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2010-01-31

 

[1923] Liberdade

Jô Soares veio a Portugal, está aí no Teatro João Villaret a festejar com o seu Remix em Pessoa o seu e nosso grande grande poeta.
Se este espectáculo fosse só um poema, qual escolheria? - pergunta-lhe Alexandra Prado Coelho - lá para o fim da entrevista que lhe fez na Casa Fernando Pessoa. "Liberdade. "Ai que prazer/ não cumprir um dever". Que maravilha" - respondeu-lhe Jô Soares.
(Para ouvir Jô Soares aqui )

Liberdade

Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
Sol doira
Sem literatura
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como o tempo não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quanto há bruma,
Esperar por D.Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,

Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

Mais que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"

Ligeiro? Brincalhão, um poema de Pessoa à Alberto Caeiro? Não é para complicar mas olhe aqui.
Comments:
Lindo!..Uma delicia ler.
 
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