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2012-05-08

 

EDP - O Estado capturado pelo grande capital

Este artigo de Paulo Morais, hoje no CM, mostra bem quem manda, descaradamente, no Governo de Passos Coelho. Revela bem como o Estado está, ao serviço dos grandes interesses e pôe a nu a consabida precaridade do voto como fonte do poder.

O estado da EDP

"A EDP beneficia de favores políticos sem limite por parte de políticos sem vergonha.
Por:Paulo Morais, Professor Universtário

O poder da EDP em Portugal atingiu uma dimensão perigosa. Enquanto consumidores de electricidade, estamos hoje indefesos perante um domínio absoluto e arbitrário.
Na factura de electricidade, a par dos seus consumos, as famílias são coagidas a financiar as empresas de energias renováveis, os gastos perdulários em painéis solares ou os investimentos em antenas de energia eólica. Ao onerar as contas de energia com taxas e mais taxas, em benefício próprio ou em proveito do lóbi da energia, a EDP está a exercer um poder tributário, privilégio dos estados.
A sua fúria despesista, a expensas do povo, não pára. A nova e malfadada barragem do rio Tua irá gerar lucros milionários para a EDP porque tem uma rentabilidade garantida pelo Estado, pela via do défice tarifário que todos pagamos.
Acresce que a EDP arroga-se estar à margem da lei. Bem recentemente lançou uma campanha publicitária utilizando ilegalmente crianças, visando a venda de serviços que não têm relação directa com a sua faixa etária. O que é interdito, nos termos da lei da publicidade. A EDP emprega trabalho infantil, lesa a dignidade das crianças, mas fica impune. O que só é possível porque dispõe de uma enorme influência sobre o poder político. Eduardo Catroga, em nome do PSD, advogava a redução das rendas pagas à empresa, para logo a seguir defender, enquanto presidente da eléctrica, a manutenção do seu pagamento. A ministra Assunção Cristas e o deputado Mesquita Nunes estão ligados ao escritório de advogados que assessora a sociedade nos seus maiores processos, enquanto tutelam e fiscalizam negócios em que o estado tem favorecido descaradamente a empresa. O deputado Pedro Pinto é consultor de empresas intimamente dependentes da EDP. E muitos mais.
Há muitos políticos de duas caras. Duas caras… e muitas coroas. Por outro lado, todos quantos se opõem ao poder da eléctrica, como o ex-secretário de estado Henrique Gomes, que pretendia reduzir-lhe as rendas em 165 milhões, são convidados a "demitirem-se".
Como a EDP beneficia de favores políticos sem limite por parte de políticos sem vergonha, estamos condenados à servidão a uma organização que já não é só uma empresa eléctrica. É um estado dentro do estado."

Comments:
Não fico esclarecido, se está a falar com má fé ou se apenas desconhece que o Estado Português cobra no mínimo por cada 2 MW instalados em Centrais Solares 800.000€ e ainda uma serie de taxas e emolumentos, que lhe permitem financiar a sua máquina burocrática ( DGE ERSE -Entidade Reguladora).
Para os governantes portugueses as Energias Renováveis não são a nossa libertação da escravatura do PETROLEO e por isso objeto de tratamento zeloso, que tal missão merece. Na realidade, sobra para as Energias Renováveis o mesmo que para nós - taxas. Na nossa fatura de eletricidade tem mais um imposto encoberto do que uma renda da EDP.
A guerra das licenças para a concessão de pontos de entrega (eólica) poderia e deveria ter sido falada, pois deu muito dinheiro, que foi parar a bolsos, que não são os cofres da EDP.
 
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