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2010-02-25

 

[1945] O ordenamento do território feito pela especulação imobiliária



O momento é o de enterrar os mortos e tratar dos vivos. O momento é o de acudir à tragédia de tanta gente com apoio material e apoio moral.
Mas o momento de pedir contas e medir responsabilidades virá, tem de vir e rapidamente, para que a tragédia e as  mortes não ocorram ciclicamente como se a responsabilidade coubesse apenas ao mau tempo. 
Nada do que aconteceu constituiu surpresa para os que estudam o ordenamento do território. Há muito que as denúncias e avisos tinham surgido. As imagens são bem elucidativas da construção anárquica no leito de rios e linhas de água (torrencial).  Mas as autoridades, Governo Regional e Câmaras municipais cúmplices dos interesses imobiliários tentarão esconder a suas responsabilidades com a lágrima no olho para a televisão e a denúncia dos "malvados" que os denunciam como fez o cacique local Jardim.
No post acima refere-se um artigo do engenheiro silvicultor Cecílio Gomes da Silva, no Diário de Notícias do Funchal, em Janeiro de 1985, em que ele avisa dos perigos que a baixa do Funchal corre. É uma antevisão impressionante, sob a forma de um mau sonho, que retrata com incrível semelhança o que agora se passou. Não era adivinhação era a simples análise da situação no terreno. E apelava a medidas correctoras, que outros técnicos têm proposto, e que teriam agora seguramente poupado vidas e haveres.

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Meu Caro Raimundo

Tenho ido muitas vezes à Madeira. Gosto da Madeira. Como turista vou-te dizer que não conheço nada melhor na Europa. Só que o olhar do turista vale pouco. O turista pensa que vê e às vezes não vê.
Outras vezes, mesmo sem ter em conta os indicadores, o simples conhecimento empírico permite-nos fazer comparações: a Madeira que eu conheci logo a seguir ao 25 de Abril não ficava nada a dever à África colonial que eu conheci bem antes do 25 de Abril. E é óbvio que houve uma grande mudança. Sim, também no continente houve. Mas na Madeira muito mais, porque está melhor e partiu muito mais atrás.
Com muito dinheiro. Certamente, como cá, mas cá com piores resultados. Com a agravante de o dinheiro ter todo a mesma fonte.
Quanto à construção: a miséria que existia na Madeira era indescritível. Toda a gente ao longo destes anos de autonomia foi construindo. Onde? No território da Madeira, tal como ele é. Acho que nunca descobri lá uma planície, nem uma encosta segura. Provavelmente houve alguns erros, como em todo o lado e esta é a boa ocasião para os corrigir. Uma coisa, porém, tenho por certa: houvesse ou não erros, o que aconteceu na Madeira teria sempre consequências catastróficas. Porque o que lá aconteceu, não é uma coisa normal.
Mais do que insistir nos erros, tese que somente aceito depois cientificamente comprovada, eu seria muito mais sensível a uma crítica de falta de "alerta rápido", embora também reconheça que sendo muito improvável o que aconteceu ninguém estava por aí além sensibilizado para montar o sistema.
E é tudo. Assim um pouco descoordenadamente, mas deixando entender o sentido.
Abraço
CP
 
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