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2009-12-15

 

Cada coisa para seu lado, que isto anda tudo ligado.


No i de hoje, pág. 18, vem relatado o caso de uma escola de Vila Nova de Gaia em que os alunos se tornaram, em part time, vendedores de cartões de crédito da Unibanco. "Escola usou alunos para vender cartões de crédito" é o título que mereceu chamada de 1ª página.


Para lá dos contornos grotescos de uma violação de princípios legais, éticos e pedagógicos, que envolveu, ao que parece, a direcção da escola e demais professores, associação de pais e alunos, fica a demonstração de que a fúria mercantilizadora exerce uma pressão constante sobre o ser e a consciência.


A resposta do Ministério da Educação foi acertada mas tíbia.


Sem cair em generalizações, poderíamos, de qualquer modo, dar uma vista de olhos à interligação avançada entre organizações financeiras e instituições de ensino. Por vezes é extraordinariamente difícil distinguir o apoio funcional que os bancos disponibilizam do aproveitamento abusivo que fazem da situação de proximidade que ocupam. A escassez das críticas ao sistema capitalista desprotege os projectos políticos que recusam o neoliberalismo, sobretudo neste período de transformações globalizadoras em que algumas perspectivas críticas não acompanham as mudanças em curso (ver, entre outras, a contribuição de Fernando Penim Redondo e Maria Rosa Redondo, Do Capitalismo para o Digitalismo).


Quem se esforça por tratar em separado os temas da corrupção, política, justiça e ascendente mediático de certos banqueiros recém chegados ao império da finança, devia pensar duas vezes. A displicência ideológica e os métodos analíticos ortodoxos não nos levam já a lado nenhum.


Deixam-nos onde estamos.


Um sítio em que ainda é possível certas organizações financeiras de crédito porem os alunos do ensino básico a vender cartões de crédito. Ainda por cima com o sonolento consentimento dos professores e dos pais.


Um sítio cada vez mais mal frequentado.

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