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2010-01-25

 

[1918] Não há dinheiro. Para todos...

Paulo Teixeira Pinto, foi presidente do Millenium-BCP, após a saída de Jorge Jardim Gonçalves, durante ano e meio. Ao deixar o banco recebeu uma indemnização de 10 milhões de euros e uma reforma vitalícia de 500 mil euros anuais (41.600 € por mês).
Quanto receberão os outros que estiveram à frente do banco muito mais tempo? O Banco mantém isso em segredo.

"O que eu quero é que as reformas que [os cinco ex-administradores do BCP acusados] estão a receber sejam devolvidas", declarava Joe Berardo que preside à Comissão, em Junho último, à Lusa. Berardo afirmava que as reformas destes ex-gestores chegavam às "centenas de milhões de euros". E acrescentava: "Estou aqui para proteger o meu investimento e os de 140 mil accionistas do banco." Quando o conselho de administração foi substituido em finais de 2007 o banco teve de incluir nas contas 80 milhões de euros, destinados a rescisões e reformas de ex-administradores.

"Assim, dando cumprimento a esta deliberação, o BCP anunciava que cessaria o pagamento das despesas inerentes aos automóveis nas mãos destes ex-administradores, incluindo os salários dos motoristas, a partir de 1 de Janeiro de 2010.
Além do fim destas despesas, o banco suspendeu o contrato de segurança privada, de que beneficiava o fundador do banco Jardim Gonçalves. Este ex-presidente conta, em permanência, com dois seguranças privados, o que perfaz um total de seis homens destinados a esta tarefa por dia."

"Recorde-se também que Jardim Gonçalves utilizava um avião alugado pelo BCP para as suas deslocações ao estrangeiro, possibilidade que passou igualmente a ser cancelada desde o início do ano."

Muito cidadão desatento julga que sendo o banco uma instituição privada isto não é nada com ele. Mas é. É ele que paga de forma indirecta através dos seus impostos ou das baixos remunerações. Paga nas mil e uma comissões que os bancos (cartelizados) nos obrigam a apagar sem que tenhamos outro recurso. Nos impostos que não pagam por fuga ao fisco com recurso aos paraísos fiscais. Nos impostos baixinhos que a legislação e a "desatenção" dos Governos permite. Nas falcatruas toleradas com falsificação das contas. E mais directamente com o nosso dinheiro, quando arriscam e roubam em excesso e provocam crises como a que vivemos e temos que "salvar" os bancos e salvar as indemnizações milionárias, as reformas douradas e outros desmandos da ordem vigente.
Mesmo sem abolir o capitalismo, façanha que tão de pressa não está na ordem do dia por falta de tudo (teoria, alternativa prática, força política e social) ele pode ser de alguma forma domesticado. Tudo isto pode ser francamente "moralizado" se se concitar a consciência e a vontade social .
Uma proposta mínima, suave, possível de imediato, mas de grande repercussão na consciência social seria colocar obrigatoriamente na internet as remunerações (incluindo as encapotadas) e as reformas douradas dos administradores e outros executivos das empresas públicas e privadas. Veriam que isso daria origem a um controlo social sobre os governos ao contrabalançar em parte (só numa pequena parte!) a sua submissão ao diktat do dinheiro.

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O mesmo juízo se poderá fazer de qualquer outro que, valendo-se de mecanismos jurídico/políticos, receba da Sociedade de forma excessiva relativamente ao que para com ela contribui. É claro que estes casos trouxeram ao de cima a imoralidade colossal em que o sistema assenta. Ao menos o Maddof assumiu que roubou! O Greenspan que errou!
 
O Governo português já disse que ia fazer o mesmo. Mas a decisão no Reino Unido e na França parece que é só para valer em 2010. Roosevelt, nos EUA, a seguir à grande crise de 1929 arrumou esse assunto dos ordenados principescos e dos prémios fabulosos em todas as empresas dos EUA e não apenas nos bancos, com taxas de IRS que subiram nas maiores fortunas a 75% e a 90% e aumentou os impostos às grandes empresas e o imposto sucessório. Foi assim que a classe média americana surgiu a partir dos anos 30. Desde Reagan e dos anos 80 a situação inverteu-se e a América voltou quanto à polarização da riqueza aos anos 20 do século passado. (Ver Paul Krugman em a "Consciência de um Liberal")
 
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