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2011-12-16

 

Do sóbrio Bundesbank aos países bêbados do Sul



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O presidente do Banco Central alemão ("Bundesbank") comparou os países endividados da União Europeia aos alcoólicos. Jens Weidmann, que é também membro do Conselho do Banco Central Europeu, afirmou que a disponibilidade do BCE de aumentar a compra de dívida soberana para ajudar os Estados em maiores dificuldades seria o mesmo que "dar um último trago a um alcoólico." Num encontro com jornalistas, Weidmann acrescenta que não é bom dar uma garrafa a uma pessoa com problemas de bebida. O presidente do Bundesbank instou assim os países do euro a resolverem os problemas da dívida publica, e a aplicarem as reformas estruturais necessárias. 2011-12-15 13:16:03
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Podíamos considerar que o Sr. Jens Weidmann estava bêbedo quando falava para os jornalistas e considerarmos o assunto arrumado.


Mas ele não estava bêbedo e é um dos homens mais poderosos da banca alemã e um dos que manda no BCE. Isto revela como está a ser embebedada envenenada a opinião pública alemã por estes agentes da rapina, sem nível e sem vergonha.

Num post aqui fala-se das vantagens financeiras milionárias que os bancos alemães estão a tirar da crise do euro. A crise está, segundo esse estudo, a transferir para os bancos alemães quantidades fabulosas de dinheiro que procuram refúgio de eventual fim do euro e, por outro lado, os mercados financeiros ajudam a Alemanha, melhor dito, o governo alemão, (porque há mais Alemanha para além dos meios financeiros alemães e para além da CDU da Srª Merkel) e baixam-lhe a taxa de juros para níveis próximos do zero em troca da pressão política sobre a Itália, Espanha e os periféricos “bêbados” e “mandriões” onde eles esmagam os povos com a ajuda dos seus Gaspares representantes nos Governos.

Cruzam-se e somam-se vários fenómenos. E deixando de lado, por agora, a captura dos mecanismos democráticos que ainda vigoravam na EU, pelos mercados financeiros, através de Merkel e Ciª.

Dada a fragilidade do edifício do euro, por demais escalpelizada, nos últimos meses, os meios financeiros americanos com as suas agências de notação (que hoje mandaram para o lixo os maiores bancos portugueses) fazem um ataque cerrado ao euro o que lhes permite sugar uma massa fabulosas de riqueza com a especulação. Simultaneamente enfraquecem a principal moeda mundial concorrente. Por outro lado os meios dirigentes alemães acompanhados por outros do norte da Europa (tudo partidos de direita e gente dos "mercados") por seu lado querem impor as regras e o domínio alemão à Europa, e castigar os “preguiçosos”. Querem por ideologia mas muito porque assim vão, de caminho, fazendo uma grande transferência de riqueza dos países fragilizados para a Alemanha e seus parceiros, que é na essência uma transferência de riqueza brutal dos trabalhadores e das classes médias para os milionários acionistas dos bancos e os seus altos funcionários que também comem à mesa do festim.

E que faz o impreparado e antigo Jota que nos traz das cimeiras coisas como “o mínimo divisor comum” e que o presidente do Bundesbank vai pôr de quarentena, ao abrigo de uma germanófila lei seca, sem lhe facultar, sequer, um trago de álcool? Pois o nosso simpático 1ºM aplaude a patroa Merkel e ri-se para o empregado dos mercados que lhe dirige as finanças e o governo.

E nós? Que podemos fazer?
Comments:
O pessoal gosta muito de eufemismos: Mercados=CAPITALISMO!

Também é cómodo arranjar o "culpado" por todos os males, os nossos e os alheios, um bode expiatório - já se começa a ouvir falar da bruxa merkel. Demasiada simplificação. As poupanças, pequenas e grandes, deslocar-se-ão sempre na procura do rendimento e, sobretudo, da segurança. Na Suíça haverá qualquer coisa como entre 20 e 30 mil milhões de euros de depositantes gregos!
 
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