
 
Uma coisa é ser apoiada outra é ser imposta. Sabia que até no Afeganistão impuseram as "quotas"? Contudo não existe essa imposição legal nem nos USA nem na Grã-Bretanha.

E, como lhe disse, nas candidaturas ao poder local, a CDU foi quem apresentou maior número de mulheres, muito para além da imposição legal.
 
E aqui entre nós, Manuel, já encontrou alguma mulher que não se sentisse envergonhada com as "quotas"? As que eu conheço sinceramente sentem que é uma medida humilhante, mais a mais porque são a maioria na nossa sociedade.
 
Aqui entre nós, Luis, acho que os séculos de servidão, subordinação e sofrimento, valem bem uma lei como esta. Penso que é um bom princípio que só irá verdadeiramente incomodar alguns homens nos momentos de selecção e escolha. Experimentemos. Se der mau resultado, que se reveja. Para já, estou cheio de curiosidade.

Quanto à parte da "vergonha", suponho que não deveriam ser as mulheres a senti-la.

Como diz o Luis (e muito bem), sendo maioria na sociedade, as mulheres têm sido sempre subrepresentadas nos lugares de direcção, coordenação e chefia.

É disso, suponho, que todos deveríamos sentir vergonha. Não as sobrecarreguemos, mais uma vez, com essa história da "vergonha".
 
O Manuel não andou a convidar pessoas para as listas das autárquicas pois não? Pois eu andei. E às tantas reparei que tinha que ter muito cuidado na abordagem das mulheres depois de por mais de uma vez me dizerem "Não vens cá convidar-me por causa das quotas, pois não? É que se for por causa disso não contas comigo". Pelo menos, a desconfiança ficou...
 
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