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2011-08-06

 

"É inevitável Portugal sair do euro"

"O euro tem os dias contados" e Portugal devia ser dos primeiros países a terminar com a "tentativa fútil de permanecer na moeda única", afirma Desmond Lachman, entrevistado por Ricardo Lourenço, correspondente nos EUA. Desmond Lachman foi diretor adjunto do FMI de 1994 a 96, actualmente é professor na Universidade de Georgtown, onde chegou oriundo da Wall Street. 

- "Porque é que Portugal deve abandonar o euro?
- É inevitável. Portugal não vai conseguir aguentar a políticas do FMI sem grandes cortes da despesa e sem deixar o euro. Esse será o fim. A minha pergunta é: se este será o fim, porquê esperar dois anos, que se avizinham de recessão, quando já sabemos que a saída do euro é fatal? Não sugiro que o default (incumprimento do pagamento da dívida) ou a saída do euro seja uma opção fácil ou que não vai provocar dor, mas apesar de tudo e preferível fazê-lo agora do que perder dois anos. Quando olho para os números de Portugal não percebo como é que o país irá conseguir ao mesmo tempo pagar a divida e aguentar um programa de austeridade imposto pelo FMI, que resultará em recessão profunda e ao mesmo tempo em deflação, o que irá piorar tudo, aumentando o problema da dívida pública."

- É mais pessimista em relação a Portugal do que em relação à Grécia?
- Sim. São países com problemas diferentes, mas o que me preocupa em relação a Portugal é a sua fraqueza extrema no lado externo. Portugal tem uma dívida externa superior à grega (por percentagem do PIB). Se incluirmos o sector privado, o país deve ao exterior o equivalente a 230% do PIB. É brutal! E ainda temos o problema do défice orçamental, que não anda longe 10%. Portugal tem fraquezas enormes e eu não percebo como é que vai lidar com elas mantendo-se no euro e sem poder desvalorizar a moeda.

- Mas aparentemente isso não vai acontecer visto que o novo governo, tal como o anterior, não pensa numa solução dessas.
- Isto tudo não tem a ver com o que eles querem, mas com a realidade que irá acabar por se impor. Nesta altura, parece-me evidente que a Grécia não vai conseguir cumprir com o pagamento da dívida nem [evitar] a consequente saída do Euro. E se a Grécia falha não há forma de Portugal sobreviver às pressões dos mercados

- O Nobel da economia Milton Friedman disse em 1999 que o euro não resistiria à primeira recessão. Acha que ele estava certo?
- Nem alguém tão pessimista como Friedman acharia um dia que os desequilíbrios orçamentais chegassem a este ponto, muito além do que se esperava. Para os corrigir só saindo do euro, caso contrário podem ficar mas aí terão um futuro estilo Letónia onde os programas de austeridade sucessivos levaram a quedas de produtividade de 26% e a um aumento do desemprego até aos 26%. Se é isso que querem....

- De quem é a culpa da actual situação?
- Temos de perceber uma coisa, há uma grande diferença entre o que é do interesse da Alemanha e da França e o que é do interesse de Portugal, Espanha ou Grécia. Os primeiros querem este tipo de políticas, porque querem evitar o default dos parceiros do sul, visto que o seu interesse é a protecção do seu sistema bancário. Eles sabem que se estes países falharem eles terão uma crise do sistema bancário. Eles querem por isso que Portugal, Grécia ou Espanha fiquem no sistema, algo que penso não ser do interesse desses países. Quantos às culpas, há muitas para distribuir. Na verdade, o que quero dizer é que isto é uma desgraça! Primeiro os governos dos países que conduziram políticas irresponsáveis durante tanto tempo, segundo a Comissão Europeia por não ter percebido o problema e pela sua fraca capacidade de análise, pensando que se os países periféricos arrastassem défices durante anos a fio nada aconteceria, isso foi um erro enorme. E claro o mercado. O que é que os bancos estavam a pensar quando emprestaram dinheiro a estes países a taxas de juro baixíssimas quando se percebia que eles estavam a arrastar-se para uma situação de insolvência? O que devia ter acontecido é que deviam ter subido as taxas de juro muito mais cedo e assim estes países não tinham ficado nesta situação. Por fim, o FMI, que nem sequer cheirou a crise a chegar." (Continuação aqui ou aqui)

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Comments:
Também li esta entrevista. Mas não me convenceu. Aliás, desconfio à partida de certos crâneos que tendo passado pelo FMI desatam logo a dizer o piorio. Quando para lá foram o FMI já não era como é? Segundo a situação está bem má, mas é possível salvar com medidas fortes e um projecto de fundo de natureza política e económica.
 
Pois, o que este sábio diz, como muitos outros dizendo o mesmo ou o contrário, nós entendemos. Agora deveria esclarecer como é que Portugal paga os dois (há quem diga quatro) PIBs saindo do Euro. A desvalorização da nova moeda nada resolveria do passado pois a dívida continuaria titulada em euros/dollares etc, o que provocaria era uma quebra brutal e imediata nas importações (onde pontificam os combustíveis, a soja, o trigo (não esquecer de que é feito o pão que comemos e indirectamente a carne) etc. etc. etc. . Haveria um imediato e brutal empobrecimento de todos os titulares de rendimentos na nova moeda, incluindo óbviamente os salários . É isto que estas análises simplistas não explicam. Ah! e a fuga de capitais que precederia a mudança? Não falo da minha conta e outras que tais ....
 
Srº. Anónimo ainda bem que reconhece como sábio o Sr.em Cima, pois É.
Como dica deixo a seguinte sugestão taxas de Juro a 0%.
JN
 
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