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2010-01-03

 

[1895] A ex-RDA por quem lá viveu


Palácio da República na Praça de Marx-Engels em Berlim Oriental, no verão de 1989.  Demolido em 2007. [link]
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João de João Maria de Freitas Branco na altura em que todo a gente falava ou comemorava a queda do Muro de Berlim enviou-me um texto para o Puxa Palavra sobre a sua experiência na RDA onde viveu, estudou e trabalhou durante alguns anos. É um texto que vale a pena ler. Pois vai ao arrepio do politicamente correcto do momento.
Pareceu-me muito interessante mas ofereci-me para lho publicar nos Caminhos da Memória onde se debatia o tema. E assim foi. Agora publico aqui o início e remeto o leitor para os CdaM onde encontrará também uma biografia do autor para quem não o conheça.
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Um repensar do passado com os olhos postos no presente
(João Maria de Freitas Branco)

O ter eu vivido na cidade murada interessantíssima experiência político-cognitiva, observando in loco o que foi o socialismo real germânico (a República Democrática Alemã – RDA ou DDR, no uso da sigla correspondente ao nome alemão do extinto país), essa experiência, fez-me estar ainda mais atento aos discursos do 20ºaniversário da queda do Muro de Berlim. Em particular aos proferidos por gente lusa com responsabilidade de mando. O que li e ouvi pôs-me na alma uma curiosa mistura de satisfação com perplexidade. Mescla de sentimentos agora motivadora deste breve prosar indagador – puro gesto de reflexão problematizante, de pensamento crítico.

O que se passou na cidade agora capital de uma única Alemanha nessa já recuada noite de 9 de Novembro de 1989 é indiscutível motivo de alegria para qualquer pessoa de bem; tem a dimensão simbólica do fim de uma forma de regime totalitário: realidade política ética e moralmente inadmissível. Aquela RDA, fossem quais fossem os seus méritos sociais, tinha que acabar. Sempre o tenho afirmado. Ver agora todos os representantes da nossa direita parlamentar saudar com genuíno regozijo esse histórico acontecimento é algo que me causa natural satisfação. Porque vivi tempos em que a direita prevalecente fazia a apologia da ditadura, cultivava a ideia de desigualdade, enaltecia desavergonhadamente a falta de liberdade, enxovalhando e troçando da democracia com alarvado escárnio salazarento. Para o bem, Abril parece ter sepultado essa direita, fazendo germinar uma nova. ... Continua aqui

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