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2012-06-16

 

Só se a Alemanha não quiser.

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Muito se tem falado nos últimos meses na necessidade de os países ricos ajudarem os países em dificuldades da Zona Euro, não só apenas no financiamento dos planos de resgate, mas também no investimento com vista ao crescimento económico.
Uma questão que se pode tentar quantificar em alguns aspectos é quanto a Alemanha beneficiou com a criação do euro? Só vou aqui abordar duas vertentes.

Uma coisa é certa, tendo resultado o euro de um conjunto de moedas, umas mais fortes como o marco alemão e outras mais fracas como o escudo português ou o dracma grego, é fácil concluir que se hoje houvesse a moeda marco alemão em circulação, este seria mais forte do que o euro, logo, a Alemanha só por isso, perderia competitividade nas suas exportações, independentemente das políticas adequadas de ganhos de produtividade e de controlo dos salários nos últimos 10 anos naquele país, enquanto outros…

De facto nos últimos 10 anos, os salários na Alemanha subiram menos de 5% enquanto nos países em dificuldades, subiram entre 20% a 25%.

O impacto nas exportações alemãs, com a existência do marco, seria naturalmente negativo. Mas quanto 5%, 10%, um valor superior… é difícil quantificar. O que se sabe é que 5% do valor das exportações alemãs de 2011 são 52 mil milhões de euros (cerca de 70% do valor do resgate de Portugal). A Alemanha exportou cerca de 1050 milhões de euros em 2011, quase metade do PIB alemão. O excedente comercial alemão, no mês de Abril de 2012, foi de 14,4 biliões de euros e a média mensal é de 14 biliões de euros (168 biliões de euros anuais).

Mas se analisarmos outra área em que a Alemanha lucrou, sendo esta mais fácil de estimar, é calcularmos em termos muito genéricos a poupança de encargos financeiros com a emissão de dívida pública desde o final de 2009 até agora.

O exercício é fácil de fazer: a Alemanha tem uma dívida de 1,4 triliões de euros e emite por ano cerca de 250 biliões de euros em média (grande parte deste montante é para efectuar o roll-over da dívida que chega à maturidade). Se considerarmos que hoje a yield média (considerando todas as maturidades existentes) está cerca de 1,75% mais baixa do que o valor no final de 2009, calculamos que em termos gerais, a Alemanha deve ter poupado neste tempo (desde final de 2009 até agora), no mínimo, qualquer coisa como 10 mil milhões de euros em encargos financeiros.

A proposta que se pode fazer à Alemanha e sem prejudicar os contribuintes alemães é a seguinte: porque a Alemanha não cria um fundo de investimento de montante igual à poupança de encargos financeiros com a emissão de dívida pública e a algum do ganho no crescimento das suas exportações (por serem em euros e não em marcos) nestes 2 anos e meio, investindo em projectos em Portugal e na Grécia (economias mais pequenas) e abrindo linhas preferenciais de importação de produtos destes países

Com o rigor alemão, muito provavelmente, a criação de novos projectos/empresas ou a entrada no capital social de empresas já existentes de diferentes sectores em Portugal e na Grécia, iria possibilitar aos contribuintes alemães recuperarem o capital investido e com ganhos interessantes. Seria uma operação financeira do tipo de "venture capital" ou de "private equity" (capital de risco).

E o exemplo de sucesso da empresa alemã VW no nosso país até é um bom motivo de confiança para a realização desses potenciais investimentos.

Isto sim, seria uma transferência das vantagens de um país rico para países em dificuldades, mas não a fundo perdido e sem prejudicar o contribuinte alemão.

Mas se a par da Alemanha, outros países ricos como a França, a Finlândia, a Áustria, a Holanda, o Luxemburgo, entre outros, fizessem o mesmo, poderíamos estar a falar de 20 mil milhões de euros ou mesmo mais de potenciais investimentos produtivos.

Claro que o sentimento nacionalista dos países necessitados poderia tentar impedir esses investimentos. De certeza que lá vinham os mesmos de sempre dizer que estamos a ser vendidos ao capital estrangeiro e eu pergunto: não estamos já "quase hipotecados" aos credores internacionais? O país não necessita de investimento directo estrangeiro? Esses investimentos não ajudariam ao crescimento económico e à criação de emprego?

Economista
Autor do livro Gestão de Activos Financeiros - Back to Basis 
 
In Jornal de negócios

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