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2011-07-25

 

O último Conselho Europeu extraordinário, afinal pouco serviu

Como pensávamos o capital financeiro ainda não se sente saciado.

As agências de Rating, seu braço direito como aqui já se escreveu, já vieram desqualificar ainda mais a Grécia e avisar de que as decisões tomadas em nada mudaram a realidade de fundo de Portugal.

A Irlanda anda a ser menos visada.... Não se entende lá muito bem, ou então, entende-se.

Por outras razões também entendo e escrevi que as decisões do Conselho/Cimeira, para além da redução da taxa de juros, pouco mais nos trouxe para a recuperação real da economia portuguesa.

E o problema a prazo tende a complicar-se e era bom que não se chegasse à situação da Grécia.

Para isso é melhor começar a fazer o trabalho de casa, definindo normas de acção económica e política.

Todos, mesmo os que não podem dizer isso, antes têm de afirmar exactamente o contrário, sabem que o País não reúne condições para vir cumprir os acordos assinados com a Tróica e reduzir a situação da dívida mesmo depois e apesar dos grandes sacrifícios exigidos ao povo português. Até os credores sabem isso.

Daí que sem deixar de pressionar a Europa para que tome as medidas globais para que a crise instalada na Europa comece a ser resolvida e, seria óptimo pressão concertada nesse sentido com todos os países em crise "directa", não se deixe de fazer o trabalho de casa até para não perder a iniciativa de proposta.

Primeiro ponto. Deve-se apurar de forma transparente o valor real da dívida externa portuguesa, pois só este é que deve ser pago pela nação.

A dívida encontra-se empolada por várias causas. Bastaria pensar nos contratos de financiamento destinados à compra de armamento (p.e. os submarinos), em outros contratos em que houve mediação de diversos bancos internacionais, no pagamentos de juros de juros, nos efeitos das notas das agências de Ratings, etc, etc. que não passaram de uma chantagem clara sobre a economia portuguesa em dificuldade, um crime sobre a população portuguesa. Basta pensar nestas razões para que se criem os mecanismos de apuramento da dívida real. Chamem a isto o que quiserem reestruturação, nome tão temido dos nossos governantes, ou outra coisa qualquer, para mim o baptismo pouco me interessa, apenas sei que é um acto da mais elementar justiça, jurídica e social. Não é uma decisão de entrar em default, é negar-se a pagar o que o país não deve de facto. É uma expurgação da dívida externa de factos daninhos.

Segundo, este apuramento da dívida real deve ser feito por gente idónea, de forma transparente e participada. A comissão de sábios que o Governo actual pretende criar para acompanhar as finanças públicas bem podia ser canalizada para este trabalho.

Um trabalho bem feito e sustentado economicamente obteria credibilidade externa e reconhecimento de que se pretende pagar o que se deve, mas apenas e só. Os efeitos das notações das agências de Rating que fiquem com os seus causadores.

Esta deveria ser uma posição de princípio a tomar e o povo português deveria ser esclarecido sobre este processo.

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Comments:
É importante que a revisão da dívida, ou seja a expurgação do montante a não pagar através de critérios internacionalmente aceites, seja da iniciativa do Estado devedor para melhor defesa dos seus interesses face aos dos grandes credores.
A.C
 
Haverá que deduzir o que o País desembolsou com o BPN e BPP.
 
E o negócio ruinoso de Ferreira Leite com o Citigroup no valor inicial de 11,44 mil milhões de euros, de que praticamente nunca mais se ouviu falar a não ser que nos anos seguintes já atingia cerca de 15 mil milhões, também deve ser incluído neste pacote de expurgação.
 
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