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2010-03-05

 

[1950] Escutas e Conversa de café

- Finalmente, finalmente consegui uma escuta. Era o meu vizinho, o Sr. Antunes, no café do largo. Quase gritava de excitação. Até a D. Maria que estava a lavar as chávenas deixou a loiça à pressa para se abeirar e ouvir melhor.
- Como assim? - Picava-o um que não conheço daqui.
- É do Balsemão.
- Conta, conta, afoitava-o uma do 6º andar, a Teresa Balsinha.
- Está aqui. Já transcrita e tudo.
- Lê, lê, lê alto - disseram vários em uníssono com aquele ar guloso de quem lê o Sol e a Moura Guedes.
- Então calem-se todos - e o Sr Antunes ganhou a pose do "Pequeno Arquitecto" e com a voz bem colocada gemeu:
- Tá? Tá lá, és tu oh Francisco?
- Sim sou eu, quem querias que fosse, a secretária não disse que ia passar?
- Ah... É sobre o plano para controlar a comunicação social, porra! Há mesmo plano ou não?
- Sim, é claro, há plano pois.
- Então confirma-se tudo, olha o cabrão. Mas falaste com o Sócrates ou com o chefe de Gabinete...?
- Eu? Eu não. A que propósito é que ia falar com eles?
- Então falaste com os espanhóis da Prisa?
- Claro que falei.
- Então ele mentiu mesmo no Parlamento. Que ganda filho da p...?
- Ele quem?
- Porra, o Sócrates fod...
- Mas do que é que estás a falar?
- Oh Francisco, mas de que há-de ser, porra, do plano do Sócrates para o controlo da comunicação social!!
- Do Sócrates? Chiça. Estou a falar é do meu. Quero lá saber do Sócrates.
  
Gerou-se um pandemónio no café... Só visto. Tudo a falar ao mesmo tempo, a esbracejar, a bravejar. Porque uns eram pelo Sócrates outros pelo Balsemão e o PSD (pareceu-me que mais do lado do Rangel) e a Balsinha, que pela conversa se desconfia que é do Bloco, quase berrava porque ninguém lhe estava a dar importância.
Que isso do Sócrates é que é controlo da comunicação social. Do Balsemão não porque é privado. Está no direito dele - Explicava o Sr. António, dali do BES, mesmo ao lado do café, com ar suficiente e que todos escutam porque é doutor.
Então o Sócrates - gritava outro, que para ele quem toca no Sócrates "leva" - então o Sócrates que é eleito e tem os votos do povo não pode e o Balsemão lá porque tem a massa já pode.
Não houve cabeças partidas mas a gritaria foi mais que muita. Até a D. Maria, ciosa da restante clientela, a pretexto de levar as chávenas vazias, pediu - com licença, com licença, vá, vá, vamos lá com calma.

Comments:
Fico à espera que o sr Antunes reapareça. É um prazer ler as suas opiniões.
 
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