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2011-06-21

 

Uma derrota merecida

A derrota de Fernando Nobre é uma derrota merecida para Pedro Passos Coelho e para ele próprio.
Passos Coelho terá pensado que arrebanharia para o PSD umas dezenas de milhares de votos de gente de esquerda que votaram em Nobre para a Presidência da República, de gente de esquerda que obviamente se sentiu traída por Fernando Nobre quando este aceitou o convite de Pedro Passos Coelho e que a última coisa que faria era continuar a votar em quem a enganou.
O chumbo de Nobre na eleição para presidente da Assembleia da República é uma derrota política para Passos Coelho e é a derrota de uma proposta oportunista. 
A derrota de Nobre é uma derrota merecida e mais do que previsível . Merecida porque ao passar em poucas semanas de político de esquerda a político de direita para mais sem nenhum cataclismo político a justificá-lo, revelou uma grande falta de carácter e um “nobre” desprezo pelos seus eleitores na candidatura a Presidente da República.
Mas, além deste desdouro de carácter, revelou uma soberba e uma ignorância parlamentar inauditas ao publicitar aos quatro ventos que aceitava o convite de Passos Coelho para Presidente da Assembleia da República e que se não fosse eleito pelos seus pares deputados abandonaria o Parlamento. Para ele, ser deputado, ser um eleito pelo povo, era coisa insuficiente para a sua grandiosidade. Para a emplumada fatuidade do Senhor Nobre a única condição aceitável era ser Presidente da República ou no mínimo ser presidente da AR, a segunda figura do Estado.

Parece não ter ocorrido nem a Fernando Nobre, o que se percebe pela sua natural ignorância política nem a Passos Coelho, o que é menos desculpável, que para vir a ser Presidente da AR era necessário que a maioria dos deputados da AR, que ainda nem sequer tinham sido eleitos, viesse a votar nele. Teriam ambos revelado muito maior sentido democrático e respeito pela AR e pelos deputados, se em vez do anúncio público e ostensivo, durante a campanha eleitoral, de que Passos Coelho "convidara Fernando Nobre para presidente da AR" tivessem anunciado que Pedro Passos Coelho prometera empenhar-se na sua eleição para presidente do Parlamento. “O convite para presidente da AR” e a sua aceitação nestes estritos termos surgia assim como um apoucamento da função de deputado e uma arrogância de Passos Coelho e de Fernando Nobre a denunciar a convicção, não sem algum fundamento, aliás, de que o deputado deve o seu mandato ao chefe do partido que o escolheu e não ao povo que o elegeu e, portanto, àquele deve obedecer.

Acresce a toda esta trapalhada o facto de que Fernando Nobre não tem a mínima experiência do funcionamento da AR e não possui o traquejo como deputado que as funções de PAR exigem.
O convite de Passos Coelho a Fernando Nobre foi uma decisão leviana imediatamente reveladora da “leveza” do candidato a primeiro-ministro, como aliás um infindável número de gafes e inabilidades cometidas ao longo da campanha revelaram. Esperemos que como 1º M tenha melhor desempenho.
O chumbo de Fernando Nobre era uma derrota anunciada desde o momento em que ele afirmou, durante a campanha (mais tarde, mas demasiado tarde, emendou) recusar permanecer como deputado na AR se não fosse para ser seu presidente.
Aliás qualquer deputado que respeitasse mais a sua dignidade que os interesses partidários (e pessoais, obviamente) teria como ponto de honra recusar o seu voto a Fernando Nobre.
Quem te manda a ti sapateiro tocar rabecão!?
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Outra revelação desta primeira derrota do novel PSD-NL (de neoliberal ) é a posição do CDS, parceiro de coligação. Parceiro, parceiro mas não tanto. Mas este é já outro assunto.

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Comments:
Raimundo:
Palavras simples e acertadas sobre uma situação toda ela lamentável e escusada.
Não havia nexecidade...

GP
 
Nobre foi uma "pedra no charco" do pântano preconceituoso destas velhas-senhoras da política destes 37 anos.

Passos deve trazer mais "Nobres" para a cena política e arriscar tudo para limpar teias de aranha de banqueiros, sindicatos e politiqueiros do costume.
 
O "rural" comment deve estar equivocado ou a defender a promoção dos incapazes. Nobre é um incapaz e se se ficar por aqui, enfim...Mas há quem diga que a eleição de Nobr poderia levantar muitos "rabos de palha".
A. Carlos
 
Passos e Nobre foram incapazes de "arrancar" a viscosidade da carapaça encardida da assembleia da república.

Talvez mesmo só a tróica troque as voltas aos velhos e "experimentadíssimos" politiqueiros barrigudos que nos "protegem". senhor A. Carlos
 
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